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caixa preta: Naked Raygun
Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010 (23:03:26)


Para comemorar a reunião dessa grande e um tanto subestimada banda, Naked Raygun, nada melhor que lembrar da última vez que eles se juntaram em um palco de Chicago - há exatos dez anos.



 

 



NAKED RAYGUN - FREE SHIT!

Eduardo Abreu


Na semana que vem, dia 5 de outubro, acontece em Chicago o Riot Festival.  Entre as atrações do evento, algumas bandas punk realmente lendárias como Youth Brigade, 7 Seconds e The Business, além de três grupos que já estão inativos há alguns anos e que farão apresentações únicas:  The Bollweevils, Blue Meanies e o grande Naked Raygun, heróis locais que encerraram as atividades em 1991. 
Para comemorar a reunião dessa grande e um tanto subestimada banda, nada melhor que lembrar da última vez que eles se juntaram em um palco de Chicago - há exatos dez anos.

Dave Grohl, líder do Foo Fighters e ex-baterista do Nirvana, revelou em entrevista que um momento marcante para que escolhesse a carreira de músico foi ver uma banda de rock ao vivo pela primeira vez.  Isso aconteceu em Chicago em algum momento dos anos 80 e a banda em questão chamava-se Naked Raygun.

Para a maioria, o fato passa como simples curiosidade ou informação inútil, mas o Naked Raygun é bem mais que um nome perdido numa declaração de rock star.  O quarteto liderado por Jeff Pezzati teve uma carreira irrepreensível, lançando discos cada vez melhores e sabendo manejar mudanças de integrantes como poucas bandas o fizeram.  Cada formação do NR é especial à sua maneira e até na hora de sair de cena, o grupo teve classe. 

O quarteto se separou em 1991, pouco depois de lançar o excelente Raygun... Naked Raygun, pela Caroline Records, e seis anos depois reuniu-se para fazer dois shows de despedida.  O local escolhido foi o Metro, templo alternativo de Chicago situado numa vizinhança repleta de pubs, estúdios de tatuagem, sebos de disco e lojas de roupas extravagantes.  O lugar é conhecido como Silver District e parece perfeito para acolher a despedida oficial de uma das bandas mais cultuadas da cidade.

Apenas em 2001, ou seja, quatro anos após esses shows antológicos, a despedida viraria disco através do selo independente Haunted Town, também de Chicago.  Free Shit!, além de servir como documento histórico para a cena local e objeto de interesse para qualquer aficionado pelo bom punk rock, é também um dos mais inspirados discos ao vivo em muito tempo.  Prova que o Naked Raygun ainda tinha muita lenha pra queimar quando aposentou os instrumentos em 1991.  Nada como terminar uma carreira por cima.

Free Shit!, que tem esse título por causa dos tradicionais souvenirs que a banda distribuía nos shows, fossem mata-moscas, pentes, armas de plástico ou outras bobagens, tem um set-list suculento com 20 músicas que passeiam por seus seis álbuns de estúdio e ainda duas covers (uma do Buzzcocks e outra do T. Rex).  A gravação é impecável, os gritos da platéia são contagiantes (o show começa com uma calorosa saudação:  "Raygun! Raygun! Raygun!"), a performance da banda é matemática e a voz de Pezzati, ao vivo, bota 90% dos vocalistas do gênero no bolso.  A formação nesses shows é a mesma do último trabalho de estúdio e traz, além de Jeff Pezzati, o baixista Pierre Kedzy, o batera Eric Spicer e o guitarrista Bill Stephens.

Para quem não conhece álbuns clássicos como Jettison, All Rise e Understand?, é bom dizer que o Naked Raygun não fazia punk primário ou derivativo.  A banda escrevia grandes canções livres de fórmulas prontas, mas quase sempre com refrões grudentos e seus habituais "hey-hey-hey".  Eles nunca tiveram grande exposição, mas eram reis num pequeno universo.  Rádios universitárias locais tocavam Naked Raygun de madrugada, seus admiradores eram fanáticos e eles conduziam a carreira no mais puro espírito do faça-você-mesmo. 

A reedição completa em CD de todos os álbuns do grupo, via Quartesitck Records, traz alguns liner notes que denotam a simplicidade dos sujeitos: os quatro Rayguns tinham empregos comuns, dirigiam a própria van nas turnês e estava sempre trajando jeans surrados e velhos coturnos Doc Martens.  Era uma banda que talvez não resistisse a um contrato com uma grande gravadora, mas que fez história à sua maneira.

As apresentações que resultaram em Free Shit! são comoventes a ponto do ouvinte, esteja ele em Los Angeles, São Paulo ou Tóquio, sentir-se na fila do gargarejo, como se fosse ele próprio algum punk rocker de Chicago.  Os comentários de Pezzati após cada canção registram o clima da despedida:  "Por onde vocês estiveram nos últimos seis anos?!" ou "Nós sentimos falta de cada um de vocês".  Quando o público pede as bugigangas que a banda tradicionalmente distribui, começa um coro espontâneo de "free shit! free shit! free shit!".  Pezzati interrompe e tira onda:  "Peraí, pessoal, tem crianças aqui essa noite".  A galera então muda os berros para "free stuff! free stuff!', ao que o cantor replica "Oh, very politically correct" e passa distribuir ímãs de geladeira com o nome da banda e data do show.  Parece o testemunho de alguém que viu tudo isso ao vivo, mas é apenas o relato de um brilhante disco ao vivo.

Pensando assim, fica fácil entender o efeito que o show do Naked Raygun teve na vida de um ainda jovem Dave Grohl.


Track list

I Don't Know
The Strip
Metastasis
Coldbringer
Dog at Large
Backlash Jack
Peacemaker
Surf Combat
Gear
Entrapment
Knock me Down
Treason
Hips Swingin'
Home
I Don't Mind
Vanilla Blue
Hot Atomics
No Sex
Twentieth Century Boy
Rat Patrol
Wonder Beer
New Dreams


(Setembro 2006)
 


 
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