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entrevistas: The Automatics
Quarta-feira, 26 de Outubro de 2016 (1:52:17)


Os potiguares mais transados do rock brasuca





+ entrevista

THE AUTOMATICS 


Por Olga Costa e Adriano Stevenson

 

Alexandre Alves falou o sim definitivo em relação à música quando, pouco antes de batizar sua primeira banda (Movement), viu um trio hiper barulhento tocar. De lá para cá, nenhum passo foi dado sem saber o que realmente queria. Tudo girou em torno de algo que completava sua existência. Escrever letras, mesmo que de uma forma inusitada, fez com que todas as suas bandas soassem de uma forma diferente. Bandas que, sob um céu escaldante, determinaram uma jornada com influências vindas de terras gélidas e cinzas. Os pontos de identificação foram determinantes para que a jornada prosseguisse. Hoje, The Automatics condensa toda uma existência em poucas notas e em poucas palavras, como tem que ser, pois todos os caminhos apontaram para essa solução, sem mais e sem menos. The Automatics carrega um pouco da história do rock na cidade de Natal e sabe exatamente onde está e o que acontece. Coisas de quem não tinha a tecnologia a seu favor, mas soube se manter vivo, apesar de tudo e todos. Saiba um pouco mais nas linhas seguintes. Boa leitura!


Você já empilhou os discos do Automatics e ficou olhando e dizendo: esse eu gosto, esse outro não gosto?

Alexandre - Já. Em alguns discos as composições são boas, algumas mal gravadas. Percebo que estamos tocando um pouquinho melhor com o passar do tempo. Não gosto da palavra evolução, estamos conseguindo aos poucos. Sempre olho para a coletânea Reverse e vejo uma boa coletânea dos Automatics, tem 20 faixas que eu coloco para tocar e vou até o fim. Apesar de ter várias instrumentais boas que não entrou. Tem uma chamada Invernia que acho sensacional e quase nunca tocamos ao vivo. São mais de 130 faixas nesses 15 anos de banda.


Saiu da crueza, é isso?

Alexandre - Não, acho que continua cru ainda porque tem sempre muita distorção, noise, começo, meio e fim do show. Com o tempo fomos acertando mais o som, deixando mais melódico e também mais barulhento. Essa é a nossa cara: misturar melodia com barulho


Todos os discos tem faixa instrumental?

Alexandre - Sim, em todos, sem exceção! Tem música que não precisa de voz e como um músico limitado, tem coisas que não dá pra tocar e cantar ao mesmo tempo!



Diagramma saiu em 2015, tem alguma diferença dos anteriores?

 Alexandre  – É mais polido, mais bem gravado. Como gravamos em três estúdios diferentes, acho que ficou com uma sonoridade bem distinta de timbragem. Sandro Garcia produziu duas faixas. Gravamos também na Zam House, que um estúdio daqui. E o terceiro estúdio foi o Ícone/Mudernage. E foi gravado em três anos: 2013/2014 e 2015. É quase um disco de rock progressivo! (risos). Se não fosse Vlamir, não teríamos gravado todo o repertório, porque ele sempre nos ajuda com tudo. Ele só quer ter preocupação, o que não é nosso caso. A gente sabe exatamente o que quer, não tem mistério. Ele até se surpreende quando pergunta: e aí, as letras? Tudo certo? E eu respondo: estou terminando. Como terminando? Você vai entrar no aquário agora! Várias letras eu terminei quando estava  para gravar.


Numa entrevista no começo desse século, você comentou que suas letras eram que nem hai kai. Você pegava as palavras e ia montando, mas isso mudou, não é?

Alexandre – Mudou em algumas... Quando gravamos o Low Fi (EP) Joca Soares nos chamou para gravar um vídeo clipe. Ele disse: rapaz, gostei dessa faixa Liquid Love Letter. Essa letra fala do que? Estou aqui numa viagem de um amor liquido... estou com umas idéias... E respondi: não tem nada a ver com isso. Fala da morte da minha avó.

Chris – José do Espírito Santo que trabalha na Rolling Stones também achou a mesma coisa. Foi uma entrevista para o programa de Cesar Zanin, um podcast em São Paulo.

Alexandre – Ele fez umas conexões com Love Will Tear us Apart. E daí quando falei sobre o que falava ele ficou espantado. Mas isso é que é o interessante. Agora, escute de novo e veja uma senhora de 92 anos que passou a vida todinha, vinda do sertão, e veja que ela está lá, que não teve medo nem na hora da morte. Mas as outras músicas continuam do mesmo jeito!


Liquid Love Letter é a exceção?

Alexandre – The Outsider eu fiz a letra quando estava entrando no estúdio e me disseram que a letra era a trilha sonora dos refugiados na Europa. E lá fui eu olhar a letra pra ver se tinha sentido. E realmente tem uma conexão, dá pra fazer um vídeo clipe só com imagens de TV dos refugiados. Essa letra é anterior ao fato noticiado pela mídia. Mas o sentido de cada letra fica em aberto para quem escutar. E é um dos motivos de cantar em inglês porque queria que a voz fosse um quarto instrumento e não o principal.


Qual a música que você gosta mais?

Chris – Gosto da fase mais barulhenta dos primeiros discos. Gosto da fase atual também, do Diagramma gosto de Falling Love...

Alexandre – Ela gosta de uma chamada Memories Down...

Chris – Explanation era uma que eu gostava de tocar, mas Alexandre não gostava.

Alexandre – É uma música de Henrique e tem aquelas notas tortas, e na ponte tem duas notas que não dá pra tocar!


E o processo de criação?

Chris – Eu sou pau mandado (risos). Quando tento fazer algo diferente, Alexandre diz: não invente! Faça o de sempre! (risos).

Alexandre – The Breeze é dela, Neon Hannett, Labyrinth Jazz... tudo sem querer!


Qual foi a motivação do cantar em inglês?

Alexandre – Foram dois motivos: primeiro – eu fui para um show que teve numa feira de sebo que foram dois shows distintos: Discarga Violenta e General Lee. O Discarga Violenta deu o recado curto, grosso, um som horrível e tal, mas eu entendi! Se esses caras tocam guitarra e fazem barulho eu vou fazer também! E a General Lee que virou General Junkie e tinha um som mais limpo, mais manso e simples. Daí eu entendi o Discarga e não entendi o General tocando num andamento low em língua portuguesa... quer saber de um negócio? Já que é pra ninguém entender o que estão cantando, vou cantar em inglês. Foi quando me chamaram para o Movement. Esse nome foi sugerido por mim, porque eles tinham um nome horrível, algo como Invólucro Sagrado e era um pós-punk vagabundo. É a minha primeira banda que existiu de 1991 a 1997. O segundo motivo é que eu queria que a voz fosse um quarto instrumento e não o principal.

 

E como foi cantar em português no Girassóis em Fuga?

Alexandre - Para esse tipo de música simplista que fazemos, fica difícil colocar melodias do jeito que se coloca em inglês, porque em inglês tem poucos fonemas e é muito fácil de trabalhar, já na língua portuguesa é muito difícil trabalhar com poucas notas. Para tocar mais notas precisava de mais ensaio. Eu não lembro daquelas músicas dos Girassóis de jeito nenhum!


Paralelo a isso você começou a Solaris Records?

Alexandre - A Solaris Records começou em 1996 para lançar o Movement e algumas outras bandas que estavam gravando, mas não tinham por onde lançar seus respectivos materiais. Nos 2000 mudamos para Solaris Discos, pois digitalizamos o catálogo, já que ninguém queria mais comprar fita cassete, hoje estão querendo de volta e passamos para CD-R e alguns CDs industriais, mas foram poucos. Foi uma época que  havia muitas bandas de qualidade em Natal, ao contrário de hoje: quantidade e pouca qualidade. É por isso que continuo tocando. Enquanto essas bandas de gosto duvidoso tocarem os Automatics estarão aí.


Então a linha de tempo é: Movement, Solaris, Chronic Missing, Girassóis em Fuga, Sunny Rain Distortion e The Automatics...

Alexandre - Continuei com a Chronic Missing até 2000... eu deveria ter ouvido Vlamir. Ele me falou que eu não deveria ter mudado o nome da banda. Hoje eu concordo que não precisava ter mudado. Mas como tinha vocal feminino, achei melhor mudar. De todas acho a Chronic Missing a mais true, porque ninguém sabia tocar e fizemos tudo aquilo. É uma banda que eu escuto. 


Show ou ensaio?

Alexandre - Treino é treino, jogo é jogo, amistoso é amistoso (risos). A minha primeira preocupação é saber de quem é o som. Temos 15 anos de banda, não vou tocar em qualquer amplificador mais, não vou porque não vou. Mas os equipamentos aqui melhoraram muito. No MADA não foi o mesmo show do Under the Sun que não foi igual ao Dosol. Temos uma regra interna de que nenhum show tem o mesmo repertório do outro. Joaquim (Jubarte Ataca) ficou assombrado com isso porque todo show tem algo diferente. 


Você faz a letra primeiro, depois a música...

Alexandre - A música primeiro, depois as letras. Tem um caderno cheio de anotações, rabiscos e daí vou juntando. A minha preocupação sempre é o que irei cantar no refrão. Eu prefiro cantar em inglês do que escutar um Charlie Brown Jr. da vida... é melhor um instrumental ou inglês.


Você tem algum sensor quando a música está muito pop e daí o que você pensa em fazer para sair disso. Em que compositor você pensa, fulano faria isso?

Alexandre – tem uns caras que dão umas soluções com músicas parecidas. Lloyd Cole é um deles. Quando a música tem o mesmo andamento, aí ele joga um pedal still, uma gaita. Eu olho para um desses caras e coloco um elemento extra, por exemplo, na música The Outsider tem uma gaita no final que eu levei a gaita sem querer dentro do bag da guitarra e acabei colocando no final da música.


A parafernália pesada ajuda até que ponto e atrapalha até onde?

Alexandre – Os pedais sempre ajudaram. É só saber usar. Adriano Azambuja se assustou quando num ensaio, ele percebeu que os meus cinco pedais passavam dos dele no final. Por quê? Respondi: eu não sei! Porque eu não toco melhor que você. Mudou o compressor, mas mesmo assim continuou. Acho que o encordoamento, por exemplo, que uso é 12, o dele é 10 e talvez porque eu ligue todos ao mesmo tempo (risos).


Tommi Iommi disse certa vez que, Ozzy mesmo sem tocar nada, mas tem uma linha de vocal único. Seria essa linha de vocal que você consegue colocar em apenas duas notas, você já está pensando nela quando está fazendo a base?

Alexandre - Sim, sempre penso! Quando estou tocando vou solfejando e procurando sons. Eu não gosto de rimar! Isso eu aprendi com o modernismo. Rimar no século XXI, não! No Girassol em Fuga não tem rima em lugar nenhum! É de propósito, planejado, sem rima! 


Como está a cena de Natal?

Alexandre - Eu tenho 25 anos aqui, então eu vi nascer todos os imitadores e modistas. Natal é uma cidade modista, quem faz banda aqui entre numa vibe da moda. Vi bandas fazendo parte daquele boom do rock nacional. Nos anos 90 começou a enveredar pelo manguebeat, Peixecoco Embola Funk... depois veio uma avalanche de bandas de hardcore melódico, todos mortos hoje! Depois veio as bandas com a vibe de rock 2000, tipo Strokes, Interpol... depois algumas tentativas de eletropop, também morreram todos e agora estamos na onda instrumental! Vamos ver até onde vai! Eu quero ver Mahmed com 10 disco, Camarones, etc, A gente toca música instrumental desde 2001, no dia que quiserem um show só instrumental, temos condições de fazer! Eu vejo como moda. Essas tendências vão passando e aqui as bandas vão se acabando. Bandas em atividade na cidade só nós de 2001 e os Camarones de 2007. Só se pode ter uma tradição na cidade quando se tem uma geração anterior que tenha uma ligação com a posterior. Natal não tem isso. Muitas bandas recentes não sabem quem são os Automatics, que tem 15 anos.

 

Tem produtor musical em João Pessoa que desconhece a Shock que tem mais de 30 anos...

Alexandre - Eles são mal informados! Em arte você precisa de uma sequência, mesmo que seja para negar a outra e aqui não tem uma sequência, tem uma quebra. Fiquei triste de ouvir o Far From Alaska dizer que a cena em Natal começou com o Dosol! Muita falta de informação! Teve muita coisa antes, teve Whiplash, Solaris, Modis Vivendis, Cabeças Errantes, O Fluido, Devastação. Depois do instrumental vai vir o que?

 

Você também é zineiro!

Alexandre - Sim. Zineiro é ótimo! Uma vez me perguntaram: você é usineiro? Respondi: não, eu não sou dono de usina (risos). Eu fiz jornalismo e não terminei. Eu queria escrever sobre bandas que ninguém escrevia. Fiz o Barulhoscópio que foram dez números e o Automatics que só foram cinco. Eu parei por falta de tempo, mas é algo que eu gostaria de retomar. Tenho uma idéia de uma revista chamada Jazibande, que é uma corruptela de jazz band. O primeiro poeta moderno do Rio Grande do Norte chamado Jorge Fernandes, ele chama a cidade de Jazibande dos Infernos. E se perguntava: o que diabos é jazibande? Uma banda de jazz tinha muitos músicos e fazia muito barulho e era a noticia do barulho da cidade, a banda de jazz.


Mas tem um livro do Joy Division aí na agulha, não é?

Alexandre - Eu tenho mais informações sobre o Joy Division do que sobre o rock do Rio Grande do Norte. A história do Joy Division é toda complicada e de fontes diferentes. E o que acontece? Você pega Peter Hook e Bernard Summer que fizeram autobiografias, muitos relatos não batem. E os jornalistas dão outras informações porque não estavam lá! É muito conflituoso. Quero fazer porque é um livro interessante, lembro que Peter Hook disse que ficou assombrado quando chegou no Brasil, no show com o New Order e viu 10 mil pessoas gritando Joy Division! E ele disse: o que é isso? Como é que um país tropical tão longe daquela cidade cinzenta gosta do Joy Division? Ele ficou intrigado porque numa dessas imagens catastróficas do Oriente Médio, ele viu uma menina correndo de um bombardeio com a camiseta do Unknown Pleasure e se perguntou: como é que fomos parar na faixa de Gaza?! Como é que uma banda que ninguém dava nada por ela chegou nos 5 cantos do planeta? Inclusive aqui? Acho Joy Division a cara de Natal, quando comecei a escutar: chuvosa, decadente, fabrica de algodão fechando, desemprego. Totalmente Natal no anos 80. E tem público até hoje!


Que banda você ouviu e disse: é isso aí que eu quero!

Alexandre - Foi a Discarga Violenta e aquele barulho todo fez sentido. No dia vi um senhor fazendo uma careta e dizendo: Isso lá é música! E eu disse: Pronto, deu o recado! E a outra foi a Pin Ups quando lançou a Time Will Burn, uma demo gravado ao vivo no estúdio, com um som tosco, mas lindo! Eles não vão fazer nada parecido nunca mais! Só que no Movement eu só cantava e não tinha nenhum instrumento, mas quando eu tive condições de comprar uma guitarra comecei o Chronic Missing.


O que você escuta hoje é o que influencia no seu som?

Alexandre - Não, porque eu escuto muita música mais leve, folk. Se influencia é de forma indireta. E quando estou tentando compor procuro uma combinação e se vai parece com isso ou com aquilo, só depois de pronta que irei saber, mas nunca neguei as minhas influências. Acabei de comprar o CD triplo do House of Love, que tinha vocal feminino no começo!

 

https://www.facebook.com/theautomaticsband


 
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