HYLDON: “SoulSambaRock”, um disco para ouvir, pensar e dançar!

Compositor e cantor Hyldon lança novo álbum, “SoulSambaRock”, reunindo singles lançados nos últimos dois anosHYLDON_Rock_in_Rio_2019_FOTO_Michael_Meneses_Portal_Rock_Press e faixas inéditas. Além dos gêneros anunciados no título, o trabalho também passeia pela música latina, rap, blues, e conta com as participações de Rappin’ Hood, Romero Lubambo, Marlon Sette, Papatinho, Trio Frito, e parcerias com Arnaldo Antunes e João Viana. Recheado de referências, o disco é quase uma enciclopédia musical.

HYLDON:
“SoulSambaRock”, um disco para ouvir, pensar e dançar!

TEXTO: Robert Moura
FOTOS: Michael Meneses 


Hyldon_álbum_soul_samba_rock“SoulSambaRock” (DPA Discos), é o novo álbum de Hyldon. Depois de “As Coisas Mais Simples da Vida” (2016), no qual sobressaem as baladas, o músico volta a atacar com uma pegada mais forte e ritmos dançantes. Seis das dez faixas do trabalho, produzido pelo próprio Hyldon, foram lançadas como singles entre 2019 e 2020. Com influência e referência a diversos artistas e gêneros, o disco se torna quase uma enciclopédia musical.

“República das Bananas” (Hyldon) abre o álbum trazendo muita latinidade, reverenciando vários gêneros musicais do continente, da cúmbia colombiana ao forró, rap e samba como diz sua letra, com direito a uma citação instrumental de “El Manisero” (canção do gênero “son” do compositor cubano Moisés Simons) e uma dose de reggae. Destaque para o solo de trompete mariachi mexicano de Rafael Trumpet. Qualquer semelhança entre o título da faixa e um país que conhecemos bem, (não) é mera coincidência. Resta-nos torcer para que sua letra seja profética quando diz: “Caiu mais um presidente na República das Bananas”. “A Lenda do Clube dos 27” (Hyldon)Hyldon_single_a_lenda_do_clube_dos_27, com sua melodia bem próxima da fala, traz a influência do rap e um texto contundente que parte de um clima romântico para desembocar na violência cotidiana e as desigualdades sociais das nossas grandes cidades. A Lenda do Clube dos 27 à qual Hyldon se refere é a dos artistas que morreram com essa idade. Ele cita o lendário bluesman Robert Johnson, a cantora Amy Winehouse, e o pintor Jean-Michel Basquiat, mas o trágico clube inclui ainda os músicos Jimi Hendrix, Janis Joplin, Brian Jones, Jim Morrison e Kurt Cobain. Aliás, o próprio Hyldon confessa que cismou que, assim como eles, morreria aos 27 anos. Papatinho fornece o beat para a base rítmica da canção que também carrega sua porção de soul HYLDON_Rock_in_Rio_2019_FOTO_Michael_Meneses_Portal_Rock_Pressmusic. Aliás, falando em soul music, “SoulSambaRock, Sou”, não poderia fugir da mistura dos três gêneros do título. Ela celebra o samba-rock e cita canções e expoentes do gênero como “Segura a Nega” (Bebeto e Luís Vagner), “Mané João” (Roberto e Erasmo Carlos), “Tragédia no Fundo do Mar” (sucesso dos Originais do Samba, de autoria de Zeré e Ibrahim), “Chiclete com Banana” (de Gordurinha e Almira Castilho, eternizada por Jackson do Pandeiro), Branca di Neve, Bola 7, Jorge Ben Jor e Ed Lincoln. Os metais fazem a festa, incluindo um solo de trombone de Marlon Sette (parceiro de Hyldon na composição). E tem, ainda, o auxílio luxuoso de um cavaquinho na harmonia. “Um Luau pra Você”Hyldon_single_um_luau_pra_você é uma baladinha funkeada, de Hyldon, DJ Tubarão, e Rappin’ Hood que também faz uma participação especial esperta apresentando versos que dialogam com a canção com muita musicalidade. Na sequência, Hyldon apresenta sua leitura de “Vida Que Segue”, composta especialmente por ele para Gal Costa (Hyldon falou sobre essa e outras canções do disco em primeiríssima mão para a Rock Press, na entrevista que nos concedeu no ano passado. Confira AQUI!). A faixa tem participação de violonista e guitarrista Romero Lubambo que acrescenta uma sonoridade jazzy à canção para a qual podemos nos valer de outra composição de Hyldon para comentá-la: “música bonita dá vontade de cantar”.

Hyldon_single_Boletos“Boletos” (Hyldon) é um rock com uma pegada setentista conduzido por riffs de guitarra distorcida com baixo e bateria marcantes, cortesia do Trio Frito (formado por Chico Vaz no baixo, Ian Sá na bateria, e Roginho na guitarra e vocais) que se encarregou da condução instrumental com Hyldon na guitarra base e a participação especial de Márcio Pombo no órgão. Seu tema não poderia ser outro senão aqueles papeizinhos que invadem as caixas de correio da esmagadora maioria da nossa população, e que vamos “ter que pagar um dia” como eles cantam, mas ainda sobra espaço para homenagear Hendrix, Led Zeppelin, Mutantes e Elis Regina. Em “50Hyldon_single_50_tons_de_preto Tons de Preto”, Hyldon aborda a questão da negritude e do colorismo, numa levada de afoxé com destaque para o baixo de Artur de Palla que assina o arranjo com Hyldon. O artista coloca-se dentro do contexto como descendente de negros, índios pataxós e portugueses, e convida o ouvinte a refletir sobre o tema. Nos backings vocals, ela traz as participações de Gerson King Combo, Carlos Dafé (Banda Black Rio) e Jhussara Lourenço (Trio Ternura), figuras fundamentais da Black Music no Brasil, unidos às vozes de Cris Delano, Cássia Raquel, Jorge Aílton e João Paixão. “Ninguém Merece Viver Só” foi feita em parceria por Hyldon e João Viana, que, além de participar dos backing vocals, também toca bateria nessa e outras faixas do disco. Ela nos leva de volta ao universo das baladas com uma pegada bem Rythm’n’Blues e tem um belo solo de guitarra de Guilherme Schwab na introdução. “Cada Um Na Sua Casa” Hyldon_single_Cada_um_na_sua_casatem música de Hyldon e letra de Arnaldo Antunes, e se mantém próxima das raízes da música negra norte-americana numa linha mais blues ressaltando a guitarra de André Neto. Discutindo a relação entre casais que moram juntos, mas que, talvez, devessem morar separados. Seus versos alertam: “amar não é pra amador!”. Por fim, “Zondag In Amsterdam” Hyldon_single_Zondag_in_Amsterdam(zondag, domingo em holandês) que foi o primeiro single lançado do disco, ainda em 2019, tem aqui a missão de fechar os trabalhos. Falando sobre uma viagem de Hyldon pela cidade holandesa, a música tem sua base novamente mergulhada no blues resultando em um poderoso blues rock.

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A foto da capa do disco (de autoria de Jardel de Melo) foi realizada durante sua participação no show de Mano Brown, no Rock in Rio 2019, no palco Sunset (fotos desta matéria. Relembre aqui!) e a contracapabrinca com a ideia ao trazer uma foto (de autoria de Yas Medyna) de Hyldon durante um pôr-do-sol (sunset, em inglês) em uma das belas praias cariocas. Hyldon continua sendo inventivo, sem medo de fugir das fórmulas que o consagraram e se arriscar em novas sonoridades. Música para se ouvir, pensar, e certamente, dançar! – Robert Moura.

O álbum está disponível nas plataformas digitais: https://onerpm.lnk.to/soulsambarock

SITE: http://hyldon.com.br/
YOUTUBE: https://www.youtube.com/c/HyldonSouzaoficial

 

ROBERT MOURA - É natural de Belo Horizonte. Bacharel em Música (UEMG) e Mestrando em Artes (UEMG). Professor na Alaúde Escola de Música.Tocou guitarra em bandas de Rock na capital mineira, e assim como Hyldon também achou que iria morrer aos 27. Atualmente seu trabalho está focado no violão clássico e trilhas para teatro.
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