
A primeira e última apresentação da banda norueguesa Theatre of Tragedy começou e terminou de forma melancólica. O último show da carreira dos precursores do gothic metal foi intenso, repleto de clássicos e muita emoção. Uma exibição inesquecivel!

THEATRE OF TRAGEDY
Carioca Club, São Paulo
27/6/2010
Banda encerra a carreira com show intimista em SP
Por Costábile Salzano Jr.
Fotos Eduardo Guimarães/Território da Música
A primeira banda de abertura foi a até então desconhecida Volúpia Di Baco. Acredito que pela falta de experiência fizeram uma fraca performance. Integrantes estáticos, pareciam sem empolgação e a falta de energia passou para o público. Na sequência, veio o Ravenland. Com mais tempo de estrada, os paulistanos capricharam na produção de palco, pois sabiam o quão importante era aquela noite para sua carreira. Com uma sonoridade influenciada pelo gothic metal de Moonspell e do próprio Theatre of Tragedy, os integrantes não pouparam esforços para conquistar o público, até mesmo diante de alguns problemas técnicos. Composições como “Presage”, “The Last Sunset”, “SoulMoon”, “Nas Asas do Corvo” e a derradeira “Zodiac” foram mais instigantes e deixaram a platéia preparada para a atração principal.
Às 21h25, o Theatre of Tragedy entrava em cena para o seu primeiro, único e último show no Brasil. “Hide and Seek”, música de abertura do fraco novo álbum Forever is the World, abriu alas para que Frank Claussen (guitarra), Vegard K. Thorsen (guitarra), Erik Torp (baixo), Hein Frode Hansen (bateria), Lorentz Aspen (teclado), Raymond István Rohonyi (voz) e a nova vocalista Nell Sigland, que teve muita personalidade e coragem em substituir Liv Kristine, finalmente conhecessem os privilegiados fãs brasileiros.
Provavelmente, a primeira impressão dos noruegueses não deve ter sido das melhores. Devem ter tomado um susto ao ver o Carioca Club praticamente vazio, causando uma entrada um tanto fria. Porém, os fãs fizeram o que as bandas internacionais mais admiram: transmitiram calor, vibração e evidenciaram a sua enorme devoção pelo Theatre of Tragedy. Esse feedback acendeu a banda, que começou a se movimentar mais, interagir com o público e vivenciar aquela histórica noite com mais intensidade. Grande exemplo foi quando tocaram “Lorelei”, faixa do álbum Aegis, primeiro grande clássico do vasto repertório.
Outras composições que emocionaram foram “A Rose for the Dead”, “Cassandra”, “A Hamlet For A Slothful Vassal “, “And When He Falleth”, “Venus”, “Storm” e “Fade”. O bis veio com “Machine”, “Der Tanz der Schatten” e a despedida do público brasileiro ficou por conta de “Forever is the World”.
Infelizmente, no último dia 27 de junho, tivemos de acompanhar o desaparecimento da banda precursora de um segmento musical. Uma triste despedida que ficará marcada na lembrança de poucos afortunados. É bem certo que, se este show acontecesse na época do álbum Aégis, a receptividade seria bem maior. No entanto, por se tratar de um encerramento, confesso que esperava bem mais dos apreciadores do estilo musical.
Não podemos esquecer que a economia brasileira, apesar do que o governo insiste e persiste em divulgar, ainda é fraca, sem condições de suportar esse grande tsunami de shows internacionais. Antes, trazer bandas estrangeiras era o grande filão do mercado, hoje, a situação é bem outra e já começa a dar prejuizos. O público brasileiro e principalmente os paulistanos, que recebem 99% dos eventos, não tem condição de acompanhar todos os shows e acabam tendo que escolher entre uma atração ou outra.
A verdade é que os fãs ficaram mal acostumados. Toda semana há uma banda estrangeira em turnê pelo Brasil. Além de não prestigiarem as bandas nacionais com um preço bem mais acessivel, as pessoas continuam cometendo os mesmos erros gastando dinheiro enchendo a cara com bebida de pessima qualidade e criticando o preço dos ingressos.
Infelizmente, o Theatre of Tragedy pagou por isso. Para sorte dos admiradores, os músicos são experientes, sabem lidar com adversidades e se apresentaram com vontade. Vale ressaltar que a vocalista Nell mostrou ao vivo diante dos verdadeiros apreciadores da banda porque foi a melhor escolha para substituir Liv Kristine. A frontwoman esbanjou carisma e técnica. Ela cantou muito! Teve a capacidade de enterrar diante dos olhos de toda a platéia o fantasma da ex-vocalista!
Um show inesquecivel.
Set list
1. Hide And Seek
2. Bring Forth Ye Shadow
3. Lorelei
4. Frozen
5. Ashes And Dreams
6. A Rose For The Dead
7. Fragment
8. And When He Falleth
9. Venus
10. Hollow
11. Storm
12. Image
13. Cassandra
14. A Hamlet For A Slothful Vassal
15. Fade
Bis:
16. Machine
17. Der Tanz Der Schatten
18. Forever Is The World