
No auge do psychobilly europeu, quando o gênero ainda era novidade nos EUA, surge em Buffalo, de Nova York, o Quakes. Mais de duas décadas depois, Paul Roman vem ao Brasil para apresentações no Rio de Janeiro (23) e em São Paulo (24). No lugar de Peltier e Dave Hoy, estarão no palco o baixista Kenny Hill e o baterista Juan Carlos. De férias na Finlândia, o vocalista falou com o Portal Rock Press por e-mail.


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QUAKES
" Queríamos ser parte da cena, mas da nossa maneira"
Por Alexandre Saldanha
No auge do psychobilly europeu, quando o gênero ainda era novidade nos EUA, surge em Buffalo, de Nova York, o Quakes. O ano era 1986. No início, a banda era formada por Paul Roman (vocal e guitarra), Rob Peltier (baixo acústico) e Dave the Ace Hoy (bateria). Desde o início, havia uma visão profissional da coisa toda. Seguindo o caminho trilhado pelos Stray Cats, se mudaram para Londres, "onde as coisas aconteciam", para tentar a sorte. Lá, estudaram friamente o movimento psychobilly e criaram seu público.
Mais de duas décadas depois - com diversos discos do currículo -, Paul Roman vem ao Brasil para apresentações no Rio de Janeiro (23) e em São Paulo (24). No lugar de Peltier e Dave Hoy (morto em um acidente de carro aos 17 anos), estarão no palco o baixista Kenny Hill (há três anos na banda) e o baterista Juan Carlos (no Quakes desde 2008). De férias na Finlândia, o vocalista falou com o Portal Rock Press por e-mail.
Quakes nasceu em Buffalo, onde havia uma imensa cena punk rock nos anos 80. Como isso influenciou o som de vocês?
Havia uma grande cena hardcore naquela época em Buffalo. Bandas como Suicidal Tendencies, GBH, Fear e Exploited estavam passando pela cidade. Rob Peltier já estava no meio desde antes de nos conhecermos e tinha vários desses discos. A música ‘Institutionalized‘ do Suicidal Tendencies influenciou a nossa ‘Psychobilly Jekyll & Mr. Hyde” com a fórmula parte lenta/parte rápida. [A cena punk] também nos influenciou no visual, com coturnos, jeans rasgados e jaquetas de couro pretas.
Desde o início, você quis que o Quakes fosse uma banda séria. Foi difícil encontrar pessoas que levassem isso a sério também? Você teve experiências ruins com outras bandas antes de formar o Quakes?
Sim, tive problemas para convencer as pessoas que poderíamos ser bons e que poderíamos ir longe. Alguns caras simplesmente não conseguem se imaginar alcançando o sucesso. Na maioria das bandas, existe um ou dois caras com a visão e outros que só os acompanham.
O Quakes começou em 1986, há quase 25 anos. Quais as principais diferenças entre a cena psychobilly na época e a de agora? O que você espera do futuro do gênero?
Acho que a grande diferença entra agora e naquela época é que, antigamente, todas as bandas psychobilly tinham um histórico rockabilly. Todos ouvíamos Johnny Burnette e Gene Vincent antes de começarmos a tocar psychobilly. Claro que o gênero vai continuar a mudar e os garotos estão redescobrindo o velho psychobilly 80’s. O problema é que eles estão tentando copiá-lo ao invés de ser influenciados por ele.
A capa do primeiro disco do Quakes é muito parecida com a do primeiro dos Stray Cats. Vocês já falaram sobre isso com Brian Setzer, Lee Rocker ou Slim Jim Phantom?
Sim, eles viram o disco em Londres, durante a turnê Blast Off, em 1990. Consegui uns passes para o camarim e encontrei com eles. Tenho certeza que não gostaram do som [risos], mas acharam divertido. Peguei essa ideia do Dave Phillips que fez uma paródia de uma capa do Gene Vincent.
Tanto a guitarra Gretsch laranja quanto o seu enorme topete loiro lembram Stray Cats. Qual a importância deles para o Quakes?
Aquela guitarra foi um acaso, já que foi a primeira Gretsch que achei e que podia comprar. Estive procurando por um havia algum tempo. A cor e o modelo não tinham importância, desde que fosse uma Gretsch. Isso soa bobo, mas eu tinha 16 anos na época. Eu era fã do topetão de Setzer e de Dibbs Preston e Smutty Smith dos Rockats. Realmente gosto do visual que as bandas de rockabilly do início dos anos 80 tinham. Tinha um toque new wave. Todas aquelas primeiras bandas tiveram grande influência e isso é óbvio para nós.
Logo no início da carreira, vocês se mudaram para Londres. Valeu a pena? Como os europeus receberam uma banda americana de psychobilly?
Valeu a pena. A outra opção era continuar tentando fazer shows em Buffalo, onde ninguém queria nos ver. A recepção foi boa. Estudávamos as outras bandas e fazíamos questão de sermos diferentes deles. Víamos como eles se comportavam no palco, o que vestiam, etc. Queríamos ser parte da cena, mas da nossa maneira.
Psychobilly é conhecido como um gênero tipicamente europeu. Foi difícil ser uma banda norte americana em Londres ou não fazia diferença?
Acho que não importava. Talvez tenha nos ajudado, já que éramos a única banda americana de psychobilly na época. As pessoas ficavam curiosas.
Vocês eram muito jovens quando se mudaram para a Europa. Foi uma boa experiência de vida? Mais de 20 anos depois, você faria tudo de novo?
Sempre falo para os mais novos que eles devem ir para onde as coisas acontecem, se quiserem ter sucesso. Quando você fica mais velho, fica mais difícil fazer coisas desse tipo porque você tem muito mais responsabilidades.
Além do Quakes, você teve outras bandas como “Paul Roman and the Prowlers” e “The Paul Roman 3”. Algum desses projetos chegou a ser mais importante para você que o próprio Quakes, mesmo que por um curto período?
Nenhum deles foram sérios, só mesmo uma oportunidade de tocar. Tocávamos principalmente músicas do Quakes.
No final da década de 1980, você substituiu o guitarrista Lex, do Demented Are Go, durante uma turnê. Como foi parar de trabalhar em suas próprias músicas para tocar com uma banda tão conhecida no meio?
Estava em Londres para gravar um disco solo que acabou não rolando, então não tinha nada para fazer. Foi uma grande oportunidade e me diverti muito. Recentemente, encontrei Ant Thomas [baterista do DAG] na Espanha e rimos muito disso.
O que você conhece da cena psychobilly brasileira? Você já ouviu bandas brasileiras?
Devo confessar que não sei muito sobre isso [a cena brasileira], mas estou ansioso para conhecer as bandas e ver como é a cena aí.
O último disco do Quakes é Negative Charge, lançado no início de 2009. Existem planos para a gravação de um disco novo?
Talvez no ano que vem. Geralmente existe um intervalo entre os álbuns porque preciso viver para me inspirar para compor novas canções. Poderia me sentar e escrever, mas prefiro quando as músicas vêm até mim.
O Quakes teve muitas formações diferentes ao longo dos anos. Você tem uma preferida? Você acha que Kenny Hill e Juan Carlos estão na banda para ficar?
Vou te dizer que a banda está BOA PRA CARALHO! A banda realmente está muito boa. Kenny e Juan podem ficar o tempo que eles quiserem.
www.myspace.com/thequakes
Serviço:
The Quakes Brazilian Tour
Rio de Janeiro - Teatro Odisseia
Dia 23/07 - 22h
The Quakes (EUA)
Big Trep (Rio de Janeiro)
Os Vulcânicos (Rio de Janeiro)
R$ 20 (lista amiga)
R$ 30 (inteira)
São Paulo - Inferno Club
Dia 24/07 - 23h
The Quakes (EUA)
Henry Paul Trio (Brasil)
Motoramas (Argentina)
R$35,00 Estudante (esgotado)
R$40,00 Promocional (esgotado)
R$50,00 Segundo Lote
R$70,00 Porta