Bem vindo a portal rock press 21 anos!
  Olá Anônimo!
Busca  
rip: Leonard Cohen
Sexta-feira, 11 de Novembro de 2016 (3:51:03)

 

 

Morre Leonard Cohen :/




 

RIP LEONARD COHEN

7/11/2016

Por Max Merege


Leonard Cohen se foi e a causa mortis pouco importa agora. Um pedaço imenso do coração de cada romântico incorrigível se vai junto com este que tanto nos ensinou sobre amar, odiar, perdoar, ponderar... Morreu em casa, na segunda feira 7, mas só ficamos sabendo do ocorrido na noite do dia 10. 

Reza uma tradição judaica que todos aqueles que carregam o sobrenome Cohen, descendem de um personagem muito importante do Velho Testamento: o profeta Aarão, irmão de Moisés; e trazem consigo a missão de ajudar a humanidade, principalmente por meio da palavra…

Leonard Norman Cohen, escritor e músico canadense, filho de judeus ashkenazi oriundos do Leste Europeu. Cresceu entre as lições do Talmude e a vida numa Montreal católica. Com 17 anos ingressou na faculdade de direito e em seguida trilhou o caminho das letras, sob a tutela do mestre Irwing Layton.

Na década de 50, com alguns amigos, montou uma banda de country-hillbilly para tocar canções de Hank Williams, Tex Ritter e Frankie Lane, mas lançou-se mesmo foi como escritor aos 22 anos, com o livro de poemas “Let Us Compare Mythologies” (1956), sucedido por "The Spice Box of Earth" (1961), que lhe renderia fama internacional.

De 1963 a 1966, viveu na ilha grega de Hydra, com a namorada norueguesa Marianne Jensen (a musa inspiradora da canção "So long, Marianne") de onde lançou a coletânea de poemas "Flowers for Hitler" (1964) e as novelas "The Favorite Game (1963) e "Beautiful Losers" (1966).

Em 1966 mudou-se para New York e decidiu apostar na música como o melhor veículo para a difusão de sua obra e suas idéias, lançando-se primeiramente como compositor.

A primeira intérprete foi a cantora Judy Collins, por meio da qual sua canção “Suzanne” conseguiu atrair a atenção de público e crítica, ao contar a história de uma fantasia amorosa inconcretizável com a artísta plástica Suzanne Villaincourt, então esposa de um amigo seu. Aliás, sua obra é um mosaico permanente de histórias de amor impossível e palco de constantes reflexões filosóficas existênciais que remetem claramente a episódios da Torah e do Talmude.

Entre o final ’67 e meados de ’69, LC lançou os discos “Songs Of Leonard Cohen” e “Songs From a Room”, que por meio de canções como a já citada “Suzane”, “So Long, Marianne”, “The Sisters Of Mercy”, “Bird On A Wire” etc, lançou-se de vez no restrito círculo dos poetas cantores.

Em 1970 consagrou-se no lendário festival Isle of Whight, tocando para uma multidão arrefecida pela pela psicodelia ensurdecedora de Jimi Hendrix, ao hipnotizar o grande público com seu folk simples e contundente. 

Seu terceiro álbum, “Songs Of Love And Hate”, é lançado em 1971 e até hoje é considerado um dos discos mais tristes e soturnos dos últimos 50 anos na história da música pop. Em 1972, LC traz à luz o livro “The Energy of Slaves”, uma novela que ainda mantém o clima melancólico de seu último disco, mas com alguns resquícios de “esperança”.

Nos EUA, LC gozou de razoável sucesso e conquistou respeito de todos. No Canadá, tornou-se uma espécie de herói nacional, e pela Europa, uma figura pra lá de amada.

Em 1973, tão logo lançou o disco ao vivo “Live Songs”, LC foi convidado pelo governo israelense para fazer alguns shows para os soldados na guerra do Yom Kippur. Bebeu taças de vinho e dividiu conhaque com um então fã seu, o General Ariel Sharon, mas por conta de tanta tensão, Leonard Cohen acabou se desolando com a guerra, até então vista apenas pelo lado romântico das histórias contadas pelos vencedores. Em virtude de tal situação, no ano seguinte, em seu álbum “New Skin For The Old Ceremony”, lançou a música “Who By Fire”, baseada no poema litúrgico "Unetaneh Tokef", que reflete sobre o que vale e o que não vale a pena nessa vida.

A coletânea “Greatest Hits: The Best Of Leonard Cohen” é lançada em 1975 e passa a abranger todos os seus grandes êxitos, desde seu primeiro disco de ’67 até seu último disco de ’74.

 

DEATH OF A LADIES’ MAN

O ano de 1977 foi conturbado para LC, além de se divorciar da mãe de seus filhos, gravou o disco “Death Of A Ladies’ Man”, fruto de uma tempestuosa parceria com o produtor Phil Spector.

A relação de Cohen com Spector fora um tanto tumultuosa, pois tão logo concluiram-se as sessões de gravação, Spector trancou-se no estúdio e pôs-se a mixar sozinho o disco, à revelia de LC.

Mesmo tendo participações de Bob Dylan e do escritor Allen Ginsberg, “Death Of A Ladies’ Man” (que inclusive conta com uma foto de sua ex-mulher na capa) foi por muito tempo tido como um "patinho feio", mesmo pelo próprio LC. Entretanto, àquela época, o álbum ganhou o status de cult por entre punk-rockers e afins, que passaram a lhe escrever constantemente cartas e mais cartas de elogios e agradecimentos por ter sido este o “portal de entrada” para o conhecimento mais aprofundado de sua obra.

No ano seguinte, ainda injuriado com a vida, LC lançou o livro “Death Of A Lady’s Man”, cujo título era claramente alusivo ao seu “fatídico” disco anterior, haja vista que o título do disco era sobre a “Morte de Um Mulherengo” enquanto o título do livro era sobre a “Morte de Um Marido”. Enfim, é a licença poética em ação…

Para fechar a década de modo dígno, segundo o próprio Cohen, vem à luz, em ’1979, o álbum “Recent Songs”, cuja idéia principal era a de resgatar uma sonoridade que ficou em “New Skin For The Old Ceremony”.

Bem sucedido entre público e crítica, o álbum rendeu-lhe até mesmo uma tourneé que ficou registrada em um disco que só iria sair em cd no ano de 2001, sob o nome de “Field Commander Cohen: Tour of 1979”. Após toda essa badalção, Leonard Cohen decide-se por tirar umas “férias” de 5 anos.

 

 

A VOLTA DAS FÉRIAS...

Após a conturbada década de ’70, Leonard Cohen optou por se retirar do show business. Entre ’80 e ’84, nada de inédito foi lançado até o álbum “Várious Positions”, que trouxe uma série de pérolas como “Dance Me To The End Of Love”, “If It Be Your Will”, “Heart With No Companion” e “Hallellujah”. Em 1985, LC lança o livro de poesia “Book Of Mercy”, cujos poemas mantém o mesmo teor temático de seu último disco.

“Hallellujah”, apesar de não ser a música mais regravada de Cohen (ao menos, até uma década atrás), certamente é a mais executada, mesmo que por interpretes tão diversos, como Bono Vox, KD Lang, Sheryl Crow, John Cale, Rufus Wainwright, Bob Dylan, e principalmente, Jeff Buckley, versão esta que além de aparecer em algumas trilhas da tevê e do cinema, também gozou do status de canção mais baixada no iTunes.

Em 1987, a cantora Jennifer Warnes, que nos anos 70 foi cantora de apoio de LC, apresenta “Famous Blue Raincoat, The Songs of Leonard Cohen”, um importante e abrangente álbum-tributo à obra de Cohen. Dentre os convidados, presenças ilustres como o guitarista Stevie Ray Vaughan, o baterista Vinnie Colaiuta, o maestro Van Dyke Parks e o próprio Cohen cantando "Joan of Arc". O disco foi muito bem recebido, principalmente por um público que já a conhecia de “Time Of My Life”, trilha do filme “Dirty Dancing”.

Um ano mais tarde, o disco “I’m Your Man” é lançado. Além da faixa título, o álbum conta também com “Everybody Knows”, “Tower Of Song”, “I Can’t Forget”, “First We Take Manhattan” e “Take This Waltz”. Esta última, uma brilhante adaptação para o poema “Pequena Valsa Vienense”, de Federico Garcia Lorca. Aliás, poucos discos até então alcançaram a proeza de emplacar 80% de seu repertório nas paradas, como foi o caso deste.


WAITING FOR A MIRACLE TO COME…

Seu único disco de inéditas na década de 90, “The Future”, é lançado em ’92.

Profético, pode ser considerado uma advertência para um futuro que pode ser mudado, já que muito do que figura em suas letras, tem se concretizado nos últimos tempos, como a queda das Torres Gêmeas, a interminável Guerra do Golfo, a crise econômica mundial, a banalização da violência e muitas outras coisas mais…

Em 1994 sai o disco “Cohen Live, In Concert”, com gravações de shows de ’88 a ’93. Neste mesmo ano, por sugestão do roteirista Quentin Tarantino e do músico Trent Reznor, o diretor Oliver Stone usou 3 faixas do disco “The Future” no filme “Assassinos Por Natureza” (Natural Born Killers).

No ano seguinte, LC tira novas “férias” prolongadas, desta vez em mosteiro zen-budista, sendo no ano seguinte ordenado monge. Seu retiro durou até ’99.

Durante os anos de reclusão, muita coisa é lançada, principalmente entre 1995 e ’97. “Dance Me To The End Of Love” torna-se um vídeo-clipe pelas mãos de Quentin Tarantino e Aaron A. Goffman, sendo que sob o mesmo título vem à luz uma coletânea de poemas ilustrada por pinturas de Henry Matisse, ao passo que em 1997 sai a coletânea “More Best Of”, abrangendo os anos de ’84 a ’94.

 

DEZ NOVAS CANÇÕES…

De 2001 a 2004, de volta à música, Leonard Cohen grava os discos “Ten New Songs” e “Dear Heather”, que muitos fãs consideraram como material de despedida. No entanto, o próprio Cohen assegurou que melhores coisas ainda estavam por vir…

Mas isso só até 2006, quando é lançado o show-documentário “I’m Your Man”, co-produzido por Mel Gibson, e que intercala depoimentos do próprio Leonard Cohen com cenas de um show-tributo feito na Austrália, por artístas do porte de Nick Cave, Ruffus & Martha Wainwright, Jarvis Cocker, U2, Perla Batalla & Julie Christensen, e vários outros convidados especiais. Outros tributos de peso foram os discos “I'm Your Fan” (1991) e “Tower Of Songs” (1995), que igualmente contaram com a presença de muita gente famosa…

No mesmo ano, LC encabeça a produção e a co-autoria das músicas do disco "Blue Alert", de sua então namorada, a cantora havaiana Anjani Thomas. Em 2007, de uma parceria com o também canadense Philip Glass, lança “The Book Longing”, uma “ópera minimalista” composta em cima do livro homônimo de poemas de Cohen.


A TRILOGIA DA DESPEDIDA

Em 2004 LC sofreu um baque fortíssimo, pois sua então empresária (e ex-namorada) apropriara-se indebtamente da importância de US$ 5 milhões. Do alto do prejuízo financeiro, viu obrigado a retornar à estrada com tournées, novos lançamentos etc.

Seu album 'Old Ideas', de 2012, foi em termos de vendagem seu disco mais popular, conquistando o primeiro lugar em cerca de 12 países e figurando no top 10 de outros 20.

Em 2014 foi a vez de "Popular Problems", e por fim, em 21 de outubro de 2016, faltando pouco mais que duas semanas para sua partida, "You Want It Darker" no qual fazia-se bem categórico ao passar seu recado, como se dissesse: "pode vir, dona Morte, que eu já fiz tudo o que tinha que fazer por aqui..."  

 

LEGADO

Apesar de pouco conhecido no Brasil, Leonard Cohen é um dos compositores mais queridos da música pop. Mote de acaloradas discussões em círculos literários e mesas de bar, este é tema constante de teses e monografias mundo afora, “comparável” a Vinícius de Moraes.

Tendo recebido até uma homenagem de Kurt Cobain em “Pennyroyal Tea”, Leonard Cohen também tem sido regravado por artístas como Johnny Cash, Willie Nelson, Neil Diamond, Elton John, Eric Burdon, Bob Dylan, Dion Di Mucci, Joan Baez, John Cale, Frida Lyngstadt, Echo & The Bunnymen, REM, Jeff Buckley, Pixies, U2 etc e brasileiros como Renato Russo e Tony Platão, só para citar alguns (isso sem falar nos assassinos de "Hallellujah").

Uma boa dica aos que o desconhecem, é a coletânea “The Essential Leonard Cohen”, um cd duplo que cobre quase quatro décadas de sua carreira na música.





 
 Links relacionados 
· Mais sobre Rock Press
· Notícias por admin


As notícias mais lidas sobre Rock Press:
Tudo que você queria saber sobre o U2


 Opções 

 Imprimir Imprimir


Tópicos relacionados


Desculpe, comentários não estão disponíveis para esta notícia.

Todos os Direitos Reservados Portal Rock Press ©

PHP-Nuke Copyright © 2005 by Francisco Burzi. This is free software, and you may redistribute it under the GPL. PHP-Nuke comes with absolutely no warranty, for details, see the license.