ROCKABILLY BRASIL, de Eduardo Molinar
Data: Quarta-feira, 26 de Outubro de 2016 (1:12:56)
Tópico: Rock Press



 

O jovem escritor gaúcho Eduardo Molinar conta tudo sobre a cena rockabilly brasileira





+ entrevista

ROCKABILLY BRASIL, de Eduardo Molinar

Rockabilly sem firula

Por Cleiner Micceno


Eduardo Molinar é um cara bem novo, tem apenas 20 anos e mora em Santa Maria, uma importante cidade do velho oeste gaúcho. Gostar da cultura musical dos anos 50 em uma cidade "pequena", e longe dos grandes centros, nem sempre é uma coisa muito fácil, pois na cidade não há muita gente nem referência para esse gosto sui generis. 

Considerando sua idade, Eduardo deve ter ouvido muito a balela: “Por que um guri tão novo vai querer ouvir essas coisas antigas?!”. Mas ele queria, e não só ouvir mas entender e digredir sobre os porquês de seu apreço por essas “velharias”. Em sua jornada, Molinar foi longe, tão longe quanto foi possível com sua limitação de escritor independente, sem um financiamento e sem uma editora. Contatou muita gente, embrenhou-se de corpo e alma na cena, foi acolhido e colheu muitos depoimentos importantes para delinear a história desse estilo tão "alternativo" e ainda menos difundido, seja pelos meios de comunicação formais ou mesmo pelo próprio underground. Buscou o máximo possível de abrangência, contando sobre o começo da cena primeiro lá fora, até a chegada aqui no Brasil, sobre suas gangues, sobre as bandas os shows e tudo mais... Os altos e baixos da cena, está tudo ali.

 

Quando nasceu a ideia do livro e quanto tempo levou para escreve-lo?

Eduardo Molinar - Foi no finalzinho de 2013. Eu precisava achar um tema para meu TCC. Como nunca fui interessado em monografia e nem em enquadrar certas coisas em teorias, procurei outro formato para meu trabalho. Eis que surgiu de fazer um livro utilizando o processo jornalístico em sua criação... o que foi perfeito! A ideia de ser sobre Rockabilly no Brasil surgiu logo depois, meio que “do nada”. Ela surgiu na minha cabeça e não saiu mais. Levou em torno de dois anos, entre entrevistas, revisões e diagramações.


Qual seu envolvimento com o rockabilly?

Total. É o meu estilo de vida desde que conheci Elvis Presley, com 8 anos de idade. Estou com 21 e certamente morrerei assim... rocker!

 

Você já era da cena ou teve alguma outra motivação?

Uso o visual, pesquiso sobre a história e curto o som desde meus 12 anos, oficialmente falando. Antes de 2013, quando iniciei o processo de apuração do livro, não sabia que outras pessoas faziam o mesmo que eu. Sou de Santa Maria, cidade provinciana do interior do RS, e por aqui sou eu e mais 3 ou 4 pessoas que curtem o estilo. Mas desde que fui a São Paulo pesquisar e entrevistar o pessoal, fui muito bem acolhido pela cena de lá, assim como fui aceito pela cena de Porto Alegre (RS). Minha motivação é e sempre será o movimento rockabilly, engrandecê-lo e divulgá-lo de forma séria.

 

Quantas pessoas você entrevistou?

Nesse primeiro trabalho foram mais de 50 entrevistas, fora as conversas em off e outras extra-oficiais que tive com mais pessoas.

 

E quais são os principais destaques do livro?

Olha, na verdade cada capítulo tem sua particularidade e cada um é um destaque do livro. Procurei abranger o máximo possível e trazer todos os elementos que compõem o cenário no Brasil. Contudo, nesse livro, busquei enfatizar mais a parte das gangues, do pessoal de rua, crucial na formação da cena que temos hoje, tão importantes quanto as bandas na afirmação do movimento, e também na hora de preservar a atitude que o rockabilly naturalmente tem.

 

Como você vê a cena e como sua visão mudou sobre ela depois do processo do livro?

A cena começou a se formar em 1979–1980 com o aparecimento dos primeiros adeptos do rockabilly no Brasil. Era outra pegada, havia mais brigas com outros grupos de rua... mas havia também muito amor pelo movimento! Como não existiam tantas referências em discos, informações e muito menos casas de show que tocassem esse som, quem estava naquela época e se manteve, foi porque gostava mesmo daquilo. Admiro muito quem está no rolê desde sempre! São pessoas corajosas. A minha visão sobre a cena não mudou, mas evoluiu, aumentou. Antes eu não sabia que existia tanta gente... é claro que hoje a coisa é bem diferente do período de 1988-1995 (o “auge” do movimento), mas assim mesmo ainda temos muita gente no rolê. Espero que o livro sirva para trazer mais gente para o movimento e que corrija os olhares equivocados que ainda pairam sobre quem nós somos.

 

Fale um pouco do Eddy Teddy e da importância dele para o cenário do rockabily.

Eddy Teddy é o começo de tudo em nosso país. Existem muitas pessoas/bandas importantes, mas o que ele e a Coke Luxe fizeram é algo extremamente elementar para cada um que quer conhecer o movimento no Brasil. Ele apareceu numa época em que “não existia nada”, fazendo um som muito diferente do que a maioria conhecia e colocou a Coke Luxe na estrada. A Coke Luxe deveria ser reconhecida nos livros sobre rock nacional, pois foi a primeira banda no Brasil a tocar rockabilly tradicional com uma pegada totalmente inovadora... e a tocar super bem, diga-se de passagem. Sem ele, sua insistência e humildade, é certeza que não teríamos nada relevante rolando no país atualmente, e não é só referente ao rockabilly.

 

Segundo seus levantamentos, quais fases da cena no Brasil você considera as principais?

De 1979 a 1988 temos o nascimento da Coke Luxe seguida pelos Grilos Barulhentos e o surgimento de gangues como Ratz e General Boys. Após o “boom” de 1988, a grande mídia, mesmo que de forma pueril e equivocada, passa a explorar o movimento... temos a novela global Bambolê e os campeonatos de topete que Rick N' Roll organizava, surgem diversas outras gangues, tanto Guana Batz (1989) quanto os Stray Cats (1990) vêm ao Brasil, o neo rockabilly já explodia lá fora e agora tomava as ruas no país. Surgem cenas em outras cidades. Foi um movimento que durou até 1995, mais ou menos. Desde então houve um “esfriamento”, e agora a coisa está vivendo um novo bom momento. Há muitas bandas, festivais, exposições e o nome do rockabilly brasileiro tem se tornado conhecido e respeitado em celeiros tradicionais como os Estados Unidos e Ilhas Britânicas, bem como a Europa em geral, Australia e Japão. Acredito que se houver uma união do pessoal, podemos fazer com que o movimento cresça ainda mais.

 

Nas entrevistas, quais as maiores mudanças que você notou no cenário desde seus primórdios?

Uma das coisas que notei é que há menos brigas com outros grupos. Foi uma coisa do tipo “da ordem do dia” nos anos 80 e 90, mas agora estão mais calmas, e consequentemente, menos problemas com a polícia. Hoje temos mais bandas no circuito, fazendo um som mais autêntico e passando seu recado.

 

Quais as bandas você sente que representam a produção no Brasil hoje?

Há várias...gosto de destacar a Old Stuff Trio, de Sapucaia do Sul (RS), que faz um som fiel ao rockabilly tradicional e ao hillbilly; a The Hicks, de Poços de Caldas (MG), que tem resgatado som sulista americano com rockabilly, country, blues; a Redneck Rosters, de São Carlos (SP); Os B.Booms, de Curitiba... enfim, muita gente boa tocando pelo Brasil.

 

Quais as principais influências desse cenário brasileiro?

Temos todos os tipos, sejam elas americanas, inglesas ou de qualquer outro país. Tanto do rockabilly original quanto do delta blues, da country music, do hillbilly, bem como do neo rockabilly e do psychobilly também.

 

Discografia básica que você recomenda para quem não conhece ou quer conhecer mais sobre a cena rockabilly brasileira?

Recomendo dois discos cruciais: o Rockabilly Bop, da Coke Luxe, é indispensável; e o Cem Anos de Rock’n’Roll, de João Penca & Seus Miquinhos Amestrados; segue com Psychodemia e Delirium Tremens, dos Kães Vadius, e a coletânea Devil Party. Tenho certeza que irão gostar!

 

E onde é possível encontrar o seu livro?

Estou vendendo o livro nos lançamentos que organizo pelo Brasil e também pela internet. Entre em contato pelo facebook https://www.facebook.com/livrorockabillybrasilou pela minha página pessoal mesmo, e envio o livro pelo correio. Tem também o instagram oficial do livro (livrorockabillybrasil), em que o pessoal pode conferir fotos dos eventos. Como é um livro totalmente independente, eu que banquei e não tem editora, a venda está sendo feita por mim.


Qual a repercussão do livro na cena, e quais os objetivos do livro e de seus trabalhos no futuro?

Isso é algo que ainda estou avaliando, pois faz pouquinho tempo que ele foi lançado. Por enquanto tem sido muito boa, dentro e fora da cena. A maioria entendeu a proposta e acreditou no meu trabalho. Alguns outros já preferiram criticar e me acusar, pois eu não teria colocado todos no livro. O que tenho tentado explicar é que esse é o primeiro livro... não o último! Então já comecei a produção do livro 2, nos mesmos moldes do primeiro, mas que será maior e terá muita gente que não apareceu no primeiro. É um trabalho de formiga e eu sou apenas um... mas farei o segundo livro, e se precisar, farei o terceiro, o quarto e por aí vai... Estou fazendo isso por amor ao rockabilly, não para ganhar dinheiro ou me promover. É o primeiro registro do movimento em nosso país em livro. São histórias impactantes contadas pelos próprios personagens. Eu estou apenas reunido-as nesse formato da forma mais séria e imparcial possível.


Deixe um recado pra galera leitora da Rock Press.

Quero que todos possam ler, de dentro ou de fora da cena, e que conheçam essa parte do underground brasileiro. É um livro acessível a todos, de crianças aos mais velhos, para que qualquer um possa entender quem somos e, se quiser, ingressar no movimento!


Contatos para conseguir o livro:

Email: eduardomolinar95@hotmail.com

facebook: https://www.facebook.com/livrorockabillybrasil








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