
A noite de inverno de sexta prometia. Céu limpo, tempo agradável, muita gente nas ruas da Lapa, encontro com uma gata espetacular – e um showzaço no Circo Voador. Dessa vez, a Nação Zumbi retornou à cidade pra uma apresentação que contou com a preciosa abertura de BNegão & Os Seletores de Freqüência. Na boa: um luxo, ne, não?!

BNEGÃO & OS SELETORES DE FREQUÊNCIA + NAÇÃO ZUMBI
Circo Voador, Rio de Janeiro
9/7/2010
Texto e fotos por Guto Jimenez
Eu havia sido avisado que o show de abertura começaria no horário previsto, às 11 e meia da noite. Ainda bem que já estava no pico nesse horário, pois menos de 10 minutos depois da hora estipulada, a trupe de BNegão & Os Seletores de Freqüência entrou no palco e abriu o ritual de juntar gente na área em frente ao palco. Em fase de finalização de seu 2º álbum, a banda prometeu “uma noite animada e com um bocado de balanço” pro público presente...
... e melhor seria se eles tivessem logo falado: “se preparem pra tsunami, galera!” O show foi simplesmente uma tijolada no meio dos cornos, como diria o meu camarada Tamenpi. Misturando repertório clássico com músicas novas do esperadíssimo trabalho novo, eles não economizaram em energia e suíngue do bom, e quase desmontaram a lona voadora. Impossível conter os “groovy feet” em tijoladas como o hino “Funk até o caroço”, a sempre esperta “Enxugando gelo”, o relato de “O processo” ou a nova roupagem de “Dorobô”. As novidades da banda também chacoalharam esqueletos e balançaram cabeças, como em “Reação” (um reggae de muita responsa, diga-se de passagem), “Fundamental” e mais duas cujo nome eu perdi porque estava preocupado demais em simplesmente curtir e dançar. A pogação foi ignorante nas clássicas “Qual é seu nome?” e atingiu proporções colossais na “Dança do patinho”, que encerrou o espetáculo. Fato: jamais cansarei de ver um show desses caras, enquanto eles continuarem a fazer o tiozinho aqui se entusiasmar.
Após aquele intervalo regulamentar do Circo, era a vez da Nação Zumbi apresentar o show de “Fome de tudo”, seu mais recente trabalho. O que eu mais gosto da banda são dois fatores incontestáveis: eles são dignos pra cacete, no sentido de sempre explorarem novas nuances em sua linha musical; e a própria textura das canções em si, ao mesmo tempo tão cheias de nuances em disco e tão incisivas ao vivo. Obviamente, esse foi mais um show instigante de uma banda idem, incapaz de atrair a indiferença: ou se gosta ou se adora, não tem meio termo possível.
Fiquei bastante curioso em ver o resultado ao vivo de músicas como “Bossa nostra”, “Carnaval” e “Onde tenho que ir”, e o resultado foi simplesmente admirável. Em outras, como “Assustado” ou “Nascedouro”, dá vontade de fechar os olhos e se deixar levar pelo clima sônico que baixa no loca – músicas que criam atmosferas tão densas que quase é possível de se tocar. Só não o faço porque sou cativado pela presença espirituosa de Jorge du Peixe no palco, irônico e eficiente como só ele o sabe ser.
A galera reagiu de maneira mais evidente aos sons mais antigos da banda, notadamente da fase Chico Science (eterno). Assim, “Da lama ao caos” fez um verdadeiro pipoqueiro humano se formar, mesmo resultado de “A cidade” e “Manguetown”. Torci muito pra que tocassem a versão de “Maracatu atômico”, que terá de esperar por outra oportunidade e que também não fez a menor diferença no cômputo geral. Afinal, de pouco valeria a noite quase perfeita se não fosse a capacidade da música em me surpreender...
OBS: por motivos de força maior (= bateria de backup inoperante), fico devendo fotos do show da Nação Zumbi... maldita tecnodependência!