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entrevistas: Beach Combers
Sábado, 1 de Novembro de 2014 (15:42:53)


Uma das mais gratas surpresas no atual cenário de música instrumental no Brasil é a surf music do Beach Combers!




 

+ entrevista

BEACH COMBERS 

por Guto Jimenez


Atuando há cinco anos na cena carioca, os Beach Combers são um exemplo marcante da união de influências musicais de outrora com uma atitude independente bastante atual. A surf music instrumental com forte sabor psicodélico já chama a atenção de quem escuta qualquer uma de suas músicas e, unida ao espírito do "faça você mesmo" na produção e execução de seus trabalhos, transformam a banda numa das melhores novidades surgidas no Rio nessa década. Nessa entrevista exclusiva ao Portal Rock Press, esses surfistas de alma comentam sobre sua história, seus projetos em andamento e futuros e ainda explicam os motivos da decisão ousada de tocarem nas ruas. Confira entrevista com o guitarra Bernar Gomma e o baixista Guzz The Fuzz.


Ninguém segura os Beach Combers!

Imagine você uma banda que toca o fino da surf music instrumental com uma pegada bastante psicodélica, e que não se prende aos esquemas normais de shows pra divulgar o seu trabalho. Assim são os Beach Combers, que nos seus 5 anos de estrada vem produzindo e tocando alguns dos mais criativos petardos musicais dos últimos tempos. É como se você misturasse os Del-Tones com os Sonics e colocasse umas pitadas generosas de Trashmen na receita musical do grupo, e ainda por cima desse uma roupagem mais moderna ao resultado musical – ou seja, algumas das melhores e mais sujas referências do estilo vindas dos anos 60 com uma cara bem moderna.

Formada por Bernar Gomma (guitarra), Guzz The Fuzz (baixo) e Lucas Leão (bateria), a banda já tem um extenso currículo de shows realizados por todo o Brasil, não só em apresentações solos como também abrindo pra bandas mais conhecidas. Recentemente, quase estufaram a lona do mítico Circo Voador (RJ) ao aquecerem o público pros shows de Autoramas + BNegão e Plebe Rude; os caras colocaram o povo pra dançar e pogar, dando o tom exato necessário pra noite de ótimos shows. No entanto, essa apresentação numa casa de maior porte em terras cariocas não tem sido uma constante na carreira dos caras, muito mais pela falta de espaços pra shows no Rio do que pela boa aceitação que a banda tem onde quer que se apresente.

Não que isso seja um obstáculo, muito pelo contrário... De uns tempos pra cá, os Beach Combers tem sido vistos tocando nas mais variadas praças e espaços públicos ao redor da cidade; seja no Largo do Machado, na Praça XV ou no Largo da Carioca, os caras montam seus equipamentos nos seus PAs alimentados por um gerador próprio, afinam os instrumentos e mandam bala! É isso mesmo que você entendeu, a banda toca nas ruas pra quem quiser ouvir (e contribuir com algum dimdim, é claro), levando o seu trabalho a um público cada vez mais variado e inesperado.

A autogestão da carreira e das músicas é outra característica da banda, já que eles produzem e lançam os discos através de seu estúdio-escritório chamado Coletivo Machina. Da Lapa para o mundo, os caras já lançaram três discos até agora: 

- Beach Combers, o primeiro EP lançado em 2010;

-  Na Brasa – Volume 1, um web-album lançado em 2011 com 13 excelentes versões instrumentais de músicas da época da Jovem Guarda, incluindo clássicos de Roberto Carlos, Ronnie Von e até um cover do Júpiter Maçã;

- Ninguém Segura Os Beach Combers (2012), álbum com dez temas inéditos que foi prensado em vinil na Alemanha.

Donos de um estilo musical que agrada aos mais variados estilos, os caras estão vendo os seus trabalhos atingindo a uma galera espalhada por cada vez mais lugares ao redor do mundo, sendo bastante considerados da Argentina à Europa. Cada vez mais gente os segue nas redes sociais, que são utilizadas pra avisar dos locais e horários dos shows realizados nas ruas do Rio de Janeiro. Até a grande mídia já está de olho neles, que já protagonizaram algumas matérias que enfocavam seu estilo sonoro e a coragem pra se apresentarem em espaços públicos.

Criatividade, boas músicas, identidade visual e muita disposição pra encarar o que tiver de ser – ninguém segura os caras!    


 

+ entrevista por Guto Jimenez e Pedro Rabelo


Vamos falar do início dos tempos da banda... Como vocês se conheceram e quando formaram a banda? 

Bernar Gomma - Certo, tudo comecou quando ouvi o disco da capa azul do The Pops, a lendaria banda de surf music carioca da jovem guarda. Foi assim que larguei a bateria pra tocar guitarra, isso foi em 2009. Eu ja conhecia o Guzz e tocava com ele em outras bandas, dai demos inicio ao que seria o projeto, quando o Lucas entrou , a banda deixou de ser um projeto e virou uma banda de verdade.  

 

Vocês têm uma sonoridade incomum, mas ao mesmo tempo é possível destacar algumas influências mais nítidas. Qual o tipo de som que vocês curtem ouvir, as chamadas “influências”?

Bernar - Nosso surf music não é 100% tradicional, nem o Beach Boys é.... enfim, misturamos sons diversos que ouvimos alem da surf music... psicodelia, garage rock, jovem guarda, fuzz etc. Cada um carrega suas influencias pessoais, mas as comuns entre todos seriam Dick Dale, Sonics, Jovem Guarda em geral, Ventures, Black Sabbath, Mutantes, The Who, Link Wray etc..

 

Vocês definem seu som como " a trilha sonora da juventude urbana do Rio de Janeiro". Mas afinal de contas, a quantas anda essa juventude? Como é ter uma banda de rock por aí hoje em dia?

Bernar - Olha, ja ta virando uma febre juvenil, inclusive tem uma galera que começou a ouvir bandas instrumentais e surf music por nossa causa... muito bacana. Ter uma banda de rock aqui é dificil, acho que sempre foi na real, o musico sempre teve que desempenhar outras funções alem de só tocar, né, e ao mesmo tempo buscar novas maneiras de trabalhar de acordo com o mercado.

 

Indiquem algumas bandas cariocas que valem a pena.

Guzz - Jovens Não, Os Azuis, Fuzzcas, Filhos Da Judith, Nome De Filme, Enio Berlota & Cachorro De Rua, Gametas, The Feitos, Doo Doo Doo, Vulcanicos, Rockz, Os Tangarás e muitas outras...


Como os seus pais e vizinhos reagiram à sua escolha musical naquela hora de ouvir um som alto?

Bernar - Ficaram admirados com tamanho bom gosto e deram maior apoio... ou não... hehe


Por que vocês escolheram fazer um trabalho instrumental?

Bernar - Pra poder dar enfase as melodias e tambem nos destacar na criacao de novos temas para o "estilo".

 

Os Beach Combers e outras bandas cariocas criaram um movimento de levar a música às ruas. Foi algo espontâneo motivado pela falta de bons lugares pra shows o Rio que os levou a tomar essa iniciativa ou tem alguma outra razão?

Bernar - Comecamos a tocar nas ruas para atingir um novo publico. Um publico a que nao tinhamos acesso antes, nem ele a gente. Por nao tocar/frequentar as casas de show que nos apresentavamos e por nao fazer parte do circulo de amigos do facebook, o maior meio de divulgacao independente. E isso tem dado bastante certo, nao somente pra gente como pras outras bandas também.

 

Qual a diferença básica entre tocar nas ruas, numa casa de shows modesta e noutra mais estruturada? Já vi shows de vocês nos três tipos de lugar, e queria saber sobre suas impressões.

Bernar - O show em si nao muda muito, damos 120% independente do palco. Seja na rua, em palcos grandes ou pequenos tocamos com o mesmo tesao pra dez ou pra  mil pessoas. 


Quais surpresas já aconteceram nas ruas, tanto agradáveis quanto sinistras?

Bernar - De surpresas agradaveis ja recebemos alguns bilhetes amorosso, conhecemos idolos como o Daniel guitarrista do Modulo 1000, notas de 100 reais que ja colocaram na caixinha e muitas outras. Surpresas sinistras acho que os crackudos que as vezes aparecem pra tentar estragar o show. Mas no geral rolam mais surpresas boas que ruins, bem mais.


A autogestão é uma das marcas da banda, já que vocês produzem todo o material que lançam. Vocês acham que esse é um caminho pras bandas independentes poderem se tornar mais conhecidas?

Bernar - Nao sei se esse seria o melhor caminho, existem varios, alguns mais faceis outros mais dificeis. Obvio que estamos sempre abertos a qualquer pessoa que possa nos ajudar, como tivemos varias em todo esse tempo de banda. Mas se a gente fosse depender dos outros nunca chegariamos a lugar nenhum tambem. Tudo isso nao deixa de ser merito proprio, o que valoriza ainda mais o nosso trabalho.


Como surgiu a idéia de fazer o projeto "Na Brasa"?

Guzz - O lance da jovem guarda surgiu das versoes instrumentais que o proprio pessoal da jovem guarda ja fazia na epoca, ed maciel, lafayette, the jordans etc... No final de 2010 rolou um convite para um show, onde deveríamos fazer um tributo a um artista ou álbum. Inicialmente, faríamos um show só de Sonics. No entanto, concluimos que um show só de Sonics no Rio de Janeiro não seria muito compreendido, hehehe. Então, optamos por versões instrumentais de clássicos da Jovem Guarda. Os ensaios foram tão intensos e divertidos. O show também. Acabou que resolvemos gravar o repertório e fazer esse web-álbum. Nosso amigo Antonio Paoli toca órgão conosco nesse projeto, além de ter gravado e co-produzido o web-álbum conosco. Gravamos durante o carnaval de 2011.


Já tem quase dois anos que Ninguém Segura Os Beach Combers foi lançado em vinil. Como foi a receptividade do trabalho e do formato?

Bernar - A receptividade do trabalho foi otima, ate hoje varias pessoas vem elogiar. Nos rendeu varios shows, fãs, garotas, contatos. O vinil (que foi prensado na Alemanha) foi muito bem recebido pela critica especializada e pelos admiradores do formato que garantiram seu exemplar na hora. A prensagem de 500 LPs ja esta acabando, e apenas sera reprensado caso haja demanda, mas acabamos de prensar o album em CD e esta vendendo muito bem, obrigado.

 

Falem um pouco sobre a produção do disco. O Bernar usou as Gianinis nas gravações ?

Bernar - O álbum foi gravado entre outubro e novembro de 2011, com o pedro garcia (ex-baterista do Planet Hemp e Lobão) aqui no rio. lucas gravou numa gretch anos 70 do pedro. guzz gravou com o fender precision do Formigão, usei a Giannini, um Fender twin reverb 67 todo original e mais umas coisas que eu nao posso dizer, ne.


Façam o comentário que quiserem sobre as músicas “Me Perdi Na Rua Augusta”, “Psychofuzz”, “Garota Honky Tonky” e “A Lenda Do Funcionério Fantasmas”:

- “A Lenda do Funcionário Fantasma”: sax abelhudo, imagina uma abelha fazendo a barba com um barbeador elétrico. Pendurar o paletó na cadeira e começar a dançar pela repartição. 

- “Garota Honky Tonk”: Belíssima canção. Uma guitarra invertida. Uma pegada indiana à la George Harrison. Uma garota que eu conheci na rua Augusta, que trabalhava num bar americano. Heroína das classes trabalhadoras.

- “Me Perdi Na Rua Augusta”: Foi correndo atrás dessa mulher que me perdi na Augusta. E acabei fazendo esse tema. Pegada clássica do rock instrumental com distorções e guitarras magnéticas.

- “PyschoFuzz”: Agora fudeu. Música escatológica. Problemas à vista. Chuva... Multidão. Tumulto. Paranoia. Música que sintetiza o conceito do álbum. Dividido em duas partes. A primeira com psicodelia. A seguinte mais explosiva. Tempestade magnética nos seus ouvidos. 


O que podemos esperar dos Beach Combers? Quando sai um trabalho novo?

Bernar - Acabamos de gravar tres musicas novas e vamos gravar agora de tres em tres, ir lancando a medida que for ficando pronto virtualmente e depois um compilado em vinil e cd de todas. Posso dizer que o trabalho esta ficando muito bom, de extremo bom gosto e qualidade, e com participacoes de grandes figuras tambem. Vem coisa quente ai.



O Berna fez um comercial de cerveja e o Lucas participou de um programa musical de tevê. Quando o flerte com a fama irá se tornar um caso sério?

Bernar - Acho que a fama é consequencia do nosso trabalho. Somos uma das bandas que mais trabalha. Nao vejo isso como um flerte.

 

Última pergunta: algum de vocês surfa ou já surfou?

Bernar - Putz, sempre perguntam isso. E vivo repetindo, ninguem na banda surfa. Mas estamos querendo tentar, quem sabe nao paro de tocar guitarra e viro surfista de onda gigante?

 

Galera, obrigado pela entrevista! Por favor, deixem mensagens, recados e ameaças após o sinal... Bip!

Bernar - Valeu!! Muito obrigado, galera da Rock Press, voces sao 10, adoramos. Quem quiser ouvir nosso som, comprar CD, LP, baixar mp3, contratar nosso show ou simplesmente mandar um recado amoroso acessa www.beachcombers.com.br ou manda e mail pra contato.beachcombers@gmail.com ou ainda procura a gente no face. Beach Abrassss 



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