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caixa preta: 24-7 Spyz
Quinta-feira, 12 de Agosto de 2010 (17:42:53)



Contemporâneo do Living Colour e saído do Bronx, o 24-7 Spyz surgiu na cena musical em 1989 com Harder Than You.  O som apresentava uma mistura improvável de funk, metal e reggae, sendo que o peso das guitarras e a postura tough guy se sobressaía a todo o resto.



 
24-7 SPYZ
Gumbo Millenium
(In-Effect Records, 1990)


Por Eduardo Abreu


Um ano depois, o quarteto formado por P. Fluid (voz), Jimi Hazel (guitarra), Rick Skatore (baixo) e Anthony Johnson (bateria) lançou seu segundo disco.  Gumbo Millenium era uma versão mais colorida de Harder Than You, em que deixaram o funk comer solto e, como de praxe, pontuaram as canções com riffs de metal e hardcore.  Os Spyz adequadamente trocaram as jaquetas de couro e a cara amarrada por bermudas, camisetas floridas e astral irreverente.  Eram os anos 90 que começavam e a atmosfera parecia saudável e propícia para deixar o azedume de lado e ir fundo na mistura de gêneros musicais a princípio incompatíveis.

Já no início dos 80’s, o Bad Brains tocava um repertório basicamente hardcore com um habitual tema de reggae emaconhado aqui e acolá.  O mesmo acontecia com o Fishbone, combo de funk-soul que, em meados da mesma década, produziam o que poderia ser definido como uma salada sonora.  Talvez por isso, ouvir um álbum como Gumbo Millenium em 2005 tenha sabor nostálgico e um tanto agridoce.  Não obstante a mistura ter dado caldo, essa aspiração de botar suíngue no rock pesado ou enfiar guitarras distorcidas no meio de um funk acabaram indo por água abaixo com o passar dos anos.

Por conta de tanta mistura, Gumbo Millenium soa hoje um pouco estranho, embora à época parecesse obra visionária.  Da instrumental que abre o álbum, “John Connely’s Theory” – que homenageava o líder da banda de thrash metal Nuclear Assault – à terceira faixa, “Deathstyle”, o 24-7 Spyz parece estar com a cabeça no metal, porém na magnífica “Dude U Knew” tudo vira do avesso.  Uma suingueira de quebrar a cintura dos mais desavisados, com P. Fluid menos extravagante nos falsettes e uma fluência musical que, rumo ao fim da canção, transforma-se numa suculenta e descarada jam.

A vinheta “Culo Posse”, de 1 minuto e meio, antecipa a rapeada “Don’t Push Me”, outra com slap bass, riffs de guitarra intrincados e bateria gravada com o volume lá em cima.  Mais uma vinheta pirada serve de intervalo, “Spyz on Piano”, e a banda volta com “Valdez 27 Million’”, canção que abre com uma base instrumental que parece herdada de mestres do funk como Kool & the Gang ou Chic.  A seguinte é hit do disco.  Ou melhor, um quase-hit.  “Don’t Break My Heart” teve videoclipe com execução modesta na MTV americana, mas suficiente para catapultar a banda a um novo estágio de popularidade, que levou os Spyz a assinarem contrato com a East-West Records, braço da major BMG.

Gumbo Millenium reserva ainda outras pérolas:  a engajada “We’ll Have Power”, com sua levada reggae/ska, o hardcore “Racism” com refrão maluco próprio dos Spyz, e “Heaven and Hell”, que soa como uma balada black pontuada por riffs de death metal (!!).  O disco termina com “We Got a Date” e a climática "Some Defenders’ Memories”, gravada com 3 canais de voz e uma seção rítmica de contrabaixo que se repete até o final.

Os Spyz continuaram na estrada após Gumbo, mas o line-up original desmoronou logo em seguida.  P. Fluid e Anthony Johnson abandonaram o barco (ou foram chutados) e, sem eles, a banda gravou o elogiado Strength in Numbers, disco mais são, com produção top, arranjos sofisticados e pretensão de emplacar meia-dúzia de hits nas FMs.  O sucesso comercial não chegou e, a partir daí os remanescentes Jimi Hazel e Rick Skatore não pararam de quebrar a cabeça para estabilizar a banda com uma formação.

Após amargo insucesso numa grande gravadora, o 24-7 Spyz voltou para o underground com uma perspectiva mais modesta.  Reuniram a formação original para o obscuro Temporarily Disconnected - que saiu apenas na Europa e que o guitarrista Jimi Hazel considera um atraso na discografia do grupo.  O mundo passou a prestar menos atenção nos Spyz e, com efeito, a impressão é que o tempo deles já passou.  A banda é hoje um trio que toca para pequenas platéias que cultuam as virtudes guitarrísticas de Jimi Hazel.  A irreverência e a energia da juventude ficaram guardadas em discos como Gumbo Millenium, registros de uma época que não volta mais.
 

(Junho 2006)


 
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