Bem vindo a portal rock press 21 anos!
  Olá Anônimo!
Busca  
duplas: Pato Fu x Nenê Altro
Segunda-feira, 15 de Maio de 2006 (21:36:09)

Pato Fu é uma banda, digamos, íntegra. Num rock nacional que revira os olhos na mesa da UTI da mediocridade, os mineiros seguem sua receita de beliscar o pop rock assoviável com intervenções de criatividade, mais ou menos da mesma forma que os Mutantes. O caldeirão de influências do Pato é grande e parece coração de mãe. Sempre cabe mais coisa. Por Nenê Altro




“Se pudesse ter a voz de qualquer outra cantora seria a da Suzanne Vega!” Fernanda Takai


Exclusiva PATO FU

Nenê Altro pergunta - Fernanda Takai responde


Abaixo algumas respostas a algumas perguntas que atestam a lucidez da banda, a vontade de fazer exatamente o que fazem e, o maior trunfo de todos, gozarem de liberdade criativa, apoio da MTV local e estar numa grande gravadora. Ô raio, sô.


Considerando que o Pato Fu já tem uma longa estrada e viu o rock e o pop nacional em seus momentos altos e baixos, o que você pensa da fase atual da música pop ou rock brasileira?

Olhando pra trás, me lembro de ouvir coisas bacanas e ruins em todas as fases do rock brasileiro. Acho que hoje temos mais diversidade de propostas e alguma equivalência técnica com o que é feito lá fora. Até mesmo essa mania de clonagem do que é sucesso, já se via antes. Tem gente boa fazendo música, pensando em carreira a longo prazo. Mas o que vai pros ouvidos do grande público é uma porção muito pequena do que é produzido e nem sempre prima pela qualidade.


O que há de melhor e o que há de pior na música nacional hoje em dia?

Começando pelo pior: essas dancinhas de éguinha, cavalinho-sei-lá-o-quê + qualquer nova dança de carnaval que é embutida via lavagem cerebral e estomacal em milhões de brasileiros.... junto com bandas que acham que fazer música é apenas montar um kit atitude + tatuagem + roupa de alguma tribo. O que há de melhor: esse fervilhar de bandas novas que se apresentam em festivais país afora que vem das mais diferentes cidades e já têm material próprio consistente e bem acabado. Não estão à vista do grande público, mas já são conhecidos de uma platéia cativa e que divulga o trabalho boca a boca ou via rede e também já se fizeram notar frente às pessoas que escrevem sobre música.


Mesmo estando em uma grande gravadora, praticamente desde o princípio, vocês sempre mantiveram uma proximidade da cena musical independente. Qual a importância da cena independente para o Pato Fu, porque sempre preservaram essa proximidade e quais as vantagens e desvantagens de um artista optar ou não pelo independente?

Tivemos um início independente, incluindo o período em que gravamos pela Cogumelo (93). Mas antes do Pato Fu todos nós tivemos outras bandas. O John teve o Sexo Explícito por dez anos! Eles passaram boa parte da carreira de forma independente e chegaram a lançar dois vinis pelo selo Eldorado. Nós, desde que assinamos com a BMG em 94, nunca deixamos de gerenciar a carreira do nosso jeito. Passamos por fases diferentes em relação ao mercado e hoje, mais do que nunca, temos autonomia pra criar, produzir e escolher de que forma vamos divulgar a nossa música. Na verdade nunca fomos grandes pra eles e isso de certa forma nos deixa num patamar que eles não sabem muito bem onde meter a mão. Coisa boa: liberdade pra nós. Coisa ruim: o projeto fica sem dono lá dentro. Circulamos bem entre o público que só nos conhece de uma música da rádio e entre o pessoal que ouve o disco quase todo nas rádios universitárias ou menores. Ser independente ou não, é uma escolha a se fazer segundo as propostas que se tem à mesa. Se para uma banda é mais produtivo e seguro continuar por seus próprios meios, é ótimo! Mas se conseguirem um contrato que cubra pontos específicos e fundamentais pra saúde criativa dela própria então não há porque não experimentar. O mais importante de todos os contratos é saber como sair! Não se pode ficar preso pra sempre, se insatisfeito. Nossa carreira nunca foi de grandes números, mas de realizações, de conquistar espaços, de ter uma história decente. Isso pode ser conseguido sendo independente também...


Vocês acham que o independente tem mais valor nos dias de hoje do que em
outros tempos? Acham que os festivais que mesclam independentes e artistas assinados ajudam a conquistar novos espaços?

Acredito que nos tempos atuais, todos ponderam melhor antes de assinar contratos. Uma banda não é necessariamente boa porque é independente, nem uma banda de grande gravadora é ruim porque tem seus discos lançados nacionalmente. Os artistas independentes contam hoje com mais infra-estrutura tecnológica pra produzir e divulgar seu trabalho do que antes. Dá pra se gravar em casa, fazer a capa, encontrar as pessoas que escrevem sobre música na internet, divulgar um show... Os festivais são muito importantes quando apresentam o que há de novo. Seja os independentes que abrem espaço para uma banda maior ou os grandes festivais nacionais que colocam atrações locais que estão começando. Tudo o que promova as bandas entre platéias mistas é muito bom!


O que vocês pensam do livre acesso às músicas na internet? Vocês acham que isso prejudica ou auxilia o artista?

Aqui no Brasil o que tem derrubado muito os ganhos com direito autoral e royalties é a pirataria de rua mesmo. A internet ainda é mais vista como forma de divulgar o trabalho do que prejudicá-lo. Colocamos mp3 em nossa página desde 98. Claro que por termos contrato com a BMG não vamos disponiblizar o disco de carreira porque eles é que pagaram a conta da produção. Mas tudo o que é lado B não lançado, versões ao vivo, projetos especiais de TV e rádio, tem sido disponibilizado, sim. As pessoas que têm acesso a esses arquivos podem conhecer mais do que é a banda. Não colocamos a música que toca na rádio ou clipe por exemplo, porque ela já tem outros meios de alcançar as pessoas, e também porque o material já está 100% disponível na rede, é só procurar.


Quais as mudanças mais significativas no processo criativo do Pato Fu desde o início aos dias de hoje? Como compararia seu primeiro álbum (??) e seu álbum mais recente (??)?

Tanto o primeiro disco quanto o mais recente, poderiam ser descritos com as mesmas palavras: estéticas musicais variadas, contrastes entre as faixas, um quê agridoce, algumas versões inusitadas, muita eletrônica na música... Mas houve um salto de dez anos entre um e outro. Pra começar, todo o nosso equipamento naquele início do Pato Fu era de baixa tecnologia e de segunda mão. Investimos em equipamento e estúdio ao longo dos anos e aprendemos a nos produzir. Tentamos elaborar melhor as letras, caprichar nos acabamentos. Antes era tudo mais hermético para as pessoas e até mesmo pra alguns de nós, embora não deixasse de ser divertido! O Pato Fu era uma idéia inicial do John e aos poucos eu e Ricardo fomos tentando evoluir como compositores também, passamos a colocar melhor nossas idéias de arranjo, composição e produção. Eu diria que hoje os discos que fazemos representam melhor todos nós. Até o terceiro disco, tínhamos outros empregos pra nos sustentar. Só passamos a viver de música mesmo a partir do quarto disco! Viver da música que fazemos nos permite mais tempo pra nos dedicarmos e polirmos ao máximo tudo, antes de ser registrado em disco.


Você se lembra da primeira música que escreveu? Como se chamava e por que (ou para quem) a compôs?

Sim, me lembro. Essa música chegou a ser gravada pela minha banda de colégio e se chama “A Imagem”. Ela foi composta pra alguém que se olha no espelho, não por vaidade mas pra se ver/reconhecer quem é... ou seja, pra mim mesma:)


Se você pudesse ter a voz de qualquer outra cantora do mundo qual cantora seria?


Suzanne Vega! Mas com a possibilidade de ser Tracey Thorn numa próxima encarnação...


Se alguém que você gosta muito te pedisse pra gravar uma fita com uma seleção especial de músicas, quais músicas você incluiria e quais músicas definitivamente deixaria de fora?


Colocaria algo de Super Furry Animals, Delgados, Looper, Goldfrapp, EBTG, Karnak, Kid Loco, Frente, Supergrass, Cardigans, Cure, Clara Nunes, Duran Duran, Mike Flower Pops, Ná Ozzetti, Aterciopelados, Turin Brakes, Abba, Radiohead etc... Deixaria de fora um monte de bate-estaca e coisas que não se consegue assobiar!


Comente sobre seus projetos futuros...

Nosso projeto imediato é dar prosseguimento à turnê do disco de dez anos, que começou em agosto de 2002 e deve terminar no segundo semestre de 2003. Ainda não temos previsão de um novo lançamento. Temos trabalhado em parceria com alguns amigos, via internet, e os projetos serão mais divulgados mais pra frente. Obrigada pela oportunidade de contar um pouco mais sobre nós pra vocês! Espero que a gente se encontre em algum show por aí como platéia ou como banda.


Originalmente publicada em RP#33.

 
 Links relacionados 
· Mais sobre Rock Press
· Notícias por claudia


As notícias mais lidas sobre Rock Press:
Tudo que você queria saber sobre o U2


 Opções 

 Imprimir Imprimir


Tópicos relacionados



Todos os Direitos Reservados Portal Rock Press ©

PHP-Nuke Copyright © 2005 by Francisco Burzi. This is free software, and you may redistribute it under the GPL. PHP-Nuke comes with absolutely no warranty, for details, see the license.