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discos básicos: Double Nickels on the Dime, Minutemen
Sexta-feira, 23 de Junho de 2006 (17:33:14)



Três caras, um álbum, dois LPs e 45 músicas. Com o disco duplo Double Nickels on the Dime atingiram o ponto máximo do minimalismo – ou seria o ponto mínimo da grandiosidade? - e construíram um verdadeiro universo musical com faixas que raramente atingem a marca dos dois minutos de duração – o que, aliás, descara o motivo pelo qual foi decidido batizar a banda de Minutemen. Por João Eduardo Veiga



MINUTEMEN
Double Nickels on the Dime
(1984)

João Eduardo Veiga



Tarefa bem mais complicada é explicar o som de Double Nickels on the Dime, o quarto disco gravado por D. Boon (g/v), Mike Watt (bx) e George Hurley (b). Tem despojamento rock’n’roll, levada funk, base jazz, embalagem hardcore... Imagine se o Gang of Four, em vez de ser formado por ingleses gélidos, fosse um grupo de americanos assumindo suas raízes country. Entendeu? Mas ainda não é bem isso...


Poderia-se dizer algo como “você só vai entender o Minutemen quando ouvir o disco”, porém nem isso seria verdade. Simplesmente não dá para definir Double Nickels on the Dime, já que a graça da obra está justamente em sua esquizofrenia. “There Ain’t Shit on TV Tonight” é quase um lounge, a instrumental “Cohesion” parece uma peça flamenca, “You Need Glory” funciona como uma viagem tribal, “Martin’s Story” tem jeito de hip-hop, “Corona” surge como um punk caipirão (cuja introdução, recentemente, ficou conhecida como a música de abertura do seriado escatológico Jackass) e “Three Car Jam” é uma pequena sinfonia composta pelos ruídos dos motores dos automóveis de Boon, Watt e Hurley.


Sem contar as (in)versões de “Dr. Wu” (Steely Dan), “Ain’t Talkin’ ‘Bout Love” (Van Halen), “Don’t Look Now” (Creendence Clearwater Revival)... Ficou confuso? Que bom. E olha que ainda há mais 36 faixas, uma absolutamente diferente da outra.


Nas letras, o Minutemen se mostra extremamente politizado sem ser nada sisudo. Pelo contrário: o bom humor sempre foi uma das marcas registradas do grupo, explicitado em títulos como “The Roar of the Masses Could Be Farts” e “Political Song for Michael Jackson to Sing”. Em “History Lesson (Part II)”, D. Boon – com auxílio de sua guitarra de sonoridade sempre limpíssima – canta sua paixão pela música punk (“We played for years / Punk rock changed our lives”), assume suas origens (“This is Bob Dylan to me / My story could be his songs / I’m his soldier child”) e recita suas influências (“But I was E. Bloom / Then Richard Hell / Joe Strummer / and John Doe”).


Pena que o Minutemen não receba o merecido destaque e muitas vezes acabe esquecido em meio aos vários artistas fundamentais apresentados pela gravadora SST – entre eles Hüsker Dü, Black Flag e Sonic Youth. Não há dúvidas de que Double Nickels on the Dime não seja para todos os ouvidos (pelo mesmo motivo que os trabalhos de Captain Beefheart e Frank Zappa assustam muita gente), porém é certo que o disco soa como um dos mais criativos e anárquicos que o rock americano já produziu.


Falando em injustiças, um atentado foi cometido contra Double... durante sua transposição para o CD: a fim de encaixar o conteúdo dos dois LPs em um único disco digital, três faixas – “Mr. Robot’s Holy Orders”, “Ain’t Talkin’ ‘Bout Love” e “Little Man With a Gun in His Hand” – foram sumariamente eliminadas.


Pior ainda: o Minutemen acabou em dezembro de 1985, quando D. Boon morreu em um acidente rodoviário. Os integrantes sobreviventes chegaram a pensar em desistir da música, mas o jovem fã e guitarrista Ed Crowford convenceu-os a fundar uma nova banda chamada fIREHOSE. A partir de 1986, lançaram cinco discos e mantiveram o fogo aceso por outros oito anos – o que corresponde a uns quatro milhões de minutos.


OP RP#61



 
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