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caixa preta: E o crossover acabou
Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010 (23:20:02)



Crossover é um subgênero musical que surgiu em algum momento dos anos 80 e desapareceu sem ninguém perceber.  A melhor tradução para o termo seria "cruzamento" e, nesse caso, entre hardcore e metal. 



 



E O CROSSOVER ACABOU...

Eduardo Abreu


O crossover surgiu mais por necessidade do que por opção.  A cena punk estava em baixa na segunda metade da década de 80, com bandas em quantidade insuficiente para substituir a geração que trouxe Dead Kennedys, Bad Brains, Black Flag, Minor Threat e outros.  Uma declaração de Greg Graffin, vocalista do Bad Religion, publicada no livro We Got the Neutron Bomb, resume bem o panorama da época:  "Por volta de 1985-86, não havia mais bandas de punk rock na definição clássica.  Havia pouquíssimos selos punk.  Esse era o contexto da época e também uma das razões pelas quais o Bad Religion foi considerado revigorante quando lançou o álbum Suffer, em 1987.  Na Alemanha, nos chamavam de salvadores da chama punk e tocávamos para platéias de mil pessoas, enquanto nos EUA, tínhamos sorte se conseguíssemos tocar num clube minúsculo de Orange County...".

O crossover, foi, mais do que uma experiência sonora, a tentativa de algumas bandas punk de se aproximarem do público metal.  Musicalmente, esse cruzamento só foi possível porque teve como fonte de referência o thrash metal.  Misturar punk com heavy tradicional teria sido, no mínimo, um desastre.  Sem contar o fato de que o hardcore e o metal underground tinham muito em comum no ponto em que os músicos faziam tudo por conta própria, excursionando em vans, tocando em espeluncas e dependendo da divulgação de fanzines ou programas de rádio especializados.  O conteúdo das letras era a única grande diferença.  Enquanto é intrínseco ao punk o interesse por temas sociais, o metal sempre esteve ligado à fantasia.  Grupos como Sacred Reich, Vio-lence e Megadeth eram espécies raras com letras mais politizadas.

Não é fácil precisar qual foi o primeiro álbum de crossover.  Animosity, gravado em 1985 pelo Corrosion of Conformity, é com certeza um dos mais lembrados.  Entre as várias outras bandas que embarcaram nesse estilo, merecem lembrança Suicidal Tendencies (a partir do disco Join the Army), Crumbsuckers, English Dogs, Agnostic Front, Gang Green e Cryptic Slaughter.  Porém, foi o LP Crossover - gravado pelo D.R.I. em 1987 - que batizou definitivamente o gênero.  A maioria das bandas citadas confirma a versão que o crossover surgiu dentro da cena hardcore.  Foram as bandas desse estilo que incorporaram solos e riffs de guitarra tipicamente thrash.  De tabela, deixaram os cabelos crescer e assinaram com gravadoras como Metal Blade e Combat.

Mesmo que o thrash tenha surgido originalmente da fusão entre a escola clássica de metal com a velocidade do hardcore (o próprio Metallica é um exemplo disso), a sonoridade e o visual das bandas crossover tiveram suas influências na cena metal.  Speak English or Die, do S.O.D., é uma das pedras fundamentais do estilo e foi invenção de integrantes do Nuclear Assault e Anthrax.  Essas mesmas bandas mostrariam reflexos punk em discos como, respectivamente, Among the Living e Game Over.  Para não citar o M.O.D., do vocalista Billy Milano, que surgiu após sua participação no S.O.D.

Entre essa troca de influências, nasceram grupos tocando crossover "puro".  Desde o irreverente Mucky Pup (principalmente em seus dois primeiros registros, Can't You Take a Joke? e A Boy in a Man's World), passando por Ludichrist e o ótimo Excel.

E por que o crossover acabou?  Talvez como reflexo direto do desaparecimento do thrash.  O fato é que muitas daquelas bandas acabaram, outras foram ficando cada vez mais metal (como o Corrosion) e algumas voltaram a tocar hardcore old school, como D.R.I. e Agnostic Front.

Hoje em dia não faz muito sentido tentar recuperar e cruzar elementos desses dois estilos.  O chatíssimo metal melódico ocupou o espaço do thrash e as bandas punk não precisam mais deixar o cabelo crescer.  Versões de boutique como Good Charlotte e Blink 182 vendem milhões de discos sem precisar parecer ou soar metal.  Enquanto isso, as bandas pesadas americanas fizeram o caminho oposto e, com uma cena comercialmente morta, foram buscar elementos do rap para dar origem ao nu-metal.

No fim das contas, são as circunstâncias, muito mais do que alguma opção musical, que fomentam a aparição desses subgêneros.  Se a história se repetir, o nu-metal - que é infinitamente mais popular do que o crossover jamais foi - também sai de cena em pouco tempo.  Difícil mesmo vai ser o Korn ou o Limp Bizkit gravarem coisas melhores que os álbuns listados abaixo...

Discografia básica do crossover:

"Animosity" - Corrosion of Conformity (1985)
"Speak English or Die" - S.O.D. (1985)
"Cause for Alarm" - Agnostic Front (1986)
"The Age of Quarrel" - Cro-Mags (1986)
"Crossover" - D.R.I (1987)
"Join the Army" - Suicidal Tendencies (1987)
"Immaculate Deception" - Ludichrist (1987)
"Can't You Take a Joke?" - Mucky Pup (1987)
"You Got It" - Gang Green (1987)
"The Joke's On You" - Excel (1989)

(Dezembro 2006)

 


 
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