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surf party: 15 Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe
Quinta-feira, 19 de Maio de 2016 (0:19:54)

 

Momento singular na surf music brasileira!





15 PRIMEIRO CAMPEONATO MINEIRO DE SURFE

Por Leopoldo Furtado

Fotos Fernanda Coronado

Foto abertura  Alexandre Biciati

 

O Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe chegou à sua 15ª edição, mostrando que a cena surf brasileira vai muito bem, obrigado. Onze bandas subiram ao palco da Obra, das quais três iniciantes, e mostraram toda a criatividade e originalidade da Surf Music brasileira.

O festival aconteceu dos dias 23 a 26 de março, mas a festa começou um pouco antes, no dia 19. Os Beach Combers saíram do Rio de Janeiro e invadiram as ruas de Belo Horizonte com o seu Beach Attack, fazendo shows nas ruas do centro de BH e divulgando o festival. As apresentações do grupo surpreenderam os passantes e derreteram corações.



A noite de abertura do festival aconteceu na quarta-feira e contou com os veteranos Reverb All Stars, uma seleção de músicos das bandas de surf music de BH que sempre toca um repertório recheado de clássicos no festival. Quem fechou a noite foram os Beach Combers. Os timbres precisos que alternam entre o fuzz e o reverb da guitarra de Bernar Goma, aliados à bateria cavalar de Lucas Leão e o baixo com fuzz de Guzz trazem outros elementos sessentistas ao som da banda, que passeia pela surf music e pela psicodelia garageira. Fizeram um show tão sensacional que foram escalados de última hora para repetir a dose na última noite do festival. 

A noite de quinta contou com a única banda não surf do festival, a mineira Dead Pixels, que fez sua terceira aparição no festival com seu punk rock energético. Em seguida, subiu ao palco a primeira estreante do festival: Ivan Motosserra, da Bahia, fez um dos melhores shows desta edição. Os jovens baianos fizeram o lançamento de seu primeiro EP Surf & Trash e estavam em uma noite inspirada. Da escolha dos covers às originais, tudo soava perfeito. O público aprovou e dançou do começo ao fim. O show terminou com a participação de Morotó Slim e Rex, dos Retrofoguetes (e colegas de banda de Rogério Gagliano, guitarrista do Ivan Motosserra, na banda de rockabilly Los Royales), que deixaram todos de queixo caído com interpretações de Stray Cats e mais. É impressionante a vontade de tocar que esse pessoal tem. Foram praticamente arrancados do palco a muito contragosto, para dar espaço para Los Pollos Caipiras, de Ouro Preto, que fechariam a noite. Grande responsabilidade nas costas, já que são a única banda de Surf Music autoral de Minas em atividade. O show mostrou sua mistura de surf com música caipira, cúmbia e outros elementos. Os Pollos estavam apresentando o recém-lançado EP de estreia do grupo, Los Pollos Van a La Playa, e tocaram músicas próprias e alguns covers. Destaque para “Surfando na Serra do Cipó”, um surf caipira com slide, técnica bem pouco usual em surf music, e para a versão surf de “Sobradinho (sertão vai virar mar)”.



A Sexta-feira Satan começou com mais uma estreante que roubou a cena. Direto de Natal para a Rua Rio Grande do Norte, os infernais Jubarte Ataca abriram o show com sua surf music cheia de maldade. Timbres e arranjos clássicos, mas tocados em velocidade da luz, e algumas músicas cantadas, mas com temas pertinentes, falaram ao coração de todos as bandas de surf music ali pressentes. “Fuck Jack Johnson” deveria virar um hino da surf music mundial! A banda ainda fez uma homenagem em forma de cover e tocou “O Monstro de 1000 olhos”, dos paranaenses Psicotrópicos Deluxe. Deco Deluxe, baixista da banda, fez escola, e a presença de palco do baixista do Jubarte, Daniel Dantas, lembrou bem a insanidade que era o show dos Psicotrópicos. Resumindo, Daniel foi carregado pelo público e tocou baixo de cabeça pra baixo, andando no teto da Obra. Em seguida, subiu no palco o Kozmic Gorillas, única banda que tocou no Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe ainda em atividade, que fez um show baseado em uma surf music mais clássica. Quem ficou a cargo de fechar a noite foi The Mullet Monster Mafia, com sua surf music cheia de maldade (tema recorrente do dia) e uma passagem prévia pelo Campeonato, em sua 9ª edição. A banda, que se intitula “surf music satanista universitária”, se prepara para uma turnê pela Europa e acaba de lançar um Picture Disco com seus discos anteriores, além de estar para lançar um compacto de 7’’ na Europa. O show foi pesadíssimo, mas muito surf. Além de músicas próprias, fizeram uma versão surf para “Raining Blood”, do Slayer (nada mais apropriado, não?).

 

 

A noite de sábado, última do festival, com certeza entrará para a história como uma das mais sensacionais destes 15 anos de festival. Quem abriu a noite com sua primeira apresentação no festival foram os paulistas Os Brutus. Com um dos melhores lançamentos de 2015, o CD Übersurf, os Brutus destilaram seu surf punk. Os timbres precisos da guitarra de Juliano Peleteiro criaram climas quase cinematográficos para as músicas, com temas que variaram de lentos e sombrios a agitados e pesados. Em seguida, subiram ao palco os Gasolines. Também de malas prontas para uma turnê na Europa e com a responsabilidade de abrir o Surfer Joe Summer Festival, os Gasolines, de São Paulo, fizeram um show histórico. Agora um quinteto (eles incorporaram o percussionista Rapé), a banda aprimorou ainda mais sua veia latina e exótica. A guitarra surf de Alexandre Kanashiro está mais swingada do que nunca e a banda fez um show que teve de tudo. O MC e maraqueiro da banda, Saico Padovani, estava em noite inspiradíssima; rolou até trenzinho na Obra. O som da banda é uma volta ao mundo a bordo de uma longboard. Tem música com influência latina, árabe, africana e americana; uma verdadeira aula dançante de geografia musical. O clima de festa tropical na Obra foi quebrado com a subida dos Beach Combers ao palco, para o seu show extra surpresa. De festa tropical para festa psicodélica, os Beach Combers fizeram um show agitadíssimo com seu surf cheio de fuzz. A banda foi responsável por alguns dos melhores covers do festival, com uma versão de “The Wedge”, do rei Dick Dale, além de um bloco com canções dos Sonics, com a participação de Saico (e do público) nos vocais.

A noite encerrou com os Retrofoguetes, de Salvador, e o show foi um parágrafo à parte. Em sua quarta apresentação no festival, os Retrofoguetes, agora um quarteto, apresentou seus novos integrantes, Julio Moreno, dividindo as guitarras com Morotó, e o baixista Fábio Rocha. A banda tocou músicas de seus discos anteriores, além de alguns covers e músicas que farão parte do disco que estão gravando (e que promete ser histórico!). As músicas dos Retrofoguetes são capazes de criar filminhos na cabeça das pessoas. Apenas para se ter uma ideia, quando tocaram a clássica Apache, um dos presentes, em transe, deitou-se em um canto do palco como se fosse um cowboy preparado para atirar em um Apache. E tome música de espião, de circo, de super herói e até mesmo, pasmem, de surfista! O show durou duas horas, isso mesmo, DUAS HORAS, e acabou depois das seis horas da manhã do domingo de Páscoa!

Mais importante do que os shows excelentes vistos por mais de 800 pessoas nos quatro dias de festival, o 15º Primeiro Campeonato de Surfe serviu também para trazer para a vida real os amigos virtuais, transformar os nomes nos encartes de disco em pessoas de carne e osso, reencontrar ao mesmo tempo amigos de vários estados e fazer novos amigos. Aproveitei para gravar um programa especial do Surf Report com a participação das bandas, e o clima foi de festa. O tradicional churrasco na cobertura do Hotel Bragança foi dos mais animados, com direito a uma Jam Session que gerou oportunidade de todo mundo tocar com todo mundo e estreitou ainda mais os laços. Como escrevi na primeira coluna aqui na Rock Press, a surf music brasileira passa por um momento singular e com certeza tem muita coisa para acontecer daqui para frente. Fique ligado que a onda está só começando a se formar!

 

 

Leopoldo Mocotó Furtado é Head Honcho da Reverb Brasil Records e um dos criadores do Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe. Atualmente apresenta os programas Surf Report, na Antena Zero, e Surfin' South, na North Sea Surf Radio.



 
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