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discos básicos: Black Flag
Quinta-feira, 28 de Junho de 2012 (3:46:56)

 

Muitos juram que os cinco minutos e vinte e cinco segundos das quatro músicas do EP debut do Black Flag deram origem ao que se convencionou chamar de hardcore



 

 

Na foto:

Keith Morris no Black Flag no Polliwog Park - Manhattan Beach, LA

No palco os então futuros vocalistas Ron Reyes (1979) e dez Cadena (1980 e, de 81 a 86, guitarrista) trocam sopapos

 

BLACK FLAG

Nasce o hardcore

“I don’t wanna live to be thirty-four” ------- começo da música “Live fast Die Young” do Circle Jerks, escrita por Keith Morris pouco após tomar um pé no rabo de sua primeira banda

 

Por Marco Lima (Repo Man)

 

É inevitável qualquer comentário sobre o EP debut do Black Flag sem mencionar a breve e tumultuada participação de seu primeiro vocalista, quando circunstâncias deram à luz um EP com quatro músicas que tornariam a banda clássica até seus últimos dias. Para se ter uma ideia, muitas pessoas juram que esses cinco minutos e vinte e cinco segundos deram origem ao que mais tarde convencionou-se chamar de hardcore.

Mas o fato é que no sul da Califórnia, um dos cenários mais férteis no estilo, Black Flag foi a banda pioneira a investir nesse “rock de branco”, pobre nos acordes, repleto de “pára/continua”, cru, veloz e ultra-barulhento e geralmente atraindo surfistas e skatistas em seus shows que, não raro, por influência também montavam suas bandas. As letras abordavam conflitos mentais como pânico, paranóia, crise de nervos, esquizofrenia e depressão e, acrescentando-se essa temática ao tipo de música, os shows adquiriram uma estética divertida e ao mesmo tempo insana. Várias apresentações terminavam em pancadaria e às vezes em confusões envolvendo até mesmo a L.A.P.D. (Los Angeles Police Department).

 

 

O INÍCIO DE TUDO

 

Foi entre 1976 e 1977 que Keith Morris (vocal) e Greg Ginn (guitarra) se empenharam no desafio de montar uma banda. Para isso contaram com o reforço de Chuck Dukowski (baixo) e Brian Migdol (bateria). E foi com essa formação que fizeram o show de estreia na cidade de Redondo Beach, com o nome de Panic.

No começo de 1978 mudaram o nome então para Black Flag. Eles descobriram uma banda homônima na França e Morris numa entrevista para o Portal Rock Press em 2011, contou: “não estávamos a fim de ser processados ou entrar em acordos legais sem noção com advogados porque senão aí estaria feita a merda. Ginn quis então que o nome mudasse para “Rope”, até que Raymond Pettibon, o artista que desenhava nossos flyers, veio com a ideia do nome Black Flag e as quatro barras que mais tarde se tornariam nosso símbolo.”

Nesse mesmo ano a banda fecha acordo para gravação de um disco com a Bump! Records. Essa gravadora enrolou tanto os caras para efetuar a mixagem, que a paciência da banda passou dos limites. Resultado: eles recolheram de volta as gravações e Greg Ginn financiou toda a produção no recém inaugurado Media Art Studio. E assim, dessa forma torta, ele inaugura seu selo independente, a SST Records -sigla do nome de sua pequena firma de venda de equipamentos eletrônicos, a Solid State Transmitters, a qual lhe concedeu o capital inicial para tocar o projeto. 

O trabalho, por questão de economia, ficou restrito a um EP com uma prensagem de 300 cópias. Em dezembro “Nervous Breakdown” já nasce clássico, com capa e contracapa desenhadas pelo irmão de Greg Ginn, Raymond Pettibon, artista que tinha como marca registrada a abordagem de cenas violentas em seus desenhos. A partir de então ele seria o desenhista oficial de quase todos os álbuns e flyers da banda. O disquinho foi totalmente do it yourself, algo que então representava uma nova ideia, deixando no cenário independente uma vibe tipo “é mesmo! Por que não?” e concedendo ao Black Flag um respeito considerável no meio alternativo. Dukowski dizia que lançaram mão desse EP com a humilde e única intenção de divulgar o som da banda pra ver se descolava lugares em Los Angeles para se apresentar. 

Um fato curioso foi que a L.A.P.D. em razão da violência constante nos shows da banda, chegou a grampear os telefones da SST e mantê-la sob vigilância constante, com direito até a um policial disfarçado de mendigo fazendo campana na frente da porta que, àquela altura, já havia sido cerrada pela polícia. A banda estava no perrengue, sem condições de contratar um advogado e, pra piorar, mais tarde as casas de show de Los Angeles baniriam qualquer evento punk/HC.

No começo de 79, Keith Morris não suportando mais a megalomania de Greg Ginn, abandona o Black Flag. Keith também contou sua versão ao Portal Rock Press: “Com o tempo fiquei farto da conduta da banda. E como fomos banidos de todos os clubes de Los Angeles, ensaiávamos de três a cinco horas por noite durante seis ou sete dias na semana! Estávamos praticamente tocando para nós mesmos e apenas entre a gente! Senti também que minha amizade com Greg Ginn havia acabado, inclusive eu era constantemente apontado como o atraso de vida da banda. Achei melhor não discutir e senti que era hora de sair fora! Na época, desenvolvi dois hábitos péssimos me tornando alcoólatra e cheirador de pó. Comecei o Circle Jerks duas semanas após deixar o Black Flag.” E, talvez por questão de direitos autorais por causa do contrato do Circle Jerks com a Frontier Records ou simplesmente por pura vaidade de Greg Ginn, Keith Morris é creditado como “Johnny ‘Bob’ Goldstein” numa coletânea só de B-sides chamada “Everything Went Black”, em 1982. A partir de sua saída, começou uma troca constante de integrantes até 1981. E então a banda duraria só mais 5 anos.

Keith Morris era um grande letrista e esse seu talento era tão evidente que ele conseguiu deixar grandes participações de co-autoria no Black Flag apesar de seu péssimo relacionamento com Greg Ginn. A letra de “Wasted” é composta 100% por ele e, ao sair da banda, ele a levou para fazer parte do disco de estréia do Circle Jerks, no qual foi tocada com uma crudeza e velocidade infinitamente maiores.

E você que leu até aqui, agora será contemplado com toda a discografia de Keith Morris no Black Flag (incluindo as raridades!), download AQUI

  Acima: uma raríssima cópia da primeira prensagem do EP Nervous Breakdown


 
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