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entrevistas: Violeta de Outono, Spaces
Terça-feira, 29 de Novembro de 2016 (19:36:43)


 

Violeta de Outono fecha trilogia com o excelente Spaces 





VIOLETA DE OUTONO

Spaces

Voiceprint – 2016

Nota: 9

Por Ricardo Cachorrão Flávio

 

Não é difícil encontrar velhos amigos, e no meio da conversa, ouvir que “poxa, eu gostava muito do Violeta de Outono, banda legal demais... mas acabou, né?”

Não, velhos amigos, o Violeta de Outono nunca acabou! Se você é daqueles que, como eu, cresceu na década de 80, e ali adorava as bandas brasileiras de pós-punk, como Voluntários da Pátria, Smack, Fellini, Akira S & As Garotas Que Erraram e, claro, Violeta de Outono, ótimas músicas como os hits “Outono” e “Dia Eterno”, ficaram na história, e são isso, uma excelente história! Óbvio que indo assistir ao vivo a Fábio Golfetti, Gabriel Costa, Fernando Cardoso e José Luiz Dinola, a atual, madura e consistente formação do Violeta de Outono, você ouvirá essas velhas canções, mas, a realidade dos rapazes é bem diferente!

Desde que deixou de ser um trio e incorporou um quarto elemento à banda, em 2005, com a entrada do tecladista Fernando Cardoso, o Violeta de Outono passou a executar um trabalho mais elaborado e menos comercial, com canções mais longas e excelência instrumental, que acrescentou às suas influências psicodélicas, nítidas desde a formação da banda, em 1984, fortes toques de jazz, eruditos e da cena inglesa de Canterbury, de bandas como Soft Machine, GONG, Caravan, dentre muitas outras. Essas influências podem ser conferidas nos discos “Volume 7”, lançado em 2007, “Espectro”, de 2012 e agora, no excelente “Spaces”, que, segundo os próprios, fecha uma trilogia, que consolida a segunda fase da banda.



E sobre esse “encerramento de um ciclo”, perguntamos para Fábio Golfetti, líder da banda, único membro da formação original, vocalista, guitarrista, compositor, que nos atendeu gentilmente diretamente de Londres, onde se prepara para sair em turnê com o aclamado GONG, do qual hoje também é guitarrista. Agora se fecha uma trilogia, já se tem ideia do que vem pela frente? Qual o futuro do Violeta de Outono?

“Na verdade eu considero isso uma trilogia mais pela questão estética da banda, ou seja, quando o Fernando entrou em 2005, o Gabriel também entrou, o som da banda deu uma mudada. Na verdade, não uma mudada, foi um novo começo do Violeta de Outono, que apesar de manter a mesma ideia do início, com a adição do teclado, principalmente, a gente conseguiu fazer algumas coisas que talvez, no começo eu gostaria de ter feito, mas não existia possibilidade de ter um tecladista. Então, esse encerramento de uma trilogia, é mais porque exploramos ao máximo o que daria para fazer com essa formação de instrumentação, então eu digo ‘encerrar uma trilogia’ por não saber o que vai acontecer num próximo trabalho que acho que deve ocorrer daqui a... bastante tempo! Três anos é o mínimo que acho necessário para amadurecer um trabalho. Eu acho que um álbum demora pelo menos uns três anos para amadurecer as ideias, para escrever e ter um material significativo. Então é isso o que quero dizer sobre o encerramento do ciclo, eu não sei o que vai acontecer daqui a três ou quatro anos, quando a gente for fazer um novo álbum.

Mas a ideia de finalizar uma trilogia também é porque eu acho que a banda atingiu um ponto agora onde ela precisa tocar mais ao vivo, então é o que eu queria fazer, queria que o repertório desses três discos fosse a base do repertório dos shows pelos próximos anos, ou seja, que a gente explorasse esse repertório e tocasse ao vivo bastante, pra realmente marcar essa fase da banda, marcar esse trabalho. Eu vejo muito assim... a banda ficou nos anos 80, em 86, 87, a gente tocou bastante aquele repertório e a banda é conhecida, passaram 30 anos e a banda é conhecida ainda por aquele repertório. Eu queria tentar que a gente conseguisse virar... não virar uma página, a gente não vai abandonar totalmente o passado, porque isso é como a banda se formou, mas eu gostaria de marcar essa fase com o Fernando, com o Gabriel, que é uma fase que dura mais tempo, na verdade, que o início da banda. Então, eu sei que é difícil, porque existia na época uma máquina de divulgação, que hoje talvez, não tenha mais, mas por outro lado, eu acredito que o Violeta de Outono conseguiu se reinventar sempre, desde os primeiros trabalhos até hoje, e eu fico feliz com isso e espero que a gente consiga marcar essa fase dos últimos 10 anos e que ela fique registrada. É como se fossem duas bandas, a primeira banda que era formada como um trio e a segunda banda, que é um quarteto. Então é assim, em termos de finalizar trilogia, é isso, encerrar um ciclo de composição nesse formato, não que ele não continua a ser feito nesse mesmo formato daqui uns anos, mas esses três discos representam bem o que a gente explorou, eu acho que o “Volume 7” chegou num ápice de composição desse tipo de rock mais pro progressivo melódico, nessa linha que a gente tem tocado...”

E durante a audição de “Spaces”, perguntamos ao Fábio como é pra ele, um fã declarado, estar fazendo parte do GONG, tendo participado dos últimos álbuns, estar em vias de sair em turnê e que acabou de lançar novo trabalho, mesmo após a morte do líder Daevid Allen.

“Imagine você que cresceu sua adolescência ouvindo um som, e o som que você mais gostava, que no meu caso era o GONG realmente, eu comecei ouvir esse rock com o Soft Machine, Pink Floyd, que foram os dois grupos que me inspiraram a tocar música, a querer ser músico... só que a distância era muito grande na época, imagine que se eu tinha 15 anos e esses caras tinham 30! 15 anos de diferença, talvez um pouco menos! Mas era uma distância muito grande... aí o que aconteceu foi que nos anos 90, quando eu entrei em contato com o Daevid, no final dos anos 80, na verdade, a gente começou trocar cartas e eu acabei ficando amigo do Daevid desde essa época, 89... 90... tanto que eu consegui trazê-lo ao Brasil em 92, num festival, que foi a ECO92 que teve aqui no Brasil, e a gente fez um show juntos em Brasília, poucas pessoas sabem disso... enfim, a gente manteve o contato e um belo dia eu mandei uma carta pra ele falando ‘se você precisar de um guitarrista pra alguma turnê do GONG, eu to disponível e tal’... foi uma pergunta mais numa amizade do que eu realmente pedir um emprego pro GONG, porque não é assim que funcionam as coisas... e o que aconteceu foi que ele me respondeu e falou ‘olha, eu tenho um projeto de fazer uma reunião do GONG em 2006, em Amsterdã, e eu quero que você venha participar tocando o Glissando Orquestra’, que era um projeto de glissandos, porque ele gostava do jeito que eu tocava o glissando... e a partir daí eu fui pra Amsterdã em 2006, participei desse festival e logo em 2007, eu tinha um contato de um festival alternativo de São Carlos, por intermédio do Gabriel, e eles me ofereceram se eu queria trazer o Daevid e mais alguém pra montar um repertório do GONG no Brasil, pra fazer um show, e isso deu origem a uma versão do GONG que a gente chamou de GONG Global Family, que na verdade, o Daevid ficou muito animado com esse tipo de som, porque esse som tinha duas guitarras e ele ficava mais livre pra poder cantar e fazer o glissando, tocar o glissando do jeito dele e ter duas guitarras fazendo um som quase que experimental, um pouco diferente do GONG clássico, e isso ficou na mente dele, porque logo depois, em 2009, ele refez o GONG com alguns membros originais, com o Steve Hillage, com o Mike Howlett e não lembro quem mais estava na banda... ahhh... o Didier Malherbe, o saxofonista, aí o que aconteceu, eles refizeram o GONG com a formação praticamente clássica, só que tanto o Daevid, quanto o Steve Hillage não ficaram muito satisfeitos com o resultado... acho que ficaram, mas assim, o Daevid era uma pessoa que sempre queria buscar coisas novas e ele achou que aquele projeto que estavam fazendo era meio que resgatar o passado, sem muita emoção, apesar de eles terem feito um disco legal, mas era uma coisa que parecia não uma... um projeto que tivesse seguindo uma renovação, e aí foi quando ele me mandou um e-mail perguntando se eu não queria me juntar definitivamente ao GONG, na turnê que ia acontecer em 2012, aí na hora me deu um... fiquei surpreso, óbvio! Receber um convite assim mais desse jeito, porque ele já falou, olha tem um lado bom e um ruim, o lado ruim é que não é muito dinheiro, o lado legal é que você vai tocar num monte de lugares, é divertido... e, pra mim, o mais complicado era a responsabilidade que eu tinha que substituir o Steve Hillage, que sempre foi minha referência de guitarrista... uma das minhas grandes referências! Mas aí, foi uma primeira experiência, vim aqui pra Inglaterra e fizemos 50 shows, acho, em 2012, não... acho que foram 45 shows em dois meses, foi uma coisa meio louca, show quase todo dia... e a banda assim... o Daevid ficou feliz com a ideia, e esse projeto com a minha participação ele foi mais ou menos uma ideia que ele havia tido quando esteve no Brasil, aí o que aconteceu? Ele falou, como não tem sintetizador, ele sugeriu que seria legal a entrada de um outro guitarrista, um guitarrista inglês, que é o Kavus Torabi, que tá na banda também, entrou em 2014, pra tentar reproduzir, pra tentar dar uma similaridade com o som que a gente fez no Brasil, e o Kavus entrou em 2014 e começamos a gravar um disco... na verdade o Kavus entrou no final de 2013, e a gente tava gravando o disco “I See You”, com o Daevid, e a banda tava com uma grande perspectiva, a gente assinou contrato com a Snapper, uma gravadora interessante aqui da Inglaterra e com a proposta da gravadora, a gente tinha uma turnê agendada enorme, acho que eram 60 shows em 2014, a partir de julho... só que aí o que aconteceu foi que o Daevid, a gente fez os shows no Brasil no início de 2014 e logo que ele voltou pra Austrália ele teve um acidente, em que ele quebrou o braço, por conta disso ele acabou descobrindo que tinha um câncer por baixo da pele, enfim... foi toda a história, foi um sofrimento de quase um ano, que ele tentou tratar... e no fim ele desistiu, ele deixou a natureza agir, parou de fazer tratamento para câncer e tal... desistiu de ficar sofrendo desse jeito. E o que aconteceu é que a gente cancelou a maioria dos shows, quer dizer, os shows foram cancelados porque o Daevid era o fundador da banda, era a banda! Mas, mesmo assim, alguns promotores aqui na Europa, tanto na Inglaterra como na França, quiseram manter os shows, porque achavam que a gente podia fazer, o Daevid queria muito que a gente continuasse, que a gente fizesse de qualquer jeito os shows, então a gente falou... ‘bom, vamos tentar, né’... e o que aconteceu foi que a gente fez uns 10 shows dos 60... a gente fez 10, e com esses 10 shows, a banda foi muito bem recebida porque, eu vejo uma coisa interessante aqui na Europa, principalmente na Inglaterra, que o público dá suporte pro artista, ele realmente quer incentivar o artista a produzir coisas novas, ele não... claro que ele gosta de ouvir as coisas clássicas, mas ele sempre tá querendo apoiar o que o artista tá fazendo de novo, porque assim a coisa tem continuidade, então, por isso eles mantiveram alguns shows marcados e, como a banda teve uma recepção muito boa, passou alguns meses e a gravadora, que havia feito o disco com a gente, o “I See You”, ela perguntou se a gente não queria renovar o contrato e fazer mais um disco... bom, aí a gente achou ‘bom, legal, vamos renovar’... mas a gente não tinha repertório, não sabia o que ia fazer sem o Daevid! E aí logo depois foram acontecendo os fatos com ele, ele faleceu e a banda continuou nessa decisão, como já tinha feito essa turnê sem o Daevid e ele queria muito que a gente continuasse, a gente falou ‘vamos continuar’, mas na verdade, é uma outra banda com o nome de GONG, e o que fez que a gente realmente aceitasse essa ideia de continuar com o nome de GONG é que o GONG, mesmo sem o Daevid existiu em alguns períodos... o Daevid saiu em 73 e voltou em 74, ficou um ano fora e a banda continuou sem ele, isso na época clássica do GONG, em 75 ele saiu e a banda continuou sem ele, por mais três discos, aí o Pierre Moerlen, que era o baterista, assumiu a banda, então em certa parte a gente achou que manter o nome do GONG não era uma coisa que ia ser tão diferente do que já aconteceu no passado. O fato é que a banda atualmente não tem nenhum integrante original, apesar que eu, o baixista e o saxofonista tocamos na última formação, então, é como se fosse a continuidade desse último trabalho, mas, por outro lado, isso deu liberdade pra banda produzir uma material novo, um pouco desvinculado da mitologia do GONG, do Planeta Gong, etc. A gente mantém algumas características, fazendo som psicodélico, que tem a marca do GONG, mas a gente, a parte literária, que era uma coisa muito do Daevid Allen, a gente deixou um pouco de lado... e o que aconteceu foi que a gravadora ficou muito entusiasmada com esse trabalho e resolveu promover, divulgar bastante, e o que está acontecendo, pra nossa surpresa, é que o disco está recebendo um monte de críticas favoráveis e tal e a gente já tem assim, o que foi difícil no ano passado, no retrasado, por conta de shows, esse ano a gente já tem essa turnê na Inglaterra, que é uma turnê de 10 shows, que já é razoável e no ano que vem, já temos shows marcados até setembro, outubro... então a banda vai ter uma... é como se fosse o renascimento também dessa banda, porque não é a mesma banda, não é o mesmo GONG, mas ao mesmo tempo é uma banda trazendo um som mais moderno, mais novo... então, a perspectiva do GONG é muito boa aqui na Europa, eu não sei como será financeiramente, mas eu acredito que, o fato de eu estar na banda agora, eu tenho uma participação, não como no Violeta, não sou aqui o líder da banda, mas eu escrevi várias músicas nesse disco tem, apesar de ter assinado todas as composições em conjunto, eu trouxe cinco faixas pra banda, então assim... é um trabalho que tá dando um prazer de fazer, é um trabalho coletivo um pouco diferente do que a gente faz no Violeta.”

 

Nota: o novo álbum do GONG foi lançado no dia 16/09 e se chama “Rejoice! I'm Dead”

 

E falando do lançamento... O Violeta de Outono trás em “Spaces” sete belas faixas, abrindo com a longa e complexa “Imagens”, onde os quatro músicos esbanjam a já conhecida qualidade, da cozinha bem entrosada do baixo de Gabriel e da bateria do Zé Luiz, aos climas criados pelo tecladista Fernando, completados pela sempre primorosa guitarra de Fábio, sem esquecer a suave e bem postada voz.

O disco segue bem, em faixas que mostram um Violeta de Outono belo e viajante, mostrando um som que aqueles velhos amigos lá do começo da resenha não ouvirão nas rádios, mas que, com certeza, quem aprecia BOA MÚSICA, saberá onde encontrar. No meio de tanta coisa medíocre do universo musical brasileiro que rádios e TV’s empurram goela abaixo do pobre público, Violeta de Outono é coisa para poucos, e bons!

Não sou capaz de apontar um ponto alto no disco, tudo é linear, mantém um padrão, da bonita balada “Kevinland”, passando pelo clima espacial da instrumental “Parallax T-Blues”, até chegar ao encerramento na longa “Cidade Extinta”, esse trabalho se mostra um ótimo encerramento de trilogia. Agora, fica a pergunta, se esse foi o fim de um ciclo, o que virá pela frente? Qual será o próximo passo do Violeta de Outono? Aguardo, bem ansioso.

Finalizando, agradeço a atenção que o Fábio sempre nos dispensou ao longo de vários anos e ele ainda mandou um recado e nos falou especificamente sobre “Spaces”:

“Eu que agradeço, você sempre foi um apoiador do nosso trabalho com o Violeta, sinceramente, pra gente, o “Spaces” é o disco que a gente conseguiu chegar num disco, não vou dizer o disco perfeito, mas um disco em que a gente realmente tá satisfeito, em todos os aspectos, tanto a parte sonora, o som que conseguimos no estúdio, a produção que a gente conseguiu, o tipo de som que a gente realmente queria... e o disco tem uma sequência amarradinha, é como se fosse um trabalho de rock progressivo clássico, então, legal que você curtiu e a gente tá apostando bastante nesse disco! E pode contar com a gente, precisando de qualquer coisa, estamos sempre à disposição!”



 
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