Garage Rock: Thee Oh Sees
Sábado, 26 de Junho de 2010 (1:16:55)
John Dwyer é mais ou menos um Billy Childish da Califórnia. O cara nunca ficou rico com música, mas mesmo assim liderou uma pá de bandas garage/experimentais durante as décadas de 90 e 00. Thee Oh Sees surgiu como mais um projeto pessoal e despretencioso, mas se consolidou como banda e segue firme até hoje, com 10 álbuns na bagagem, além de vários eps e seven inchs. O diferencial do Oh Sees é que eles acrescentam uma boa dose de psicodelia à crueza já conhecida de Dwyer.
garage/ experimental/ psicodelia/ crueza:
THEE OH SEES
Por Pedro Rabelo
John Dwyer é mais ou menos um Billy Childish da Califórnia. O cara nunca ficou rico com música, mas mesmo assim liderou uma pá de bandas garage/experimentais durante as décadas de 90 e 00. Tocou com o The Coachwhips, Pink and Brown, The Hospitals, Landed, The Netmen, entre outras, sempre fazendo gravações caseiras e pouco convencionais.
Thee Oh Sees (antes batizado de OCS) surgiu como mais um projeto pessoal e despretencioso de J. Dwyer mas se consolidou como banda e segue firme até hoje, com 10 álbuns na bagagem, além de vários eps e seven inchs. O diferencial do Oh Sees é que eles acrescentam uma boa dose de psicodelia à crueza já conhecida de Dwyer, a presença de Brigid Dawson (dividindo os vocais com John) incorpora um potencial melódico à banda, se diferenciando do Couchwhips e Pink and Brown, por exemplo, que faziam punk-noise no talo. Às vezes é possível até notar uma flautinha aqui e ali. Meio hippie, né? Mas porra, os caras são de São Francisco, nada mais normal do que pequenos resquícios de Haight-Ashbury. Tudo isso se soma a uma presença de palco impecável - é fácil notar pelos videos que a banda se diverte tanto quanto o público, costumam tocar literalmente "no meio" de festas, sem palco.
O meu primeiro contato com a banda foi com Thee Hounds Of Foggy Notion, de 2008, justamente o álbum mais “light” dos Oh Sees, belas melodias em lo-fi, puxadas por duas guitarras limpas e duas peças de bateria, com influência nítida do Velvet Underground. Esse disco foi gravado nas ruas de São Francisco (lançado também em DVD), por isso é normal ouvir ruídos, como carros passando, durante as faixas. Só depois fui ouvir seu antecessor, o excelente The Master’s Bedroom Is Worth Spending A Night In, também de 2008, esse sim, com guitarras distorcidas e algumas peças a mais na bateria, o disco tem músicas bem fodas como “Block of Ice”, “ Ghost in the Trees” e “Adult Acid”.
Em 2009 eles lançaram três discos, Help, que saiu pela In the Red, é com certeza um dos álbums do ano (apesar de não constar em nenhuma listinha inflamada); também lançaram uma coletânea de singles chamada ‘Zork’s Tape Bruise’ e outro álbum chamado Dog Poison. Entre os 7 inchs estão presentes splits com gente como Jay Reatard (R.I.P.) e TY Segall.
O primeiro lançamento deste ano foi Warm Slime, disco com sete faixas que variam entre psicodelias sujas e tosqueiras divertidas, destaque para “I Was Denied” (que riff grudento!), "Mega feast" e a faixa-titulo(com nada menos que 13 minutos).
É interessante notar que essa imensa discografia foi lançada por vários selos diferentes, alguns bem conhecidos, outros nem tanto. Entre os nomes estão a In The Red , Castle Face, Sub Pop, Kill Shaman entre outros.
Muita coisa em pouco tempo, certo? Que ótimo! Que continuem fazendo isso! É essa mistura de despretensão e criatividade que faz do Thee Oh Sees uma das bandas mais legais da atualidade. Pra quem fica reclamando da mesmice padronizada dos últimos anos, seria uma boa dar uma sacada nos discos dessa banda e se possível comprar em LP!
+ Um pouco sobre outras bandas de Dwyer
The Coachwhips - Garage punk sujão e divertido. Guitarra saturada, vocal distorcido, bateria simples, tecladinho safado e uma porrada de shows memoráveis em seus poucos anos de duração, tudo isso faz dos Coahwhips uma das melhores bandas desconhecidas da década de 00. Dentre os albuns vale destacar "Bangers vs Fuckers" de 2003, que tem na faixa "Good night, Good bye" os únicos 46 segundos de calmaria ,pra encerrar o disco depois de um mundo velho de sujeira.
Pink and Brown - Noise experimental levado ao cúmulo da sujeira e da insanidade. Barulho,muito barulho, feito por apenas dois malucos. Pra se ter uma ideia do estrago que eles faziam, vale a pena ir no youtube e procurar por um show que eles fizeram no Brooklyn. Não preciso dizer mais nada.