SHARON JONES & THE DAP-KINGS
I Learned the Hard Way
(Daptone Records)
Jody Rosen, da RS norte-americana, resenha o novo álbum de Sharon Jones com os Dap-Kings e pergunta: “É um disco ou uma exibição de museu?”. A questão é provocadora e tem lá seu grau de procedência, já que o projeto estético da galera do selo Daptone, dirigido com pulso firme por Bosco Mann, é a recriação perfeita da sonoridade e do espírito da música soul dos anos 60. A palavra “recriação” sugere um certo grau de artificialismo, mas, julgando pelos resultados obtidos e divulgados, é difícil negar que a turma do selo Daptone faz o que faz por amor genuíno à música. O tempo, rei tirano, parece ter pregado uma peça aos nossos amigos Dap-Kings ao fazer com que chegassem quarenta anos atrasados à festa da soul music, mas a gangue do Bosco Mann não deixa barato e desafia o tempo cronológico com sua proposta “retrô”. É difícil responder à pergunta de Jody Rosen, especialmente se você é, como eu, fã radical de soul . Para mim, o som e as mensagens da soul music continuam vivas e relevantes hoje como na época em que foram geradas. A arte tem a capacidade de desafiar o tempo. No caso de I Learned the Hard Way, o novo disco de Sharon Jones com os Dap-Kings, interessa mais saber se as canções têm qualidade e se a performance musical dos envolvidos na produção é adequada do que especular sobre a validade de fazer música “antiga” em 2010. A resposta, neste caso, é sim: as canções são em geral boas, em alguns casos ótimas (“Money” e “Mama Don’t Like My Man” são deliciosas). Sharon Jones é uma grande cantora de soul e dá uma aula de controle vocal e emocional na magnífica faixa “Window Shopping”. Os Dap-Kings, liderados pelo baixista e produtor Bosco Mann, tocam de forma apaixonada e (aparentemente) espontânea, reproduzindo com fidelidade absurda os timbres sessentistas. “I Learned the Hard Way”, é uma “exposição de museu” amorosa, festiva e revigorante. Por zeca azevedo