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discos básicos: Doolittle, Pixies (1989)
Quarta-feira, 5 de Setembro de 2012 (20:46:13)

 

Em Doolittle, os Pixies ampliaram e deram foco ao modelo de som que os tornou superlativos em todos os sentidos



 

 

 

DOOLITTLE, PIXIES (1989)

 

Por Carlos Eduardo Lima

 

Mais do que ser o parâmetro de todo o rock alternativo bem sucedido nos anos 90 na América, o som dos Pixies sempre foi um bem resolvido mix de influências sessentistas.  O novo nisso tudo estava no detalhe de que Black Francis, Joey Santiago, Kim Deal e David Lovering eram sujeitos com cara de normais, com as revoltas normais e com raiva, muita raiva.  Uma quase falta de paciência com o resto do mundo, incapaz de capitular ante seus anseios ou exigências.  Nada de novo, os jovens sempre foram assim...  Errado!  Os Pixies foram arautos do novo na atitude e isso é o que nos interessa. 

Muitas pessoas podem torcer o nariz para a escolha de Doolittle como o disco mais emblemático dos elfos.  O fãs mais puristas devem preferir o devastador disco de estréia, um ano antes, o igualmente maravilhoso Surfer Rosa.  O grande detalhe que diferencia os dois discos é que, em Doolittle, os Pixies ampliaram e deram foco ao modelo de som que os tornou superlativos em todos os sentidos.  Na verdade, qualquer disco da banda na virada da década de 80/90, seja até mesmo o EP Come On Pilgrim, de 1987 representaram um vendaval de novidades no cenário musical vigente.  Era a época da acid house, de gente como Madonna, George Michael e Michael Jackson dominando as paradas de sucesso.

Alguns anos antes, quando ainda trabalhava em uma floricultura em Long Beach, Califórnia, Charles Michael Kitridge Thompson IV, ouviu um conselho que mudaria sua vida para sempre:  "Cante como se você odiasse a vagabunda, bem no estilo ‘Oh Darling’, dos Beatles".  Charles, mais tarde, Black Francis, pedia ajuda a um amigo tailandês sobre como cantar na banda de rock que ele estava formando.  Essa frase ainda pipocava na sua cabeça quando decidiu batizar a banda como Pixies, numa pesquisa em dicionários, levada a frente junto com seu grande amigo Joey Santiago, que gostou da definição "elfo pequeno e malicioso".  Já em Boston, colocaram um anúncio no jornal pedindo um baixista que tivesse influências de Peter Paul & Mary e Husker Dü.  Kim Deal apareceu em pouco tempo.  Junto com Kim, veio David Lovering, que a princípio participou de tudo por ter uma garagem e uma bateria, que serviram para os ensaios.  Começaram abrindo shows para os bostonianos do Throwing Muses, recém-contratados pela gravadora 4AD.  O empresário Gary Smith viu um dos shows e arrebanhou o quarteto, mostrando uma demo-tape, chamada The Purple Tape para Ivo Watts-Russel, executivo da 4AD, que selecionou oito músicas para o lançamento de Come On Pilgrim, em 1987.  Para o vindouro Surfer Rosa, no ano seguinte, foi chamado Steve Albini, que seria o homem certo para envenenar as guitarras de Santiago e Francis.  Surfer foi considerado o disco do ano pela Melody Maker e isso os levou para a Inglaterra, com grande respaldo.  Apresentaram-se em várias cidades e devem ter levado consigo as mentes de gente como Thom Yorke, Damon Albarn, Noel Gallagher, todos ainda adolescentes, mas que saíram dali para as respectivas garagens.  Um dos loquazes críticos britânicos descreveu o show dos Pixies como a " melhor diversão numa arena desde o tempo em que os romanos atiravam os cristãos aos leões".  Conheceram o produtor inglês Gil Norton, que seria o responsável por Doolittle, semanas depois. 

Com o disco lançado em 19 de abril de 1989, os Pixies chegaram ao auge.  Ganharam dinheiro, compraram carros (Francis comprou um Cadillac amarelo e fez um coast-to-coast a bordo dele) e ficaram definitivamente famosos.  Aqui tínhamos a melhor definição do som da banda.  Melodia doce, vocal ensandecido de Black Francis, contrabalançado pela voz cândida de Kim Deal e as guitarras de

Santiago triturando qualquer possibilidade de tédio.  "Debaser", uma das melhores músicas de todos os tempos abre o disco.  A ironia finíssima de "Monkey Gone To Heaven", escrita por Francis sobre a criação do homem e a ultra-pop "Here Comes Your Man", feita quando Francis tinha 15 anos são momentos de iluminação pura.  Tudo isso fez com que a banda assinasse com a Elektra no mesmo ano de 1989. 

A banda ainda gravaria Bossanova em 1990 e Trompe Le Monde em 1991 para acabar ao fim deste ano.  Kim Deal formaria o Breeders, depois o Amps, com sua irmã-gêmea Kelley.  Francis mudaria de nome para Frank Black e seguiria em bem-sucedida, mas inferior, carreira-solo e David e Joey gravariam uma fita com o mesmo Gil Norton sob o nome Martini’s, sem sucesso. 

   O legado deixado por Doolittle é algo inestimável, ainda não completamente ultrapassado, após servir de combustível para todo o grunge rock, a partir de 1992.  Os Pixies ficam na memória como os pais da matéria.  

 

 

 


 
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