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filmes: Living in The Material World
Sexta-feira, 17 de Agosto de 2012 (22:12:56)


As canções transcendentais de George Harrison - da matéria à essência - rumo à plenitude  



 

 

 

LIVING IN THE MATERIAL WORLD 

Para nunca mais voltar 

 

Por Cristina Tavelin


Se à época dos Beatles, George Harrison era apenas o “George” - aquele que consentia e acrescentava guitarras à maioria das composições de Lennon/McCartney, após o fim do grupo, Harrison renasceu – evidenciando, dessa forma, um dos conceitos orientais mais importantes: o cíclico Yin Yang, onde em todo o fim há a nascente para um recomeço. Tendo em mãos tudo o que o mundo material poderia lhe oferecer, George descobriu cedo que aquilo não era o suficiente. 

O documentário sobre a vida do ex-Beatle, Living in The Material World (2011 - ainda sem previsão de lançamento em DVD no Brasil), do diretor Martin Scorsese, pega essa via para acompanhar o desenvolvimento da identidade de Harrison como músico e como ser humano. E acerta em cheio. Scorsese não é novo quando o assunto é documentar grandes momentos da história da música. Já o fez no último e emocionante show do The Band, The Last Waltz (1978); retratou a raíz da música americana e do rock em Blues: Feel Like Going Home (2003); desenhou várias versões de Bob Dylan em No Direction Home (2005); e, em Shine a Light, deu mais movimento aos Rolling Stones (2008). 

Com imagens desde tempos imemoriais dos Beatles até as viagens pela Índia, o arquivo audiovisual causa deleite em qualquer fã de música. Se for um fissurado pelo grupo, então, provoca uma elevação lisérgica. Aliás, foi após uma viagem de LSD que Harrison teve o intuito de ir atrás de algo mais profundo, tamanho foi o bem estar sentido durante essa experiência. Entretanto, já sabia, precocemente, não poder passar o resto da vida chapado para alcançar tal sensação. 

O contato com a cultura oriental e, mais especificamente, com a cítara teve grande influência em álbuns clássicos dos Beatles, como Revolver. Além disso, em sua fase mais fervorosa, o músico gravou álbuns com os Hare Krishnas, ajudando a divulgar a filosofia ao redor do mundo. 

Com o fim do quarteto de Liverpool, criou uma obra prima. Quer dizer, três: o álbum triplo All Things Must Pass. A criatividade estancada durante anos finalmente teve vazão e não poderia ser pouca coisa. Apenas pontadas de sua luminosidade puderam ser apreciadas em canções como a belíssima "Something", do Abbey Road, até então.  

No documentário, Paul McCartney define os Beatles como um quadrado: sem uma das arestas, nada feito, não há equilíbrio. Não é algo difícil de se notar. Lennon e o próprio Macca com personalidades fortes, Ringo com um perfil mais descontraído e George trazendo um certo equilíbrio a essa euforia toda. Até certo ponto se deu bem com todos. Mas durante as gravações de Hey Jude, as imposições de McCartney tiraram um Harrison mais amadurecido do sério. “Ok. Você manda e eu faço”, disse, ironicamente. 

O constrangimento de Paul tentando explicar essa situação de tantas décadas atrás é apenas um dos grandes momentos eternizados nesse documentário. Era o início da ruptura do grupo – que cogitou a entrada de Eric Clapton à época. Este, quando questionado se já havia imaginado fazer parte de tal banda um dia, dá uma resposta tão inglesa e arrogante que tira risos do expectador. “Mas é claro!”.

O guitarrista é apenas um dos grandes nomes que rodeavam Harrison, descrito por todos como carismático. E esse carisma todo se refletia também em seus relacionamentos. Para retratar o caso mais famoso, com Patti Boyd – a Layla, “roubada” pelo amigo Clapton – a edição do documentário chega a seu ápice. Quando Patti conta como Harrison descobriu o relacionamento entre ela e Clapton, frases de Isn’t it a Pity? se entrelaçam numa lembrança certamente intensa. 


Isn't it a pity?

Não é uma pena?

Now, isn't it a shame?

Ora, não é uma vergonha?

How we break each other's hearts

Como quebramos os corações uns dos outros

And cause each other pain

E causamos dor uns aos outros

How we take each other's love

Como tomamos o amor um do outro

Without thinking anymore

Sem mais pensar 

Forgetting to give back

Esquecendo-nos de retribuir

Isn't it a pity?

Não é uma pena?


Com a imprensa caindo em cima desse triângulo amoroso – um dos mais famosos do rock - e as críticas negativas ao álbum Dark Horse, Harrison cai de cabeça no mundo material novamente. Ou seja, nas drogas. Ao contrário de sua imagem póstuma equilibrada, vivia – tal como o Yin Yang – um ciclo de altos e baixos; ora mais próximo à matéria, ora mais próximo ao espírito. 

Além dessa viagem pelo mundo de GH, cenas impagáveis como a de Bob Dylan confuso com Tom Petty e Harrison lhe sugerindo mudanças para o verso de uma música dos Traveling Wilburys ou Petty contando, com humor, quando o ex-Beatle o telefona para falar sobre a morte de Roy Orbison - “está feliz por não ter sido você, hein?” – fazem as quatro horas de dois DVDs passarem em um minuto. 

A proximidade do fim da vida Harrison lhe trouxe surpresas nada agradáveis, como a do dia 30 de dezembro de 1999, quando levou oito facadas numa tentativa de assassinato estranhamente simbólica – o agressor tomou a lança de uma estátua de São Miguel que ficava na sala de sua mansão, além de quebrar uma das asas da imagem. Fora um câncer de pulmão, que acabou sendo a causa de sua morte. 

Assim como Lennon, assassinado em 1980, o também eternizado ex-Beatle pregou a paz, mas viu a fúria mundana bem de perto. Entretanto, de acordo com Olívia, viúva do músico, ele era do tipo ou tudo ou nada. “Se lhe fosse oferecido ter cinco vidas ou viver plenamente apenas uma, certamente escolheria a segunda opção, para nunca mais voltar”. 

 


 
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