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caixa preta: Flag e TSOL, Holanda
Quinta-feira, 27 de Outubro de 2016 (1:40:06)

 

 

Flag e TSOL: a implosão de Amsterdã




 

FLAG E TSOL: a implosão de Amsterdã

Melkweg, Amsterdã 

30/7/2016

Por Eduardo Abreu


Após algumas semanas em silêncio, Caixa Preta retorna com o primeiro de dois, quem sabe três, posts especialíssimos. 

Tudo porque estivemos, entre 30 de julho e 14 de agosto, peregrinando da Holanda ao Reino Unido através de casas de shows, lojas de discos e culminando com os quatro dias e 200 bandas do Rebellion, maior festival punk do planeta, que acontece anualmente em Blackpool, Inglaterra. 

Antes do festival, no entanto, um aquecimento para não esquecer no Melkweg, em Amsterdã. O lugar, aberto em 1970, onde funcionara uma antiga fábrica de laticínios, abriga duas salas de shows, cinema, teatro e espaço para exposições. E tem o melhor som ao vivo que este blog já presenciou. Qualidade de áudio absolutamente cristalina e bem equalizada. Não bastasse, o Melkweg é ainda belíssimo como exemplo de arquitetura e o público entra no espaço sem sequer passar pela revista de seguranças. 

 E na noite de 30 de julho, apresentam-se por lá nada menos que The Adolescents, TSOL e Flag. Uma trinca de bandas que é parte da história do hardcore/punk americano. Juntos, os grupos oferecem uma paleta sonora que recupera o espírito inventivo e anárquico de toda uma época. 

Infelizmente chegamos a tempo de ver apenas o desfecho do show dos Adolescents, com a sensacional canção "Kids of the Black Hole". Mas assim que o TSOL subiu ao palco, com 3/4 de sua formação clássica, tudo valeu à pena. Um set inspiradíssimo e repertório que privilegia a obra da banda que antecede o famoso álbum "Change Today?" - sim, aquele do hit radiofônico "Flowers by the Door".

Jack Grisham, o vocalista, vestido de paletó e calça com estampas extravagantes, irradiava felicidade. Contou a loucura que é dividir o camarim com outros sujeitos lendários e que, ainda em 2016, fica intimidado diante do ícone Keith Morris. Bom de papo, disse que quem for a Los Angeles pode telefonar pra ele e combinar uma visita. "Basta procurar por Jack Grisham no catálogo telefônico. Sou eu! Digo isso há anos, em todos os shows, e até hoje apenas um fã me procurou. O nome dele era Antônio e ela era do Brasil...".

Grisham, com cabelos negros, olhos azuis e um pança proeminente que lembra o Elvis Presley da fase Las Vegas, revelou ainda o título do aguardado novo disco do TSOL: "The Trigger Complex".



No intervalo entre os shows, uma visita às banquinhas de merchandising das três bandas e um papo com os fãs holandeses. Um deles, chamado Tyson, com seus 20 e poucos de idade, nos mostra orgulhoso uma tatuagem do TSOL. "É a maior banda do mundo!".

Na volta, o Flag implode Amsterdã com um show absolutamente incendiário. Bombástico. Inesquecível. Coisa de outro planeta. Difícil acreditar que, capitaneado pelo chefe Greg Ginn, o Black Flag esteja hoje em dia vagando pelas sombras do Flag; superbanda que reúne Keith Morris, Dez Cadena, Chuck Dukowski, Bill Stevenson e um reforço de luxo na segunda guitarra: Stephen Egerton, do Descendents.

Dukowski rouba a cena com sua postura de palco e aquele visual clássico que conhecemos das icônicas fotos de Glen E. Friedman: camisa havaiana, calça colorida e tênis de skatista. O sujeito tem 62 anos e, de tanta entrega, parece que pode tombar a qualquer momento vítima de um ataque cardíaco fulminante.

O repertório do grupo traz bombas atômicas como "Jealous Again", "Police Story", "Wasted", "Fix Me", "Gimmie Gimmie Gimmie" e "Nervous Breakdown". Keith Morris, 61 anos, ostenta seus imensos dreadlocks e impõe respeito. À certa altura, tira onda com uma fã que sobe ao palco para tirar uma foto sua. "Você quer ser a estrela do Instagram, é isso?".

Em "Rise Above", os punks holandeses saem do corpo (vídeo abaixo). Quem está perto do caos é tragado pela turba. E se cair, como foi meu caso, não há problema: rapidamente os membros da baderna esticam as mãos para ajudar. Punk rock.

Rumo ao fim do show, Dez Cadena bota a guitarra de lado e assume os vocais em faixas como "American Waste" e "Six Pack". Morris retorna para fechar o set com a famosa versão de "Louie Louie". Deixam o palco como quem saiu das trincheiras.

Um show que precisa obrigatoriamente passar pelo Brasil. É experiência transformadora. 


+ Leia também Rebellion Festival 20 anos: festival é isso



 
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