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sobre algo: Sobre 2012 - Top 10 Músicas
Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2012 (23:17:42)

 

Aberta a temporada de listas de fim de ano



 

 


SOBRE 2012 -TOP 10 MÚSICAS

Por Marcelo Shaw

 

É aquela época do ano. Olho pelo meu globo natalino e vejo um boneco de neve submerso no frio ao seu redor. Parece tão crível com meu ar condicionado firmemente posicionado em “congelar”. Mas não. Está 200 graus na sombra. Verão não é uma estação, é uma porra duma batalha. O que fazer além de olhar pra trás e ver o que passou? 2012 foi um ano musicalmente maravilhoso e minha primeira postagem de celebração é uma humilde homenagem às 10 melhores músicas do último ano.

 

10- iamamiwhoami – Sever

Jonna Lee é mais uma das pessoas que cria um pseudônimo e vai ter sua carreira amplamente atrasada por ser um nome de bosta. “iamamiwhoami” é um dos troços mais idiotas que já ouvi. Mas superando isso, o universo musical dela é interessante pra caralho. É um lance meio multimídia, com clipes tendo ela sempre meio peladona e monstros querendo sodomizá-la, e foram vários singles com nomes estranhos também. Finalmente, saiu um disco, o kin. O álbum fica meio chato por vezes, mas é daqueles que tem pontos altos filhos da puta. “Sever”, que abre o disco”, tem uma das melodias mais hipnotizantes já criadas. Algo como um The Knife menos assustador e mais sedutor, funciona brilhantemente. Embora o disco não segue em toda esse esplendor, “Sever” lembra que devemos perdoar certos nomes imbecis e seguir na luta.

 

 

9- Passion Pit – I’ll be Alright

Quando o Passion Pit surgiu, mó galera diziam que eles eram meio cópia do MGMT. Essa comparação sempre foi sem sentido, mas espero que depois do brilhante Gossamer ela nunca mais se repita. O fato é que o MGMT sempre foi uma banda irrelevante, o Passion Pit conseguiu se firmar como uma das melhores bandas de synth pop da atualidade. Ei, substância sempre ganha de estilo. Gossamer é um trabalho meio tristonho, pintando uma vida urbana decadente e entediante. “I’ll be Alright” é seu ponto alto, com sua bateria imprevisível, um mar de sintetizadores e a melhor performance da carreira do Michael Angelakos. Uma das raras composições que consegue soar animada e ter uma temática verdadeiramente triste, a letra é dolorosamente realista com o narrador tentando soar conformado, mas ainda assim pingando saudade. “You should go if you want you, I’ll be alright”. É, claro.

 

 

8- Purity Ring – Fineshrine

Purity Ring é a banda que, junto com Salen e Balam Acab, conseguiu justificar o Witch House como gênero. Arranjos arrastados, teclados distorcidos, vozes cheias de reverb. A voz da Megan James soa tão tranquila mesmo rebatida contra uma parede instrumental ameaçadora. Isso até você prestar atenção nas letras. Fineshrine é basicamente uma música de amor sobre querer outra pessoa te abrindo no meio, pegando seus ossos e colocando em volta dela. “Fineshrine”, com sua doença mental soando tão romântica, é uma das coisas mais encantadoras já lançadas. “That I might see with my chest and sink, into the edges round you”, Deus te abençoe, Megan.

 

 

7- Spiritualized – Hey Jane

E agora para algo realmente clichê: a vida é um trauma esperando acontecer. Não passamos ilesos por porra nenhuma que é jogada em nossa direção. Jason Pierce, melhor conhecido como J Spaceman, fez uma carreira em torno disso. Suas músicas são fraturadas, seus heróis torturados, o alívio que existe é aquele de substâncias que alteram a razão. Jason, no entanto, consegue fazer isso de um jeito que não soa choramingão, mas sim simplesmente humano. “Hey Jane”, lançada no ano que o Spiritualized completa 23 anos de existência, é o tipo da coisa que só ele poderia fazer. O coro no final é dolorosamente lindo, terminando com o “love of my life”, cantando só por Jason, mais frágil da história. É encantador, francamente lindo, e é um triunfo da vontade contra todos os traumas.

 

 

6- Beach House – Wishes 

Um dos lançamentos mais irresistíveis do ano, Bloom é o som do romance perfeito. Tudo simplesmente está no lugar e o duo de Baltimore conseguiu aperfeiçoar um tipo de som que só pode ser descrito como “minimalismo expansivo”, seja lá que porra isso queira dizer. Todo romance acaba, no entanto, e mesmo as mais bonitas melodias aqui são todas tingidas de uma tristeza que não se explica. Do mais delicado mar de sintetizador e guitarra surge a voz etérea da Victoria Legrand cantando linhas como “the moment when a memory aches” e “on that hill, forever still”. Uma das coisas mais humanas é a consciência de que aquilo que te fez bem pode no dia seguinte ser aquilo que te mata, como se felicidade e tristeza fossem um único conceito. Com uma das melodias mais raras já registradas, o Beach House conseguiu chegar nesse momento com tanta precisão.

 

 

5- Perfume Genius – Dark Parts

“Dark Parts” tem uma linha de piano que não estaria fora de lugar em algum disco da Regina Spektor, o que até pode até confundir o ouvinte mais desavisado. É só prestando atenção na letra que se percebe a real profundidade da composição. “The hands of God were bigger than grandpa's eyes, but still he broke the elastic on your waist” é o que o Mike Hadreas, que grava com o pseudônimo de Perfume Genius, canta logo de início. Essa frase tem uma força avassaladora, ainda mais quando ele tenta confortar a mãe posteriormente dizendo do avô “but he’s long gone”. A temática é de uma visceralidade que poderia alienar o ouvinte, mas felizmente o vocal do Hadreas é tão encantadoramente frágil que isso acaba virando um dos testemunhos mais bonitos já registrados. Conseguir passar dessa música ileso emocionalmente é uma das maiores provas de cinismo do mundo.

 

 

4- Mount Eerie – House Shape 

Algo que precisa ser dito desde o início: “House Shape” jamais poderia ter sido criada por qualquer outra pessoa além de Phil Elverum. Possivelmente a mente mais singular fazendo música hoje, o corpo de trabalho do Phil, como Microphones ou Mount Eerie, é tão singular que chega a ser assombrador. E enquanto isso poderia ser um baita dum indício de que ele ficou chato, o enigmático artista americano consegue chutar essa prerrogativa pra puta que pariu com uma classe impressionante. “House Shape”, ponto alto da brilhante dupla de discos lançados por ele este ano (Clear Moon e Ocean Roar), começa com um órgão estranho pulsando sobre uma bateria meio torta. A música simplesmente soa como uma mistura surreal de Black Metal com som de cabaret. E então o Phil começa a cantar. “I stayed inside all morning”, com uma voz meio distorcida e por baixo do instrumental. Entender o que ele fala é uma tarefa quase impossível, mas acaba sendo o sentido da música. Na única parte em que o vocal fica por cima e nítido, ele canta “awake and indifferent looking at cars go by and then get forgotten”. O Clear Moon inteiro tem um clima de acordar de um sonho e não ter percebido direito que não era real. O fato de nunca ficar claro se é um sonho ou pesadelo é a maior força do Phil Elverum.

 

 

3- Joyce Manor – Video Killed The Radio Star

Uma das coisas que eu nunca vou entender é o choro por música autoral. Muita gente artisticamente engajada de Facebook adora bradar isso como um ponto de venda, porra, cansei de ver vocalista nem sequer defendendo seu som, mas sim dizendo que deve ser ouvido por ter sido ele que fez. Meigo. Mas não, não deve. Deve ser ouvido se for bom. Se você conseguir fazer um cover bom, ei, mais poder pra você! Além do mais, o rock independente do Brasil só é autoral no nome, porque a maior parte das bandas soam exatamente como outras bandas. A coisa que mais existe por aqui é banda cover de Cachorro Grande que faz som “próprio”. Não se limita a música, porra. O Joyce Manor conseguiu chutar essa noção pra puta que pariu. A versão de “Video Killed The Radio Star”, clássico oitentista farofa da banda The Buggles, é um tributo à original e pinga nostalgia, mas ainda assim não soa como nenhuma outra banda além do Joyce Manor. Seu som pop punk acaba servindo de lembrança dos anos 90 também, o riff de início simplesmente parece familiar sem ter aquela sensação escrota de estar ouvindo uma versão piorada de outro troço. Pra mim isso é a forma mais adequada de homenagear o passado: reconhecendo sua existência como obra e colocando sua versão dele. Não simplesmente se empenhar pra criar algo que já fizeram igual inúmeras vezes.

 

 

2- Kendrick Lamar – Swimming Pools (Drank)

Possivelmente o melhor “single” lançado no hip hop desde “Hey Ya”, do Outkast, “Swimming Pools” é uma porra de uma ode ao álcool e, como não poderia deixar de ser quando se trata desse assunto, ao mesmo tempo serve como propaganda contrária aos efeitos do exagero. “First you get a swimming pool full of liquor then you dive in it” é uma porra de um grito de guerra para todas as sextas em que bebemos pela segunda, “I see the feeling the freedom is granted as soon as the damage of vodka arrived” resume tão perfeitamente o que é o momento da noite em que esse impulso de beber vira uma espécie de arrependimento quando a guria está te olhando meio torto porque você entrou num longo monólogo envolvendo algo que aconteceu no trabalho e trocando literalmente todas as consoantes. Eu amo beber e acho que parar simplesmente é uma incoerência com a minha personalidade. Mas pra toda “swimming pool full of liquor”, há uma ressaca te esperando.

 

 

1- Frank Ocean – Pyramids

“Pyramids” é um daqueles casos de música que simplesmente soa como música do ano assim que é ouvida pela primeira vez. O que poderia qualquer dia superar uma música sobre um cara que se apaixonada por uma prostituta chamada “Cleópatra” que trabalha num bar chamado “Pirâmide”? Por mais que a temática pareça ridícula de início, e realmente o é, é também um brilhante retrato da sexualidade masculina. Nós somos assim animalescos, presos a símbolos e ainda assim tão cegos por eles. Esse é o tipo de coisa que você conta prum amigo tomando uma cerveja, mas a descarga de adrenalina se perde nessa tradução.

 

 

A música na verdade se divide em dois momentos bem distintos. A primeira é um soul altamente estilizado, grandiosamente urbano e estilizado ao ponto do absurdo. É o encontro com ela. O contraste entre a rainha Cleópatra e sua versão decadente trabalhando como puta é chocante, o personagem principal cantado pelo Ocean vê isso com uma mistura de nojo e afeição. É o clichê que diz que amor e ódio são a mesma porra... Ou algo desse tipo. O segundo momento da música é o mais ameaçador, com uma melodia mais tranquila e o Frank Ocean com sua voz um pouco mais contida, mas não menos encantadora. “I watch you fix your hair, then put your panties on in the mirror, Cleopatra”, ele implora completamente perdido no sentimento pela sua musa. Em momento algum ela faz menção de reconhecer sua presença ali. E então ele percebe, “she's working at the pyramid tonight”. Ele então no final percebe quem é seu objeto de afeição, “but your love ain't free no more”.

A voz do Frank Ocean é o instrumento mais bonito de 2012 e “Pyramids” é exatamente o que um compositor no auge de suas forças deveria fazer.

 


 
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