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entrevistas: 27 punks e suas bandas favoritas
Quarta-feira, 26 de Novembro de 2014 (4:40:15)


Supersônicos:  27 punks e suas bandas favoritas




Nas últimas duas décadas afinal começou a se materializar o que se chama de cena rock nacional e em cada canto do país rola algum barulho. Enquanto o punk rock arregaça num canto, o psychobilly come solto no outro e assim por diante. Graças a toda essa "segmentação", o que se viu foi uma grande irmandade, estilos tão distintos comungando dos mesmos espaços e, o melhor de tudo, com idéias sempre frescas e rock de urgência circulando como nunca antes se viu. Muitos dos protagonistas desse boom resolveram soltar o verbo por aqui. Não necessariamente para falar de áureos tempos idos, mas sim, conversar sobre sons que sempre lhes exerceram (e ainda exercem) influência. Muita gente ainda não apareceu, mas nada como começar com prolíficos batepapos entre amigos para desenrolar um assunto que ainda rende muito pano pra manga.

 

SUPERSÔNICOS

27 Punks e suas bandas favoritas

Entrevistas por Dudu Munhoz

[ex-baterista da banda curitibana Pinheads]


SEX PISTOLS COM RENATO PUPPI MUNHOZ

Renato Munhoz  gosta de punk rock faz tempo. Diz que em 2014 está velho e rancoroso. É de Curitiba e tocou no Necropsya, Paincult, Slack Nipples e Redlightz.

 

Como e quando surgiu essa sua adoração e identificação com os Sex Pistols?

“God Save the Queen” foi o primeiro contato sonoro que eu tive com o punk rock. Foi tres minutos e vinte e um segundos antes dos Ramones, que era a segunda do lado A do disco A Revista Pop Apresenta o Punk Rock, que meu amigo Daniel Carvalho me emprestou nos primeiros anos da década de 80. Ele me advertiu que o buraco era mais embaixo: a primeira do lado B (“Now I Wanna Sniff Some Glue”) não tem solo e o cara já começa cantando. Antes disso, rock para mim era algo que girava em torno do Black Sabbath, que eu escutava desde os 11 anos de idade. Todas as músicas daquele disco eram maravilhosas e Young Savage continua sendo uma das melhores da história para mim, mas apesar de respeitarem a fórmula de intro, base, refrão, solo/bridge, foram os Sex Pistols que fizeram tudo que eu tinha escutado antes parecer ultrapassado. Nos anos seguintes, o que construiu minha adoração por eles foi o fato de que aos poucos eu descobri que tudo que uma banda precisa ter estava ali, nas quase 20 músicas que eles produziram. Musicalmente, foi com o Steve Jones que eu entendi como a combinação Gibson Les Paul/Marshall devia soar. Mas todo o resto, em todas as músicas, era perfeito também, a presença de palco, letras e entonação do vocal, passagens harmônicas de escala do baixo, e a bateria sóbria e lenta que parece que segura todo o resto.


E as bandas dos ex integrantes que surgiram após o fim dos Pistols... o que também te deixa realmente empolgado?

Acho mais fácil falar o que eu não gosto, que se resume a Chief of Relief e algumas coisas eletrônicas que o John Lydon fez.   P.I.L.,  Professionals e Neurotic Outsiders são essenciais e estão entre as minhas bandas preferidas de todos os tempos. Rich Kids, Spectres, Philistines, Chequered Past, Fantasy 7 e os discos solo do Steve Jones e Glen Matlock são todos maravilhosos. Todas as participações desses dois em diversos discos de outras bandas que escutei até hoje são boas e identificáveis imediatamente.

 

Acha que se o Glen Matlock tivesse continuado na banda (e não surgisse a entrada do Sid Vicious) a história seria muito diferente? Ou essa trajetória relâmpago ocorreria da mesma maneira? 

Boa pergunta. A banda durou tres anos, o Glen Matlock foi o baixista por dois. Acho que a banda teria durado um pouco mais, mas não muito. Como todo mundo sabe, o estado do Sid Vicious no começo de 1978 contribuiu para o fim, mas no fundo tudo já estava implodindo, mesmo antes dele entrar. O Sex Pistols não foi uma banda que se formou por afinidade ou amizade, mas isso é outra história. Acho que o Glen Matlock teria produzido mais músicas e isso teria sido legal. Por outro lado, o punk não teria a figura icônica e folclórica de Sid Vicious, que acabou virando um estereótipo, um embaixador de um movimento que, no fundo, ele não representa e que, alias, não foi criado para ser representado por uma pessoa. Na minha opinião, para o público geral, que observa o rock com uma luneta e não com uma lupa, ele e outros que tinham uma persona semelhante acabaram moldando parte do que é usado hoje para se distinguir o punk rock dos outros tipos música. E o modo que eu vejo esta separação, prova que o valor da música em si e o quanto ela pode mudar a vida das pessoas, não importam; o que importa é quem gosta dela e o quanto gostar daquele estilo de música vai representar aquilo que você quer parecer aos olhos dos outros. Chegar na festa da empresa com uma camiseta do Metallica é totalmente aceitável. Na verdade isso define um indivíduo como parte de um grupo que se desvinculou da massa e descobriu a salvação com o rock pesado. Por outro lado, é patético admitir que “Pretty Vacant” mudou a sua vida porque isso vai indicar quatro coisas: 1) você não cresceu, 2) você é um ignorante, 3) a sua existência durante a adolescência não significou nada para ninguém (incluindo você mesmo), e 4) você tinha um cabelo ridículo nos anos 80.

 

DIE TOTEN HOSEN COM DEMÉTRIUS

Demetrius Souza, 44 anos, ex-vocalista do Beach Lizards, atualmente empresário do ramo de brinquedos eróticos, vive em Barcelona.

 

Como e quando conheceu o Toten Hosen? Entende algo da língua alemã?

Conheci DTH, se não me engano em meados de 88 ou quem sabe final de 87 através das fitas da New Face Records que eu ansiosamente esperava chegar pelo correio. Lembro que eles tentavam espremer um disco em cada lado de uma fita de 60min então a minha primeira audição do Opel Gang faltavam músicas (as mais lentas na maioria das vezes). A paixão foi imediata. Na época estava fazendo um cursinho de alemão numa das principais faculdades do Rio (a UERJ) e eu tentava traduzir algumas palavras que Campino cantava. Junto com documentários e livros sobre a Alemanha da segunda guerra mundial (Ah, o radicalismo da minha adolescência!), o amor pela Selecão alemã de futebol e os hinos do Hosen embalaram minha adolescência e tem um espaco todo especial na minha formação musical.


Você e o Nervoso são uma das poucas pessoas que conheço que foram naqueles shows do Toten Hosen aqui no Brasil em 1991. Deve ter sido maravilhoso ouvir músicas deles entre clássicos do punk mundial...

O show do Toten Hosen no Circo Voador foi sem dúvidas o maior show de rock que eu já presenciei. Conseguiu superar grandes shows que assisti como Motorhead, Ramones, Paul McCartney, Nirvana, Jesus and Mary Chain, Pil etc... O show teve um sabor especial pra mim porque estava vazio mas todos que estavam presentes com certeza sairam atordoados com tamanha eficiência. O Toten Hosen é uma das poucas bandas que são infinitamente superior ao vivo do que em estúdio. Foi a primeira vez que pude presenciar vários hinos de punk77 tocados de maneira grandiosa e ainda perfilados com os hinos Hoseanos! O ápice do show (que ate hoje busco no youtube por algum registro) foi durante Liebeslied que pedia na primeira fila  ao final de cada canção. Campino não só me atendeu como desceu o microfone pra eu cantar o refrão num alemao tosco. Depois pediu pra eu abrir a boca e de cima do palco derramou a latinha de cerveja toda  na minha goela...eu nao pude engolir a cerveja toda e tomei um belo banho fazendo o Campino cair na gargalhada! Inesquecivel. Lembro-me também de não conhecer quem era quem na banda e durante a passagem de som dei uma demo do Beach Lizards pro roadie que tinha cabelo azul e mentiu pra nós dizendo que tocava na banda. Lembro-me também de ver os caras tomando cerveja nos bastidores e se preparando pra passar o som depois de terem visitado uma famosa Termas que ficava no centro da cidade. Se não me engano eles estavam hospedados na casa do Ronnie Biggs que ficava a  poucos metros do Circo. A gravação do Clipe de No one is Innocent é dessa primeira e única visita ao Brasil. Os caras eram profundos conhecedores do futebol brazuca. No youtube tem até um video de 83 ou 84 ao vivo que o Breiti toca com a camisa do Fluminense. Dizem que ele tem parentes brasileiros.


Pena que aqueles shows não tiveram público. Na Argentina teve e na sequência eles fizeram de Buenos Aires a segunda casa da banda. São grandes heróis lá!

A cena punk/alternativa na Argentina é completamente diferente da brasileira. Aqui no Brasil os caras tocaram pra meia dúzia mesmo com a população alemã no Brasil sendo bem maior do que na Argentina. Quando tocaram em SP tiveram a tristeza de constatar meia dúzia de carecas imbecis gritando Sieg Heil pros caras que são politicamente de esquerda, enfurecendo-os! Na Argentina , a galera idolatra as bandas certas e por essas e outras que tenho um carinho especial por argentinos (meus melhores amigos quando vivia na Florida )e muita vontade de assistir os caras na Argentina. Apesar de estar bem próximo da Alemanha, agora que estou morando em Barcelona, sei que um show deles ao vivo em Buenos Aires deve ser infinitamente superior do que em uma arena na Alemanha. Bem acho que isso: BIS ZUM BITTEREN ENDE!

 

BUZZCOCKS COM MAURÍCIO GAUDÊNCIO

Mauricio Gaudencio é baterista das bandas No Milk Today e Redlightz

 

Sei que seu top 5 é Ramones, Misfits, Social Distortion, Suicidal Tendencies e Buzzcocks. Te conheço a muito tempo e achava que Sex Pistols, Cock Sparrer ou Sham 69 eram suas bandas inglesas favoritas. Confesso que gostei de saber que ela era sua banda numero 5. A única inglesa do top 5.

Buzzcocks fica entre as minhas cinco preferidas, considerando o conjunto de toda obra. Desde 78 até hoje, sempre bons discos. As outras que você citou, embora eu também goste muito, tem suas melhores fases limitadas a um certo período mais curto. Também por eu ter acompanhado a banda mais de perto. Nos anos 90, numa época em que estes outros eram ícones do passado, ou estavam em uma fase menos punk, presenciamos um série de lançamentos de álbuns do Buzzcocks.  E também shows no Brasil, sendo que até toquei junto, como banda de abertura.

 

Eles são praticamente perfeitos, muitos os consideram os Beatles do punk rock!

Exato, não é um punk-rock cru. A grande sintonia que existe entre o Pete Shelley e o Steve Diggle resultam em músicas muito bem elaboradas. Belas melodias e belos solos de guitarra. O vocal do Pete Shelley é único. Também gosto muito do vocal do Steve Diggle. Inclusive uma das minhas músicas preferidas é "What Am I Supposed to Do" cantada pelo Diggle.


Na primeira vez que você ouviu você já ficou de cara com a banda?

O primeiro álbum que comprei não me deu umas das melhores impressões não. Quando surgiu o "CD" não existia quase nada de punk-rock em CD. Um dos primeiros lançamentos de punk-rock em CD foi o "Buzzcocks Live at Roxy `77", que foi lançado em 89. Comprei, com aquela curiosidade de como seria a qualidade desta nova mídia "CD". Mas trata-se de uma gravação ao vivo muito tosca. Então este não me agrada muito. Comecei a curtir mesmo logo em seguida, quando você me emprestou seu vinil "Singles Going Steady".



SAMIAM COM RODRIGO ABUD

Rodrigo Abud é jornalista e um entusiasta de CDs. Um dos cabeças do projeto "Jornalista de Merda". Não pode ficar sozinho numa loja de discos que, via de regra, perde a mão e gasta o que tem e o que não tem.


O que mais te cativou no Samiam? Quando conheceu a banda? 

Conheci o Samiam da forma mais usual nos anos 90: nos agradecimentos dos discos de outras bandas. Mais precisamente nos agradecimentos do Kerplunk do Green Day. O primeiro contato foi pelo disco Clumsy e já na segunda música me deparei com “Capzise”. Quer cartão de visitas melhor?

 

Impressionante a evolução entre o primeiro disco (eônimo) e o Soar. O primeiro é bem tosco, já o segundo é uma produção do Mr. Brett no Westbeach e com músicas espetaculares, não acha...?

Acho que é até natural a evolução pela própria experiência que a banda adquire. Inclusive acho que seria interessante eles regravarem o primeiro disco, atualmente, para deixar um registro de melhor qualidade.

 

Mas lançaram um outro disco bem aquém da média deles nos últimos anos que foi o disco Whatever's Got You Down" de 2006. Qual o menos favorito e qual o predileto da casa? 

Como menos favorito fico com o Whatever’s Got You Down e como predileto fico com o Clumsy, além de ter sido o primeiro que ouvi, conta ainda com as minhas duas músicas preferidas deles pela ordem: “No Size That Small” e She's a Part of Me”.


MINUTEMEN COM MARCELO FUSCO

Marcelo Fusco tocou bateria em algumas bandas e sobrevive em SP. Torture Squad, Tube Screamers é passado. Auto, Dub Cavera e Pulo Mortale estão presentes e apontam para o futuro. Againe ainda é invocado para algumas aparições saudositas.  


Como o Minutemen te fisgou pela primeira vez?

Ainda era moleque assistindo a um video de skate da Santa Cruz, com a faixa Paranoid Chant. 

 

Você deve ter ficado feliz quando ouviu Corona na abertura do Jackass, certo? Finalmente alguns ouvidos mais preguiçosos iriam conhecer a banda - e ainda pelo disco mais “querido” deles. 

Na real achei uma merda. Triste ver que só assim a banda se popularizou. 

 

Algumas mortes no punk rock foram muito marcantes como Sid Vicious e Malcolm Owen do The Ruts. No punk/hardcore americano talvez tenha sido a morte do D. Boon a mais sentida pela rapaziada. Na nossa geração muitos se lembram onde estava no momento que souberam da morte do Joey Ramone ou do Kurt Cobain por exemplo. E tem aquela história se não estou enganado contada por Henry Rollins ou Ian Mackaye de que qualquer cara que estava na cena americana dos anos 80 lembra onde exatamente estava quando soube do acidente e morte do D. Boon. Como  imagina que seria o Minutemen se eles tivessem uma carreira ainda mais longa? 

Imagino que estaria na mesma pegada do Mr. Watt - tocando e sem firulas.

 

THE DAMNED COM ANDRE NERVOSO

André Paixão é produtor de trilhas sonoras para cinema, teatro, TV e publicidade. Seu estúdio é sua segunda casa, onde passa grande parte de seu tempo compondo, editando e mixando. Fez parte de bandas como Beach Lizards, Autoramas, Matanza, Acabou La Tequila e, atualmente, dedica-se a projetos autorais, como a banda Lafayette e os Tremendões, além de assinar direção musical e canções da peça infanto juvenil “O Médico Que Tinha Letra Bonita” e uma coluna na revista Audio Musica & Tecnologia.

 

Como conheceu a banda?

 

Eu tinha uma camisa deles sem conhecer a banda. Isso em 84. Dois anos depois, um grande amigo me apresentou o Phantasmagoria, que tinha sido lançado no Brasil, depois do Strawberries. A gente gostava de ir numa loja chamada Gramophone, aqui no Rio, e, o segundo andar era reservado a discos importados. Foi quando me deparei com uma discografia incrivel, maior e mais interessante do que eu imaginava. Comecei a pesquisar tudo sobre eles. Quando não tinha dinheiro para comprar os discos, escondia-os numa outra seção, de Clássicos, por exemplo.

 

Sua fase favorita é com o Paul Gray no baixo?

O primeiro disco importado do Damned que comprei foi o But Not Forgotten, uma coletânea de lados B e versões diferentes. O Paul estava naquela formação que foi importante não só por ele estar no baixo, mas por ter o Captain na guitarra. Foi uma fase realmente inspirada e inspiradora.

 

Voce começou sua vida de baterista numa banda que tocava cover do The Damned?

 

O Stupid Nerve tinha músicas próprias, mas fizemos um show de 15 anos do Punk Rock no Garage tocando umas vinte músicas do Damned, enquanto o Beach Lizards tocava Buzzcocks, Sex Pistols e Ramones.

 

Quando você ouviu Nirvana, "Come As You Are" pela primeira vez, você deve ter lembrado imediatamente de Damned e a música "Life Goes On". O que achou? Um plágio involuntário? Uma coincidência? 

Um amigo trouxe o Nevermind importado. Isso foi logo quando saiu lá fora. A música preferida dele era justamente a terceira faixa, Come As You Are. Quando ele colocou para eu ouvir, fiquei surpreso com o plágio, ou o que quer que seja. "Bicho, isso é cover do Damned?" lembro ter falado na época assim que escutei a intro.  A música é muito boa, mas "Life Goes On", do Damned, é incomparavelmente superior em termos de melodia, arranjos, harmonia... Nada pessoal... rs

 

BAD RELIGION COM RENATO ROBERT

Renato Robert sempre gostou de punk rock e chegou a ser vocalista em uma banda chamada "Cola" de Curitiba. Por ser o aluno mais “maleducado” no Colégio Dom Bosco, recebeu o apelido de Panq em 1989. Mais velho fez uma caminhada sozinho de Matinhos até Florianópolis escutando desde o folk finlandês do Värttina até o punk alemão do Slime.


Como você conheceu a banda?

A gente pegava onda e tal. Uma vez vi numa revista de surf um surfista, o Dadá Figueiredo, com a capa do Into The Unknow e achei interessante. Corri atrás da banda e consegui uma fita com umas três ou quatro faixas. Curti de cara. Depois vieram No Control e Suffer.

 

Lembro que você tinha um top 5 bem estabelecido e era mais ou menos assim: Dead Kennedys, Circle Jerks, Slime, Sham 69 e mais alguma coisa (provavelmente U.K. Subs) e quando surgiu o Bad Religion a banda entrou direto entre as cinco favoritas?

Na verdade depois de Generator a banda subiu pra primeiro e não saiu mais. Tava rolando um clima legal aqui na cidade, shows e muita coisa rolando,  acho que isso junto com a minha idade na época contribuiu para que BR fosse de cara pra primeiro.

 

Na primeira vez que eles tocaram em Curitiba em 1996 sua mãe trabalhava no hotel que eles estavam hospedados e dai você acabou dando uma tietada - mas foi uma tietada saudável, né? O que lembra de mais legal naquela noite? Eu lembro que ficamos conversando com o Jay Bentley durante uma hora na rua em frente ao hotel e achei o cara muito gente fina.

Minha mãe não teve nada com essa história. Foi outra coisa. No Aeroanta, do nada, conversei com o roadie dos caras e ele conseguiu um all access para mim. Assisti parte do show junto com o cara da iluminação e depois fui no camarim. Ali no camarim falamos com o Jay Bentley e ele ficou de cara que sabíamos que ele tocou no Wasted Youth. Depois no hotel comprei umas cervejas para os caras e tomamos umas juntos com Jay Bentley e Greg Hetson.


SUPERSUCKERS POR SOLE RAMIREZ REDLIGHTZ

Sole mora em Curitiba e é faxineiro da banda Redlightz.


Supersuckers quando apareceu foi um sopro de rock and roll num ambiente impregnado de grunge ou hardcore melódico...

Os caras começaram a "fazer sucesso" nessa época do Grunge sub pop de Seattle, todo mundo tava querendo um novo hit e eles apareceram com um som punk n' roll country outfit. Mas bem isso, um sopro (que pra mim é um furacão) nesse ambiente de Seattle (eles são do Arizona).

 

O álbum The Sacrilicius Sounds Of The Supersuckers tem um charme a mais com o Rick Sims na formação, além de músicas perfeitas, é um disco estupendo...

Excelente disco, hit after hit, inclusive Marie é igual a Renegade do Thin Lizzy. Nessa época saiu clipe na MTV (Born With a Tail). Rick Sims entrou na banda devido a saída de Rontrose Heathman para cuidar de "excessos de rock and roll na sua vida". Ainda prefiro o The Evil Powers of Rock n Roll que é um sucesso animal (pelo menos para mim). O La Mano Cornuda (que quer dizer horn hand) é animal, só clássicas: creepy jackalope eye (clipe na MTV), 17 poles, she´s my bitch, gold top (que fala das clássicas guitarras gibson), on the couch (fastbacks faz até cover dessa) são as que se sobressaem no disco na minha opinião.


O visual chapeludo em bandas de rock não é muito entendido aqui no Brasil, mas lá fora é outra coisa completamente diferente. Como você percebeu essas raízes da música country quando você esteve com os caras do Supersuckers? 

Os caras meio que respiram isso. Eddie Spaghetti é um cara legal, simples e sem estrelismos. Quando eles não estão em tour ele sempre está fazendo shows solo e a base dos shows são os 4 discos solo dele e o Must've Been High do Supersuckers (disco country que segundo eles mesmos foi o disco que mais vendeu). Esse disco é realmente um espetáculo. Os 3 primeiros álbuns solo dele são covers country e uma ou outra inédita. O 4º e ultimo disco dele são somente composições próprias. Conversei com ele 3 vezes (3 shows), inclusive minha esposa cantou com ele em SP. No total foram 5 shows: 2 dele solo em SP, um da banda toda em SP e dois fora.


SOCIAL DISTORTION COM FABIANO LENZI

Fabiano Lenzi (Barba) foi guitarrista da banda Perverts, baixista do Paincult e do Erre ao Cubo (R³), trabalhou como stage manager na empresa Oxigênio Eventos durante sete anos. Hoje é sócio dos bares da rede Ambiental e um pacato Engº Agrônomo.

 

Quando você conheceu Social Distortion você se identificou imediatamente? O que pegou mais? Som ou letras? 

Imediatamente. No começo dos anos 90, ao adentrar a antiga CD Club no Shopping Omar (que era uma loja/locadora de CDs, onde locávamos discos para gravar em fitas UX made in Paraguay), reparei que estava tocando algo que me agradou muito. Perguntei para a garota (Kuka), que trabalhava na loja e ela respondeu: - Isso é Social Distortion e essa música (no caso "Prison Bound" do disco homônimo) é o hino do Surf. Pensei: "WTF! Mas isso é Ramones + Stray Cats!". Prontamente loquei o disco e encomendei 3 CDs na própria CD Club, sendo eles: "Prison Bound, "ST" & "Somewhere Between Heaven And Hell". Só fui conhecer os 2 primeiros álbuns (Mainliner e Mommy's Little Monster) alguns meses (talvez 1 ano) depois. A princípio, o que pegou mais foi o som, mas, posteriormente as letras pegaram forte. Fui ouvindo e constatando outras influências que frequentavam, frequentam e frequentarão a minha top 10 list. Com o tempo, fui observando que a banda tinha sua identidade própria, ao pesquisar e conhecer a história mais a fundo. Daí pra frente, virei um fã incondicional. Sorte, pois, na minha opinião, eles (em suas várias formações) ainda não erraram a mão.


Deve ter sido legal ser um dos grandes responsáveis pela vinda da banda pra Curitiba na primeira e única turnê brasileira deles.

Foi fantástico. Conhecer pessoalmente a lenda Mike Ness e seus companheiros de banda era algo que muito desejava. Mas o que mais me deixou feliz, foi a reação do público e, principalmente, dos meus amigos, no grande show que eles fizeram aqui. Foi um momento de "felicidade coletiva" difícil de descrever.  Como teria que trabalhar no show de Curitiba, fui a POA no dia 15/4/2010 (três dias antes do show aqui) para ver o show sem nenhuma preocupação com produção, etc. Conheci a banda inteira no backstage. Inclusive me apresentei como o produtor do show na nossa cidade. Uma curiosidade engraçada: Mike Ness, que é praticante de Boxe, costuma fazer alguns movimentos antes de adentrar ao palco (a nível de aquecimento). Neste dia, como estava na coxia, acabei servindo de "air" sparring para o cidadão. Outra constatação bacana: No dia 18/04 (dia do show em CWB), fui receber a banda no aeroporto e todos, sem exceção, me reconheceram imediatamente e vieram diretamente falar comigo já em tom de brincadeira e com certa intimidade. Pessoal muito boa gente.


Então Mike Ness não tem medo de avião, é vegetariano, não bebe... que outra curiosidade você pode nos revelar?

Cara humilde, educado, profissional ao extremo e muito tranquilo (meio zen). Gosta muito de café! Providenciamos tres tipos diferentes de cafés brasileiros para o backstage. Não lembro exatamente as marcas, mas duas eram de Minas Gerais (uma forte e uma mediano) e outra produzida no interior de SP. Fissurado por automóveis, durante o trajeto aeroporto/hotel, que fizemos de carro, observava todos os veículos que passavam, comentava sobre os que conhecia e questionava sobre os que nunca tinha visto. Gostou muito de CWB, principalmente da organização, do paisagismo e da limpeza da cidade. Tem uma relação muito bacana com seu filho mais novo (piá roqueiro, que estava acompanhando a tour na América do sul). Disse que o mais velho, só quer saber de surf e garotas. Teve uma atitude inesperada (comentário do produtor da banda: "Mike nunca havia feito isso"), ao chamar o tour manager (Lee Martinez) e a mim ao palco, para agradecer por todo o trabalho feito. Muito gratificante.

 

L7 COM MAURICIÃO

Mauricio Singer (Mauricião), 43 anos, é DJ, programador e produtor musical, locutor, radialista e bacharel em Adm. de Empresas. Baixista e vocalista da banda No Milk Today.

 

 Conheceu L7 naquele Hollywood Rock que elas tocaram com o Nirvana? Foi amor a primeira vista?

Conheci uns dois anos antes (1991), quando produzia o programa Estação Laser na Estação Primeira. Cheguei a tocar uma faixa do "Smell The Magic" (acho que "Shove") no programa. No ano seguinte ouvi o "Bricks Are Heavy", esse sim me chamou mais a atenção, é até hoje um dos meus top-10 álbuns e um dos que mais ouvi na vida, aliás ouço até hoje, pelo menos uma vez por mês. O show foi pra me conquistar de vez. Foi o show mais foda do Hollywood Rock, inclusive para a crítica especializada da época. E elas foram direto pro meu top-2.  

  

O primeiro e último discos são mais toscos mesmo ou subestimados?

Ambos. O primeiro é mais do que tosco, é rudimentar. Apesar da produção de um Mr. Brett. Não sei se ele não caprichou ou elas que eram muito toscas. O último é acho que é propositalmente tosco. E é um canto do cisne mesmo. A banda estava esfacelada e nada saudável já há tempos.  

 

Pena que elas acabaram de forma tão “derrotada”, né? Sem turnê de despedida... sem projetos solos consistentes após...

Como eu disse na questão acima, em 1999 a banda já estava corroída, com duas baixistas tendo passado pelo posto da Jennifer Finch - sem a mesma desenvoltura, diga-se - e, claro, pelos problemas com drogas. Turnê de despedida não era algo a se planejar para uma banda com pouco mais de 10 anos de carreira. Quanto a projetos paralelos ou posteriores, acho que o melhor ainda foi o Other Star People da Jennifer Finch. O Donita Sparks & The Stellar Moments resgata um pouco do L7 mas ao mesmo tempo é uma tentativa pouco empolgante pois era nítido que Donita e Dee ainda estavam meio vassouradas. Mas, como fã, ainda tenho esperanças de uma recuperação e de uma reconciliação (se é que houve brigas, não tenho relatos disso), nem que seja para uma turnê de revival. Quem sabe em 2015, quando a banda completa 30 anos de sua criação.

 

E o lance de ter tres vocalistas. 

É tesão demais! Uma marca da banda, não lembro de outra que faz isso e com tanta competência. Sparks vocaliza a maior parte, mas as cantadas por Gardner e Finch parece que foram feitas sob medida pra elas.



THE CLASH COM BRUNO GOMARA

Bruno Cavallin, 34 anos, fã de Ramones desde os 9. Ex baixista e pugilista; atualmente é advogado, pescador e centroavante.

 

Eu conheci o Clash de ponta-cabeça. Conheci primeiro o Cut the Crap, depois o Combat Rock e o Sandinista. Então eu não entendia muito porque eles eram um dos pilares do punk rock. Comecei a gostar e a entendê-los mais tarde. Como foi seu primeiro envolvimento com a banda?

O primeiro contato voluntário com o Clash foi quando loquei o The Singles na loja Clean Sound. Digo voluntário porque já havia escutado 90% daquelas músicas antes, na rádio, comerciais, tv.... Enfim, porque o Clash já foi a maior banda punk do mundo. Escutando o álbum Singles tive contato com o som mais punk da banda, e coincidentemente, na mesma semana, encontrei o primeiro álbum do Clash em um cestão de promoções de uma loja na Praça Osório. Esse disco é brutal! Simples e ao mesmo tempo refinado pela qualidade dos músicos. Depois conheci o Sandinista. Demorei uns tres anos para gostar deste disco. Cada vez que escutava gostava de uma música a mais. Daí escutei o London Calling, Give Em Enough Rope, Cut the Crap e Combat Rock, nesta ordem.

 

Tem um monte de bandas oi! que regravaram White Riot em discos Live and Loud...

Isso pelo fato de ser uma música política que se encaixa perfeitamente naquele cenário da Inglaterra. Conheço a versão do Cock Sparrer e do Sham 69. Tem outra?

 

Tem Cockney Rejects também... Sei que você gosta muito de Ramones. 

Ramones é a banda que mais gosto, disparado na frente das outras. Abaixo certamente estão as bandas britânicas, junto com New York Dolls. As preferidas são The Clash, Stiff Little Fingers, Eddie and the Hotrods, Undertones, Cock Sparrer, The Boys, The Business. Confesso que não sou muito fã de hardcore californiano.

 

BLACK FLAG COM FELIPE SAD

Felipe Sad tocou na banda carioca Ack. Atualmente mora em Curitiba e é guitarrista e/ou vocalista de bandas como Evil Idols, Redlightz e Vida Ruim.

 

Quando ouviu Black Flag pela primeira vez? E foi identificação imediata?

Não lembro exatamente, mas por volta de 93 ou 94. Era aquela época em que não era muito fácil conseguir discos de punk rock, hardcore e o que a gente fazia era alugar CDs numa loja chamada Spider, lá no Rio. Mas eu tenho a impressão que foi em um VHS da Target que copiei nessa mesma loja. Era uma especie de coletânea em vídeos ao vivo de bandas como Black Flag, Circle Jerks, TSOL. E Black Flag era a maior parte do vídeo, com shows em vários lugares, entrevistas, etc...  O caso é eu achava muito louco aquela guitarra transparente do Greg Ginn, não sabia se adorava ou odiava o seu jeito de tocar guitarra. E eu olhava aqueles caras, e todo mundo tinha cara de maluco pra mim e acho que foi isso que mais chamou minha atenção! 

 

Na coletânea Everything Went Black tem 4 vocalistas. É dificil uma banda com tanta troca de vocalistas ter uma imagem e estilo tão intactos. A arte visual do Black Flag ajudou a sedimentar a proposta deles? 

Com certeza, acho que o Black Flag não seria o Black Flag sem a identidade visual criada pelo Pettibon. Ela me passa a mesma sensação de perigo iminente que as músicas e a aparência dos caras me passavam naquele VHS.

 

Certa vez li um livro em que o Greg Graffin dizia que o stage dive meio que nasceu nos shows do Black Flag no final dos anos 70. Eles meio que são os pais do hardcore.

Acho que ajudaram a definir a imagem. Mas não sei se existe esse lance de pais do hardcore por que acho que foi uma coisa de cena mesmo. De molecada cheia de hormônio.

 

E esse lance Flag, retorno do Black Flag com Chavo e depois com o Mike Vallely. Acha que tudo isso faz com que se perca um pouco aquela “aura” que se tinha sobre o Black Flag?

Falar a verdade, acho que o Black Flag já está na história, não tem como desmistificar e qualquer merda que eles façam hoje, pelo menos pra mim, fica completamente descolado daquilo. Esse último disco, por exemplo, soa mais como um tributo, um "revival". Quase que outra banda tentando soar como Black Flag. Eu iria vê-los se o Chavo ainda estivesse lá, da mesma forma que veria o Flag e que fui ver o Dead Kennedys. É meio picareta, não é a mesma coisa, mas ainda são os caras dos velhos tempos.

 

Você acha que Circle Jerks foi um Black Flag mais da paz, menos violento e mais rápido? Vi uma entrevista do Fabio, do Olho Seco, em que disse que quando eles começaram o Olho Seco a referência de música rápida deles eram os dois primeiros discos do Circle Jerks. Só depois conheceram as banda suecas ou finlandesas – interessante, né?

Eu sou suspeito pois o Circle Jerks é uma das minhas bandas favoritas. Entre as poucas tattoos que tenho, uma é relacionada a eles. E pra mim, o Keith Morris sempre vai ser meu vocalista preferido do Black Flag. O Chavo está logo ali, mas tio Morris é imbativel.

 

Acha que o OFF! é o Black Flag dos anos 2010?

 

Hum... A banda me lembra momentos do BF e momentos do CJ. E apesar de todas as referências ao som dos anos 80, acho que eles tem um som bem próprio. Não diminuiria a banda a um BF ou CJ dos anos 2010, não. São mais que isso, na minha opinião.


COCK SPARRER COM RODRIGO MEISTER

Rodrigo Meister de Almeida aka Minduim: iniciou com 13 anos sua carreira no punk rock tocando na banda Coturno Bastardo, logo a banda "amadureceu" mudando seu nome para Pompons Coletivos e posteriormente Die Hard and the Insolents, embrião dos Pinheads. Em 1993 participou da formação inicial do NO MILK TODAY, aonde é guitarrista e vocalista nos dias atuais. É do tempo que melódico era Cock Sparrer e hardcore era GBH. Gosta de ir a shows nas quintas e domingos.


Como e quando conheceu Cock Sparrer?

Comprávamos fitas cassete da New Face Records, Ataque Frontal e outros pequenos fornecedores pelo correio, na época o Collor ainda não tinha aberto a importação no Brasil e o material era raro, comprar fitas com gravações de álbuns gringos era nosso contato com o mundo. Junto com as fitas estavam discos de vinil de gravadoras independentes que não tínhamos acesso em lojas. Em Curitiba apenas a Música Viva na galeria Julio Moreira tinha alguma coisa na época. No catálogo (um xerox com títulos e breve descrição) constava o Cock Sparrer. Sabíamos que o Oi! era um som punk melódico, estilo hino e acho que isso chamou minha atenção. Revezávamos quem encomendava e juntávamos nossos pedidos gravando o material para os comparsas. O Dudu encomendava mais. Lembro que ele estava fechando um pedido e me indicou a possibilidade do tal Cock Sparrer ser legal. Minha memória remete para um telefonema do Dudu que atendi no quarto de minha mãe. Topei pedir esse som e ele pediu outra coisa, deu no que deu, uma das melhores bandas do mundo chegou em minhas mãos. Era o próprio Live and Loud que chegou. Fodeu.

 

Curioso uma gravadora de metal nacional lançar o Live and Loud! aqui naquela época. Um dos melhores discos de todos os tempos...

Na época tudo se cruzava. English Dogs andava ao lado de Maria Angélica e Cock Sparrer junto com Terveet Kadet. Era som alternativo, independente prensado no Brasil. Live and Loud é uma série com várias bandas punks e oi que saiu na Europa. Tivemos a sorte de que o único da série lançado no Brasil foi o Cock Sparrer, depois descobri altas bandas pela "coleção" live and loud. Eu gosto de algumas coisas de metal exatamente porquê essas gravadoras lançavam as coisas punks junto, com destaque para a Cogumelo Records que tinha muito metal e os punks no meio.

 

Você teve o azar de perder a apresentação deles aqui no Brasil mas em compensação isso estimulou sua ida ao Rebellion 2013 (e 2014) e lá assistiu os caras.

Ingresso garantido, ônibus pago e na noite anterior deu uma cagada gigante no trabalho. Virei a madrugada trabalhando e não pude embarcar. Foi um dos dias mais frustrantes da minha vida, mas algo me esperava. E lá fui eu para o Rebellion em Blackpool. Eles tocando em casa, com seu público, de forma perfeita em um teatro vitoriano no litoral norte da Inglaterra. Chorei, lógico. No dia seguinte tive o prazer de conversar com o vocalista do Cock Sparrer que perguntou o porquê de o No Milk Today não tocar no festival. Demais.


TOY DOLLS COM MAGRÃO

Alexandre Hain Magrão foi baterista dos Sarnentos de 1998 até 2006 (lançaram um CD, chamado O Mundo É Perigoso Demais). Na banda Sick Sick Sinners empunhou as baquetas entre 2006 e 2009, gravou o álbum Road of Sin.


Na última vez que o Toy Dolls esteve em Curitiba assisti o show bem concentrado, talvez com apenas uma cerveja na cabeça e percebi o quanto eles são geniais!

Aquele dia eu estava com uma tremenda dor nas costas e o show (e a cerveja) me aliviou demais!  Escutei a primeira vez na casa de um amigo e achei a gozação com a música da Madonna excelente! Ah, então pode sacanear essa galera?!? Daí o Bare Faced Chick e o Dig That Groove Baby entraram pra ficar.

 

Certa vez perguntaram pro Jão do Ratos de Porão quais guitarristas do punk rock ele gostava/respeitava... e a resposta foi uma agradável surpresa: ele citou o guitarrista do English Dogs e o Olga. Adorei! Será que algum dia vão reconhecer o Olga como um gênio do rock? Será que o fato de o Toy Dolls ser uma banda “engraçadinha” (desculpe o termo) faz com que eles sejam assim tão subestimados?

Não sei se você já tentou aprender tocar guitarra, mas o que o Olga faz é muito, muito impressionante. Acho a mão direita digna de mestre. Pode ser que o jeito de cantar com a voz agudíssima tenha limitado as chances de serem "grandes". No sentido de vendagem. No sentido de gosto da maioria. Mas o nome da banda já diz pra que vieram, pra tirar sarro de tudo, brincar. Acho que tem uma dose de inocência que os faz diferentes.


Qual seu disco predileto? Qual show deles mais te marcou?

Consegui as letras desses dois discos e fiquei fissurado pelos dois. A forma que a música é composta. Intro, voz, refrão, voz, solo, refrão, fim. E as variações me pegaram de jeito, nunca mais parei de escutar. Confesso ter ficado um ou outro ano inteiro escutando somente Toy Dolls. Gosto muito do jeito de não se fazer de malzão, mal encarado e tocar pra caralho. A qualidade me atrai muito. O show mais marcante foi o do Aeroanta em 1995 com Pinheads abrindo. O que mais ouvi na vida foi Ramones, Ratos de Porão e Toy Dolls. Hehehehe Sério!!!! Tipo um clássico, um nervoso e um descontração total.


CÉSAR LOST CARPANEZ COM T.S.O.L. E PENNYWISE

César Carpanez toca guitarra no Fire Driven apesar de não ensaiar há mais de cinco meses, já tocou em um monte de bandas que nem vale a pena citar, não confia em quem usa all-star. Comanda o selo/produtora de shows e empresa de merchandise Highlight Sounds | HS Merch.


Você tem T.S.O.L. até no apelido. Sempre gostou da banda - mas de todas as fases? 

O apelido veio na época do skate. Eu tinha que colocar algum apelido depois do Cesinha porque ia lançar um modelo de shape pela Sims do Brasil e já tinha um outro Cesinha na equipe e ele já estava na equipe a mais tempo. Como o TSOL era minha banda preferida na época e eu tinha lido que eles estavam fazendo alguns shows com o nome LOST que é TSOL de trás pra frente, quando o team manager da Sims me perguntou que nome eu queria colocar, não hesitei e respondi: LOST! Em junho de 2013 eu tive a sorte de trazer a banda pro Brasil com a formação punk e fiquei amigo de todos da banda. Foi um sonho.   


Qual é seu disco favorito do TSOL? E o show: da primeira fase ou da segunda? 

Eu gosto de todas as fases da banda musicalmente falando, mesmo sabendo que na verdade as formações são distintas e não se bicam. Algo como água e óleo... Meus álbuns preferidos são o "Change Today?" e "Revenge", muito por influência do Grito da Rua. Não tenho vergonha de assumir que gosto até do "Hit N' Run" e do " Strange Love" mas atualmente prefiro mesmo a fase punk rock. "Dance With Me", "Thoughts Of Yesterday" e "Divided We Stand" são perfeitos na minha opinião.  

 

Uma pena ter essa divisão tão escancarada na banda, o TSOL original e o TSOL do joe wood... 

Sim, também acho mas sei lá, a treta é deles, envolveu até membros de família dos dois vocalistas etc etc. De certa forma acho que isso até contribuiu um pouco pra deixar as músicas mais apimentadas enfim... De certa forma essas tretas devem ter influenciado as duas formações a escreverem certas músicas, ou não... Sorte ou azar dos fãs.

 

Sobre Pennywise - é uma de suas bandas favoritas desde a primeira audição? Como foi? 

 

Quando escutei Pennywise no vídeo da Plan B por volta de 1992 eu tomei um tapa na cara. Eu já era muito fã de Bad Religion e sem nenhuma informação, já associei as duas bandas. Imediatamente eu quis saber mais sobre a banda e acabei lendo na Thrasher que eles eram da Epitaph, mesmo selo do Bad Religion e que o Brett havia produzido o primeiro álbum.  Também li em algum lugar na época que eles eram os "filhos" do Bad Religion. Até hoje acho que isso faz muito sentido.

 

É verdade que você assistiu um ensaio deles dentro do famoso “container de ensaio do Pennywise”? 

 

Eu estive na Califórnia em junho de 2013 pra assistir o Revelation Fest e como não tinha nenhum compromisso durante o dia, resolvi ir visitar todos os meus amigos. Em um dos dias fui visitar o Josh que é o ex-manager do PW. Ele mora literalmente a duas quadras da casa do Fletcher e a quatro quadras do Byron. O Pennywise estava ensaiando naquele mesmo momento e fomos até lá a pé. Chegando lá, vi um container e pensei a mesma coisa! "Caralho! É o container dos vídeos!". Mas na verdade o container que eles estavam ensaiando fica no quintal da casa do Justin Thirsk [irmão do falecido Jason do PW], não dá pra saber se é exatamente o mesmo dos vídeos. Mas admito que foi surreal entrar lá e ver os caras ensaiando. Na ocasião o Zoli (Ignite) estava no vocal pois foi na época que o Jim saiu.

 

Mesmo sendo uma banda que caiu no gosto da rapaziada um pouco mais leiga, você mantém o carinho por eles. 

Eu não me importo nem um pouco com isso. Pennywise, TSOL, Ignite e Samiam são algumas das minhas bandas preferidas e me considero a pessoa de mais sorte nesse mundo por ter trabalhado, trabalhar e ser amigo dos membros dessas bandas. 

 

Sobre produção - através da Highlight você fez inúmeros show de bandas aqui no Brasil. Banda que gostava ou não. Teve alguma vez que você gostava muito de uma banda mas depois de uma turne não consegue mais ouvir pois não foi um trabalho agradável, rentável ou verdadeiroE vice-versa, já rolou algo parecido?

Sim, aconteceu várias vezes tanto de um jeito como de outro... A primeira vez foi com o Lagwagon, eu era muito fã da banda e acabei pegando a turnê deles em 2000. Na época eu tinha muito pouca noção de como produzir uma turnê e o que eu mais queria era ser amigo dos caras da banda. O tour manager se estressou comigo 24h por dia porque na real, eu nem tinha noção de como organizar as coisas: hotel, transporte, alimentação, backline, bilheteria etc... Foi uma experiência traumática e na época eu decidi que nunca mais ia fazer uma turnê e nunca mais iria escutar nenhum disco deles. Acabei não desistindo das turnês e depois de um tempo, quando adquiri um pouco mais de experiência, percebi que na verdade eu fui um grandissíssimo de um cabaço e que eu é que estava fazendo tudo errado. Hoje sou amigo do tal tour manager e acabei trazendo o Joey Cape na turnê solo dele e fiz a turnê do Lagwagon novamente e consigo escutar todos os discos do Lagwagon sem nenhum problema! Hahaha Houve várias situações inversas também. De eu não gostar de uma banda e depois virar fã. A mais recente foi a tour de merchandise que fiz com o Eddie Vedder. Eu nunca gostei de Pearl Jam e do Eddie Vedder. Gostei do que ele fez apoiando a libertação dos West Memphis 3 e simpatizei com a trilha sonora do "Into The Wild" mas tinha parado ali. Durante a turnê recente que ele fez no Brasil, eu não tive nenhum contato com ele, mas todos os dias estive com a equipe de produção dele. Os roadies, tour managers, empresários, técnicos de som, gerente de merchandise, etc, todos comentavam como ele trata todo mundo nas turnês e acabei virando fã por isso e por outras atitudes que ele faz questão de tomar com relação a doação de parte do dinheiro que ganha com causas de caridade. Até postei outro dia no Facebook: "O Eddie Vedder é muito mais punk do que eu, você e todos os seus amigos juntos".  Continua...

PARTE 2


 
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