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sobre algo: Sobre 2012 Parte 2 - Top 10 Discos
Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2012 (1:25:24)

 

Sim, eu realmente amo fazer listas.



 

 

 

 

SOBRE 2012 PARTE 2 - TOP 10 DISCOS

 

Por Marcelo Shaw

 

Esqueci de fazer uma abertura. Mas realmente precisa?

 

 

10- Twin Shadow – Confess

Forget, álbum de estréia do George Lewis Jr., foi uma surpresa, um caso raro de disco que é bom pra ouvir em qualquer tipo de situação, até dançando. E eu não danço. Havia um senso de beleza e melancolia nele que acabava gerando sobre si um universo absolutamente idiossincrático. Acho que com o sucesso como Twin Shadow, o Lewis acabou comendo todo mundo porque seu segundo disco, Confess, é um manifesto de testosterona não muito diferente de coçar o saco. Onde o primeiro era de um romantismo incontrolável, a sua sequência é fria e distante. Até nas partes mais bonitas em que ele canta “you're the golden light”, o que vem depois é “and if I chase after you doesn't mean that it's true”. Nas já mitológicas “You Call Me On” e “I Don’t Care”, Lewis soa como o cara mais cuzão da face da Terra, mas sua misoginia é completamente diferente daquela do The Weeknd: enquanto o Abel Tesfaye usa de sua relação conturbada com as mulheres pra criar um clima ameaçador e tem a sua motivação em fragilidade emocional, o Twin Shadow é mais simplesmente cafajeste mesmo. Diferentemente dos cafajestes rotineiros, ele consegue não ser absolutamente desinteressante no personagem. Confess é permeado da atmosfera gélida dos anos 80, o resultado é um disco que te tem torcendo por ele como se fosse um vilão de filme do 007.

 

 

9- Blut aus Nord – 777 - Cosmosophy

Eu não sou exatamente fã de Black Metal, acho toda a estética meio idiota e os vocais berrados me enchem o saco em algum ponto. Isso dito, certas bandas e obras chutam todas as noções pra puta que pariu e seus trabalhos simplesmente merecem ser conhecidos, seja pela doença mental e contagiante clima de hospício ou pela beleza etérea evocada nas paredes de distorção. O Blut Aus Nord sempre foi uma dessas exceções pra mim, os trabalhos do projeto francês liderado pelo Vindsval (sério) sempre souberam equilibrar elementos típicos do gênero com experimentações mais exacerbadas. A conclusão da trilogia 777 (os outros dois, Sect(s) e Desanctification, também são excepcionais), Cosmosophy, meio que quebra completamente essa lógica. Pra ódio e lamentação dos gordões virgens fãs de Black Metal, o disco aqui está mais na linha dos trabalhos do Justin Broadrick, lembrando por vezes o Godflesh e por vezes o Jesu. Ei, melhor ainda pra mim, o Broadrick é uma porra de um gênio. As cinco “Epitome” que fecham a saga expandem o som do BaN inserindo novas influências de música ambiente e até climas remanescentes de Pink Floyd. Fraturado, porém irremediavelmente encantador, Cosmosophy é uma porra de um triunfo.

 

 

8- Cloud Nothings – Attack On Memory

A capa desse disco foi a primeira coisa que me chamou a atenção. Achei semelhante com a capa do glorioso Kaputt, lançado ano passado pelo Destroyer, e sou um cara simples e decidi baixar assim mesmo na maior sem nem saber nada sobre antes. O disco passou um tempo na geladeira porque simplesmente não gostei da música de abertura, “No Future/No Past”. Eventualmente dei uma chance e descobri que, tirando essa que é meio chata, as outras músicas do álbum são surpreendentemente viciantes. “Vício” seria a palavra chave, viciei nisso aqui e durante alguns meses não conseguia ouvir outra coisa. O disco é visceral e elegante, letras como “no one knows our plans for us we won’t last long” e “we’re over it now, we were over it then” são cercadas de guitarras bem ao estilo de Pixies, embora com uma pegada mais hardcore. O vocal do Dylan Baldi é divisivo, mas, como a presença do CN nessa lista provavelmente atesta, eu gostei. Próximo disco com capa parecida com a do Attack On Memory também será baixado na hora.

 

 

7- Chromatics – Kill For Love

Existe uma ideia filosófica chamada “Hauntology”, que lida com o paradoxo do ser existindo em si somente em relação com o passado. Na música, foi esse o princípio que levou à fundação da Ghost Box Music, gravadora dos ingleses Julian House and Jim Jupp. Todas as bandas que lançaram discos por esse selo tinham em si um mesmo conceito: colagens sonoras surrealistas que criam uma sensação de nostalgia de algo que não foi vivido. E é essa sensação, embora por métodos completamente diferentes, que o Chromatics alcançou com perfeição no Kill For Love. Através de seus monolíticos 90 minutos de duração, o álbum simplesmente parece algo que foi feito em outra época, mas outra época em outra dimensão. O caos elegante do projeto liderado pelo Johnny Jewel é assim difícil de ser descrito. Músicas curtas se misturam com outras mais expansivas, todas as composições tem um senso de “espaço” nelas, elas simplesmente respiram. Sintetizadores distorcidos se confundem com guitarras, o que acaba destacando ainda mais os belos vocais da belíssima Ruth Radelet. Não é o disco mais acessível de 2012, mas é um dos mais recompensadores.

 

 

6- Mount Eerie – Clear Moon/Ocean Roar 

Embora tenha lançado excelentes discos como Mount Eerie, eu sempre achei que o Phil Elverum não tivesse ainda conseguido criar uma identidade no novo projeto que o separasse propriamente de seu passado como Microphones. Ainda. Com os gêmeos Clear Moon e Ocean Roar, o Phil conseguiu amadurecer seu som em algo completamente único. Pesados e esquisitos, ambos são como uma espécie de versão musical para o filme Begotten, trocando a violência por tristeza. Mas, como em Begotten o que encanta não é a violência, aqui também o elemento crucial não é essa tristeza e sim o que há ao redor dela. CM e OR são como estar perdido no meio de uma floresta densa no meio da noite sem saber de que porra de lugar você veio e pra onde estava indo em primeiro lugar. As árvores ao seu redor pulsam em sons por vezes grotescos e por vezes irresistíveis. Um dos principais elementos de sucesso do Phil nessas obras foi de inserir nelas uma espécie de simbiose, em que um disco perde o sentido se não for ouvido em conjunto com o outro. Transcendental como aquele sonho que tivemos na infância e que jamais esqueceremos.

 

 

5- Aluk Todolo – Occult Rock

Não há nenhuma reação mais apropriada pra se ter após a audição do Occult Rock do que “caralho!”. Ao longo de oito músicas instrumentais absurdamente pesadas, o Aluk Todolo consegue quebrar qualquer barreira de resistência por parte do ouvinte. Uma espécie de junção de bandas psicodélicas extremas (Acid Mothers Temple, Les Rallizes Dénudés, Psychic Paramount) e Krautrock (Neu, Faust, Amon Düül II), o resultado é um trabalho impiedoso. Embora seja instrumental e essa mesma mistura se faça presente, de uma forma ou outra, em todas as músicas, esses franceses filhos da puta conseguiram fazer com que a experiência em momento algum fique repetitiva. Fato raro prum disco duplo, ainda mais um disco duplo assim barulhento. Trechos em que a microfonia parece que vai estourar suas orelhas existem no mesmo ambiente com alguns dos melhores riffs já feitos. Sombrio e psicodélico, Occult Rock acaba sendo um disco feio tão bonito. 

 

 

4- Ty Segall Band – Slaughterhouse

Slaughterhouse soa como uma banda que ensaiou, passou meses compondo material novo, gravou tudo certinho, deixou os arranjos redondinhos, tudo no lugar certo e então resolveu mandar pra puta que pariu e fazer justamente o oposto disso. O disco de rock and roll mais bruto e lindo do ano, Slaughterhouse é insano e parece estar prestes a descarrilar em cada segundo. Não há aqui qualquer lógica normal de disco de rock, talvez isso que o faça tão bom. Rock por si só é um treco chato pra caralho, e num geral as bandas da cena de garagem de São Francisco entendem isso brilhantemente, mas o Ty conseguiu ir além aqui. O mais impressionante foi esse filho da puta ter conseguido colocar algumas melodias bonitas no meio do esporro todo que rola em cada canto. As guitarras gritam descontroladas, mas a voz dele nunca está. Talvez isso que faz o disco existir em um espaço tão único: ele vai no limite do que pode ser feito sem cair na palhaçada. E esse limite é simplesmente belíssimo e faz tudo abaixo dele parecer tão chato.

 

 

3- Swans – The Seer

Michael Gira está lançando música como o Swans faz 30 anos. Pense em quanto tempo isso é pra manter uma carreira artística de qualquer nível. Porra, a grande maioria das bandas que surge não consegue nem 30 minutos de música boa, ele está nisso por 30 anos. The Seer é uma obra prima e é um dos discos mais bestiais já feitos. O disco começa a descontrolada “Lunacy”, com seu coro assombrador colocado contra uma guitarra que simplesmente soa nervosa, até que tudo explode em distorção enquanto o coro continua repetitivamente em “lunacy, lunacy, lunacy”. Diz bastante sobre a viagem que vai ser que essa é a música mais acessível do disco. O que vem depois é uma mistura de drones, post-rock, noise e outras porras que não ousariam sair da cabeça de ninguém além do Gira. Escutar o disco duplo de uma vez só é fisicamente exaustivo, não há um único momento de alívio em que algo volte a normalidade. Talvez por isso que eu o ache tão encantador, como ele proporciona essa fuga da realidade melhor do que qualquer outra coisa que saiu esse ano. Bestial e desgovernado, The Seer é um monumento.

 

 

2- Kendrick Lamar – good kid, m.A.A.d city

Uma das tendências mais irritantes da atualidade é a de gente que “odeia” hip-hop sem nunca ter ouvido qualquer coisa além dos clipes do 50 Cent. Ignorância não é uma benção em alguns casos, é só ignorância mesmo. good kid, m.A.A.d city tem tudo que faz desse um dos gêneros mais criativos que existem: produção impecável, letras brilhantes, imprevisibilidade e expansividade. O flow do Kendrick Lamar chega a ser maldade, ele consegue rimar em vozes com velocidades alteradas e com sua voz normal. O fato de ele estar construindo uma história aqui faz do trabalho lírico ainda mais gigantesco. Contando sobre crescer em um bairro pobre e quase ser assassinado por gangues rivais, Kendrick consegue construir um enredo tão vivo e cheio de detalhes que é um dos casos realmente raros de disco que merece ter suas letras lidas como se fossem um livro. O ponto alto emocionalmente do disco é quando na “Sing About Me, Im Dying Of Thirst” ele se questiona “and hope that at least one of you sing about me when I'm gone, now am I worth it? Did I put enough work in?”. Morte é inevitável, nossa única chance na vida é lutar pelo sublime. E aqui o Kendrick Lamar chegou com louvor.

 

 

1- Frank Ocean – Channel Orange

Não podia ser outro, né? No primeiro instante em que ouvi “Thinkin Bout You”, eu me apaixonei por esse disco. Tudo sobre ele. Ao longo de 17 músicas, em momento algum fica parecendo longo demais. O mais impressionante é como o Frank Ocean consegue dar variedade aqui, cada música existe em si mesmo como uma estrela. Acho que se você consegue ficar imóvel ao falsete dele em “Bad Religion” cantando “this unrequited love to me it's nothing but a one-man cult”, talvez esse disco não seja pra você. Pra todo o resto de nós, isso aqui é um presente. Um lembrete de tudo que existe de bonito na vida.

Embora seja um disco de r&b em sua essência, Channel Orange passeia por tantos gêneros e consegue soar tão a frente de seu tempo ao ponto de que gêneros param de importar. Como explicar o baixo de “Sweet Life”? Os teclados de “Pyramids”? O arranjo de “Forrest Gump”? A batida de “Lost”? O álbum é tão recheado de momentos clássicos e consegue tudo isso sem em qualquer momento soar ultrapassado. Numa época em que ser retrô é cada vez mais legal (por qualquer motivo idiota que seja), o Frank Ocean achou o som perfeito para 2012. Urbano e vivo, sexual sem ser vulgar, romântico evitando de cair na cafonice, cada minuto aqui é uma vitória. Ninguém está fazendo música melhor do que o Frank Ocean hoje.


 
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