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discos básicos: Charly, Ravi Shankar
Quinta-feira, 17 de Junho de 2010 (2:42:03)


Charly foi uma trilha sonora encomendada a Ravi Shankar em 1968 pelo diretor do filme Ralph Nelson. É um dos trabalhos mais acessíveis de Ravi, conhecido dos roqueiros pelas suas participações nos festivais de Monterey, Woodstock e Concerto Para Bangladesh.



 



+ 1326 Discos Obscuros Que Voce Tem Que Conhecer

#1326
RAVI SHANKAR
Charly
(Original Soundtrack) (1968, Lp, World Pacific)


Faixas:

LADO A:
1.Main Title (2:37)
2.Charly Theme  (5:17)
3.Scenic Tour (2:20)
4.Improvisation On Charly Theme – The Maze – The Triumph In The Bakery (5:15)
5.Termoil (1:07)
6.Reprise (1:17)
LADO B:
1.Love Montage (4:11)
2.Variations On Love Theme (3:34)
3.Self Pursuit (1:20)
4.Love Theme And Transformation (2:38)
5.Charly Theme And Resolution (4:52)

MÚSICOS:
RAVI SHANKAR – cítara, composição; ALLA RAKHA – table; BUD SHANK e TOM SCOTT – flautas; RAY BROWN e BILL PLUMMER – baixo acústico; ARTIE KANE – piano e cravo; LINCOLN MAYORGA – cravo; LAURINDO ALMEIDA e BOB BAIN– violão; EMIL RICHARDS e MILT HOLLAND – percussão; ALAN HARSHMAN e ARNO NEUFELD – violinos; RAY KRAMER – cello; ARNOLD KOBLENTZ – oboe; VINCE DE ROSA – trompa e DOROTHY RAMSEN – harpa.



Por Carlos Nishimiya
 

Charly foi uma trilha sonora encomendada a Ravi Shankar em 1968 pelo diretor do filme Ralph Nelson. É um dos trabalhos mais acessíveis de Ravi, conhecido dos roqueiros pelas suas participações nos festivais de Monterey, Woodstock e Concerto Para Bangladesh. Enquanto o foco nessas apresentações ao vivo eram as ragas tradicionais indianas, longuíssimas, que podiam durar horas, o trabalho de Shankar em Charly é conciso, extremamente bem estruturado, imaculadamente arranjado, em faixas curtas que raramente ultrapassam a marca dos cinco minutos.

O filme Charly é um desses filmes que sempre merecem uma revisão. Para quem nunca assistiu, é um trabalho estupendo, emocionante e que rendeu ao ator principal Cliff Robertson o Oscar de melhor ator.

É a história de um homem que sofre com seu problema de  retardo mental, que trabalha de faxineiro numa padaria e sonha ser um pouco mais esperto. Em um dia numa clínica, onde ele é analisado, ele é submetido a uma experiência, uma competição com um rato para descobrir quem consegue descobrir primeiro a saída de um labirinto. Charly, desolado, vê que o rato vence a competição. Mas então os cientistas lhe dizem que no rato foi usado um procedimento experimental para aumentar-lhe a inteligência. Ele, então, diz querer também o mesmo tratamento. Após o tratamento Charly começa a desenvolver o seu intelecto. Antes motivo de piada de seus colegas de padaria, agora é motivo de susto e medo entre os mesmos. Chega a se tornar um gênio, devorando livros às dezenas.

Há uma grande mensagem para reflexão no filme...contar mais seria um despropósito. Mas para os interessados o filme pode ser visto por completo no YouTube, é só procurar pelas palavras “Charly Ravi Shankar”. O filme está dividido em 11 partes, sem legendas.

A partir da premissa deste filme, Ravi foi convidado a compor a música do filme, inicialmente se chegando a um entendimento que ela seria feita em cima da escala ocidental. Os indianos usam outros sistemas, que não tem só as dozes notas do sistema ocidental, o que tornaria a execução dificílima para os músicos de estúdio contratados ( veteranos do jazz e não acostumados com escalas conhecidas como não temperadas).

Ravi  chegou ao estúdio sem partituras e nenhum outro tipo de anotação. Foi direto aos músicos e treinou com eles batidas diferentes, experimentou os timbres dos instrumentos à sua disposição, explorou a capacidade de improviso de cada um. E o resultado não poderia ser mais impressionante. A cítara de Shankar não se impõe o tempo todo, está presente em algumas faixas com mais intensidade como em “Charly Theme”, e em outras músicas outros instrumentos dominam a cena.

O disco se inicia com “Main Title”, um festival de ritmos complexos que se utiliza de toda a diversidade instrumental a disposição de Shankar. Essa música aparece logo na introdução do filme. Logo se segue o tema principal de Charly, composta por três seções, sendo a primeira um onírico solo de cítara acompanhado por harpa. A segunda seção apresenta apenas uma flauta e finalmente na última seção, é retomada a cítara acompanhada pela harpa e pela tabla. O tema reaparece várias vezes no disco sempre ambientados de maneira diferente e  condizendo com os vários climas do filme.

O violão de Laurindo Almeida se destaca na faixa 4, “Improvisation On Charly Theme/The Maze/The Triumph In The Bakery”. Ele é acompanhado por uma diversidade enorme de timbres percussivos.

O lado 2 do disco tem temas mais líricos e serenos. “Love Montage” é um incrível mix de raga indiana com cítara e tabla, mas acompanhado por cravo e flautas, originando um híbrido fascinante. “Self Pursuit” é um grande veículo para mostrar a mestria de Alla Rakha, o tablista e companheiro inseparável de Ravi. O disco se encerra com a revisão dos temas principais em um mood mais meditativo e reflexivo.


Apesar da música ter um link inevitável com o filme, a trilha pode e deve ser apreciada por si só. É uma música forte, complexa, que une o exotismo à beleza, disciplina e improvisação, e é uma fortíssima mostra da genialidade de Ravi Shankar.

Este disco foi relançado em CD na Itália não oficialmente pelo selo Akarma, com capa digipak e excelente acabamento. Mas já está fora de catálogo. Esperemos que um dia o selo World Pacific se anime em relançá-lo oficialmente.
 

* Carlos Nishimiya é músico, toca com Kid Vinil no KVX, Continental Combo além de seu projeto surf, o Surfadelica.

 


 


 
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