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entrevistas: Dead Fish
Sexta-feira, 7 de Março de 2014 (16:51:17)

 

Dead Fish – comemorando 10 anos de Zero e Um




 

DEAD FISH – comemorando 10 anos de Zero e Um

Por Bruno Eduardo


O Dead Fish ultrapassa duas décadas de estrada.  Com seis discos na bagagem e três DVDs ao vivo [sendo um lançado pela MTV], eles iniciam a turnê comemorativa de 10 anos de seu álbum mais conhecido. Em um dos últimos suspiros do rock na indústria fonográfica brasileira, “Zero e Um” acabou sendo pontual para a cena hardcore no país. O álbum ganhou também uma edição especial em Vinil colorido, distribuído pela Polysom. O Portal Rock Press conversou com o vocalista Rodrigo Lima, que falou sobre a nova cena, sobre a importância do disco, e lógico, sobre o super show com os Ratos de Porão, no Cine Joia [saiba mais sobre o projeto Antifolia AQUI]

 

O Dead Fish está tocando o disco "Zero e Um", que completa uma década de lançamento. Hoje, 10 anos depois, que análise vocês fazem da importância desse trabalho?

Eu posso responder por mim. Dez anos depois, ouvindo o vinil em casa, consigo perceber o quanto ele é pesado e cheio de energia boa - até uma certa inocência. Fico tentando imaginar onde a Deck/Rafael Ramos estava com a cabeça pra lançar um álbum daquele em pleno 2004. Isso porque a indústria estava em crise e inserida em um meio muito idiotizado pelas versões mais leves de rádio. Eu fiquei rindo com a qualidade brutal da produção, pois era um álbum de rock pesado - e rápido -, e que definitivamente não se encaixava em porra nenhuma ali, naquele momento. Para a banda, aquilo era uma virada no que tínhamos feito até então. Era entrar de cabeça no paradoxo de ter feito por 13 anos a gente mesmo e cair no colo de uma gravadora que dali pra frente faria tudo diferente. Lembro-me  bem de quando entramos no primeiro dia no estúdio para gravá-lo, e lembro também do ânimo da banda, das perspectivas e das dúvidas. Sequer sabíamos que teríamos que nos mudar pra São Paulo e deixar definitivamente o Espírito Santo. Foi praticamente um big bang. Dali pra frente tudo é história já - alguns prêmios, muitos shows, uma tentativa de se encaixar num mainstream nos nossos moldes e tudo mais... Provavelmente foi uma das melhores experiências da minha vida. Tudo muito intenso e veloz. Quanto ao o que o público achou, acho que foi tão paradoxal quanto. Definitivamente é um puta álbum.

 

Como foi a ideia de lançar o disco em formato vinil colorido?

O Rafael [Ramos] que veio com a ideia. Eu achei genial. Acredito que cada álbum do Dead Fish tenha que ter uma cor hoje. A ideia foi da Deck e do Rafael.

 

O Dead Fish está há mais de duas décadas na estrada. O grupo viveu todas as transformações do mercado fonográfico, como a venda de fitas demos, depois a distribuição dos CDs, e agora, a fartura dos downloads gratuitos. Como vocês analisam a cena atual?

Eu gosto. Vejo muita coisa legal na estrada, muita banda muito boa. Estive em Aracajú há um mês e tocamos num lugar bacaníssimo com bandas que me agradaram muito (Rótulo que já conhecia e Skabong que conheci lá). Aonde você vai no Brasil tem gente fazendo coisa relevante e muito boa. O justo seria que as massas ouvissem e vissem isso. Seria legal podermos ter uma fatia maior do bolo de um cenário de música que o pagode, sertanejo e axé dominam. Dizer que a cena está ruim e/ou parada não é justo. O que aconteceu foi que uma geração que botou muito a cara envelheceu e chegou uma outra que acha que só a internet basta.

 

Muitos dizem que o hardcore viveu seu melhor momento no Brasil em meados dos anos 2000 (inclusive, vocês foram uma das poucas bandas do gênero a ter um DVD distribuído com a marca da MTV Brasil). Você concorda com essa afirmação?

Foram os últimos anos de MTV e rádios rock pelo Brasil, né? Críticas à parte, isso fazia alguma diferença naquele tempo. Eu não creio que o hardcore tenha esta coisa de fase boa e fase ruim. É mais do que música, é como o skate, acredito. Tem suas gerações e sua própria forma de encarar as coisas. No fim dos anos 90 existia aquela inocência de que faríamos como a Dischord ou como a Alternative Tentacles, até que as coisas foram longe. Só que depois de muito tempo tudo foi se segmentando, a ideia foi sendo exposta pra gente que não concordava e/ou que mudava de ideia. Do hardcore muitos outros caminhos foram surgindo e a coisa meio que se tornou menos novidade. Hoje tem gente fazendo MPB com a cabeça no DIY [do-it-yourself], como fazíamos há 20 anos. Talvez por isso, tenha ficado sentimento de que "a onda passou".

 

Gostaria que você falasse do Split com o Zander, lançado no ano passado e da possibilidade em lançarem um novo disco de inéditas.

Sim, estamos tentando um álbum novo há uns dois anos e acho que no meio deste ano já teremos algo. O split com o Zander foi ideia do Francesco Coppola que trabalha com o nosso merchandise e tem a Spidermerch. Eu achei genial a ideia. Por mim lançaria vários singles em vinil de músicas do álbum novo, e só depois lançaria o álbum cheio.

 

Para finalizar, fale sobre essa noite comemorativa em que vocês e os Ratos de Porão relembraram dois discos pontuais para o hc/punk, no evento Antifolia, em São Paulo.

Pra mim, como fã do RDP foi histórico. Eu ouvi o Crucificados pela primeira vez em algum dia do fim da década de oitenta, no quarto de um grande amigo aqui em São Paulo, na Vila Santa Catarina e eu tinha vindo pra andar de skate com eles. Já conhecia algo de Punk e Hardcore, mas, aquele foi o dia que conheci o cenário aqui da cidade. Foi uma honra poder contribuir com a coisa toda, comemorando também algo que fizemos, também graças a estes outros tiozinhos. O Jão Carlos pra mim, além dos outros integrantes, é um exemplo de ser humano foda, cheio de sua própria ética e senso de justiça - fora ser um puta guitarrista. Inventou um estilo. Foi demais!




 
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