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subsolo: No Wave
Quarta-feira, 10 de Outubro de 2012 (22:19:40)

 

Conheça os pais do Sonic Youth: a no wave e a desconstrução do punk



 

 

 

NO WAVE

 

Por Raphael Cruz

 

O punk rock foi um dos mais influentes acontecimentos na música pop. Você pode constatar isso através dos inúmeros subgêneros desencadeados a partir dele. Chamaram o que veio antes de proto punk e o que veio depois de pós punk. As possibilidades que ele abriu, ou reabriu, deram margem tanto ao pop da new wave americana como ao art rock do pós punk britânico. 

No entanto, nem todas as manifestações derivadas a partir do punk do final dos anos 70 ganharam visibilidade. Entre elas está a mais barulhenta e angular música proveniente de Nova Iorque. Estou falando da no wave.

 

O barulho como matéria prima

Se a new wave era o filho radiofônico bastardo do punk e o post punk seu filho da escola de arte, o pessoal da no wave estava interessado, acima de tudo, em barulho. Assim como o pós punk inglês ele continha um ar avant garde, o gosto pela desconstrução de melodias e por sonoridades atonais. Mas tudo isso envolto em camadas de barulho, muito barulho, toques de free jazz, funk ao avesso e produção lo fi garageira. A raiva, a agressividade e o tom de confronto, tão característicos do punk, não foram deixados de lado. Basta constatar a maneira própria de James Chance cantar ou como o DNA se expressa. 

 

Desconstruindo o punk nos porões do East Village

Podemos dizer que se os tons gélidos da música do Joy Division são uma marca do pós punk britânico, o pós punk norte-americano, especialmente o novaiorquino, era abrasivo. Se Manchester era uma cidade fria e enferrujada de fábricas falidas, Nova Iorque era a multicultural e ruidosa babilônia do século XX.

Uma das formações iniciais da no wave foi o Teenage Jesus and the Jerks, com a front woman, guitarrista e vocalista, Lydia Lunch. James Chance chegou a tocar seu sax desconstruído com eles, mas logo formou seu The Contortions. No entanto, a parceria está registrada num ep de 1979, chamado Pre Teenage Jesus, um raro momento de simbiose das duas figuras mais representativas da no wave. 

A compilação No New York, foi idéia de Brian Eno. Ele queria registar em um disco aquela cena experimental e barulhenta que se concentrava no East Village. Foi tentar convencer a Island Records para lançá-la. E em 1978 sai pela subsidiária Antilles o disco com o Teenage Jesus, DNA, James Chance and The Contortions e Mars. Alguns importantes nomes como o Theoretical Girls, de Glenn Branca, ficaram de fora. Mas mesmo assim ela consegue registar aquele curto período de ebulição experimental e agressiva que foi a no wave.

 

Nova York chamando: a volta da no wave em vídeo

Em 2010, a história da no wave foi resgatada pelo documentário 135 Grand Street, New York, 1979, dirigido por Ericka Beckman e lançado pelo polivalente selo inglês Soul Jazz Records. O documentário consiste basicamente da apresentação das bandas do início da no wave em um loft no centro de Nova Iorque. Entre os grupos, estão o mitológico Theoretical Girls de Glenn Branca, Youth in Asia e Steve Piccolo. Nada melhor do que um loft na big apple para dar todo aquele ar artístico que a no wave exalava entre barulho, "desarranjo" e experimentalismo.

As raras imagens que compõe o DVD só poderiam ser conferidas antes nas apresentações do Sonic Youth. De lambuja a Soul Jazz lançou também a trilha sonora do documentário contendo 16 faixas.

 

Sem Glenn Branca não existiria o Sonic Youth

O que chamamos de no wave chega ao ano de 2012 ainda como um dos mais desconhecidos desenvolvimentos do pós punk americano. Apesar de vida curta e, para alguns, de difícil digestão, a no wave deixou sua marca no espectro do rock alternativo, abrindo espaço para a elaboração do noise rock do Flipper, o jazz punk do The Ex e o dance punk do LCD Soundsystem e Rapture. Thurston Moore e Lee Renaldo tocaram com Glenn Branca, que foi um dos mentores do pessoal que criou EVOL. Provavelmente sem a no wave não existiria o Sonic Youth.

 

Ouvir

 

Teenage Jesus & The Jerks - Pre Teenage Jesus (ZE, 1979)

 

Teenage Jesus & The Jerks - self title (Lust/Unlust, 1979)

 

James Chance & The Contortions - Buy (Island, 1979)

 

Glenn Branca - Songs '77-'79 (Atavistic, 1996)

 

Suicide - self title (Red Star, 1977)

 

DNA - DNA on DNA (No More, 2004)

 

Theoretical Girls - self title (Acute, 2002)

 

Mars - The Complete Studio Recordings NYC 1977-1978 (G3G, 2003)

 

V/A - No New York (Antilles, 1978)

 

V/A - N.Y No Wave: The Ultimate East Village 80's Soundtrack (ZE, 2003)

 

 

Ver

 

135 Grand Street, New York, 1979. Direção de Ericka Beckman. (Soul Jazz Records, 2010)

 

Downtown 81. Dirigido por Edo Bertoglio. (Zeitgeist, 2001)

 

Thurston Moore e Byron Coley. No Wave: Post-Punk. Underground. New York. 1976-1980. (Abrams Image, 2008) Livro de fotografias.

 

Ler

 

Simon Reynolds. Rip It Up and Start Again: Postpunk 1978-1984. (Penguin Books, 2006)

 

Marc Masters. No Wave (Black Dog Publishing, 2007)

 

 


 
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