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sobre algo: Sobre Aphex Twin e o rock independente
Sexta-feira, 1 de Março de 2013 (23:20:37)

 

Uma série de pensamentos românticos sobre críticos musicais, Aphex Twin, Beatles e qualquer porra no meio disso



 

 

 

SOBRE APHEX TWIN E O ROCK INDEPENDENTE

Por Marcelo Shaw

 

Tempo atrás eu li uma coluna de algum gordo de barba no queixo retardado sem nome chorando que música eletrônica não seria música. Agora, eu sei que eu deveria ser mais específico, afinal, achar algum crítico musical que não seja gordo de barba no queixo retardado e sem nome é mais difícil do que encontrar um que não clame mais apoio pra cena local, muito embora a cena local provavelmente seja uma bosta. Eu não lembro quem era, mas esse cara um dia deve ter acordado com as bolas especialmente suadas ou coçou o umbigo e realmente não aprovou o cheiro de cu em seu dedo porque isso não é um pensamento. Nossa racionalidade é uma prisão, eu sou o primeiro a defender esse princípio, mas por vezes algumas pessoas conseguem ir tão mais além do escopo da inofensiva imbecilidade que adjetivos se perdem em algum lugar entre o cérebro e a boca. É um superlativo tão mastodôntico que não é possível expressar exatamente além de forma física, como rir, chorar, tremer, socar desesperadamente a parede... O inverso da racionalidade não é a irracionalidade e sim a crítica musical.

E, até pela temática desse texto, eu me incluo nesta prerrogativa. Eu comecei tentando escrever sobre a obra do Richard James, melhor conhecido como Aphex Twin, mas depois de tanto tentar colocar em letras os sons tão raros que ele encontra meio que percebi ser um exercício de futilidade. E isso me deu uma alegria de programa matinal, vislumbrei por alguns segundos como seria perdoar toda opinião idiota do mundo. Claro que existem pessoas que odeiam hip hop sem nunca ter ouvido mais do que dez segundos de alguma música, acho que é possível ser especialista no gênero porque, ei, eu vi o 50 Cent na MTV e é ridículo! Ok, perdoar é uma palavra muito forte, relevar seria melhor, pensar “pelo menos não sou essa bosta” e eu preciso do bônus de auto-estima. Então tudo bem se Beatles ainda é “indiscutível”, se AC/DC não é chato pra caralho, se “mod” enquanto estilo musical não é uma abominação filha da puta, se rock gaúcho não é pior do que ser estuprado por ganchos de carne, Deus, tudo bem até se hippongagem em 2013 não é algo patético. Não existe liberdade maior do que tudo ser subjetivo, cada um que se foda com suas opiniões de merda.

Claro que essa presença mental doce não vem naturalmente num filho da puta que nem eu. Não, não veio de pensar em gordões melecados com complexo peniano cagando pela boca que “Beastie Boys é o único hip hop que presta” na maior, como se isso não fosse de um racismo inebriante. Esse tipo de paz transborda do Richard D. James Album, a grande obra-prima da carreira do Aphex Twin. Ele teve álbuns mais importantes dentro de determinados gêneros, como ambos Selected Ambient Works e o On. Mas esse lançamento de 1996 simplesmente escapa desse planeta. Os primeiros segundos da delicada “4” já jogam destroem qualquer tipo de armadura possível contra a obra, com sua batida perfurante jogada contra um fundo orquestral incrivelmente detalhado. O mais incrível desse álbum pra mim é o como ele encontra formas diferentes de ser encantador em cada uma das músicas. A única composição que sequer lembra alguma outra é a “Girl/Boy Song” com a faixa de abertura, mas mesmo assim é por também conter uma batida insana contrastando com um fundo que só pode ser descrito como Bach fumando crack.

Algo assim raro é uma estrada sem fim para qualquer babaca que o tente enquadrar em qualquer forma de lógica. Isso não deve nem ser ouvido, deve ser visto. Deve ser tocado. Deve te fazer procurar pelo sexto, pelo sétimo, pela porra do oitavo sentido. Sim, é música eletrônica, é também muito mais humano e vivo do que qualquer porra que tenha sido feita nos anos 60. Eu não consigo entender qualquer forma de preconceito na música. Tudo tem em si um valor igual, por que se negar a sequer conhecer algumas coisas? Não há regras na música, não é como no surf que você precisa aparentemente cumprir uma série de pré-requisitos em cada bateria de ondas pra ganhar nota dos juízes. Tentar dar nota pra música é tão idiota quanto o surf em si. Então da próxima vez que algum gordo de barba no queixo retardado sem nome tentar te dizer o que é ou não música, corra! Não veja a palavra eletrônico e pense em máquinas operando e, se por algum motivo desconhecido você assim o fizer, lembre-se que há um ser humano operando a máquina. E, puta que pariu, não ache que é tudo tipo Steve Aoki ou David Guetta, qual é o seu problema? Se o Richard D James Album não te convencer disso, ei, pelo menos eu não sou você!

 

 


 
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