lançamentos cds: Mondo Cane, Mike Patton
Sexta-feira, 2 de Julho de 2010 (0:19:48)
Mondo Cane nada mais é que Mike Patton solo. E Patton solo é sempre uma incógnita. Você pode esperar de tudo! Até mesmo um disco só com gritos, ruídos, sons exóticos e guturais. Mas não aqui. Mondo Cane é Patton italiano. É Mike Patton pop e brega, como só ele consegue ser. E do jeito que os seus fãs esperariam.
MIKE PATTON
Mondo Cane
Por Bruno Eduardo
Como Mike Patton está sempre em atividade contínua, vazam diversos projetos e promessas de lançamentos futuros. Muitos já tinham se deparado com uma apresentação do cantor, acompanhado por uma gigantesca orquestra, executando versões não convencionais, de músicas italianas antigas.
Na verdade, Mike Patton sempre teve uma veia italiana. Primeiramente, o cara respirou os ares do país por alguns anos. Após o sucesso do Faith No More, em meados dos anos 90, Patton fisgou uma italiana, se casou e foi morar por lá. Além disso, o cara é completamente devoto de Ennio Morricone.
Em uma rápida vasculhada em sua discografia, que não é muito curta, encontramos a clara influência do compositor Italiano em discos como Director’s Cut, do Fantômas, e no seu solo A Perfect Place – seu próprio thriller trash-clássico-independente.
No início da década, Mike Patton ainda na Itália, estava à procura de bandas modernas para poder lançar em seu selo (Ipecac Recordings), mas não obteve êxito. Com isso, decidiu ele próprio, fazer algo do seu jeito. Então se aproximou da cultura pop italiana e montou o seu próprio repertório.
Com o passar dos anos, o vocalista teve a idéia de registrar isso ao vivo, em uma apresentação com uma orquestra. O resultado, lógico, ganhou destaque por seu formato mais acessível ao público e sua já conhecida técnica vocal. Esse show gravado na Europa já está prometido em DVD para o futuro.
Bem, mas enquanto não rola o formato em vídeo, o cantor dá o primeiro passo lançando-o em versão de estúdio, batizado apenas como Mondo Cane.
Mondo Cane nada mais é que Mike Patton solo. E Patton solo é sempre uma incógnita. Você pode esperar de tudo: desde um disco só com gritos, ruídos, sons exóticos e guturais, ou até mesmo, alguma trilha sonora de algum filme, como por exemplo, Crank 2 - High Voltage (Adrenalina 2). Mas não aqui.
Mondo Cane é Patton italiano. É Mike Patton Pop e Brega, como só ele consegue ser. É Patton Pop e Brega, mas é Mike Patton. Ou seja, com vários desvios de sanidade musical. Você vai poder encontrar desde os seus tons graves inconfundíveis, às suas interpretações desesperadas.
Nesse disco, o vocalista apresenta as suas versões não convencionais de músicas italianas gravadas na década de 50. O resultado é sim, muito bom. E mesmo não soando tão esquisito como o vocalista costuma ser, tem a sua marca bem fixada. O disco é ideal para quem curte versões antigas ou remakes de qualidade.
Patton é sim, um afixionado por remakes. Se em Director's Cut (2001) ele colocou toda sua insanidade para os clássicos do cinema, em Mondo Cane ele utiliza o seu elevado grau de cantor para poder interpretar de forma magistral, e com excelente pronúncia, os chavões italianos. Mesmo com o passar dos anos, a sua voz ainda impressiona. E o que dizer ainda da sua já batida facilidade em dar destaque para qualquer estilo ou passagem.
Os maiores destaques deste Mondo Cane, são as versões clássicas de “Deep Down” – de Ennio Morricone - , e “Che Note”, que mostra mais o estilo do vocalista, que os fãs tanto reverenciam. Resumindo: Mondo Cane é Mike Patton! Imprevisível e com qualidade. Sempre!
1. Il Cielo In Una Stanza (Gino Paoli)
2. Che Notte! (Fred Buscaglione)
3. Ore D'Amore (Fred Bongusto)
4. Deep Deep Down (Ennio Morricone)
5. Quello Che Conta (Luigi Tenco)
6. L'Urlo Negro (The Blackmen)
7. Scalinatella (Roberto Murolo)
8. L'Uomo Che Non Sapeva Amare (Nico Fidenco)
9. 20km Al Giorno (Nicola Arigliano)
10. Ti Offro Da Bere (Gianni Morandi)
11. Senza Fine (Gino Paoli)