
Os Cranberries poderiam ter passado com uma turnê por aqui na década de 1990, fato que nunca aconteceu. Talvez por isso, os fãs brasileiros da banda irlandesa que já vendeu mais de 40 milhões de álbuns pelo mundo, tenham criado uma grande expectativa pelas apresentações em solo brasileiro.

CRANBERRIES
Citibank Hall, Rio
28/1/2010
Por Marcos Araújo
Fotos Michael Meneses
Apesar da separação nunca ter sido oficializada, desde 2003 os irlandeses do Cranberries atuavam em projetos paralelos, fazendo crer que nunca mais se reuniriam novamente. Formado em 1989 pelos irmãos Noel Hogan (guitarra), Mike Hogan (baixo) e o baterista Fergal Lawler, quem acabou chamando a atenção como a grande estrela da banda foi Dolores O´Riordan, que se transformou como o elemento fundamental na sonoridade da banda pela sua arrojada e potente voz. Logo no primeiro ensaio, Dolores já apareceu com o rascunho de “Linger”, um dos maiores sucessos do grupo.
A vocalista sempre continuou lançando bons álbuns solo (o último, “No Baggage”, é do ano passado), mas a “magia” sempre esteve presente quando os quatro compunham juntos. Com cinco álbuns lançados, os Cranberries sempre lançaram singles que atingiam os primeiros lugares das paradas britânicas. Foi assim com “Linger” e “Dreams”, do álbum de estreia (“Everybody Else Is Doing It, So Why Can´t We?”, de 1993) e que solidificou a popularidade com o segundo (“No Need To Argue”, de 1994), que tinha os hits “Zombie” (um protesto sobre a violência entre extremistas protestantes e católicos na Irlanda do Norte), “Ode to my family” e “Ridiculous thoughts”, recebendo 7 discos de platina nos Estados Unidos e 5 na Europa.
Os Cranberries poderiam ter passado com uma turnê por aqui na década de 1990, fato que nunca aconteceu. Talvez por isso, os fãs brasileiros da banda irlandesa que já vendeu mais de 40 milhões de álbuns pelo mundo, tenham criado uma grande expectativa pelas apresentações em solo brasileiro.
E os fãs não saíram decepcionados. A espera foi compensada por um show emocionante no Rio de Janeiro, com a casa praticamente cheia, mesmo para uma quinta-feira (fato raro em se tratando do RJ). Uma animada Dolores, que o vivo canta muitíssimo bem (ela brinca com a voz assim como Liz Frasier dos Cocteau Twins fazia), não cansava de elogiar a cidade e a beleza dos cariocas. Abriram com “How” e seguiram com “Animal Instinct” e “Linger”. O cenário, simples, mas muito bem iluminado, combinou muito bem com as canções ora climáticas, ora mais rockers, que sinceramente, são muito mais a cara do grupo, como o público pôde conferir em “Salvation”, “Ridiculous thoughts” e Zombie”, que fechou o set antes do bis.
Um dos momentos mais quentes do show foi durante a execução de “Ode to my family” quando, no meio da música, a vocalista literalmente se jogou no meio do público, deixando os seguranças em polvorosa para fazê-la retornar ao palco. A galera, que cantou junto praticamente todas as músicas, pediu tanto por “Promises”, que a banda resolveu atender os súditos, mesmo não estando no set list oficial, para depois terminar com o belo hit "Dreams". Uns reclamaram que faltou “I Still do” outros ainda pediam por “Just my imagination”, mas o legal é isso mesmo. Sinal de que os Cranberries ainda dão um bom caldo.
Set list – How / Animal Instinct / Linger / Ordinary Day / Wanted / You And Me / Dreaming My Dreams / When You're Gone / Daffodil Lament / I Can't Be With You / Pretty / Ode To My Family / Free To Decide / Waltzing Back / Switch Off The Moment / Salvation / Ridiculous Thoughts / Zombie / Empty / The Journey / Promises / Dreams
