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sobre algo: Sobre Pet Shop Boys
Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012 (17:18:10)


É o som de ontem antes de haver um ontem. Ficou um certo preconceito, acabou virando até kitsch. Mas o Pet Shop Boys merece ser conhecido pelo que foi, uma das bandas mais únicas da história.



 



SOBRE PET SHOP BOYS

Por Marcelo Shaw


Minha memória mais antiga é de um aniversário na casa da minha avó, estranhamente não consigo lembrar quantos anos eu fazia. Ganhei um estacionamento de carrinho, achei a melhor coisa da história. Aquela porra tinha três andares! Meu irmão, que na época ainda não roubava minha carteira, estava brincando pacientemente comigo. Meus pais foram dormir. As luzes são tão vermelhas nas minhas memórias.

Depois me lembro de flashes, lembro de marchar na olimpíada do Santo Agostinho, no alto dos meus 6 anos! Lembro do dia que meu pai foi viajar, passando um ano fora de casa. Eu sonhei que estava com um video game no colo, eu procurava por ele pela cidade inteira, até parar num beco sem saída. Acordei chorando aquela noite. Engraçado como as coisas são cíclicas, estou pra passar um ano longe da minha pessoa amada. Não mais sonho com video games, mas tenho acordado chorando.

Tempo é uma noção absoluta e subjetiva ao mesmo tempo. Inescapável, imparcial, mas tão concreto e tão parcial. Somos testemunhas e vítimas, as mudanças deixam marcas na nossa geografia, mas permanecemos os mesmos. Neil Tennat e Chris Lowe, os Pet Shop Boys, trabalham com fixações diversas, com uma busca por perfeição fraturada. O tempo não foi necessariamente gentil com seus melhores trabalhos, mas acabou os isolando no seu próprio tempo, fenômeno semelhante ao que aconteceu com o Depeche Mode, sendo a diferença a dimensão. Depeche Mode é o espelho de uma época, Pet Shop Boys uma memória. O Behaviour tem um efeito parecido com o de olhar pras nuvens, uma dualidade estranha de uma familiaridade pelo desconhecido mesmo quando ele é conhecido. Se o Depeche Mode habita o déjà vu, o Pet Shop Boys é o jamais vu.

E ainda assim, está ali. Os sons estão ali. PSB ficou famoso além de sua música, e a surpresa é geral quando tudo soa exatamente como deveria. Não há grandes saltos, grandes explorações, grandes porras nenhumas. Há espaço em cada nota, soando progressivamente mais nostálgico por algo que não está lá. A fixação com perfeição gerou um distanciamento, o som é frio, desconexo, como o meu estacionamento de três andares. E, como em toda lembrança vaga, há um pouco de melancolia associado, o que se apresenta aqui com uma sutileza brilhante. No Behaviour, o que pra mim é o melhor trabalho, tudo se encaixa perfeitamente. É o som de ontem antes de haver um ontem.


Então ficou um certo preconceito, acabou virando até kitsch. Mas o Pet Shop Boys merece ser conhecido pelo que foi, uma das bandas mais únicas da história.
   
 


 
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