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discos básicos: Singles Going Steady, Buzzcocks
Quinta-feira, 10 de Junho de 2010 (1:09:28)


Singles Going Steady é uma coletânea de todos os compactos que o Buzzcocks lançou nos anos de 77 e 78, começando por “Orgasm Addict” – que acabou censurada em boa parte das rádios britânicas – e prosseguindo com “How Do I Get?”. Pela primeira vez nas paradas de sucesso, o grupo apresentou seu coração carente/sorridente com cabelo moicano e argola no nariz. 



 



SINGLES GOING STEADY
Buzzcocks
 (1979)


Por João Eduardo Veiga



Se às vezes fica complicado diferenciar os conceitos de amor e de paixão, o punk britânico conseguiu separar bem esses sentimentos em duas bandas:  Sex Pistols e Buzzcocks.  Os Pistols são a paixão irracional que surge do nada, manda todo o resto às favas, gera uma inesquecível noitada e logo depois acaba.  Não que a trajetória dos Buzzcocks tenha sido muito diferente; a primeira encarnação do grupo veio ao mundo como gêmea de toda uma geração de punk rockers (por volta de 1977, não custa relembrar), lançou três LPs e não foi capaz de se sustentar até a chegada dos anos 80.  O que transforma os Buzzcocks nos representantes do “amor” nesta analogia é o fato de que o verbo “destruir” não é conjugado em um só verso das canções da banda.  Seus integrantes desejavam simplesmente ter em suas vidas um pouco de romance – ainda que um bocado sacana e alcoolizado.  Um romance rock’n’roll, enfim.
  
Mesmo com sentimentos, é claro que os Buzzcocks – como bons punks – pretendiam chocar.  A intenção original era se dirigir diretamente à juventude desbocada e deixar as tradicionais senhoras de Manchester – apesar de todo o laquê – com os cabelos em pé.  Carregando de malícia a releitura do it yourself das canções radiofônicas dos anos 50 e 60 promovida pelos Ramones no outro lado do Atlântico, a banda chegou aos ouvidos de um pessoal sedento por pulos com a grudenta “Orgasm Addict”.  Era a hilária história de um garoto viciado em sexo, que serviu como o ponto de partida para a verdadeira festa em forma de LP que os Buzzcocks chamaram de Singles Going Steady.
  
O disco é uma coletânea de todos os compactos que a banda lançou nos anos de 77 e 78, começando pela já citada “Orgasm Addict” – que acabou censurada em boa parte das rádios britânicas – e prosseguindo com “How Do I Get?”. Pela primeira vez nas paradas de sucesso, o grupo apresentou seu coração carente/sorridente com cabelo moicano e argola no nariz.  O vocalista Pete Shelley questiona sobre como conseguir uma garota que realmente o ame e um amigo que não vá embora, ao mesmo tempo em que toca sua guitarra com vigor e faz com que a festa não pare.  Seguem-se “I Don’t Mind”, “Love You More” e, finalmente, “Ever Fallen in Love (With Someone You Shouldn’t Have)?”. Foi quando Shelley atingiu a perfeição, combinando peso e velocidade com melodias iê-iê-iê e aquela temática original da música pop – a dor de cotovelo.

A diferença dos Buzzcocks para o pessoal emo resmungão de hoje em dia é que as letras de Singles Going Steady não soam como atentados promovidos por bandas de pagode mineiras.  As construções de Shelley são sinceras e cuidadosas, com boas pitadas de algo que é fundamental no rock’n’roll (talvez em qualquer estilo musical, talvez em qualquer tipo de arte):  a ironia.  Não há nenhum momento decepcionante – apesar de muitas das canções tematizarem a decepção – nas 16 faixas do disco (com mais oito de bônus na versão em CD), algumas lançadas anteriormente apenas em singles e outras nos dois álbuns gravados em 1978 – Another Music in a Different Kitchen e Love Bites.  O grupo passou a década de 80 em silêncio e foi reativado nos anos 90, com a explosão do “punk pop” capitaneado pelo Green Day.  O último lançamento foi um elogiado CD epônimo colocado no mercado pela indie Merge Records em 2003.
  
Vários punks mais fervorosos – aqueles que até hoje dizem fazer parte de um “movimento” – costumam rejeitar os Buzzcocks ao alegar que a banda se distanciou da proposta inicial do estilo ao dar espaço às letras sobre relacionamentos e colocar a melodia em primeiro plano.  Mas, afinal de contas, um punk é, acima de tudo, um excluído.  E quem pode negar que ser rejeitado pela pessoa amada dói muito mais do que ser marginalizado pelo sistema?  Quer dizer, a pergunta, na verdade, é outra:  você já se apaixonou por uma pessoa pela qual não deveria ter se apaixonado?  Bem-vindo ao clube.  Entre e fique à vontade – use você spikes ou não.

 


 
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