Texto Athos Moura
Fotos João XavierA nova banda de Fred, SuperGalo, fez a abertura. Nada de muito novo no som, um rock/punk/hardcore que não prendeu muito a atenção do pequeno público que estava dentro do Circo. A banda tem boa presença de palco; na maioria das músicas o baixista e guitarrista se revezam nos vocais. O ponto alto do show do trio foi “God Save The Queen”, dos Sex Pistols.

Com o Circo mais cheio, sobem ao palco os capixabas de Vila Velha Mukeka di Rato, sentimento de nostalgia e novidade simultâneos. Sandro está de volta aos vocais, e assim o Mukeka volta com sua formação original. Como eles diriam: “75% Flamengo e 25% Palmeiras”.
Durante o show, tocam mais músicas de
Gaiola, em comemoração pela venda de dez mil cópias do álbum. O set também é curto, mas a agitação, total. Poucas músicas da época de Bebê no vocal são executadas: “Maconha”, “Visual é Tudo Atitude Não É Nada”, “Viva A Televisão”, o que leva a crer que os guturais e berros devem ser extintos do repertório.
Clássicos do primeiro disco,
Pasqualin Na Terra Do Xupa-Cabra, não ficaram de fora: “Zé é Mal!”, “Deturpação Divina”, fechando com “Mukeka di Rato”. Essa com certeza é a penúltima vez que o Mukeka toca no Rio este ano, outro show agora deve demorar. Em setembro, Mozine vai pra Europa como baixista suporte do Ataque Periférico e quando ele voltar já começam a gravar o novo CD, que sai pela Deck Disk.

Rodrigo e cia. tomam seus postos no palco e já mandam “Destruir Tudo De Novo”, música do novo trabalho,
Um Homem Só, que recebeu muitas críticas dos fãs da banda quanto à pegada mais leve e duração das músicas - mas sabe como é um show do Dead Fish, né? As músicas saíram do jeito que a galera gosta. O repertório ainda é todo baseado no CD anterior,
Zero e Um. Do disco novo, tocaram ainda “Didático”, o single “Obrigação”, “Fora do Mapa” e “Eleito por Ninguém”.
Banda pegando fogo no palco e o público não deixa por menos, invade para o stage dive, causando alguns problemas, principalmente para o vocalista, Rodrigo. A rapaziada animada queria beijá-lo na boca, alguns chegaram a insistir. Durante a música “Queda-Livre” um acidente fez o show parar. Seria cômico se não fosse trágico. Uma queda. Ao pular no mosh um jovem caiu de cabeça no chão e desmaiou. Problema resolvido. Voltamos à porrada!
Clássicos da época independente da banda também rolaram, como de costume. “Proprietários do 3º Mundo”, “Modificar”, “Mulheres Negras” e “Canção para Amigos”, só para não citar todas. Uma hora e meia foi o bastante para matar as saudades. Para terminar, um bloco muito bem montado: “Afasia”, “Sonho Médio”, “Iceberg” e “Noite”.
Não foi o melhor show que o Dead Fish fez no Circo, o do ano passado foi bem superior, mas no geral valeu bastante ver um novo show dos caras e, ainda por cima, rolar Mukeka com o line up original.