
Tocar ao vivo, assim como uma partida de futebol, é uma caixinha de surpresas. Uma banda pode tanto decepcionar a platéia com uma apresentação fria, burocrática e amargar problemas técnicos; como também levar fãs ao delírio com versões ainda melhores de seus trabalhos de estúdio, esbanjando técnica e presença de palco. Felizmente, este foi o caso dos norte-americanos do Shadows Fall, que em sua primeira e única passagem no Brasil, deixou o modesto público presente no Hangar 110 atordoado com tanta energia.


SHADOWS FALL
Hangar 110, SP
1/7/2010
Texto e Fotos por Fabio Machado
Tocar ao vivo, assim como uma partida de futebol, é uma caixinha de surpresas. Uma banda pode tanto decepcionar a platéia com uma apresentação fria, burocrática e amargar problemas técnicos; como também levar fãs ao delírio com versões ainda melhores de seus trabalhos de estúdio, esbanjando técnica e presença de palco. Felizmente, este foi o caso dos norte-americanos do Shadows Fall, que em sua primeira e única passagem no Brasil, deixou o modesto público presente no Hangar 110 atordoado com tanta energia.
Após um considerável atraso de uma hora (o show estava previsto para começar às 20h), as cortinas vermelhas do Hangar se abrem e a banda já lança sem demora “King of Nothing” e “War”, do álbum mais recente Retribuition. Logo de cara, além do peso extra que as músicas ganham ao vivo, chama a atenção o vocalista Brian Fair, pelos vocais gritados e seus dreadlocks gigantescos, que meteriam medo até mesmo em Derrick Green (Sepultura). Quando resolvia agitar, Fair mais parecia um helicóptero bizarro com dreads voando pra todo canto!
Após uma pequena pausa para apresentação, mandam “Thoughts Without Words”, cantada em uníssono pelo público que já começava a se animar e abrir o tradicional “circle pit” com a galera se espancando amigavelmente. “Still I Rise”, faixa de trabalho do novo álbum, veio em seguida, e mesmo sendo recente também foi cantada a plenos pulmões pelos presentes. Nesta música, também se destaca o guitarrista Matthew Bachand, com banking vocals excelentes.
Não seria justo deixar de falar nos outros integrantes: Jonathan Donais mostrou toda a sua influência de metal clássico e shred na guitarra, com sweeps à rodo; o baixista Paul Romanko agitou de um lado ao outro do palco durante todo o set, mantendo o peso das músicas; e Jason Bittner massacrou a bateria com gosto. Igualmente injusto é rotular o Shadows Fall simplesmente como metalcore, pois suas músicas passeiam com desenvoltura por diversos subestilos do metal.
No restante do show, a banda revisitou algumas das músicas mais conhecidas de sua discografia, como “Inspiration on Demand”, “Destroyer of Senses”, “The Power of I and I” (com grande performance do baterista Bittner), “What Drives the Weak” e, para delírio geral, um cover de “Bark at The Moon” de Ozzy Osbourne, dedicada a Ronnie James Dio, The Rev (Avenged Sevenfold) e Paul Gray (Slipknot), três das grandes perdas sentidas no mundo do rock pesado neste ano.
Vale lembrar que, a essa altura, o público do Hangar já estava alucinado, compensando o número reduzido com a tradicional intensidade brasileira: galera gritando o nome da banda, se espremendo na frente do palco mesmo com espaço de sobra e até mesmo arriscando stage dives! Inclusive, um headbanger menos incauto acabou se atrapalhando na hora de pular do palco e acabou indo direto pro chão - não sem antes acertar um chute acidental e quase arrancar o microfone das mãos de Brian Fair. Felizmente, não houve nenhum ferimento grave além do ego dos envolvidos.
“The Light That Blinds” encerrou a primeira parte do show, mas logo o conjunto retornaria para executar “Forevermore” e “Enlightned By The Cold” no bis. Tanto o público quanto a banda estavam exaustos e felizes pelo resultado final, e o Shadows Fall ainda foi além do tradicional arremesso de palhetas e baquetas, permanecendo ao final para cumprimentar e dar autógrafos para o público. Um exemplo a ser seguido por qualquer banda: nas atitudes e na aula de como se fazer um excelente show.
Setlist: King of Nothing/ War/ Thoughts Without Words/ Still I Rise/ A Public Execution/ Failure of the Devout/ My Demise/ Inspiration on Demand/ Destroyer of Senses/ The Power of I and I/ What Drives the Weak/ Bark at the Moon (Ozzy Osbourne)/ The Light That Blinds. Encore: Forevermore/ Enlightned By The Cold.