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livros: O Doutrinador, Luciano Cunha
Segunda-feira, 22 de Setembro de 2014 (19:33:49)

 

 

Rock’n’roll, HQs e ativismo político podem ter muito mais a ver do que você imagina





O DOUTRINADOR

Rock’n’roll, HQs e ativismo político 

Por Guto Jimenez


Pense nas coisas que existem de mais errado em nosso país, sem excluir nada. Os Três Poderes corruptos e inescrupulosos na maioria de seus integrantes, legislando muito mais em causa própria do que àqueles a quem deveriam servir. Uma grande mídia parcial e fútil, voltada muito mais aos seus próprios interesses do que sua missão primordial de informar, divertir e educar. Atletas e artistas que parecem viver noutro país, ou até mesmo noutro mundo, servindo de agentes da alienação e inércia em massa de imensa parte de nossa população. “Ordem para o povo, progresso para a burguesia”, como resumiu muito bem o genial BNegão...

Agora imagine isso tudo num nível muito pior, num Brasil dominado por quadrilhas que só querem saciar sua ganância. 

Na boa, qualquer pessoa de bem nesse país já deve ter pensado em “fazer besteira” (um neologismo muito utilizado pra resumir todo e qualquer ato violento) quando reflete sobre os inúmeros aspectos que existem em nosso país. Os protestos do ano passado trouxeram um alerta, “o Gigante acordou”, embora o mesmo encontra-se perdido, tropeçando em tudo enquanto procura o interruptor. Infelizmente, a maior parcela da população parece indiferente ao “panis et circensis”, mesmo que sinta uma vontade íntima de fazer justiça com as próprias mãos.

Como consertar tudo isso? Somente alguém com um profundo conhecimento do funcionamento das engrenagens do sistema, muita disposição física e uma determinação cega quase psicótica pode ser capaz de executar uma tarefa dessas. Esse é um trabalho para O Doutrinador.

O desenhista Luciano Cunha é o autor do personagem O Doutrinador - e um autor de mão cheia, diga-se de passagem. Afinal, é ele quem escreve, desenha, ilustra, pinta e finaliza as histórias, num processo que funciona na contramão do que é feito no universo das HQs, no qual pessoas diferentes são responsáveis por cada uma das etapas da construção de uma história. Eu o conheci no início dos anos 90, quando ele era um moleque skatista muito talentoso com desenhos; na época, ele fazia um fanzine de skate e HQs chamado “Ollie Out” e uma de suas histórias acabou sendo publicada numa das revistas da época. Muito tempo depois, acabei reencontrando o cara no show da Plebe Rude no Circo Voador, e somente então me dei conta que o meu velho conhecido era o autor da HQ que eu mais me amarrava no momento.

 


De acordo com as palavras do próprio autor, “O Doutrinador é um ex-militar brasileiro, treinado por marines durante as operações Brother Sam e Condor, ainda nos anos 70. Com a abertura política, se torna um homem soturno e transtornado. Um super soldado num país sem guerras. Uma mistura altamente explosiva de frustração, vazio e revolta faz com que ele decida combater a corrupção e usar seu conhecimento tático para vingar o povo brasileiro”. A conexão com o rock está no visual do personagem, que sempre age vestindo uma camiseta preta do Motorhead por dentro da gandola – uma situação que teve um desfecho bastante curioso, sobre o qual conto mais abaixo.

A idéia d’O Doutrinador levou nada menos que cinco anos entre a concepção e a impressão dos primeiros livros: Luciano produziu as primeiras 40 páginas e as enviou pra nada menos que 14 editoras, porém nenhuma delas quis se envolver com uma história que traz um risco iminente de processos judiciais. O cara então foi obrigado a fazer um recuo estratégico, no qual ele modificou o visual do personagem (introduzido a célebre máscara de gás) e escreveu novas histórias. Daí, ele criou perfis pro personagem em redes sociais e passou a publicar partes da história nas mesmas, e esse acabou sendo o verdadeiro “pulo do gato”: a história na qual O Doutrinador parte pra cima do fictício secretário de transportes do Rio após mais um dia de caos no trânsito atingiu quase 3.500 compartilhamentos e atingiu a um total de 282 mil pessoas na rede. 

Mais adiante, após ter feito das suas no Rio, em Brasília e no Maranhão, o personagem resolve ir à SP numa nova missão. Apenas quatro dias após a primeira história em terras paulistas ser publicada, explodem as manifestações dos 20 centavos nas Paulicéia, e o personagem ganhou uma nova e merecida divulgação gratuita. As camisetas com a figura usando máscara de gás foram o primeiro hit dos protestos, depois substituídas pelas máscaras de Guy Fawkes que remetem ao filme “V de Vingança” – ironicamente, outra HQ.

Nesse exato momento, algumas editoras ainda tiveram a cara-de-pau de procurar o Luciano pra publicarem a história... Ele não permitiu que os outros lucrassem muito sobre aquilo que haviam recusado antes, então pegou uma grana que havia juntado, fundou a Edições Anti Herói e editou o primeiro livro no final do ano passado. Como toda obra independente lançada no país, não faltou um imprevisto de última hora que atrasou o lançamento do livro, mas cujo desfecho curioso serviu pra trazer um peso enorme à obra. Atendendo aos pedidos de inúmeros leitores, O Doutrinador deixou sua camiseta do Motörhead na gaveta e passa a vestir uma do Sepultura, após o autor ter conseguido formalizar uma parceria com a banda. “O anti-herói brasileiro tinha de vestir uma banda nacional, mais um sonho realizado”, declarou Luciano na época.

Uma nova parceria envolvendo uma figura de destaque do rock foi firmada nesse ano: o músico, compositor e ativista social Marcelo Yuka convida o autor pra fazerem uma parceria. A história “Dark Web” tem roteiro de ambos e já está rolando no perfil d’O Doutrinador no Facebook, e consegue ser ainda mais soturna e assustadora do que a saga que deu origem e fama ao personagem. Além disso, um clipe do próximo disco do músico trará uma participação especial do personagem, que deverá barbarizar alguém que merece no roteiro.

Analisando o personagem, não é difícil entender os motivos que o transformaram num fenômeno das redes sociais. O Doutrinador não contemporiza. O Doutrinador não tergiversa. O Doutrinador age. O Doutrinador acaba assumindo a responsabilidade de executar a vingança desejada por qualquer pessoa de bem que viva no Brasil, incluindo os milhões que jamais teriam coragem de sequer pensar em vingança.

O Doutrinador não sou eu e nem é você – ele é o retrato de nossa revolta ruidosa.

www.odoutrinador.com.br

facebook.com/leiaodoutrinador



Sobre o livro

Título: O Doutrinador

Autor: Luciano Cunha

Roteiro, arte, produção gráfica: Luciano Cunha

Edição independente

ISBN: 978-85-916626-0-9

Preço: R$ 32,90

http://www.odoutrinador.com.br/


Sobre o personagem

O Doutrinador é um ex-militar brasileiro, treinado por marines durante as operações Brother Sam e Condor, ainda nos anos 70. Com a abertura política, se torna um homem soturno e transtornado. Um super soldado num país sem guerras. Uma mistura altamente explosiva de frustração, vazio e revolta fazem com que ele decida combater a corrupção e usar seu conhecimento tático para vingar o povo brasileiro. Quem poderá detê-lo?

 

Junho de 2008

O designer carioca Luciano Cunha cria o Doutrinador e produz cerca de 40 páginas de quadrinhos com o personagem. Envia o material para 14 editoras. Onze delas respondem que gostaram do trabalho mas que não podem publicá-lo temendo processos por parte de políticos. Luciano Cunha então engaveta o projeto.

Abril de 2013

Luciano decide voltar ao personagem. Reformulado ( agora ele usa uma máscara e se torna bem mais sombrio ), o Doutrinador estreia nas redes sociais timidamente, no final de abril.

Maio de 2013

Após mais um dia de caos no transporte público carioca, o Doutrinador vai à caça do Secretário de Transportes do Rio de Janeiro. O quadrinho atinge 3. 424 curtidas, 3.337 compartilhamentos e mais de 282 mil pessoas no total reach da rede social.

Junho de 2013

Depois de atuar em Brasília, Maranhão e Rio, o personagem parte para São Paulo. Apenas quatro dias depois do quadrinho em que o Doutrinador desembarca na terra da garoa, explodem as manifestações dos 20 centavos e o brasileiro decide gritar ‘Basta!’

Julho de 2013

- O Doutrinador é o personagem brasileiro dos protestos, ao lado do inglês V de Vingança, e atinge 25 mil curtidas na rede social. Vários veículos procuram o autor para matérias e entrevistas.

- O músico, compositor e a􀀡vista social Marcelo Yuka convida Luciano Cunha para uma parceria. Um clip para uma música do novo CD de Yuka terá participação do Doutrinador e um roteiro a quatro mãos para uma nova aventura do personagem é iniciado.

- A banda de heavy metal carioca Possessonica faz uma canção chamada ‘A Forra’, inspirada no personagem e na ‘primavera brasileira.’ assista o video

Setembro de 2013

O clip de ‘A Forra’ é lançado no dia 7 de setembro. A página chega a 30 mil curtidas.

Outubro de 2013

Quase 12 mil pessoas votam numa pesquisa promovida pelo autor para saber em qual capital do Nordeste o Doutrinador deve agir. São Luís, Recife e Salvador ficam na frente.

Novembro de 2013

- Publicada matéria na revista Mundo dos Super-Heróis, principal veículo de quadrinhos no país.

- O autor vai encaminhando o primeiro arco de histórias para seu clímax e, após negociar com quatro editoras brasileiras, decide publicar de forma independente a compilação de posts do Facebook.

Essa decisão representa um grito contra o mercado editorial de quadrinhos no Brasil e Luciano cria o próprio selo, a Edições Anti-Herói.

Dezembro de 2013

A primeira aventura do Doutrinador já tem um final. A edição está na gráfica mas uma parceria especial faz as máquinas esperarem mais alguns dias. Atendendo a pedidos de muitos leitores, a camisa da banda inglesa Motörhead que o personagem usa dá lugar a uma camiseta do Sepultura. O anti-herói brasileiro agora veste uma banda nacional, mais um sonho realizado.

Janeiro de 2013

- Luciano Cunha é entrevistado pela Rolling Stone argentina.

- A edição impressa de luxo fica pronta, com 84 páginas coloridas e capa dura. Comercializada na própria página do Facebook, vende mais de 200 cópias em 13 dias.

- A empresa de games e animação Bogey Box e o autor fecham parceria para produção de aplicativos story telling para PC e smartphones com o personagem.

 

Sobre o autor

Luciano Cunha tem 41 anos, é carioca, designer gráfico e louco por gibis desde que se alfabetizou. Tem Jack Kirby e Frank Miller como maiores ídolos nos quadrinhos. Sua primeira experiência profissional veio aos 16 anos com Ziraldo, desenhando o gibi do Menino Maluquinho, no final da década de 80, para a Editora Abril. Já dirigiu arte para diversos jornais diários, como O Dia, Jornal dos Sports, Lance e Metro. Além de quadrinhos, é fanático por classic rock, heavy metal, cinema, cervejas, charutos, desenhos animados dos anos 60, família, amigos e... pelas mulheres de sua vida: a esposa Luiza Dias e a primogênita do casal, a Maria Flor.





 
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