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playlist: Arthur Dapieve
Sábado, 29 de Outubro de 2011 (0:11:32)

 

O jornalista Arthur Dapieve faz sua listinha de álbuns do coração



 

 


 

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ARTHUR DAPIEVE

Jornalista



Ele é carioca, 47 anos, colunista do Globo há dezoito. Também colabora com a revista Bravo! escrevendo sobretudo sobre música clássica. Dá aulas de Jornalismo na PUC-Rio. No momento, começa a escrever um terceiro romance. Os primeiros chamaram-se De Todo Amor Tu Herdarás Só O Cinismo (2004) e Black Music (2008), ambos publicados pela Objetiva, no Brasil, e pela Quetzal, em Portugal. No total, são dez livros publicados. O mais recente é Conversa Sobre O Tempo, entrevista com Luis Fernando Verissimo e Zuenir Ventura (2010, Agir).
 

Foto Ciça Gianetti

 
1.    The Beatles 1962-1966

Comecei a aprender inglês, no primário, no começo dos anos 70, tendo de escutar “Help”. Nenhum sacrifício, lógico. Não foi como aqueles clássicos da literatura brasileira que a gente é obrigado a ler na escola, odeia só porque foi obrigado a ler e passa o resto da vida tentando se livrar do preconceito e reconhecer o devido valor... Por causa de “Help”, este foi meu primeiro álbum (duplo) de rock. Me encantei com “In my Life”, “We Can Work It Out”, “Eleanor Rigby”...


 
2.    The Beatles 1967-1970
   
Sempre fui um completista. Daí ter comprado esta antologia pós-Sgt. Pepper  mesmo tendo comprado os álbuns originais também, só para não deixar 1962-1966 capenga...
 

3.    Exile on Main St. – Rolling Stones
   
Os sucessos isolados da banda são demais, certo, mas este outro duplo (em vinil) aqui é brilhante exatamente porque não tem grandes hits, nada disso. Sua força está no conjunto. E o quinteto final “Let It Loose”, “All Down The Line”, “Stop Breaking Down”, “Shine A Light” e “Soul Survivor” é o bicho. Rock’n’roll’n’soul sujo, cínico, essencial.
 

4. Greatest Hits – Bob Dylan

Depois de amar os Beatles (um pouco menos) e os Rolling Stones (um pouco mais), e de amar a música que dizia isso e era cantada em português pelos Incríveis, me senti apto a encarar o bardo fanho. As músicas de Dylan são como as Santas Escrituras do pop, são um universo inteiro em si. Esta antologia magrinha, mas com “Blowin’in The Wind” E “I Want You”, entre outras, foi o meu batismo nesse credo.
 

5.    Atom Heart Mother – Pink Floyd
   
Graças ao irmão mais velho de um colega de escola, eu cheguei ao Floyd um pouco antes do revolucionário Dark Side Of The Moon. Meu LP ainda é o quadrafônico! Neste aqui, o disco da vaca, além da impressionante suíte-título, há três canções lindas, “If” (do Roger Waters), “Summer 68” (do Rick Wright) e “Fat Old Sun” (do David Gilmour). Foi o início de uma minha fase progressiva...
 

6. Wind And Wuthering – Genesis

Depois do Pink Floyd, essa fase progressiva me levou ao Yes, ao Jethro Tull e ao Genesis, então já na fase pós-Peter Gabriel. Este aqui foi meu primeiro LP da banda. Tem uma baba indesculpável, “Your Own Special Way”, mas tem também momentos épicos, bem de acordo com o subgênero das pilhas de teclados, e algum senso de humor, algo meio raro nos Emersons, Lakes and Palmers da vida.
 

7.    Never Mind The Bollocks – Sex Pistols
   
Até hoje eu nunca ouvi nada tão agressivo na vida. Ouvi na casa de outro colega de colégio e chapei. Ofereci uma fortuna em troca (um LP do Zé Ramalho e 300 unidades-monetárias-da-época) e levei a mais ultrajante coleção de músicas jamais reunidas para casa. Este disco mudou a minha vida porque mudou o meu modo de entender música. Não mais a perseguição infinita à técnica mais elaborada, mas o som da vida real.
 

8. London Calling – The Clash

O que mais dizer? Eu atendi o chamado da maior banda de rock’n’roll de todos os tempos.
 

9.    Sandinista! – The Clash
   
Se em London Calling a banda tinha fechado a tampa de um quarto de século de história do rock, neste triplo (em vinil) ela reabriu os trabalhos e discerniu os caminhos do gênero por mais um quarto de século. Além disso, as incursões calipso, salsa, valsa, dub adentro dão um eterno frescor ao álbum... Ah, e o sexto lado era somente de remixes dos outros cinco, inspirando-se no reggae para adivinhar a música eletrônica.
 

10. Searching For The Young Soul Rebels – Dexy’s Midnight Runners

Não há nada mais quente na música do que uma sessão de metais em brasa. Toda a história do soul é testemunha. Imagine-se, então, somar a isso a postura niilista do punk rock? O maluquete Kevin Rowland ordena “Burn it Down”. Acho que nunca ouvi um disco de modo tão entusiasmado quanto este. E as letras também são demais.
 

11.    Hatful of Hollow – The Smiths
   
Este foi o segundo álbum da banda de Morrissey, mas devia ter sido o primeiro porque captura o espírito dela em gravações para a BBC. Nele, independentemente da orientação sexual do ouvinte, “Reel Around The Fountain”, por exemplo, é uma tremenda canção de amor, timidez e atabalhoação. E aqueles versos sarcásticos do então alegadamente celibatário Morrissey... “Sonhei com você na noite passada/ E caí da cama duas vezes”! Brilhante.”
 

12. Imperial Bedroom – Elvis Costello

Sempre tive mais discos do Costello do que do Presley e, entre eles, este aqui é especial porque inclui “Almost Blue”, que costumo definir como o hino nacional do Arthur Dapieve. Eu tenho vontade de ficar de pé, pôr a mão no peito e chorar cada vez que escuto. Tem versos matadores como “eu me tornei este flerte com o desastre” ou “há uma garota aqui que é quase você”. Peraí, “há uma garota aqui que é quase você?!” Puta que o pariu.


 13.    O Concreto Já Rachou – Plebe Rude
   
Eu era um jovem foca cavando frilas no antigo Jornal do Brasil e a pauta do lançamento do EP do quarteto de Brasília no Morro da Urca foi a primeira a emplacar. No entanto, além de razões sentimentais, é um tremendo disco, punk pop antes de este termo ser cunhado ou, ao menos, se tornar comum. E ainda é um dos trabalhos que melhor dá conta deste país. Incluo aqui como um dos representantes do que de melhor o BRock produziu.
 

14. Loveless – my bloody valentine

Descobrir as doces melodias vocais por baixo da cerração de guitarras da banda do Kevin Shields é uma das experiências mais sublimes que se pode ter escutando rock. É como se uma orquestra sinfônica tivesse sido trancada num estúdio com duas britadeiras.
 

15.    Blue Lines – Massive Attack
   
Quem me apresentou o (ex-)coletivo de Bristol foi o produtor Paul Ralphes, na época ainda morando em Londres. Quando ele botou para tocar “Unfinished Sympathy”, pirei. Foi essa música schubertiana que me abriu a consciência para a música eletrônica. Para quem tinha curtido muito rock progressivo, aquilo era quase uma conseqüência saudável dele...
 

16. The Bends – Radiohead

“Creep”, do CD anterior, Pablo Honey, já era dor pura, música-tema de todos os inadequados do planeta. Mas foi só neste segundo trabalho que o Radiohead virou o Radiohead, com tudo o que uns amam (eu entre eles) e outros odeiam. Como não gostar de um disco que tem “Fake Plastic Trees”, “Black Star” e “High And Dry”?

 
17.    Ok Computer – Radiohead

   
The Bends era um grande disco de rock. Este aqui já era um grande disco de outra coisa, nem rock, nem eletrônica: Radiohead. Não à toa um pianista de jazz feríssima, Brad Mehldau, buscou temas como “Exit Music (For A Film)” aqui, para improvisar lindamente em seus concertos.


18. Five Leaves Left - Nick Drake

Poderia mencionar qualquer um dos três únicos discos que ele gravou, mas fico com o primeiro, que já dá o tom da vida breve: canções tenebrosas de tão bonitas (ou vice-versa), com harmonias complexas e letras inspiradas nos poetas românticos do século XIX. “River Man” e “Day Is Done” também foram recriadas pelo Brad Mehldau.


19.    V - Legião Urbana
   
Durante muito tempo, eu revezei cada disco da Legião como o meu favorito da banda. De alguns anos para cá, porém, fixei-me neste, o que flagra a dor da descoberta do HIV e a angústia da Era Collor sem precisar dar nome aos bois.


20. Cabeça Dinossauro – Titãs

Tive uma amiga australiana que, durante certo tempo, não entendia direito português. Lembro-me de uma festa em que rolava esse LP e eu explicava para ela: “Essa música é contra a polícia... Essa é contra a família... Essa é contra, bem, contra bichos fofinhos...” Era uma pedrada atrás da outra, e ainda hoje se mantém de pé. 

 

 

 


 
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