
Praticamente uma semana após o show do Deathstars, outra banda sueca resolveu mostrar as caras aos headbangers brasileiros. Desta vez, quem passou pelo palco do Carioca Club, foi o Dark Tranquillity. A noite do Dia dos Namorados celebrou a exuberante estreia de um dos criadores do death metal melódico no país.


DARK TRANQUILLITY
Carioca Club, São Paulo
12/6/2010
Uma das melhores apresentações de heavy metal do ano
Por Costábile Salzano Jr
Fotos Vivianne Drummond
O Dark Tranquillity é um grupo que ficou mundialmente conhecido devido a sua excelência musical. Com temas rápidos, excêntricos e letras inteligentes, a sua sonoridade arrebatou em cheio os fãs tanto das músicas pesadas como os que gostam de partes mais melódicas. Após realizar longas turnês por Europa e América do Norte, Mikael Stanne (vocais), Martin Henriksson (guitarra), Niklas Sundin (guitarra), Daniel Antonsson (baixo), Martin Brandstrom (teclados), Anders Jivarp (bateria) finalmente vieram desbravar a América do Sul por completo. E o Brasil foi um dos países agraciados por esta ilustre e tão esperada visita.
Exatamente às 20h25, o Dark Tranquillity estreava no Brasil e, logo de cara, recebia o tão famoso calor do público brasileiro. O sexteto entrou em cena com “At the Point of Ignition” e “The Fatalist”, duas pauladas de seu mais recente álbum We are the Void.
Assim como aconteceu na estreia do Amon Marth, outro excelente grupo sueco, logo nas duas primeiras músicas, o público já estava extasiado, nos braços do sexteto. Afinal, foram 20 anos de espera que deveriam ser recompensados em pouco mais de 1h40 do mais puro Gothenburg Sound.
Mantendo o ritmo acelerado, executaram uma trinca enlouquecedora: “Focus Shift” e, para delírio da galera, as clássicas “The Wonders At Your Feet” e “Final Resistance”.
O repertório, conforme fora prometido, seguiu com composições de praticamente todos os trabalhos. Uma das músicas que mais impressionaram foi a nova, “Shadow in Our Blood”, que teve o seu clipe sincronizado no backdrop. No entanto, o clímax da apresentação veio justamente na primeira do bis com “Therein”. Se no disco ela é fantástica, ao vivo, é fora de série. A partir dali o que veio foi lucro.
Porém, tudo o que é bom dura pouco. O show passou muito rápido, sinal de que os integrantes do Dark Tranquillity foram eficientes. Até mesmo quando executaram músicas mais calmas, a exibição não se tornou maçante e a interatividade com os fãs foi a mesma do início ao fim.
O vocalista Mikael Stanne foi um poço de simpatia e carisma. Com o sorriso sempre largo no rosto, deu um show à parte. Seu vocal é impar. Perfeito nas partes melódicas e nos vocais rasgados, sem sombra de dúvidas, ditou a vibração para que aquela noite fosse inesquecível tanto para a banda como para os fãs.
A dupla de guitarristas Niklas Sundin e Martin Henriksson se completam como unha e carne. Donos de riffs poderosos, são verdadeiros maestros, conseguiram evidenciaram porque são músicos tão aclamados dentro do death metal.
A cozinha formada por Daniel Antonsson (baixo) e Anders Jivarp (bateria) “joga” fácil até mesmo nas partes mais complicadas, não deixaram o ritmo, muita vezes frenético da apresentação, cair.
No entanto, é o teclado de Martin Brandstrom que determina a excentricidade das músicas. Mesmo que posicionado ao fundo do palco, sua presença é mais do que notória. Suas linhas melódicas dão aquele toque intimista a cada composição o que muitas vezes determina a identidade de uma música. Fato que também acontece em outras bandas como Dimmu Borgir, Cradle Of Fith, Children of Bodom e muitas outras.
O Dark Tranquillity provou, ao vivo, diante dos aficcionados fãs brasileiros, porque é considerado um dos melhores grupos do atual cenário do Heavy Metal Mundial. Se seus compatriotas In Flames e At the Gates tomaram um rumo um tanto diferente se compararmos com a sonoridade do inicio de carreira, o Dark Tranquillity mantem até hoje a sua identidade musical. É claro que passaram por momentos experimentais, mas a sua peculiaridade característica se mantem intacta.
Os suecos não precisaram de muito elementos para fazer uma boa apresentação. Os caras se garantiram na raça mesmo, no palco, executando seu som rápido, pesado e devastador sob a base de uma iluminação simples. A única coisa de extravagante foram as imagens sobrepostas no backdrop, que, de certa forma, deram um toque mais intimista ao show. De resto, foi porrada na orelha executada por uma banda segura e com uma performance perfeita. O único porém foi ter deixado Monochromatic Stains, que há um bom tempo, não tem figurado no repertório, mais uma vez de fora. Mesmo assim, fizeram uma das melhores apresentações do ano!
Set list
1.At the Point of Ignition
2.The Fatalist
3.Focus Shift
4.The Wonders At Your Feet
5.Final Resistance
6.Misery's Crown
7.Punish My Heaven
8.Iridium
9.Shadow in Our Blood
10.The Lesser Faith
11.Dream Oblivion
12.Lethe
13.Lost To Apathy
14.ThereIn
15.The Grandest Accusation
16.Terminus (Where Death Is Most Alive)