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sobre algo: Sobre rock farofa
Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012 (1:35:24)



Entregue-se as metralhadoras atirando pra cima e sem qualquer explicação matando milhões de árabes ou japoneses, renda-se pros refrãos óbvios com gosto de cerveja quente, não resista a babaquice



 


 

SOBRE ROCK FAROFA

Por Marcelo Shaw


Óbvio que alguém já parou pra se perguntar quão absurdo é o jornalismo de celebridade, o que faz minha pergunta inicial parecer um tanto mais idiota. Mas eu preciso puxar assunto! A monstruosidade da coisa é como alguém fica famoso falando de gente famosa. Porra, a peruca do Nelson Rubens é mais conhecida do que o vídeo da Mônica Mattos tomando bráulio em riste de um anão pela porta dos fundos. Que sentido faz isso? Isso é que nem bater punheta pra um filme de um cara batendo punheta pra outro filme. Você então encontraria o cara no supermercado, e MEU DEUS DO CÉU EU BATI PUNHETA COM ESSE CARA! Agora, eu compreendo que jornalismo musical é a mesma coisa, mas há alguma diferença básica: nós aqui estamos analisando os acordes majestosos do Iron Maiden; eles analisam quem tá dando pra quem, quem tá corneando quem, quem tá apanhando da mulher, quem tá fazendo clareamento anal. Talvez faça sentido nenhum jornalista musical pedir aumento salarial, exceto aquele idiota que escreveu que música eletrônica não é música. A Kim Kardashian é famosa, e Kings of Leon também. Okay, jornalismo musical é mais idiota.

Só que há algo no ato de analisar música que permite voos maiores pra idiotas que nem eu. Eu posso não ser brilhante com pontuação, gosto de imaginar que seja recurso estilístico. Tira a correção automática do Word e fudeu também. Mas eu gosto de falar, porra! Eu gosto de encaixar desenvolvimentos mirabolantes que levem a declarações abertas de amor por rock farofa, que é mais ou menos o que está acontecendo aqui. Por todos os defeitos do mundo, porra, pessoas como Steven Seagal e Chuck Norris ainda existem, caralho! Há algo mais necessário do que alguém cortando o pescoço de outro alguém com um cartão de crédito? Mais importante do que motos com lança-foguetes na frente E atrás? Puta que pariu, há algo que seja mais relevante do que o som da purpurina voando da caixa com cada porrada? Se Deus criou megahair, seu filho da puta, quem é você pra não usar? Minha próxima pergunta retórica seria inteiramente feita de palavrões, em letras maiúsculas e com letras randômicas do teclado, como se alguém tivesse LUTANDO CONTRA OS DEDOS PRA SEGURAR A EMPOLGAÇÃO DE PORRA CARALHO AIOQ312AS!!!

Como vocês podem constatar, a beleza do rock farofa está justamente no quão inapelável é a sua delícia inerente. Eu desafio qualquer um a ouvir “Hunger”, do King Kobra, sem sequer abrir uma porra de um sorriso. Você pode até não gostar, mas você vai gostar. Eventualmente, tudo ficou sério demais. Eu cresci com o Leão Lobo dando conselhos de vida, quão merda é isso? Cada palavra que sai da nossa boca é recheada de uma seriedade mongol, cada vírgula carrega consigo o peso da vida adulta. As bandas de garagem hoje são formadas sempre com uma intenção besta de fazer algo bom, ao invés de só abraçar o fato de que bastante provavelmente não vão.

No outro lado da coisa, está “Don’t Stop Believing”, que seria a pior música da história se não fosse tão inexplicavelmente sensacional. Rock farofa de qualidade transita pelo bombástico e pelo brega com um élan de séculos sem se perguntar “porra, foi um pouco demais isso?”. Foi, e foi bem melhor por isso. Você só precisa ouvir um minuto de “Sister Christian”, “Hungry”, “Fly To The Angels”, “Sweet Cheater”, “Talk Dirty To Me”, e tantas outras, pra se transportar praquele lugar feliz onde há menos entre o céu e a Terra do que pode imaginar nossa vã filosofia.

Então não tenha medo. Entregue-se as metralhadoras atirando pra cima e sem qualquer explicação matando milhões de árabes ou japoneses, renda-se pros refrãos óbvios com gosto de cerveja quente, não resista a babaquice, Deus, é tudo babaca demais mesmo. Se construir uma vida é assim difícil, por que não preencher esse vazio com algo ainda mais vazio? And talk dirty to me, porra! 666 palavras com mais oito palavras, foi!


 


 
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