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entrevistas: N.T.E.
Sexta-feira, 11 de Julho de 2014 (2:36:07)


Nem Todos Esquecem: desfraldando a bandeira punk rock potiguar no século 21





+ entrevista

N.T.E.


Por Olga Costa e Adriano Stevenson


O funcionamento da mente humana é surpreendente. Ainda mais quando o resultado desse trabalho está perpetuado na música, especificamente, no punk rock. Alexandre Falante, dono de uma mente que trabalha de forma segmentada, consegue unir tudo de forma coesa e eficiente, montando um painel cheio de indignação, revolta, denúncia e, acima de tudo, contribuindo para que, aquilo que já está sacramentado historicamente, que tenha causado dor, sofrimento e mortes, não seja esquecido, e que não venha a se repetir – uma missão quase impossível, e daí? O objetivo não é o fim, e sim o que acontece durante o caminho traçado. Impossível ou não, Nem Todos Esquecem é esse painel, longe de ser estático, que se encontra no seu melhor momento sonoro. Depois de várias formações, inclusive com Falante na bateria, agora, junto com Eduardo, Thadeu e Bruno, a N.T.E. está pronta para deixar sua marca na música potiguar. Ninguém será esquecido!


Somos Prisioneiros, primeiro CD oficial da N.T.E. Como foi o processo da escolha das músicas?

Eduardo – Pegamos seis músicas de EPs antigos, reformulamos todas, e as outras quatorze são inéditas. Ao todo, são vinte músicas que compõem esse novo trabalho.


Você acha que acrescentou ao som da banda a entrada do baixo?

Alexandre Falante – Melhorou bastante! Com a entrada do Eduardo, o som da N.T.E. ficou preenchido. Eu nunca tinha ouvido a banda com baixo, pois era só guitarra, bateria e voz. Além disso, trouxe também as influências dele de punk rock/hardcore. A N.T.E. é outra depois que Eduardo entrou. A N.T.E. começo em 2010, comigo e Tiago. Gravamos o primeiro EP chamado Agora, depois veio o Pelo Menos por um Instante e o Egoísmo, que foi o primeiro com Eduardo no baixo.


Você falou na influência de punk/hardcore. Em Natal, a N.T.E. é, praticamente, a única banda de punk/hardcore. É realmente correto afirmar isso?

Alexandre – Existem bandas que têm influências do punk e outras que têm influências do hardcore. Nós temos as duas, não somos só punk rock, nem só hardcore. Aqui, ou o som é muito veloz, ou vai para o pop rock alternativo...


As letras da N.T.E. têm um diferencial, a letra é uma arma também. No caso de vocês, elas têm um direcionamento mais social, vocês são narradores...

Alexandre – A mensagem tanto pode ser de indignação social, inconformismo ou como também abordamos coisas nossas que passamos, algo como Meu Inimigo Sou Eu, que a Rotten Flies gravou, que fala dos conflitos internos.


Quando ouvi pela primeira vez o Egoísmo, apesar de ter ouvido os mesmos temas em outras letras, no entanto,  na N.T.E., chamou atenção por tornar aquele ‘velho’ discurso do passado verdadeiro, agora, no presente.

Alexandre – Talvez porque realmente é a verdade, porque, se não tivesse sentindo essa dor, seria difícil transmitir, mas, quando você sofre mesmo o corte vivencial, você está explicitando nada mais, nada menos, do que o que você já vive.


Como você se inspira para escrever as letras?

Alexandre – São fragmentos, pedaços. Eu vou escrevendo frases que surgem em momentos diferentes, vou montando pedaços de frases e adaptando. Eu escrevo a toda hora! A Fernanda, quando vê os pedaços de papel com as frases, ela guarda e depois eu monto. As letras são atemporais, para que, daqui a dez anos, permaneçam atuais.


Você não pode esquecer! Falando nisso, o nome da banda, Nem Todos Esquecem, vem de onde?

Alexandre – O nome N.T.E. veio de momentos em nosso país, onde acontecem várias atrocidades, como por exemplo, a ditadura militar, e, com o passar do tempo, ninguém nem tá mais aí. Tem até um livro que fala disso chamado Perfil dos Atingidos. Acontecem coisas ruins, e, no dia seguinte, a maioria da população esquece, não sei se esquece por medo, porém, existem pessoas como nós, que não esquecemos! 


Você comentou sobre o corte vivencial que ajuda na hora de compor. Vocês estão em um saco de gilete?

Alexandre - Sim, se você vai para a frente, corta, para trás, aos lados, toda hora! A sociedade é um grande saco de gilete porque você não pode falar o que você pensa, até mesmo o que você fala poderá ser usado contra você mesmo, é um saco de gilete constante.



Somos Prisioneiros foi feita com uma formação. Depois da gravação, saíram dois integrantes. Recentemente, entraram dois novos integrantes. O que mudou na sonoridade da banda?

Eduardo – A gravação do Somos Prisioneiros foi feita com Marquinhos na guitarra e Marujo na bateria, foi muito massa!

Alexandre – Os meninos são maravilhosos, mas, infelizmente, não estava ocorrendo essa simetria...

Eduardo – Marquinhos é um puta músico, mas a vibe dele é do reggae! Ele fez umas guitarras iradas.


Como foi a entrada de Bruno e Tadeu?

Eduardo – Tadeu eu já conhecia. Dos quatro, ele é o mais músico, tem um potencial muito grande!

Alexandre – O Bruno já é um cara mais hardcore, no sentido do pensamento, tem a música, mas também tem a vivência, e Bruno já havia tocado comigo na Raça Odiada.


O cenário em Natal é complexo. Tem vários polos... como funcionam os espaços? Explica um pouco isso.

Alexandre – Espaços existem, porém ainda são poucos. Já teve época que existiam mais locais para se tocar. Atualmente, tem o Frutos Estúdio e o Dosol. São os lugares em que fazemos os eventos. No cenário daqui, prevalece muito a sonoridade rápida, barulho, mas tem outras segmentações, que é o pessoal do hardcore nordeste NHC, que são as bandas que têm influências do Madball, tem o pessoal do metal, que é bem organizado! Nos outros eventos, o pessoal vai, mas não entra, fica a metade fora e o próprio pessoal que reclama não apoia! A N.T.E. não é só uma banda, a gente promove eventos também...


Quantos anos tem o Caos Natal?

Alexandre – Dez anos. No primeiro, veio o Agnose, 4237, bandas de Aracaju Noia; de João Pessoa, foi Rotten Flies...foi muito significativo, marcou porque deu muita gente, foi algo que não tinha acontecido no B52, que depois virou o Blackout, que era um bar que, geralmente, tocava metal e pop rock porque o valor da casa era alto. O primeiro grande evento de hardcore bem organizado foi o Caos Natal de 2003! Teve duas edições que não estava aqui que foram feitas pelo Denis e Foca, a de 2007 e 2008.


Qual a diferença de gravar na sua cidade e sair para gravar em outra? O que é que muda? O que vai acrescentar?

Eduardo – Para mim, não. O objetivo não era a mudança de som.

Alexandre – Para mim, também não. Aqui tem estúdios bons. O lance mesmo foi pela amizade, de conhecer novas pessoas, interação...


O fato de ter gravado em João Pessoa diferencia em alguma coisa dentro do cenário da cidade?

Eduardo – Eu vou me colocar no lugar do consumir, pode ser que sim, mas isso não influencia o som da gente.

Alexandre – Acredito que o público goste...

Eduardo – É como se fosse um marketing.


Já tem música nova com essa formação mais recente da banda?

Alexandre – Tem A Cidade de Natal, Nem Sempre... eu diria que tem umas seis músicas. Porém, ainda tem o resquício do Pelo Menos por um Instante. A gente quer regravar tudo que não foi lançado oficialmente. A intenção é que, no terceiro disco, a gente consiga resgatar tudo. Por isso, a nossa necessidade de gravar vinte músicas! É muita música para um CD de hardcore? Sim! Porém, somos uma banda desconhecida, então, é muito difícil fazer um disco oficial, a gente tem que aproveitar ao máximo! Sabe aquele menino que não tem o doce? A N.T.E. quer o doce! Quer chupar até o palito! (risos)


Vocês tem um apreço muito grande pelo CD prensado, o resultado final nesse formato é o doce da história?

Alexandre – É a cereja do bolo.

Eduardo – É o escritor publicando seus livros. No nosso caso, são livros musicais.


Vocês voltariam a fazer CD-R?

Alexandre – Quando você prova o gosto da cereja, é difícil ter que colocar uma pimenta na boca... O Egoísmo, que foi lançado em CD-R, a cor do rótulo foi saindo com o tempo... então, não tem uma durabilidade, a qualidade é mais baixa e oxida com um ano ou dois...

Eduardo - De vontade, não, só se chegar num ponto que realmente, por questão de custos, a gente não tenha como arcar. Por vontade mesmo, a gente queria era lançar em vinil também!


Vocês estão nadando contra a maré, pois estamos no mundo do MP3. Este formato agrada a vocês?

Alexandre – A mim, não!

Eduardo – Também não. Acho muito bolado. Você pega um álbum em MP3 e existe uma probabilidade muito grande de só escutar uma vez e nunca mais escutar. Não é a melhor forma de consumir.

Alexandre – Prefiro passar dez anos com mil cópias de CD, distribuindo bem vagarosamente, do que colocar em MP3. Eu compro CD e o Eduardo compra vinil, a gente sabe que tem um mercado, que tem uma galera que consome.


Interessante observar que poucos artistas se preocupam com o resultado de suas músicas quando vão para a internet. Aqui no Brasil, temos o exemplo de Tulipa Ruiz, que, quando viu seu trabalho ripado em 128 kbps, pediu para que fosse retirado e colocado em melhor qualidade. O Neil Young se juntou a um pessoal do Vale do Silício para encontrar uma forma de não comprimir tanto a música para ser ouvida na grande rede... 

Eduardo – Só quero deixar claro que não estamos boicotando a tecnologia, isso é uma coisa que não tem mais volta...

Alexandre – Daqui a algum tempo, o Somos Prisioneiros estará disponível para baixar e, se tiver quem queira baixar, beleza! Se tiver quem queira comprar o CD, massa! Sou contra o MP3 como forma de apresentação do trabalho, mas, como divulgação, é um instrumento poderoso e de alcance infinito...


Qual é o próximo passo da N.T.E.?

Alexandre – Fazer o disco Anatomia da Cidade! Se eu pudesse, já estava entrando lá no Peixeboi! Já está tudo traçado, é só a vida conspirar a favor! A escolha é essa, produzir discos, fazer músicas com sinceridade, honestidade!

 


Fonte Jornal Microfonia

 


+ resenha

N.T.E.

Somos Prisioneiros

(Microfonia – 2014) 

Nota 9

 

Por Fernando Castelo Branco

 

A democratização das novas tecnologias tem feito bem (muito bem, aliás) à bandas que sempre trabalharam no nicho do “faça você mesmo”. Enquanto a labuta até bem pouco tempo era pra copiar K-7s e CDs, agora se grava dentro de casa, com tempo, concentração e conforto, dando vazão à criatividade e produtividade sem se ater á terceiras partes. Bandas como N.T.E, de Natal (RN) agradecem.

Praticando um punk rock honestíssimo, bem enraizado na cena nacional dos anos 80 (aqui e acolá uma corridinha mais HC, pra quebrar o clima), com letras mostrando a mínima preocupação em correr do discurso rasteiro do protesto ginasiano, procurando “outras teclas pra bater”, por assim dizer. 

Muitos podem se perguntar “como fazer uma banda com essa estética em pleno século XXI?”. A sorte de piruetas mercadológicas e estéticas dada pelo rock (aqui no sentido amplo) faz com que seja de tirar o chapéu pra uma banda que lança um trabalho com 20 músicas, totalmente fora do esquadro do que se convenciona chamar de “comercial” ou “em voga”; e de quebra ainda bota tudo isso pra diante de forma independente.

Rock ainda pode ser divertido, ir aos shows, encontrar as pessoas, consumir arte feita fora da massificação ainda faz sentido. Trabalhos como “Somos Prisioneiros” provam isso.


Faixas/Track list


1- O Poder Do Dinheiro/2- Desapontamento/3- Esquecidos Na Cidade/4- Vida Simples/5- Dias Que Sinto Raiva/6- As Fabricas/7- Conhecido Desconhecido/ 8- Destrua O Racismo!/9- É Tão Difícil/10- O Estado Opressor/11- Morrer Sem Viver/12- Somos Prisioneiros/13- Quarta Divisão Do Rock/14- Inevitavelmente/ 15- Cheios De Nada!/16- Desilusão Crônica/17- Agora!/18- Destruído/19- Planet Trapped/20- Nem Todos Esquecem




 
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