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sobre algo: Disintegration Loops
Sábado, 5 de Maio de 2012 (23:01:37)

 

O que deve ser morrer? Devemos nos importar? Temer? Aguardar? Morremos em partidas e em chegadas, somos nosso fim acontecendo agora



 



SOBRE DISINTEGRATION LOOPS

Por Marcelo Shaw


Era tarde já na manhã quando abri a janela do meu quarto e os primeiros raios do sol dançaram timidamente em minha direção. Madrugada passada lendo Cormac McCarthy e tentando planejar o futuro. Mas já a manhã veio com a sua estranha amargura, lembrando-me das tribulações inescapáveis do presente e de tudo

Por isso me coloquei a dormir novamente, meu coração afundando cada vez mais no peito, meus olhos cansados e batidos, minha cabeça perfeitamente estacionada num lugar inquieto. O céu estava verde e fizemos um churrasco que com suas escuras fumaças tingiu as nuvens do mais cristalino branco pro mais desesperador negro da noite e ameaçava chover e nessa época do ano a chuva arde e nunca dispersa exatamente por onde todos gostariam que tudo escoasse exceto que nunca é realmente assim.

E começou assim por suas páginas rasgadas, envelhecidas com o tempo. Da morte de uma composição nasceu uma das mais tocantes peças já idealizadas. Como um corpo insistindo em respirar muito depois do cérebro perder suas funções, a música perlonga como uma memória sempre presente, uma foto de um passado melhor, um nome, alguns dias em casa tão acinzentados pelo tempo. E, quando percebemos, não há nada ali. O tempo passou. A música terminou. Na escuridão do quarto, não resta nada senão o rastro do que está longe. A obra literalmente morre nos nossos ouvidos, com suspiros convalescidos e longas tristezas.

O tempo sara nossas dores, mas com suas cicatrizes reescreve a bíblia em nossos corpos. Por passos largos fugimos das pontes queimadas em nosso passado. Foi na noite vermelha, eu me lembro, até hoje a lua ainda brilha em carmesim.

Do seu rosto, guardo nada além dos desenhos de seus ossos.

Andei pelo quarto vazio do meu irmão, acho que eu tinha doze anos. Orquestras ecoavam em meus ouvidos e eu cheguei perto da janela e olhei e vi o prédio ao lado caindo vagarosamente. Suas paredes se desfaziam como o vento, seus ruídos estrondosos repousavam pacificamente em sua hipótese. Tudo desintegrava, a solidão em mim criava rombos por onde eu sentia a ausência de Deus em todos os seus nomes. Não há sentimento mais triste do que a morte de um sentimento.

Por isso me coloquei a dormir novamente, meu coração afundando cada vez mais no peito, meus olhos cansados e batidos, minha cabeça perfeitamente estacionada num lugar inquieto. O céu estava verde e fizemos um churrasco que com suas escuras fumaças tingiu as nuvens do mais cristalino branco pro mais desesperador negro da noite e ameaçava chover e nessa época do ano a chuva arde e nunca dispersa exatamente por onde todos gostariam que tudo escoasse exceto que nunca é realmente assim.
Disintegration Loops é o som do som morrendo, sua resiliência testada e batida após longas noites com a maré cada vez mais alta. William Basinsky conseguiu não só uma das obras mais relevantes dos nossos tempos nesse acidente, conseguiu registrar perfeitamente o espírito de ver sua alma deslizando pra fora de ti enquanto o sol matinal descansa toda sua luz em seus olhos.

Eu tinha pesadelos com um homem sentado no canto do meu quarto. Eu estava deitado na cama e ele se levantava e vinha até mim. Trajado inteiro de preto e óculos escuros, era meu anjo da morte. Passadas lentas e tortuosas até que ele se estacionava ao meu lado, baixava seu rosto na minha direção e dizia

 


 
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