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rip: LEMMY
Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2015 (23:21:21)


Brinde a Deus - cervejada e nao lágrimas era o que ele quereria. 





LEMMY

Lived to win

por Max Merege


Será verdade mesmo?! Pior que é, Lemmy morreu!!!! E tudo o que podemos fazer, além de rezar e o escambau, é celebrar seu legado! Churrascada, cervejada, smurfetes de biquini, e muito, muito ROCK'N'ROLL, em alto e bom som!!!!

Recém completou 70 anos e soube no dia seguinte (26 dez) que estava com um câncer agressivo. (Vale lembrar que problemas de saúde atormentavam-lhe a vida já tinha um tempo. Diabetes, marca-passo e safenas no coração, e tudo mais que servia para avisar que Lemmy não era um sujeito indestrutível. Basta lembrar que em abril mesmo, no festival Monsters Of Rock, em São Paulo, ele acabou nem indo tocar por causa de sua já fragilizada saúde.)

 

O comunicado oficial da página do Motörhead


"Não existe um jeito fácil para dizer isso ... nosso poderoso, nobre amigo Lemmy faleceu hoje após uma curta batalha contra um câncer extremamente agressivo. Ele ficou sabendo da doença em 26 de dezembro, e estava em casa, sentado na frente da TV, jogando seu game preferido, com sua família.

Não tem nem como a gente expressar nosso choque e tristeza, não existem palavras.

Diremos mais nos próximos dias, mas por ora, por favor ... toquem Motörhead alto, toquem Hawkwind alto, tocar a música de Lemmy NAS ALTURAS!

Tome uma birita ou umas.

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Celebre a VIDA deste adorável e maravilhoso cara, que celebrou tão vibrantemente a si mesmo.

ELE IRIA QUERER EXATAMENTE ISSO AÍ.

Ian 'Lemmy' Kilmister

1945 -2015

 

Nascido para perder, viveu para ganhar."

 

Nascido no interior da Inglaterra, em 1945, foi criado pela mãe e pela e pela avó. Teve inúmeros oddjobs até ingressar aos 20 anos nos Rocking Vickers, sua primeira banda, na qual tocou guitarra e mandou ver num iê-iê-iê bem ao estilo The Who, tendo se lançado de fato a partir da Finlândia, já que lá eles eram bem mais populares que no Reino Unido propriamente.

Pouco tempo depois, Lemmy foi tocar com Sam Gopal, um pirado malaio de vibe holística que misturava blues com música oriental, soul e hardrock primitivo. Em seguida tornou-se roadie de ninguem menos que Jimi Hendrix. Em '72 conheceu Dave Brock, ao lado de quem passou a correr a estrada como baixista e vocalista do Hawkwind, uma banda avantgarde de prog-spacerock que em muito flertava com o krautrock que se produzia então na Alemanha. Doidão que era, Viu-se obrigado a deixar a trupe. Pouquinho tempo depois, formou o Motörhead, a banda mais barulhenta do planeta, que orgulhosamente manteve por 4 décadas a fio. Teve outros projetos também, segurou as pontas como baixista do Damned, montou banda de rock bailinho com Slim Jim Phantom e Danny B. Harvey, atacou de ator em "Eat the Rich", escritor, colecionador de tranqueiras de guerra e muito mais coisas que o tornaam um sujeito incrivelmente carismático e fascinante.

No último dia 15 de novembro, Lemmy enterrou seu velho parceiro, o baterista Phil Taylor.

 


MOTÖRHEAD - A História Dos Bastardos 

Por Carlos Lopes


As famosas frases de Lemmy, “A lei morre onde o Motörhead estiver” e “Só descobri que não era punk quando me disseram que punk não tem cabelo comprido” dão a ideia de criador e criatura. O nome da banda? É uma gíria americana para o uso de anfetaminas e não tem nada a ver com corrida de carros ou “bateção” de cabeças.

Ninguém havia ido tão longe na ainda hippie segunda metade dos 70, apesar dos punks. O primeiro LP lançado no Brasil foi o Bomber (na verdade, o quarto) em 1980. O impacto foi estrondoso! O baixo Rickenbacker de Lemmy Kilmister roncava como uma guitarra! Discos como esse não eram lançados aqui. Foi uma festa. Pô, ainda eram os anos 70, praticamente, e o que se conhecia de mais pesado era o punk/hardcore europeu (99% sem lançamento local). O hard rock/metal era pesado mas um tanto quanto refinado e não tão agressivo quanto poderia ser para quem já estava ciente dos Sex Pistols.

A influência de bandas como Led Zep e Deep Purple era muito grande e grupos como o MC5 e os Stooges passaram ao largo, incompreendidos como sub-música. Faltava um elo, alguém que pudesse unir os três acordes do rock’n’roll com as guitarras do metal e o som do punk/hardcore e essa pessoa foi Lemmy, nome completo: Ian Kilmister, ex-Hawkwind (reza a lenda que o apelido vem do constante apelo por empréstimos. Em inglês: “lemme a fiver”).

No primeiro disco, o obscuro On Parole, o guitarrista se chamava Larry Wallis (ex-Pink Fairies) e o batera Lucas Fox. Quando Lemmy convidou “Fast” Eddie Clarke para engordar o som da banda com uma segunda guitarra, o tal do Wallis encrencou e acabou se escafedendo. Segundo o baixista, o negócio do Larry era “chegar atrasado para ensaiar mas com um monte de gente em volta para babar o ovo dele”. Bem, esse cara não queria dar duro mesmo.

O novo batera a ingressar na nova formação era o ex-skinhead, e fã de reggae e soul music, “Philthy” Animal Taylor, limitado em técnica mas perfeito para a banda. Seu estilo consistia em usar os dois bumbos mais rápidos e punks do planeta! Marcou época e virou padrão para todos os bateras.

Agora era só dominar o mundo e foi o que aconteceu “progressivamente” (desculpem-me o termo). Inclusive nesse On Parole, a única canção creditada a Lucas Fox é “Lost Johnny” porque Animal refez todas as bateras em uma semana sobre as bases anteriormente gravadas por Fox, mas no final das sessões para não ser pego em flagrante pela polícia com “uma parada errada”, ele engoliu os “tabletes do mal” e acordou três dias depois na cadeia... após as gravações.

Depois de gravar o primeiro LP oficial, o da caveira na capa, pelo selo Chiswick, a banda assinou em 78 com o selo Bronze, que ofertou ao mundo o primeiro grande disco da banda: Overkill. Produzido por Jimmy Miller, o mesmo do Exile On Main Street, dos Stones, o disco vendeu mais de 60 mil cópias com um som para derreter qualquer indiferença. “Metropolis”, “Damaged Case”, “I Won’t Be Your Sister”, “Capricorn", "No Class"! Só clássicos! O logo do “cão dos infernos chifrudo” (iron boar) tornou-se marca para algo muito pesado e aderiu ao trio com perfeição. O artista Joe Petagno passou a desenhar capas cada vez mais alucinantes e tornou-se o membro(?) visual do grupo. 

No mesmo ano após uma excelente e bem sucedida excursão com as amigas do Girlschool da mesma gravadora (persigam os seus três maravilhosos primeiros álbuns) voltaram ao estúdio para gravar o sucessor do Overkill, o ainda mais ultrajante Bomber, uma aula de devastação sonora. A capa estampando um bombardeiro Heinkel III arrasando os incautos foi transformada em realidade e a banda mandou construir uma réplica em tamanho real que se movimentava atrás do palco emitindo sons estridentes de sirenes em alerta! O mundo literalmente acabou com riffs como "Dead Men Tell No Tales", "Poison", "Stone Dead Forever", "All The Aces", "Sharpshooter"! 

Em 80 eles gravaram o Ace Of Spades, considerado por muitos seu melhor disco e um dos melhores de todos os tempos. "Fast and Loose", "(We Are) The Road Crew", "The Chase Is Better Than The Catch", "The Hammer". A banda continuava com o mesmo som porrada e cada vez melhor e ainda por cima vestidos como caubóis do inferno na capa (e Animal com cara de Charles Bronson/mexicano maldito). 

A famosa faixa-título alcançou meio mundo com um clip produzido sobre um play-back onde o baterista se mostrava incapaz de dublar as próprias viradas. A canção era tão poderosa e o clip tão verdadeiro que o planeta ficou de quatro e resolveu adotá-los como a melhor banda de metal do mundo, por sinal um título nada lisonjeiro pois rótulos nunca se adequam à grandes bandas. 

O seguinte, sujo e ao vivo No Sleep ‘Til Hammersmith passou de cem mil cópias! No Sleep foi relançado em 2001, como CD duplo com faixas extras e inéditas. Era o tão almejado sucesso mas a formação iria sofrer um definitivo baque. Lemmy convidou a vocalista Wendy O. Williams (cometeu suicídio nos anos 90 com um tiro), dos Plasmatics, para gravarem juntos, assim como haviam feito com a Girlschool mas, reza a lenda “parte II” que, Clarke armou um barraco por ela ser punk e Lemmy acabou se divorciando do companheiro após o lançamento do bom Iron Fist. 

O substituto foi Brian Robertson, ex-Thin Lizzy. A passagem do guitarrista pela banda (fase Another Perfect Day) foi considerada pelo próprio Lemmy como “miserável”. A falta de interesse de Brian em se adaptar ao grupo custou a debandada de muitos fãs e por causa disso o fã clube inglês caiu de seis mil fãs para apenas cem!

A primeira tour do Motor no Brasil , já com dois novos guitarristas, Wurzel e Phil Campbell, foi um tanto bagunçada. No Maracanãzinho (templo da reverberação), no Rio, tivemos a desagradável participação de lutadores/playboys drogados distribuindo pancada para tudo quanto era lado. Infelizmente a extinta Rede Manchete transmitiu com maior ênfase a violência de um público que não pertencia à banda (as pancadas foram exibidas em indisfarçável câmera lenta) do que o próprio concerto. Primórdios do tal “jornalismo verdade”...

Mesmo assim Lemmy compôs “Going To Brazil”, para o 1916, elogiando nossas belezas e expondo as mazelas, que no Brasil são indissociáveis. “Philthy” achou suspeitas certas atitudes de Lemmy em relação à carreira futura do Motor e, entre idas e vindas, deixou-os definitivamente. No mesmo 1916 existe uma inacreditável (de estranha) balada que pode ter precipitado as coisas... 

Durante um breve período a banda contou com o ex-Saxon Pete Gill ostentando as baquetas até o retorno do Animal, que durou um disco e meio. Grande parte da alma do Motor havia debandado, mas isso não significava derrota, muito pelo contrário. Os Estados Unidos começaram a ouvir falar do agora quarteto e os chamou às vias de fato. Lemmy se empenhou muito e bancou tours que deram prejuízo financeiro mas era um mercado novo a ser explorado e ele não se negou a pagar o preço para desbravar o novo terreno.

Eram os anos 80. Os punks americanos se entenderam bem com o velho baixista enquanto ele mesmo, com toda a sinceridade, não mostrava nenhum apreço pelos estrelismos de grupos como o Megadeth. Nem precisa citar que o nosso Sepultura gravou uma metalizada versão de "Orgasmatron", amplamente criticada por Lemmy por “não entender se o vocalista da banda brasileira cantava mesmo a letra ou só urrava”. Esse Lemmy... dono de uma voz “daquelas” e falando isso...

Nesse período em que eles tentaram a América, por causa do sucesso do Orgasmatron, Lemmy foi tirar a verruga, colocar uns dentes no lugar e se bronzear em LA e acabou decidindo morar lá pois as coisas iam bem mal na velha e embaçada Inglaterra. Os anos passaram, vários discos foram gravados, várias gravadoras os contrataram e dispensaram mas a banda manteve-se intacta como trio, agora com a presença do excelente baterista Mikkey Dee, ex-Mercyful Fate, e com a despedida de Wurzel. A moda do metal veio, passou, voltou e eles continuaram sendo considerados peça fundamental na engrenagem desse estilo de rock, que é tanto amado quanto combatido, mas inegavelmente é talvez o mais popular de todos os tempos.

Milhões de participações em filmes (Eat the Rich, The Decline Of Western Civilization Part II, Romeo e Juliet da Troma etc) depois, e após dezenas de novos discos, diferentes gravadoras, CDs com bonus tracks e coletâneas, eles continuam incansáveis mesmo submetidos aos altos e baixos da indústria. As gravações continuam (atualmente na CMC), o trabalho é duro e a estrada é longa, mas para quem ama o que faz, não se pode e nem se deve pensar em parar. Lemmy, você é um exemplo vivo e o nosso herói eterno! Parabéns pelos 27 anos de vida na estrada e pelos excelentes serviços prestados à música extrema!!!

 

DISCOGRAFIA OFICIAL:

On Parole (1976)

Motörhead (1977)

What’s Words Worth? (Live EP, 1978)

Overkill (1979)

Bomber (1979)

The Golden Years (Live EP, 1980)

Beer Drinkers (EP, 1980, gravado nas mesmas sessões do álbum Motörhead)

Ace Of Spades (1980)

No Sleep ‘Til Hammersmith (1981)

St. Valentines Day Massacre - (EP com Girlschool, 1981)

Iron Fist (1982)

Another Perfect Day (1983)

Orgasmatron (1986)

Rock ‘N’ Roll (1987)

No Sleep At All - Live (1988)

1916 (1991)

March Or Die (1992)

Bastard (1993)

Sacrifice (1995)

Overnight Sensation (1996)

Snake Bite Love (1998)

Everything Louder Than Everything Else (ao vivo, 1999)

We Are Motörhead (1999)


ALGUMAS COLETÂNEAS:

No Remorse (1984)

The Best Of Motörhead (25th Anniversary) (2000)

All The Aces (acompanha um CD com covers e inéditas)

The Chase Is Better Than The Catch (The singles A & B’s) (2000)

Over The Top (The Rarities) (2000)


CURIOSIDADES DO ALÉM:

A música "Motörhead" foi gravada pela primeira vez em compacto pelo Hawkind, uma banda-família pesada e psicodélica, uma espécie de Greatful Dead inglês. "The Watcher" e "Lost Johnny", ambas do primeiro LP do Motör, On Parole (gravado em 76 mas engavetado e lançado somente três anos depois), foram editadas respectivamente pela primeira vez no Doremi Fasol Latido (1972) e no Hall Of The Mountain Grill (1974) do Hawkwind.

 

O grande responsável por unir Lemmy e o guitarrista Eddie Clarke foi o destino mas com a participação indireta de Jimi Hendrix! Como assim? Além de Lemmy ter sido roadie do divino negão (em UMA turnê inglesa), é sabido que Hendrix andou tocando para Curtis Knight, que depois montou uma banda chamada Zeus, cujo guitarrista era Clarke!

 

Quando Clarke deixou a banda, fundou o Fastway que teve uma das músicas usada como tema do programa Armação Ilimitada (com Juba e Lula, lembram?), da Globo nos anos 80.

 

Entre abril e maio de 78 a banda deu uma parada, mas Phil e Eddie foram tocar com Speedy Keen e Billy Rath como os “Muggers”. Billy tinha tocado baixo nos Heartbreakers e com Iggy Pop nos Estados Unidos. Deram dois shows e acabaram. Billy aparece com uma camiseta resplandecente do Motörhead no Live At Max’s Kansas City, dos Heartbreakers.

 

Em junho de 78 foi a banda principal do festival punk Punkaroka Midnight Sun Festival no Nordeste da Finlândia, mas segundo Lemmy, o PA “não dava para amplificar um peido” e eles decidiram destruí-lo para que ninguém nunca mais ouvisse aquele sistema de “som”. Foram todos presos quando estavam no aeroporto de Helsinque tentando voltar. Após cinco dias de cana foram banidos e todo o lucro da banda foi confiscado para pagar o prejuízo.

 

Lemmy costumava acrescentar três símbolos ao seu autógrafo: de Capricórnio, que é o seu signo, Saturno, regente do signo, e o de Sagitário, seu ascendente. Segundo Lemmy, Sagitário é o signo de “grandes vadios” como Morrison e Hendrix.

 

Originalmente publicada em Rock Press #54


 
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