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Shows: Fishbone, Rio, SP e Curitiba
Domingo, 25 de Julho de 2010 (23:58:57)



Se tivesse dado o ar da graça nos anos 90, o Fishbone teria arrebatado uma plateia maior dos que os aproximadamente 300 pagantes do show realizado dia 25, no Carioca Club, em São Paulo. Em todo o caso, propiciou mais do que um pouco de nostalgia: a energia de Angelo Moore e sua trupe impressionam.



 




FISHBONE
John Bull Music Hall, Curitiba
23/7/2010


Texto Amanda O.
Fotos Carolina Ferri Amorim
 
A noite fria e chuvosa da sexta-feira não bastou parar esfriar o clima quente e empolgante do John Bull Music Hall. Para embalar essa noite de muita música e descontração, a banda americana Fishbone agitou a galera com seu rock alternativo fundido ao ska, punk rock, funk metal e muito mais. Com 30 anos de banda e muitos quilometros de estrada rodados o resultado nao podia ser outro: “showzaço!”
O grupo foi formado no final dos anos 70, e começou a ganhar fama na cena alternativa dos EUA no final dos anos 80, após turnês com os Beastie Boys e com os Red Hot Chili Peppers. Fizeram sucesso moderado na MTV com o clipe de “Everyday sunshine”, e em 1993 participaram do festival itinerante Lollapalooza. O show contou com a abertura da banda Anjo dos Becos, que movimentou a galera e pré-aqueceu a noite com varias musicas proprias e uma cover de Plebe Rude, transformando “Até quando esperar?” em ska.
Resumindo: uma noite marcante para todos os fãs do Fishbone, exceto por um deslize com relação ao volume do vocal, que estava mais baixo quanto aos outros instrumentos. Os americanos passaram pelas principais capitais do país como São Paulo (Carioca Club, Eazy) e Rio de Janeiro (Circo Voador). Com o horário previsto para 23h30 a banda só entrou em palco pouco mais que duas horas da manhã e durou aproximadamento até as 4h da matina, quando, exaustos, abandonaram o palco deixando os espectadores pedindo bis! E como toda boa banda, voltaram, tocaram a saideira e deram boa noite para Curitiba.

Set List Fishbone

Unyielding Conditioning
The Suffering
Cholly
Everyday Sunshine
A Selection
Ma & Pa
Date Rape
Give It Up
Bonin’in The Boneyard
Behind Closed Doors
I Wish I Had A Date – Forever Moore
Alcoholic
Skank’n Go Nuttz
Lyin’ Ass Bitch
Party At Ground Zero
Simon Says “The Kingpin”
Freddie’s Dead
Servitude
 

 






FISHBONE
Carioca Club, São Paulo
25/7/2010



Por Eduardo Abreu


Os primeiros sinais do revival da década de 90 foram os retornos de bandas como Alice in Chains, Rage Against the Machine, Soundgarden e Faith No More.

Mesmo que nunca tenha parado ou tampouco emplacado comercialmente como os citados, o combo californiano Fishbone teve seu auge no início dos 90’s e fez parte do que a crítica musical da época batizou de funk’o’metal.

O termo era uma mera desculpa para colocar na mesma prateleira bandas tão diferentes quanto Primus e Red Hot Chili Peppers. Em comum, apenas o groove ou contrabaixo como instrumento principal.

O Fishbone antecedeu muitas dessas bandas e fez seu debut em disco no ano de 1986 – embora tenham começado, ainda garotos, em fins da década de 70.

A banda liderada pelo showman Angelo Moore e pelos irmãos Fisher (baixista e baterista), teve seu pico de popularidade há quase 20 anos com os álbuns The Reality of my Surroundings, de 1991, e Give Monkey a Brain and He’ll Swear He’s the Center of the Universe, de 93.

Na época era difícil escapar das citações ao combo funk-rock-ska da Califórnia. As camisetas do Fishbone apareciam em filmes e seriados, mas também, e principalmente, entre o público que frequentava os espaços, digamos, mais alternativos. A banda era requisitada em festivais como o então badalado Lollapalooza, e excursionava ao lado de artistas do porte dos Beastie Boys.

Se tivesse dado o ar da graça nos anos 90, o Fishbone teria arrebatado uma plateia maior dos que os aproximadamente 300 pagantes do show realizado ontem, dia 25, no Carioca Club, em São Paulo. Em todo o caso, propiciou mais do que um pouco de nostalgia: a energia de Angelo Moore e sua trupe impressionam.

Do septeto original, continuam na estrada, além de Moore, o fundador e exímio contrabaixista Norwood Fisher e o trompetista Walter A.  Kirby III. Os últimos a ingressar no time o fizeram em 2004. Caso de Rocky George, o lendário guitarrista do Suicidal Tendencies, que agora ostenta uma cabeleira black de responsa, ainda que não tenha largado sua Ibañez de estimação.

Quem esperava uma banda cansada com os altos e baixos de 30 anos de carreira e um flerte com o mainstream, certamente se surpreendeu.

O impagável Angelo Moore surgiu no palco com seu habitual visual de saltimbanco: sapato social, meião listrado, bermuda, colete e chapéu coco, além, é claro, do indefectível saxofone à tiracolo. Em ótima forma física, que ainda lhe permite saltar do palco com back flips, Moore mantém a voz e os traquejos que o transformaram em figura emblemática dos 90’s.

O molho sonoro que mistura ska com funk e rock pesado é executado com uma elegância tresloucada. Não se engane: o Fishbone é formado por excelentes instrumentistas, mas, entre uma balada soul e um ska tranquilo, a banda executa inusitadas mudanças de ritmo sobrepostas por vocalizações completamente malucas. Tenho a ideia de que essa veia excêntrica foi um dos fatores que impediu o estouro comercial do Fishbone há 20 anos.

A sessão de metais continua sendo uma das marcas registradas da banda. Ao vivo, é interessante observar a linha de 5 formada por Rocky, Norwood, Moore, “Dirty” Kirby e John McKnight – com os três últimos executando belos arranjos de sax, trompete e trombone.

À exceção de Rocky George, todo mundo canta no Fishbone. No meio do caos, a banda consegue harmonizações de primeira. O tecladista Dre Gipson vez ou outra larga seu instrumento e assume os vocais ao lado de Moore, mandando um ragga e, também como o líder do bando, atirando-se sobre o público e trocando empurrões na roda de pogo.

Depois de duas horas de energia e temas como “Ma and Pa”, “Everyday Sunshine”, “Alcoholic” e “Party at Ground Zero” cantadas em côro, o Fishbone despediu-se com cada músico fazendo um pequeno número e abandonando o palco, até o solo final do baterista John Steward.

Uma inesperada e muito bem-vinda turnê de uma banda singular. Que volte algum dia.

 



 

FISHBONE
Circo Voador, Rio
24/7/2010


Por Bruno Eduardo
Fotos:  Adriana Vieira


Você se lembra de uma febre do início dos anos 90, antes do grunge, chamada funk o´metal?  Então, ela foi martirizada por bandas como Living colour, Faith No More e Red Hot Chili Peppers principalmente.  Mas até que o estilo vingasse, o tipo de proposta já era experimentada aqui e acolá pelos os idos da década anterior.  Cada uma dessas bandas trazia um elemento diferenciado:  umas o peso da guitarra, outras com teclados preeminentes, algumas vocais mais afetadas, e teve gente que preferiu os metais.

O que muita gente não sabe, é que Fishbone foi uma banda que formou a mesma idéia de misturar o rock com uma levada mais suingada, e no caso deles, fizeram do ska o ponto de partida.  Influenciaram uma leva de bandas que certamente teve maior êxito com as gravadoras e com o público – caso do Sublime, por exemplo.  E a verdade é que ninguém até hoje sabe explicar o porquê disso.

Muita gente não sabe, por exemplo, que a banda é veterana, mas possui músicos com uma vitalidade a dar inveja - e talento idem - nessa molecada dos últimos tempos.  E o mais triste disso não é que muita gente não sabe, mas que muita gente perdeu a chance de saber.
Oras, se todo mundo soubesse de todas as afirmações acima, certamente teríamos uma melhor reposta de público presente no Circo Voador.

Sendo otimista e generoso, na casa havia um total de 200 pessoas.  E isso realmente preocupa. Não só a questão de valorizar a banda em si, mas o fato da tribo roqueira estar desantenada por completo.  Será que o público de rock virou um público de festivais? Um público de marca? O que é certo mesmo, é que a falta de êxito do Fishbone nos anos 90 contou seriamente para o fracasso de público no show do Rio de Janeiro.  Pois aí a divulgação muda, o interesse muda e o público se mostra volúvel.

Bom, mas vamos ao show.

Felizmente, o que víamos em cima do palco, era o inverso do vazio encontrado na lona do Circo Voador.  Uma banda altamente qualificada, e com a empolgação de meninos, que demonstra o prazer em tocar e o quão profissionais são.

Impressionou também, a volatilidade da banda, que trocava de instrumentos a cada minuto (Com exceção de Rocky, Norwood e John Steward), comprovando a qualidade musical individual de cada um deles.  Com a energia costumeira, Angelo Moore foi um show a parte.  Além de cantar divinamente bem, ele alternava danças, caretas e muita simpatia com o público presente.   Aliás, ele e Dre Gipson (que canta e toca teclado) desceram do palco para uma rodinha de pogo, e um mosh improvisado.

Mais discretos que o vocalista, Rocky George (ex-Suicidal Tendencies) e John Norwood (baixo) resumiram-se apenas a execução primária de seus instrumentos.  Mas isso não quer dizer que tenham tido menos destaque, pelo contrário, o baixista é excepcional.  E embora um pouco deslocado do estilo da banda, Rocky atuou de forma cirúrugica e categórica.

No cardápio adridoce do grupo, músicas como “Ma and Pa” e “Cholly” agitaram os poucos presentes na casa.  E, Justiça seja feita, quem esteve presente ao Circo Voador não se fez de rogado.  A galera pulou, cantou e fez ferver o espaço.  Não é à toa, essa é a primeira passagem do grupo pelo Brasil, e muita gente sabia estar diante de uma oportunidade única. Afinal, os fãs esperaram muito por isso.
O melhor momento da noite foi a execução primorosa de “Everyday Sunshine”, do disco The Reality Of My Surroundings.  Onde pudemos constatar que o grupo está em plena forma, e entrosadíssimo.

No fim do show, o Fishbone guardou um leque mais rock, e soltou as excelentes “Freddie's Dead” e “Servitude”.  E foram saindo um a um, solando e batendo o ponto, certos de que tinham feito bem a sua parte.  E como fizeram!

 


 
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