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shows: Peter Hook & The Light, Rio
Domingo, 4 de Dezembro de 2016 (2:10:09)


 

Quando a força de versos e acordes causa um impacto transformador 




 

PETER HOOK & THE LIGHT

Teatro Rival, Rio

1/12/2016

por Guto Jimenez


O Teatro Rival lotou na noite de quinta-feira, com a apresentação dos músicos ingleses Peter Hook & The Light em terras cariocas. Um público bem variado, composto na maioria de cinquentões, quarentões e trintões com uma boa quantidade de jovens, aproveitou ao máximo as quase três horas de espetáculo. Todos nós saímos muito satisfeitos, quase em êxtase, com a verdadeira avalanche sônica à qual fomos submetidos com o máximo de prazer.  

Hook é um sujeito esperto, no melhor sentido da palavra. Não bastasse ele ter feito parte da formação de duas bandas seminais da história do rock e do pop, influenciando gerações inteiras de fãs e músicos, o cidadão ainda se dá ao luxo de nos presentear com shows memoráveis nos quais ele toca parte de seu amplo repertório. Dessa vez, as escolhidas foram canções dos álbuns “Substance”, coletâneas tanto do New Order quanto do Joy Division, que fizeram a galera se sentir em transe. Não por menos, já que uma verdadeira aula de história musical estava sendo lecionada bem diante de nossos olhos e ouvidos.

É bom fazer uns parênteses aqui: embora a história nos ensine que o New Order foi formado com os remanescentes do Joy Division após a morte do vocalista Ian Curtis, a gravadora Factory lançou as coletâneas de mesmo título na ordem invertida. Portanto, o “Substance” do New Order foi um álbum duplo de 1987 que reunia as versões integrais de alguns dos maiores hinos do pop-rock daquela década, enquanto que a coletânea homônima do JD foi lançada quase um ano depois. Obviamente, eles aproveitaram a imensa popularidade que o NO alcançou naquela época, quase ao mesmo tempo em que remasterizaram as canções do Joy pra prensarem um novo produto. Uma sacada de marketing genial, concordemos.

Seguindo a ordem cronológica de lançamento, a banda começou pela substância do New Order. Curiosamente, o show começa com três músicas que não constavam do álbum duplo, apenas da versão em CD, que foram “Lonesome tonight”, “Procession” e “Cries and whispers” – essa última, um presente que só constava da versão de cassetes duplos e não é tocada ao vivo pelo NO. O público já está no bolso quando entra “Ceremony” e é conquistado de vez em “Everything gone Green”. A partir de “Temptation”, virou baile; como dizia um antigo bordão de uma emissora de FM popular, foram “só sucessos” e haja esqueleto pra chacoalhar numa sequência de “Blue Monday” e “Confusion”! Em “Thieves like us” e “The perfect kiss”, pode-se constatar o quanto que a “cozinha” da banda é inferior à do NO original, o quanto Hook se esforça pra fazer um vocal digno de Bernard Sumner e o quanto o espaço mais apertado do teatro impede a percepção mais exata de todas as nuances rítmicas das canções... Mas isso não é demérito algum, muito pelo contrário, e o povo só quer saber de se sacudir ao som de “Subculture”, “Shellshock” (em versão emocional de Hook) e “State of the nation”. O jogo está ganho quando tocam “Bizarre love triangle”, “True faith” e “1963”, encerrando a fase dançante do show.

Sem muita demora, a banda prosseguiu com a segunda parte do show, contando com o repertório do Joy Division e começando logo com uma rara, “No Love lost”. Nesse instante, eu tinha algumas dúvidas: será que o clima de bailão vai sofrer um anticlímax? Será que a galera não vai murchar diante de um repertório ainda rítmico, mas nitidamente introspectivo? As respostas foram “não” e “não”, e olha que eles emendaram logo com “Disorder” e “Shadowplay”, cujo refrão cantado em coro surpreendeu os músicos. Digamos que essa parte do show foi de altos e baixos – nada a ver com algum aspecto técnico aqui, apenas de mudanças de nuances alternando entre o mais cadenciado ao mais agitado. “Komakino” seguido de “These days”, a seminal “Warsaw” junto com “Leaders of men”, “Digital” tendo “Autosuggestion” no embalo; a atmosfera no Rival variava como o enredo de um bom filme, do qual não consegue desgrudar os olhos. O povo cantou junto em “Transmission” e “She’s lost control”, pra deleite do próprio Hook, que regeu o público em “Incubation” e “Dead souls”. Pra finalizar, “Atmosphere” seguida da apoteótica “Love will tear us apart”, que elevou o clima a tal temperatura que Hook tirou a camiseta e mandou pra galera, que cantava o refrão da música à capella enquanto a banda se despedia do palco.

Esse é o tipo de apresentação que será falada e comentada entre os sortudos presentes por algum tempo. Como eu havia dito lá em cima, Peter Hook & The Light deram uma aula magna de pós-punk e pop-rock que elevaram os espíritos a um nível diferenciado, por assim dizer. Não foi apenas uma banda tocando bem algumas canções que marcaram gerações: foi um daqueles momentos em que a emoção suscitada pela música se transforma em algo quase tangível, que dá vontade de deixar guardado em outro lugar que não seja o campo das memórias no cérebro. Quando a força de versos e acordes causa um impacto transformador como esse, chega-se a uma conclusão: o show foi inesquecível e, sem exagero, ouso dizer que foi um dos melhores shows que eu já assisti na vida. Só tenho a agradecer à boa música por me fazer tão bem!



 
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