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entrevistas: Skullbillies
Quarta-feira, 8 de Julho de 2015 (19:36:59)

 

 

Vivendo o psychobilly!





 + entrevista

SKULLBILLIES

Por Olga Costa Adriano Stevenson

 

(Cortesia Microfonia)

Fotos Site Skullbillies


Que Curitiba é o maior celeiro de psychobilly do Brasil todos sabem. O DNA deixado pelos Catalépticos foi forte o bastante para segurar novas gerações de bandas que perpetuam até hoje, sem falar nos números de festivais relacionados com o gênero. Falando em novas gerações, PRP teve acesso ao Psycho Carnival e viu em in loco como a coisa anda atualmente na cidade curitibana. Conversamos com uma das bandas que dão continuidade a esse estilo, tocando em todas as quebradas e prestes a lançar seu debut. Com vocês, os Skullbillies!


Como foi o início da Skullbillies?

Guilherme – Começou com o Rocker. Ele foi o mentor da banda. Ele pode falar do começo até o momento em que me convidou para entrar na banda.

Rocker – Conheci o Diego pela internet e descobri que ele gostava de psychobilly. Eu sempre gostei, mas nunca achava ninguém pra montar uma banda. Começamos em 2013. Tentamos com um monte de gente, até achar o Guilherme.

Guilherme – Quando entrei, eles estavam no estúdio, tentando formatar a banda. Entrei no final de 2014 e tínhamos um outro baixista, Alexandre, que tocava baixo elétrico, então, puxava um pouco pro lado do punk. A nossa vertente é psychobilly, porém, com o baixo elétrico, a gente perdia um pouco da identidade. E foi aí que começou a história do Márcio na banda. A nossa intenção era realmente colocar um rabeco, que é a alma. Para você ter uma banda de psychobilly, é quase que necessário ter um rabecão. Foi quando achamos o Márcio, em agosto de 2014.

Márcio – Na verdade, eu tocava numa banda de suf music com o Rocker, tocava baixo acústico. Quando o baixista saiu, eu meio que me voluntariei para fazer um teste.

 

Você já tocava em outra banda?

Márcio – Eu sou o mais novo em instrumento, só tem uns dois anos que toco. A minha primeira banda foi essa de surf music, então, posso dizer que Skullbillies é a minha segunda banda. Na verdade, eu sempre quis tocar baixo e acabou não acontecendo porque tinha o fato dos meus pais não gostarem que o filho toque. Daí fui pegando idade e pensei: ou eu faço isso agora ou nunca mais vou fazer. Comprei o baixo e comecei a aprender sozinho e tamo aí.

Guilherme – Pra nós, a entrada do Márcio já era esperada porque o Rocker fazia as músicas e, quando passava pra gente, nas nossas cabeças, já tinha o reg reg reg (risos). Já tava formatado o baixolão. Ele foi vislumbrado desde o primeiro momento. Quando ele chegou com o rabecão, falamos: pronto, é da banda! Tá feito, vai ficar aqui! Se não gostou, vai deixar o rabeco, pelo menos (risos). Foi uma fase de uns dois meses de adaptação, porque muda a formatação da música. É outra coisa encaixar as linhas da guitarra, vocal e bateria, principalmente, com o que o rabecão faz. Ele tem duas batidas, soa o acorde e faz o slap. No caso, as músicas estavam prontas, mas tiveram que ser remodeladas pra se adaptar ao rabecão.

Márcio – Estamos tocando juntos, nessa formação só tem uns seis meses. Então, é muito nova, ainda.

Rocker – Márcio agregou bastante ao som. Teve que mudar muito para adequar o que já se fazia. Agora está bem rápido, antes era mais “soladinho”. Melhorou bastante!

 

Vocês fazem parte da segunda geração do psycho de Curitiba?

Guilherme – Nós somos a segunda geração. Teve uma geração a mais, que acaba sendo uma parte só. Tem a CBWBillies, que é uma banda do caralho, que tá tocando aí, que começou nos meados dos anos 2000, mas foram só eles. Começou por aqui em 1984 com os Cervejas, depois Catalépticos, e aquela avalanche de bandas tradicionais que temos aqui, como Krápulas, etc. e depois veio Ovos Presley. Até 2010, ficou só o Ovos Presley tocando, mantendo a cena mesmo, sabe? Catalépticos acabou, Sick Sick Sinners tocando bastante fora, Diabatz tocando fora também. Então, quem manteve a cena durante uns cinco anos foi o Ovos Presley. Tínhamos um bar aqui chamado Porão do Rock, que começou a abrir espaço pros psychobilly, então, todo domingo tinha a banda CWBillies, que era a banda fixa e tinha mais uma convidada. Ficou um ano e meio com essa programação, e isso fez com que a cena se movimentasse novamente. Em 2013, começaram a surgir as bandas novas, e é dessa nova onda que nós fazemos parte, aqui em Curitiba.

 

O Zabilly também é dessa onda?

Guilherme – Sim. E estamos em estúdio gravando músicas para uma coletânea de psychobilly com cinco bandas que surgiram recentemente. Uma nova escola de psychobilly baseada na antiga, totalmente, mas com uma formatação nova, agregando a cena, sendo bem recebido pelo pessoal mais antigo, porque, na realidade, somos todos amigos. A gente quer fazer um som pra todo mundo ouvir, não só o pessoal do psychobilly, também rockabilly, punk. A música é livre, quem quiser ouvir vai ouvir nosso som!

 

O Psycho Carnival tem dezesseis anos. Você falou num hiato que foi mantido pelo Ovos Presley. Como rolava o festival sem a renovação de bandas?

Guilherme -  O Psycho Carnival sempre rolou. Nunca foi afetado por isso. O PC sempre trouxe bastante bandas de fora. Depois da quinta edição do festival, já era referência para o pessoal da Europa, dos Estados Unidos, México, Chile. Hoje em dia, o pessoal quase briga pra ver quem vai vir porque é um celeiro. A gente tem uma troca de informação com o pessoal de fora, aqui do Brasil, de outros estados e países. Então, o PC nunca foi afetado, nem o Psychobilly Fest que rola em novembro, porém, durante o resto do ano, não tinha nada acontecendo.

Márcio – Creio que, até 2006, tinha um show no final de semana com banda de psychobilly, e isso foi escasseando, até chegar ao ponto de não existir mais nenhum show de psycho na cidade, exceto o Psycho Carnival, que acontece durante o carnaval. E essa segunda onda tá vindo com bandas novas.

Rocker – As cenas nas outras cidades estavam acontecendo em Minas, São Paulo, Londrina.

Guilherme – O bom do surgimento do Skull, Zabilly, Diabo Cabron, B. Booms, Tampa do Caixão, que é de Joinville, é que só vem para aumentar o movimento dos shows. É a renovação!


O que foi que levou vocês para o psychobilly?

Rocker – Eu tocava numa banda de metal quando chamei o Diego, mas, conversando sobre as bandas de que gostava, acabei falando, meio do nada, que gostava de psychobilly, e ele também gostava. Foi meio que sem querer, mesmo! A intenção no começo era tocar metal.

 

E vocês, de onde vieram?

Guilherme – O Márcio é o nosso psychobilly man! Eu já tive duas bandas antes de punk rock, mas, aqui em Curitiba, o movimento punk anda junto com o psychobilly. A gente frequenta os mesmos bares, vai aos mesmos lugares. Os Catalépticos, Ovos Presley e Sick Sick Sinners fazem um som que a gente chama de punkabilly, que foge do psychobilly clássico e vai para uma linha mais pesada, até nas letras, mistura o punk aí, porque falam da sociedade. A nossa banda tem umas letras bem fortes, elas têm uma ironia, a gente não fala só de zumbis, falamos da sociedade e do que está acontecendo. Rótulo não é muito legal, mas é pra gente entender essas diferenças. Eles fazem a linha powerpsycho, que é o psychobilly rápido, sujo e pesado, e nós seguimos essa linha, também. Como esse som sempre atraiu muito os punks, a gente sempre andou junto.

Márcio – Na verdade, a gente foge do psychobilly clássico e mistura um pouco por conta da influência de cada um. O Guilherme vem do punk, Rocker do metal, Diego tocou em banda de rock clássico, e eu venho do Psychobilly. Desde a primeira vez em que ouvi, fiquei meio doido, não entendia de onde vinha aquele monte de “slapeira”! Depois é que fui entender que era o baixo que fazia aquilo.


Você usa esparadrapo nos dedos da mão direita...

Márcio – Sim, faz bolhas nos dedos!

Guilherme – O rabecão é quase um instrumento percussivo. Você bate na corda, puxa, solta, volta, bate de volta na madeira, faz o slap, tudo isso numa velocidade incrível.


Vocês ainda não lançaram nenhum material físico com o trabalho da banda. Vocês têm preferência por algum formato?

Márcio – A gente tem uma demo, mas estamos lançando o material oficial na coletânea que vai sair. Serão cinco bandas, e cada banda com três músicas.

Guilherme – Tudo aconteceu muito rápido. Fomos aceitos pelo público em geral muito rápido, caímos no gosto dos motos clubes daqui de Curitiba e boa parte do sul do Brasil. Tocamos no Moto Clube em Joinville, tocamos em três daqui e vamos tocar novamente.


Você vão lançar o CD e, futuramente, com qual formato você pretendem trabalhar?

Márcio – Acho que o negócio do CD é mais para divulgação porque é legal ter um material de qualidade gravado em estúdio, mas a gente vai colocar em MP3 grátis na internet para baixar e curtir.

Guilherme – Até porque a internet nos possibilitou ter seguidores no México, Chile... tem uma rádio em Nova Iorque que já pediu nosso material, então, se não fosse a internet, não teríamos a metade do público que já temos hoje, e um público internacional. No México, por exemplo, temos bastante seguidores. Lá, o pessoal posta nossas músicas, troca ideias pelo Facebook, temos um feedback bacana. A internet é a nossa melhor arma. Como estava falando antes, tudo aconteceu muito rápido. Achamos que levaria um ano para o público nos aceitar, e, durante esse tempo, a gente trabalharia uma 10 ou 15 músicas. No segundo ano, a gente entraria com o material: camiseta, patch, bottons e o CD, que é o que mais nos cobram. Como tudo aconteceu muito rápido, não deu tempo de parar e gravar o CD. Temos oito músicas gravadas disponíveis na internet, no soundcloud ou no site da banda, skullbillies.com.


Vocês têm material suficiente para gravar um álbum?

Guilherme – Sim. Hoje temos 47 minutos de repertório que daria para fazer um CD tranquilamente.


O que acontecia em Curitiba, no carnaval, antes do Psycho Carnival?

Guilherme – De rock, tinha lá em Boqueirão, que, antigamente, era 360 Graus e hoje Planeta Ibiza, que tinha a Sexta-feira Rock, mas era algo virado para o metal.

Márcio – Em 1994, tinha uma cena HC muito forte com bandas locais como Jesus Control, Pogoball, A Mal Encarada...

Guilherme – Tinha um festival mais hardcore, punk, era outra vertente, mas sempre teve uma fuga pra gente aqui, e o desfile das escolas de samba de Curitiba (risos), que ninguém nunca viu!


Além do gosto pela sonoridade do estilo Psycho, vocês capricham no visual...

Márcio – O psychobilly não é só um estilo musical, é uma cultura também e envolve várias outras coisas, como pin ups, carros antigos, tatuagem, costumização de moto, deixando de ser apenas um estilo musical e passando a ser um estilo de vida...


Vocês incorporaram isso ao seu cotidiano?

Guilherme – Eu sempre usei o topete, sempre me vesti dessa forma. O Márcio tem uma garagem que é uma oficina, costumiza carros. Ou você é do psychobilly ou você está na cena só para ouvir a música. Você tem que viver mesmo!


http://www.skullbillies.com/

https://www.facebook.com/skullbillies



 
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