Bem vindo a portal rock press 21 anos!
  Olá Anônimo!
Busca  
filmes: 1972 – O Filme
Quinta-feira, 28 de Setembro de 2006 (16:56:57)

 

O longa de estréia de José Emilio Rondeau mostra a vida cultural e política de um ano marcante

 


 

1972 - O Filme
 
 
1972. Nas ruas, protestos estudantis contra a ditadura. A repressão e a censura dominam a cena cultural. “Terroristas” são mortos, presos políticos torturados. Caetano volta do exílio e o pier da praia de Ipanema torna-se referência para um novo comportamento e uma nova atitude – o desbunde.  O longa-metragem de estréia de José Emilio Rondeau, também autor do roteiro com Ana Maria Bahiana, traz para as telas a vida cultural e política de um ano marcante no país, quando os jovens dividiam-se entre a militância e o rock.

Em um cenário sombrio marcado pela repressão, mas também por shows de rock que atraíam multidões, muito desbunde e uma imprensa alternativa ativa como instrumento cultural, Júlia e Snoopy descobrem o amor e apostam em um futuro mais leve e feliz.

Com produção de Tarcisio Vidigal, Ana Maria Bahiana e Lúcia Fares através do Grupo Novo de Cinema e TV, co-produção de Miravista, Luz & Imaginação, Labocine do Brasil e Quanta, e patrocínio da Petrobrás, 1972 apresenta Rafael Rocha em sua estréia no cinema, ao lado de Dandara Guerra, em seu primeiro papel como protagonista. Integram também o elenco: Bem Gil, Fábio Azevedo, Débora Lamm, Dudu Azevedo, Lúcio Mauro Filho, Louise Cardoso, Tony Tornado, Pierre dos Santos e Cláudio Gabriel.

1972 tem fotografia de Marcelo Durst e direção de arte de Cláudio Amaral Peixoto. Com direção musical de Renato Ladeira e trilha original de Cláudio Araújo e Renato Ladeira, o filme recupera a preciosa sonoridade dos anos 70, como as músicas da legendária banda A Bolha e homenageia figuras emblemáticas como Big Boy, personagem fundamental para a afirmação do rock nacional.

 


 + entrevista

José Emílio Rondeau

Roteirista e diretor

Um dos pioneiros na criação e direção de videoclipes no Brasil. Entre seus trabalhos destacam-se clipes dos Paralamas do Sucesso, Alceu Valença, Kid Abelha, Lobão e o clássico e premiado “Tempo Perdido”, da Legião Urbana. De 1994 a 2002 produziu e dirigiu segmentos e programas sobre cinema para a Rede Globo e o canal a cabo Telecine, além de co-produções com o Independent Film Channel (EUA), a rede francesa La 13ème, e a rede latino-americana a cabo Cine Canal. 1972 marca sua estréia no cinema.


Dirigir era um projeto antigo?

Minha formação audiovisual consistiu basicamente da realização de videoclipes para o Fantástico no início dos anos 80. Não pensava em fazer cinema. Às vésperas de nos mudarmos para Los Angeles, eu e Ana Maria demos um passeio de carro até à Barra da Tijuca e fizemos um voto solene: nunca nos envolveríamos com cinema. E aconteceu o contrário. Em Los Angeles, onde vivemos de 1987 a 2004, você é contagiado pela vocação da cidade. E acaba aprendendo involuntariamente, através de reportagens no set, leitura de roteiros e muitos filmes. Esse exercício constitui uma escola de cinema contínua e abrange todos os setores da atividade. A idéia de 1972 partiu da Ana – tanto a história como a sua transformação em filme. E eu não poderia estar mais satisfeito com a experiência e com o resultado.

Como você se preparou para dirigir seu primeiro longa? 

O primeiro passo foi aprender a escrever um roteiro, um processo longo, de muito estudo, muita tentativa-e-erro, leituras e discussões. Admito que a maior dificuldade foi encarar o set – o que exigiu muito fôlego, uma mudança de escala enorme em comparação ao que eu fazia, e também a relação com os atores.

Por que você escolheu rostos desconhecidos para os papéis principais e como foi a sua relação com o elenco?

Queria que o público visse pessoas e não atores. Rafael foi escolhido a partir de uma foto do tamanho de uma unha que recebi uma semana antes das filmagens, quando estava em desespero total. Quando ele apareceu vestido de anos 70, não tive dúvidas. Eu conhecia a Dandara vagamente, através de uma foto que vi em viagem ao Brasil por volta de 1999, 2000. Fiquei com a imagem guardada na memória, junto com o nome que me parecia tão lindo quanto misterioso. Depois de incontáveis tentativas na busca de Julia, resolvi conhecê-la pessoalmente, na saída da escola em que estudava. E ela me pegou de surpresa.

Como foi o processo de trabalho com o elenco?

Ensaiamos intensamente por quatro semanas, e devo dizer que esse período me ajudou muito a apurar a visão do que eu realmente queria - muitas cenas cresciam, outras eram abandonadas. Os atores realizaram workshop sobre a cena musical dos anos 70 com Renato Ladeira, tiveram palestra sobre imprensa alternativa com Luis Carlos Maciel e Ezequiel Neves - uma verdadeira formação da época. A relação com o elenco foi ótima – todos são mais jovens que meu filho, Bernardo, que trabalhou cuidando do vídeo assist.

Como se preparou para a parte técnica? Você começou as filmagens com o filme “pronto”na cabeça, storyboard detalhando cena a cena?

Fiz storyboard apenas para a seqüência mais complexa – a invasão do cine Ópera. O desafio seria sem dúvida muito maior se eu não contasse com Júlia de Moraes como assistente de direção, sempre muito rigorosa, organizada, disciplinada, que não me deixava pisar na bola. Desde o início, pensei em um filme com a câmera em movimento o tempo todo, e a convivência com Marcelo Durst, diretor de fotografia, foi muito rica. Graças a ele, o filme é cheio de planos seqüência e foi feito, em boa parte, com luz natural, o que dá uma característica visual toda especial. Filmamos ao longo de sete semanas. Por ter convivido com a idéia há tanto tempo, eu estava completamente impregnado da história. O período da montagem com João Paulo foi maravilhoso e também aprendi muito com ele, um verdadeiro mestre.

O que Snoopy tem de José Emílio?

Para começar, o apelido, um dos muitos que eu tive na adolescência. Eu não queria criar conflitos colocando apelido de amigos. Na verdade, Zé (Bem Gil) também foi um dos meus apelidos. A rigor, não há nada de autobiográfico – Snoopy vem de Realengo, eu venho ainda de mais longe – Bangu. O filme reúne memórias do percurso de muita gente e fatos históricos. Alguns episódios aconteceram próximos a mim e ajudaram a colorir a história com autenticidade da época. Nunca tive banda, nunca participei de concurso, mas um amigo, o pianista, compositor e arranjador Jovino José dos Santos, que hoje mora em Seattle e mantém uma carreira internacional de muito sucesso, depois de ter tocado durante muitos anos com Hermeto Pascoal, trabalhava em uma farmácia em Realengo. Fui parado pela polícia uma vez – à procura de maconha. Conheci um Tião na infância, branco e baixinho, e na tela (Tony Tornado) representa a tentativa de mostrar como a ditadura afetava a vida de todo mundo. Quanto à histórica sessão do Cinema Ópera, cheguei atrasado, depois que a polícia há havia ido embora, mas fui.

Você nunca pensou em ser músico?

Os Beatles explodiram quando eu tinha sete anos. Todo mundo da minha geração queria ser músico, mas eu tinha preguiça de ensaiar. Eu gostava mesmo de escrever.

Como foi feita a seleção das músicas?

Originalmente, o filme teria músicas brasileiras e estrangeiras, mas por uma questão econômica, ficaram apenas as nacionais, o que acabou mudando a estética do filme e foi a melhor coisa que podia ter acontecido. Renato Ladeira realizou uma amplíssima pesquisa musical, resgatando raridades da época, como a música “Miragem”, da banda Os Lobos, ou a antológica “É Impossível Acreditar Que Eu Perdi Você”, de Márcio Greick.

Ao longo do tempo, houve modificações em relação ao projeto inicial?

A princípio eu pensava em fazer uma fantasia romantizada sobre fãs de rock, idéia que foi se transformando na memória de uma época, meio sonho, meio irreal, próxima de uma comédia romântica. Escrevi para um público bem mais moço do que eu, e talvez a parte mais difícil tenha sido justamente dar credibilidade a personagens tão jovens, não transformá-los em “punks” do Fantástico. Um dos meus grandes orgulhos foi ter conseguido retratar o mundo em que vivi: quando vejo o filme, parece que estou vivendo aquela época, raciocinando com o coração e a cabeça das pessoas daquela época. Vive-se hoje tempos muito cínicos - 1972 é desprovido de cinismo. Fiz um filme sincero e romântico, aliás, descabeladamente romântico - os beijos demoravam um mês para acontecer. O filme é tão casto, exatamente o que eu pretendia. Lembrar a juventude é recuperar a sensação de ter tanta coisa pela frente. Aprendi muito e quando o filme acabou percebi: agora sei como fazer.

E como você acha que a nova geração, tão diferente da que você retrata, receberá o filme?

Pensei que pudessem achar o filme bobo, mas venho notando que os jovens adoram, principalmente casais de namorados. Espero que eles se dispam um pouco da dureza dos tempos de hoje e aproveitem essa historia romântica. 1972 propõe várias perguntas: destino existe? Mandamos em nossas vidas? As pessoas estão predestinadas a se encontrarem? Já recebi cobrança de um filme político, mas 1972 não é sobre política, embora fatos da época estejam presentes como pano de fundo, em clima de tensão, vigilância e repressão sobre os jovens. Quem não viveu, não tem idéia do que foi aquela época. Mas não fiz um filme político – 1972 é sobre outra coisa. 1972 foi um ano de repressão violenta, mas um punhado de pessoas conseguiu emergir e construir um mundo melhor.




+ entrevista

ANA MARIA BAHIANA

Produtora, co-roteirista, criadora da idéia, idealizadora do projeto

Nome de ponta do jornalismo cultural brasileiro, desenvolve uma carreira que abrange três décadas de reportagem cultural na imprensa, no rádio e na televisão. Escreveu para veículos como O Globo, Jornal do Brasil, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Opinião, Movimento, República e Bravo. No exterior, colaborou para Le Film Français, Follow Me, Mode e HQ (Austrália), e Escape (Estados Unidos). Entre 1992 e 1996 foi chefe do escritório em Los Angeles da revista britânica Screen International. Autora de seis livros, entre eles A Luz da Lente, coletânea de entrevistas com cineastas publicada em 1996 pela Editora Globo. Seu último livro, Almanaque Anos 70, foi lançado em junho pela Ediouro. 



José Emílio lhe atribui tanto a idéia do projeto como a sua transformação em filme. Como foi esse começo?

Há dez anos ganhei do meu filho o CD Let it Bleed, dos Rollings Stones. Eu dirigia ouvindo “You Can’t Always Get What You Want”, e flashes começaram a pipocar na minha cabeça – vidros quebrados, pessoas correndo – exatamente como está no filme – e passei a me perguntar por que eu fazia aquelas associações, de onde elas vinham, até me vir à memória a lembrança do quebra-quebra no cinema Ópera. Cheguei a pensar que eu tinha inventado aquela história, mas perguntei a várias pessoas que a confirmaram. A partir desse incidente, conversei com o Zé: não seria bacana contar a história de dois jovens muito diferentes que viviam em pontos opostos do Rio de Janeiro e que se encontram neste quebra-quebra? A história deles não aconteceria sem a sessão frustrada de Gimme Shelter, proibida pela polícia em 1972.

O que 1972 tem de autobiográfico?

Apenas a inspiração do perfil dos personagens. Eu era uma jornalista da Zona Sul, secretária de redação da revista Rolling Stone, apaixonada por rock. Zé Emílio era um garoto da Zona Oeste, também apaixonado por rock, em particular pelos Rolling Stones. Aliás, não nos conhecemos em 72, mas em 1977, em uma história igualmente romântica embora bem diferente. Apenas nos vimos de relance na sessão de Gimme Shelter, mas éramos de turmas diferentes. A partir deste incidente, construímos uma história de ficção típica do Rio de Janeiro e do país naquela época. As distâncias dentro das cidades eram muito grandes e vivia-se uma cultura do medo. Devido à repressão, os jovens não se aproximavam de qualquer pessoa – cada um buscava a sua turma.

A princípio, também no filme, Snoopy e Júlia são de turmas diferentes.

Exatamente. E quando começamos a trabalhar no roteiro, nos perguntamos como seria possível, naquelas circunstâncias, o encontro de dois jovens completamente diferentes. Júlia, uma menina de classe média alta da Zona Sul, e Snoopy, um garoto vindo da classe operária de um subúrbio da Zona Oeste. Se eles não fossem militantes políticos ou se não gostassem de rock jamais se encontrariam. O encontro acontece, ironicamente, graças à invasão do Cinema Ópera.

E o que há de real na reconstituição desta cena?

Eu diria que ela é quase documental. Houve realmente uma invasão de policiais a cavalo, portas quebradas, correria. Havia uma mística em torno de filme. Não lembro como foi feita a divulgação, mas a verdade é que compareceu uma multidão, louca para ver os Rolling Stones. Naquela época, o mundo ficava muito longe, a juventude não só não tinha acesso como podia muito pouco devido à censura. Até as letras das músicas mais simples eram enviadas à censura. Os jovens tinham a sensação de que o mundo era uma festa da qual não podiam participar. Os ecos desta festa chegavam tarde, esperava-se meses para conseguir um disco, não havia shows de astros internacionais de rock.

O filme retrata o Rio de Janeiro desta época.

Sem dúvida. O Rio era uma província, um mundo fechado em si mesmo, enquanto lá fora acontecia a festa – festivais de cinema, shows de rock, e a gente aqui, neste bode. 1972 foi também o ano em que os Rolling Stones encerraram nos Estados Unidos, em Nova York, uma turnê que se tornaria mítica. Enquanto isso, as pessoas no Brasil apanhavam porque queriam assistir ao filme. O show de NY ganhou uma forte referência visual na representação do show do Vide Bula no final do filme.

Qual a importância da imprensa alternativa em 1972?

1972 foi sem dúvida o ano da explosão da imprensa alternativa no país, com a criação ou consolidação de publicações como Opinião, Bondinho, Pasquim, nas quais se encontra o relato de muitos fatos que não constavam na chamada grande imprensa. A Pedra do Mal em que Júlia trabalha é uma fusão dessas várias publicações. Guti (Lúcio Mauro Filho) é uma síntese dos editores, jornalistas experientes e desbundados. A foto da ação da polícia reprimindo uma manifestação de estudantes, que ele manda colocar na primeira página, é real e foi batida por Pedro de Moraes. 1972 foi o único ano da existência da revista Rolling Stone no Brasil, editada por Luiz Carlos Maciel.

Como surgiu o personagem Tião, interpretado por Tony Tornado?

Esse personagem sempre foi muito debatido – e optamos por colocá-lo como uma síntese “do outro lado” da sociedade da época. É como se o Rio de Janeiro fosse dividido em duas cores – um mundo cinza, insuportável, ao qual pertencia Tião, e um mundo rosa, em que jovens tentavam inventar um outro país. Durante muito tempo nos questionamos se um personagem do mundo cinza deveria entrar no mundo rosa e chegamos a Tião, inspirado em um personagem da adolescência do Zé. Tião propõe várias questões, como acreditar ou não no que fazia, como checar às próprias convicções. No filme, Snoopy, em sua inocência, desperta no personagem um idealismo perdido que o leva a abandonar a bebida. Com o tempo, o país evoluiu, Tião mudou, talvez tenha juntado-se ao filho no exílio. Este homem sem rumo se reencontrou graças ao Snoopy.

O filme faz uma bela homenagem ao Big Boy.

Sem dúvida. Ele era “o” DJ de rock, o cara que endossava todas as novidades, que fazia concursos para lançar talentos e apadrinhava novas bandas. Ele não podia faltar. Ele fica na trama um pouco como nosso anjo, um mensageiro, vindo quase de uma outra dimensão, cuja simples presença provoca mudanças na história, nos personagens.

Há também fortes referências à banda Bolha. Qual a sua importância no cenário do rock carioca?

A Bolha foi a primeira banda a fazer shows tanto na Zona Sul como na Zona Norte e, de certa forma, foi responsável pela ligação entre as duas partes da cidade. Apresentava-se geralmente em clubes de subúrbios, como Bangu, Piedade, Marechal Hermes, Parada de Lucas. O show da Bolha no filme é uma reprodução bem fiel do que acontecia e foi muito legal, até juntou uma galera querendo comprar ingresso.

1972 chega às telas depois de um longo percurso.

Pois é, começamos a escrever o argumento por volta de 1996, e as primeiras versões do roteiro a partir de 1997, 1998, ainda nos Estados Unidos. O roteiro foi muito trabalhado, a última versão ficou pronta em 2002 – o ano das filmagens. A demora deve-se em grande parte à quantidade de músicas que queríamos utilizar. A questão dos direitos foi muito complicada, até porque os detentores dos direitos de muitas músicas não eram conhecidos. A cessão de imagens de época também foi muito demorada assim como a criação da seqüência inicial em animação. A soma desses fatores gerou os atrasos.

E quanto à cessão dos direitos de imagens dos Rolling Stones?

Por incrível que pareça esta parte foi mais fácil. Eles teriam até cedido músicas por um preço razoável, mas fora de cogitação para nosso orçamento.

O que você acha das atuações de Dandara Guerra como Júlia e Rafael Rocha como Snoopy?

A escolha dos dois foi muito difícil. Às vésperas das filmagens tínhamos todo o elenco menos os papéis principais. Tínhamos uma referência de Dandara em Guerra de Canudos, e a partir de uma indicação fomos encontrá-la na saída do colégio. Quando a vimos, não tivemos dúvidas. Ela era a Júlia. Já o Rafael, tocava bateria, nunca havia feito cinema. A partir de uma foto minúscula, Zé quis conhecê-lo e quando ele chegou, também não tivemos mais dúvida. A química entre Rafael e Dandara foi tão boa que eles se casaram e tiveram um filho.

Que reação você espera do público jovem, que hoje tem a idade que os personagens tinham no filme?

A melhor possível. O filme não é saudosista, no sentido de olhar para trás – 1972 conta uma história que está acontecendo. Não importa a época em que vivem as pessoas daquela idade – todas têm as mesmas expectativas, ansiedades e fazem as mesmas perguntas – quem sou, para onde vou, qual é o meu destino. As dificuldades de cada época são diferentes, mas esses jovens continuam aí. Acredito que o público que tem a idade dos personagens se reconhecerá na tela e encontrará um eco para suas questões e, quem sabe, uma inspiração para suas vidas.






TRILHA SONORA – Renato Ladeira e Cláudio Araújo

Para a trilha sonora de 1972 foram chamados dois músicos bastante ativos na época – Renato Ladeira, letrista, cantor, guitarrista e tecladista da banda A Bolha, homenageada no filme, e Cláudio Araújo, integrante do grupo Faia, que tinha como letrista Pedro Figueiredo e Ana Maria Bahiana.
“Cheias do Luar”, a canção que a banda fictícia do filme vai construindo ao longo de 1972, é, na verdade, uma composição de Cláudio e Pedro feita em 1972.

Através de uma extensa pesquisa de época, Renato resgatou raridades que dão um colorido especial e um tom de autenticidade à inspirada trilha sonora de 1972 e incluí de sucessos de Gal Costa, Novos Baianos, Waldick Soriano a raridades históricas de grupos como Os Lobos, Karma, Soma, Os Brazões, A Bolha.

Renato Ladeira e Cláudio Araújo criaram também, a quatro mãos, a trilha incidental de 1972.


Renato Ladeira - Produtor musical de TV e publicidade, desenvolveu por dez anos a linha de novelas para a TV Globo. Depois de integrar A Bolha, fez parte da banda Herva Doce nos anos 80.


“Fui chamado pela Ana e pelo Zé para fazer a produção musical do filme, no qual apareceria a banda A Bolha. Além disso, faria a trilha incidental a quatro mãos. Para reviver A Bolha, reuni o pessoal (da formação clássica da banda) e escolhemos a música ‘Sem Nada’, gravada em um compacto em 1971, para ser tocada no filme como se fosse da época. Zé Emílio escolheu meninos parecidos com a formação original e eles nos dublaram. Foi uma experiência maravilhosa.

A banda surgiu em 1966, com o nome de The Bubbles. A partir de 1971, virou A Bolha. Éramos conhecidos e fazíamos sucesso. Acompanhamos Erasmo Carlos e Raul Seixas, tocávamos em bailes e shows, e entre nossos fãs estava o José Emilio. Quando ele escreveu 1972, decidiu nos homenagear. Para nós – Pedro Lima (que hoje é de grupos que fazem cover dos Beatles), Arnaldo Brandão (que integrou as bandas Brylho e Hanoi Hanoi), e Gustavo Schroeter (ex-Jorge Ben e um dos fundadores da Cor do Som), foi uma viagem no tempo. Gostamos tanto que gravamos um CD que também será lançado em LP com as músicas ‘Rosas’, ‘Subentendido’ e ‘É Só Curtir’, incluídas no filme.

Estamos loucos para cair na estrada. Fazíamos um som típico dos anos 70, com muita influência do rock estrangeiro, como Rolling Stones e Led Zeppelin. Tenho certeza de que a nova geração irá adorar, porque fazíamos o verdadeiro rock garagem, sem subterfúgio, sem mentiras, era olho no olho, 1, 2, 3 e vamos – um rock autêntico, de verdade.

Para a trilha sonora, realizamos uma ampla pesquisa musical. Inicialmente, pretendíamos misturar rock nacional e internacional, mas devido ao alto custo de direitos autorais, acabamos ficando apenas com o nacional o que foi ótimo – dos Novos Baianos ao grupo Soma, super underground.

Foi ótimo ter reencontrado aquelas pessoas e o som dos anos 70 e perceber que o que fazíamos na época é superatual. Se os velhinhos barrigudos não aparecerem, a garotada vai adorar”.


Cláudio Araújo – músico, co-autor com Renato Ladeira da trilha sonora

Integrante do grupo Faia, com Ricardo Medeiros, Joca Moraes, Victor Larica, que existiu de 1969 a 1973, e teve como primeiro produtor Raul Seixas. “Cheias do Luar”, composta por Cláudio e Pedro Figueiredo em 1972, é a música-chave do filme. Hoje, Cláudio é médico homeopata e integra a banda Os Rockólatras.

“Fui parceiro da Ana Maria no Faia em mais de 50 canções – eu fazia as músicas, ela as letras. O grupo gravou algumas músicas em compacto e chegamos a fazer algum sucesso. Praticávamos o “rock elástico” pois agregávamos vários instrumentos, como acordeão, bandolim, flauta, e integrávamos diversos sons brasileiros. Cantávamos, entre outras, ‘Luar do Sertão’.

Várias cenas do filme foram inspiradas por coisas que aconteceram comigo e com parceiros da banda, como o roubo das lâmpadas para a show, ou a experiência de ter músicas censuradas antes de serem apresentadas no show. Fomos parados pela polícia, de madrugada, em plena praça General Osório, em Ipanema, perguntando o que carregávamos nas caixas dos instrumentos. Eu respondi: ‘Uma Gibson SG’. Não vejo aquele grupo como alienado: formávamos uma das três grandes tribos de jovens da época: roqueiros, diretórios acadêmicos e operadores da bolsa de valores, esses sim considerados os grandes vilões. Confio totalmente na atualidade do som e das músicas, até porque, o vinil que todos pensavam ter morrido está bem vivo.”



AS MÚSICAS

Miragem - Os Lobos
Tinindo Trincando - Novos Baianos
Eu Te Amo, Meu Brasil, Eu Te Amo - Os Incríveis
Do Zero Adiante - Karma
Tão Longe de Mim - Os Brazões
Eu Não Sou Cachorro Não - Waldick Soriano
Acabou Chorare - Novos Baianos
Potato Fields - Soma
Where - Soma
Fragments - Soma
Rosas - A Bolha
Subentendido - A Bolha
É Só Curtir - A Bolha
Sem Nada - A Bolha
De Que Vale Tanto Amor - Os Birutas
Baby - Gal Costa
Lem ed Ecalg (Mel de Glacê) - Módulo Mil
Não Fale Com Paredes - Módulo Mil
Hoje Ainda É Dia de Rock - Sá Rodrix e Guarabyra
Pêndulo - Egberto Gismonti
Hey Menina - Liverpool Sound
É Impossível Acreditar Que Perdi Você - Márcio Greyck
Back in Bahia - Gilberto Gil
Guanabara - Dom Salvador
Oriente - Gilberto Gil
Cheias do Luar - Vide Bula



ACONTECEU EM 1972

JANEIRO

* Caetano Veloso volta ao Brasil após três anos de exílio em Londres; Gilberto Gil chega três dias depois.
* Os grandes sucessos do verão são o show Fa-Tal, de Gal Costa, montado no teatro Teresa Raquel do Rio, e a peça Hoje É Dia de Rock, encenada no teatro Ipanema, no Rio.
* Chega às bancas o primeiro número da Rolling Stone brasileira.

FEVEREIRO

* O Bondinho, jornal underground de São Paulo, lança o seu compacto-brinde: “Expresso 2222”, de Gilberto Gil.
* Império Serrano vence o carnaval carioca com o enredo “Alô, Alô, Taí Carmem Miranda”.
*Roberto Carlos lança o LP que contém “Detalhes” e que, no final do ano, seria o primeiro disco brasileiro a vender mais de um milhão de cópias.
* Led Zeppelin lança Led Zeppelin IV, o álbum que contém a música “Stairway to Heaven”.

MARÇO

* Estréia nos Estados Unidos o documentário Concerto para Bangaldesh, com George Harrison e Eric Clapton, entre outros.
* Milton Nascimento lança Clube da Esquina; Sá, Rodrix & Guarabyra lançam seu álbum de estréia, “Passado, Presente, Futuro”.
* A TV brasileira está pronta para transmitir a cores.

ABRIL

* Os Rolling Stones lançam Exile on Main Street, Yes lança Fragile, Neil Young lança Harvest, Alice Cooper lança Killer.
* Gilberto Gil lança o LP Expresso 2222, Caetano Veloso lança Transa, Os Mutantes lançam No País dos Baurets.
* A censura veta o lançamento de Plastic Ono Band no Brasil.
* O documentário Gimme Shelter faz uma temporada curtíssima e discretíssima; outras tentativas de exibir o filme serão ainda mais curtas e, algumas vezes, impedidas à força pela polícia.

MAIO

* Emerson Fittipaldi ganha a primeira de cinco corridas de Fórmula Um que, ao final do ano, o fariam Campeão do Mundo e um herói nacional.
* O primeiro “Disco de Bolso” d’O Pasquim traz uma inédita de Tom Jobim: “Águas de Março”
* Eduardo Varela, o “Dudu da Loteca” é o primeiro apostador a ganhar sozinho uma Loteria Esportiva - ele embolsa 11 bilhões de cruzeiros, tornando-se uma celebridade instantânea.
* Les Harvey, guitarrista da banda Stone the Crows, morre eletrocutado no palco.

JUNHO

* Os Rolling Stones começam sua turnê americana.
* Leila Diniz morre num desastre de avião sobre a Índia.
* Thick as a Brick, do Jethro Tull, chega ao primeiro lugar da parada americana.
* A militante negra Angela Davis é absolvida de acusações de assassinato.
* Cinco homens são presos por invadirem a sede do Comitê Nacional do Partido Democrata americano, no edifício Watergate, em Washington.

JULHO

* Uma grande festa para o vigésimo-nono aniversário de Mick Jagger encerra a turnê dos Stones pelos Estados Unidos.
* O cinema Pax, em Ipanema, começa uma série de shows de rock e é prontamente chamado de “o nosso Fillmore”.
* Estréia Quando o Carnaval Chegar, de Cacá Diegues, com Chico Buarque, Nara Leão e Maria Bethania.
* Termina a novela Bandeira Dois.

AGOSTO

* Os Estados Unidos desativam suas derradeiras tropas de combate no Vietnã do Sul.
* Morrem Sérgio Cardoso e Dalva de Oliveira.
* Começam as Olimpíadas de Munique, e o nadador Mark Spitz é a grande estrela.

SETEMBRO

* Terroristas palestinos invadem os alojamentos dos atletas israelenses na Vila Olímpica de Munique; o confronto com a policia alemã termina com 16 mortos.
* O clube Toca do Rock /Cachimbo da Paz abre as portas em Ipanema, e rapidamente se torna um eixo vital da cena rock.
* Rita Lee lança seu segundo álbum solo, Hoje É o Primeiro Dia do Resto da Sua Vida.

OUTUBRO

* A sétima edição do Festival Internacional da Canção tem o elenco mais extraordinário de toda a história do evento: popstars locais A Bolha e o Peso, mais os estreantes Raul Seixas, Hermeto Paschoal, Fagner e Walter Franco; David Clayton-Thomas, ex-Blood, Sweat and Tears, é o vencedor, mas a arquibancada prefere mesmo “Fio Maravilha”, de Jorge Ben(jor).
* Macalé lança seu primeiro LP, Jards Macalé.
* Acaba o Creedence Clearwater Revival.

NOVEMBRO

* Torquato Neto, poeta, letrista e estrategista da Tropicália e da contracultura, se suicida.
* Berry Oakley, dos Allman Bros., morre num acidente de moto a três quarteirões do local onde, um ano antes, Duane Allman, seu colega de banda, tinha sido vítima de um acidente fatal de moto.
* A Pepsi torna-se o primeiro refrigerante a ser vendido na União Soviética.
* O festival Dia da Criação transforma Caxias num mini-Woodstock com grande sucesso e as presenças de Módulo Mil, Sá, Rodrix & Guarabyra e O Terço.

DEZEMBRO

* A Apollo 17 é a última viagem tripulada à Lua
* O Poderoso Chefão ultrapassa ... e o Vento Levou e torna-se a maior bilheteria de todos os tempos.
* O legendário pier de Ipanema abriga o primeiro Campeonato Carioca de Surf.
* É impressa a última edição da Rolling Stone brasileira.
* Os Novos Baianos lançam o álbum Acabou Chorare.




 
 Links relacionados 
· Mais sobre Rock Press
· Notícias por claudia


As notícias mais lidas sobre Rock Press:
Tudo que você queria saber sobre o U2


 Opções 

 Imprimir Imprimir


Tópicos relacionados



Re: 1972 – O Filme (Pontos: 1)
por coyote em Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2006 (8:56:17)
(Informações do usuário | Enviar uma mensagem) http://www.pierdeipanema.com.br
Só gostaria de convidar a todos para conhecer o site do Pier de Ipanema, com muitas fotos da época e artigos de personagens reais daquela época, como Zeca Proença, Monica (foi casada como o Peti - Menino do Rio) entre outras.
Vale a pena uma visita em:
http://www.pierdeipanema.com.br

Um abraço !



Todos os Direitos Reservados Portal Rock Press ©

PHP-Nuke Copyright © 2005 by Francisco Burzi. This is free software, and you may redistribute it under the GPL. PHP-Nuke comes with absolutely no warranty, for details, see the license.