
Amor e Heavy Metal, para quem não conhece, podem parecer duas palavras dispares. No entanto, o que os fãs brasileiros e o Metallica realizaram na noite de sábado (30), foi uma verdadeira declaração de matrimonio eterno. Confira também o show de Porto Alegre.





METALLICA
É Orgulho, Paixão e Glória em São Paulo
Por Costábile Salzano Jr
Fotos Marcelo Rossi
Foto Kirk Hammett por Pati Patah
São Paulo, 30 de janeiro de 2010. Uma data histórica para os fãs de Heavy Metal! O Metallica categoricamente se redimiu perante aos fãs brasileiros ao realizar um espetáculo repleto de clássicos e uma presença de palco devastadora. Sem contar, as longas juras de amor e a trégua de São Pedro que em definitivo comprovou que gosta de Heavy Metal deixando de despejar suas tempestades de 34 dias em sequencia justamente no dia do show...
Amor e Heavy Metal, para quem não conhece, podem parecer duas palavras dispares. No entanto, o que os fãs brasileiros e o Metallica realizaram, na noite do último sábado, dia 30 de janeiro de 2010, foi uma verdadeira declaração de matrimonio eterno.
Foram 11 longos anos pelos quais seus fies seguidores acompanharam cada momento de angustia, dificuldade e intrigas até a ressurreição da banda com o álbum Death Magnetic. O Metallica mostrou ao vivo diante do estádio do Morumbi praticamente lotado, que a vitalidade e a energia da banda está mais do que recarregada.
Antes mesmo de subir ao palco, Lars Ulrich (bateria), James Hetfield (vocal/guitarra), Kirk Hammett e Rob Trujillo (baixista), comprovaram a fidelidade e a devoção que os fãs brasileiros têm pelo grupo. A primeira prova foi a insana procura por ingressos, que se esgotaram logo que foram disponibilizados na internet, além da grande demanda de público por uma segunda data na cidade de São Paulo.
Outra grande prova eles tiveram pouco antes de entrar em cena. Diante da nata da imprensa brasileira, os norte-americanos foram surpreendidos ao receber um disco de ouro pela venda de 48 mil cópias do álbum Death Magnetic e DVD de platina duplo pelos 60 mil exemplares de "Orgulho, Paixão e Glória - 3 Noites no México". Visivelmente alegres, duas horas depois, eles subiriam no palco para agradecer este nobre prêmio.
Agora, os fãs sabem porque foram contemplados com um set list tão devastador. (veja matéria da coletiva)
Sepultura
Assim como foi em 1.999, o Sepultura, maior representante do metal brasileiro até hoje, foi escalado para esquentar a galera. Ao entardecer, a trupe comandada pelo guitarrista Andreas Kisser, que este ano comemora 25 anos de uma vitoriosa carreira, subiu ao palco com a mesma garra de sempre só que um gostinho ainda maior: era a primeira vez que a banda tocava no estádio do Morumbi.
Para Andreas, tal realização não foi novidade, afinal ele foi um dos músicos convidados para participar do show do Nasi durante a abertura para o KISS, mas, com certeza, o sentimento para ele, Derreck Green (vocalista), Paulo Xisto (baixo) e Jean Dolabella (bateria) foi outro. Era a sua banda que estava ali, diante de uma multidão.
São-paulino fanático, ele não aguentou a emoção e disparou "O São Paulo é o maior time do Brasil e o Morumbi é o melhor estádio do País". Como era de se esperar, foi brevemente vaiado após essa declaração. Andreas foi cornetado até por Derreck, que apesar de americano, é torcedor assumido do Palmeiras, e por Xisto, que vestia camiseta do Atlético Mineiro, seu clube do coração. Porém, antes disso, ele agradeceu o apoio dos fãs: "O Sepultura está fazendo 25 anos e isso tudo só aconteceu por causa de vocês".
Em relação ao show, o grupo aproveitou a oportunidade para divulgar o novo álbum A-Lex, lançado em janeiro de 2009, para um público ainda maior em comparação ao festival Maquinaria. O repertório passou por boa parte das fases da banda, mas as músicas que fizeram a plateia vibrar foram as clássicas Refuse/Resist, Arise, Territory, Inner Self, Troops of Doom e Roots Bloody Roots.
Metallica: show começa assim que as luzes acendem
Assim que o Sepultura se despediu, todas as luzes do estádio foram acesas, deixando o público um tanto confuso, pois habitualmente as luzes se apagam. Porém, tudo isso tinha um motivo: preparar os fãs para uma entrada espetacular, ou seja, o show já havia começado, mas poucas pessoas haviam percebido. O ansiedade tomava conta dos fãs, que angustiados ficavam desesperados para que as luzes se apagassem logo.
Quando a enorme torre de iluminação que ficava de frente para o palco e a torre lateral se apagaram, única luz que pairava sob o estádio era da misteriosa e extraordinária lua cheia que se infiltrava em meio a escuridão. O fãs gritavam histéricos até que a famosa e tradicional introdução “The Ecstasy of Gold”, de Enio Morricone, ecoou pelos PAs do Morumbi. Em poucos segundos, o púbico explodiria com a triunfal Creeping Death.
James não conseguia disfarçar a alegria, sorria incessantemente e revelava que está sentindo a forte energia vinda de seus admiradores. O frontman pergunta se a galera está pronta, recebe um feedback efusivo e despeja, como era de se esperar, For Whom the Bell Tolls, mais um clássico do álbum Ride in the Lightning.
Até aquela altura tudo seguia conforme o esperado, até que então veio a primeira surpresa da noite com os primeiros riffs da poderosa The Four Horsemen, do debut Kill 'Em All. São Paulo estremece! A performance da banda parecia que haviam voltado no tempo. James lembrava aquele adolescente rebelde do inicio de carreira, Kirk não errou uma nota sequer no solo (algo raro antigamente), Lars esmurrava o seu belo kit de bateria e Rob segurava a bronca com maestria.
Definitivamente determinados a apagar a má impressão deixada pelo cancelamento da turnê em 2003 e também querendo mostrar gratidão pela excelente venda de seus mais recentes lançamentos no País, o Metallica brinda a galera com mais uma surpresa, Havester of Sorrow. Para deixar ainda mais os fãs satisfeitos, na continuidade, tocaram a clássica "balada" Fade to Black.
Com a galera satisfeita, totalmente aquecida, extasiada, com o jogo praticamente ganho e administrado, inteligentemente começam a divulgar as músicas do novo álbum Death Magnetic. A primeira foi That Was Just Your Life (única que esteve com o som embolado durante as duas horas de show) seguida por The End of the Line e o single The Day That Never Comes.
Mostrando a capacidade do grupo de mesclar as canções do seu disco mais recente com os hinos já consagrados de sua carreira, experientemente, inserem Sad But True, dedicada com um tom de voz meio sarcástico ao Sepultura. Em seu discurso, James comenta o que declarou durante a entrevista coletiva sobre a paixão que os fãs brasileiros sentem pelo Metallica. "É um prazer tocar com nossos amigos do Sepultura. Afinal, eles sabem que os brasileiros gostam de som pesado assim como nós. Vocês querem mais peso?”, incitou.
A galera definitivamente extrapolou durante Sad But True, cantada em uníssono, tanto que fez James retomar a conversa em relação a devoção e o fanatismo do público brasileiro. Antes de tocar uma das melhores composições do mais recente trabalho, Broken, Beat and Scarred, o frontman não poupa palavras para agradecer do que ele denominou de “A Família Metallica”. “Muito obrigado por nos apoiarem nos momentos mais difíceis e nos bons momentos como esse".
Tendo a prova de que suas novas músicas haviam sido bem recebidas, as luzes se apagam, por alguns segundos, não se ouvia um som emitido do palco até que os inconfundíveis efeitos sonoros de guerra. Chegara a hora de um dos momentos mais esperados, a clássica One, música esta que apresentou o Metallica ao mainstream a partir de um "polemico" videoclipe. As breves explosões por todo palco, lança-chamas, fumaça e fogos de artifício trouxeram todo aquele clima bélico ao palco fazendo a galera delirar.
Porém, os fãs mal sabiam que One era apenas um aperitivo para o que viria a seguir: a dupla devastadora Master of Puppets e Blackned, que também com efeitos pirotécnicos, cairam feito uma bomba atômica. Assim como em outras composições, vários moshs se abriram por toda pista do estádio tornando daquele espaço uma verdadeira celebração ao período que os fãs chamam de a melhor fase do Metallica
Fim da pancadaria, Kirk começa a brincar com sua guitarra com um timbre mais limpo, ou seja, mais uma "baladinha" estava por vir. Se seguíssemos o set list normal, a previsão era para Nothing Else Matters, porém, a levada que ele tocava parecia que a qualquer momento iria surpreender todo mundo e introduzir The Unforgiven, no entanto, foi Nothing Else Matters que veio para acalmar os ânimos e depois abrir alas para Enter Sandman. A música mais famosa da banda presente no multiplatinado Black Album, foi urrada em uníssono contou com as suas famosas explosões decretando o fim da primeira parte do show em grande estilo.
A banda deixa o palco, mas, provavelmente por estarem com a adrenalina em alta, o quarteto não demora muito para reencontrar seus fãs ávidos por mais clássicos. Assim como em todas as apresentações desta turnê, o bis tem inicio com uma sempre imprevisível homenagem a uma banda que inspirou o Metallica. Desta vez, a escolhida foi Stone Cold Crazy, do Queen.
Certamente com o objetivo de tornar aquela noite ainda mais inesquecivel e deixa-la equiparavel às suas outras tres passagem pelo Brasil, o Metallica mandou sem a minima piedade a devastadora Motorbreath, que há alguns shows nao executavam. Mais uma surpresa que nem mesmo o mais fanático poderia esperar.
Antes do manjado grand finale, Hetfield pede para que os holofotes do estádio se acendam. “Vocês passaram a noite inteira olhando para nós, os feiosos do Metallica, agora é a hora de a gente ver vocês”. Enquanto isso, o público se esgoelava pela sempre mais pedida Seek and Destroy. Porém, antes de começar a tocar o riff antológico, o vocalista brincou: "Vocês gostam dela? É porque a letra é fácil, né? Eu também gosto!". A música é berrada por todos, ecoado por todo o requintado bairro do Morumbi.
Finalizado o desfile de clássicos da 126° exibição da World Magnetic Tour, James, Kirk e Rob se dirigem a plateia e começam a jogar uma tempestade de palhetas personalizadas com o emblema do novo disco. A galera delira como se a banda estivesse tocando mais um clássico. Somente Lars economizou e jogou algumas baquetas para o público.
Após todo esse contato ainda mais direto com a galera, a banda permanece no palco e cada integrante agradece ao público por todo amor, carinho e fanatismo dedicado ao Metallica durante todos esses anos de carreira. "Vocês são ótimos fãs. Ficaram com a gente nos dias ruins e nos dias bons. Hoje foi um dia dos bons", disse James. "Espero que a gente não demore onze anos para voltar ao Brasil", complementou Lars.
A banda se despede após duas horas de uma performance intensa, espetacular. O Metallica provou que, apesar de todos problemas que passaram nos últimos anos, o grupo está forte, unido e, o mais importante de tudo, feliz. E essa felicidade transparece no palco e na hora de retribuir a energia aos apaixonados fãs brasileiros.
O repertório foi praticamente perfeito. É claro que faltaram composições do quilate de Whiplash, Disposable Heroes, Dyers Eve, Damage Inc. e muitas outras. Apesar de algumas músicas funcionarem bem ao vivo, os discos Load, Reload e St. Anger, que marcam a fase conturbada foram esquecidos literalmente.
A presença de palco é espetacular. James incrivelmente comprovou o que disse durante a coletiva que hoje são músicos melhores. Ele, que ao vivo não era considerado dos melhores, mostrou que está mandando muito bem. Sem contar, a energia avassaladora que ele passa enquanto toca.
Kirk so faltou atear fogo no seu instrumento. Ele é outro que demosntrou que está de volta aos tempos aureos. Antigamente, cometia algusn erros imperdoaveis, porém, desta vez, deu uma aula de como deve ser um guitarrista solo.
Lars é outro que mesmo atras da bateria parece que está na frente do palco. Suas caras e bocas, sua vibração enquanto toca sao um show a parte. É praticamente um gol de placa, que vale pagar outro ingresso.
Mesmo há pouco tempo no lineup, Rob Trujillo também nao se deixa ficar como mero coadjuvante. Além da experiencia de já ter tocado com Ozzy Osbourne, o cara mostrou que está mais do que entrosado. É um verdadeiro animal em cena. Caiu como uma luva na banda.
Vale a pena lembrar que, o Metallica não apela para o lado visual. O palco é simples, com telões em alta definição para que todos os espectadores, mesmo de longe, possam enxergá-los, deixando para impressionar seus fãs apenas com seu poder sonoro.
Para quem ficou tanto tempo longe, podemos considerar como um grande e forte abraço dos nossos "familiares".
Que me desculpem os devotos de Iron Maiden, KISS, Ozzy, Heaven and Hell, mas o Metallica é a maior banda de Heavy Metal do Mundo até depois de uma crise.
Set list São Paulo
(30/1/2010)
Creeping Death
For Whom The Bell Tolls
The Four Horsemen
Harvester of Sorrow
Fade to Black
That Was Just Your Life
The End of the Line
The Day That Never Comes
Sad But True
Broken, Beat and Scarred
One
Master of Puppets
Blackened
Nothing Else Matters
Enter Sandman
bis
Stone Cold Crazy (Queen cover)
Motorbreath
Seek and Destroy

METALLICA PORTO ALEGRE
Maratona em Porto Alegre inclui hits, surpresas, emoções, banho de lama e zumbis de camisetas pretas
Por Luis Guilherme Rodrigues
Fotos Divulgação
(Matéria cortesia Mondo Bacana)
Nada melhor do que uma noite mal dormida pra começar uma maratona "metallica" de 24 horas... Nesse ritmo, sigo para o Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. Num curto espaço de tempo, consigo perder e reencontrar minha passagem de avião. Minha longa jornada rumo a Porto Alegre assim começou. Fortes emoções desde cedo.
Surreal. Uma invasão de camisetas pretas tomou conta do Aeroporto Salgado Filho. Barbudos, cabeludos, tatuados, e algumas belas moças também. Nunca vi tantos metaleiros reunidos em um lugar tão insólito. Parece que a transferência de última hora para o Parque Condor, em frente ao aeroporto, incentivou o pessoal a tomar as vias aéreas.
Mas essa mudança de local não foi uma idéia tão boa assim. Quem atravessava a avenida em frente ao Salgado Filho em direção ao local do show encontrou uma enorme valeta separando duas vias – e eu só consegui encontrar uma mísera pontezinha pra atravessar. Muitos arriscaram pular; outros tomaram um belo de um banho sujo. A chuva que tomou conta da tarde de Porto Alegre só piorou a situação. O pequeno portão que dava acesso ao local teve de ser aberto mais cedo e a fila se tornou gigantesca. O Parque Condor era uma tradução fiel de Woodstock: muita lama, tênis se tornando imprestáveis e um cheiro de bosta de vaca por todo o lado. Mas nada disso impediu os true metal lovers de ouvirem a fúria sonora do Metallica.
Antes, a abertura com a banda local Hibria. Não conhecia nada dos caras, mas gostei muito do que vi e ouvi. Executando um power metal melódico com boas influências de Iron Maiden e do próprio Metallica, o som dos gaúchos promete avançar os pampas e conquistar mais fãs pelo Brasil.
Com 15 minutos de atraso, Clint Eastwood invadiu os três telões do palco, ao som de “The Ecstasy Of Gold” e a clássica cena do duelo final em The Good, The Bad And The Ugly. Era a deixa para os milhares de presentes entrarem em êxtase e explodirem quando o Metallica mandasse bala nos primeiros acordes de “Creeping Death”, do clássico Ride The Lightning. Do mesmo álbum, a abertura do show incluiu também “For Whom The Bell Tolls” e a faixa-título, raridade em shows do grupo.
A melhor faixa da fase Load/Reload veio logo em seguida. “The Memory Remains” ganhou um peso ainda maior com a platéia fazendo o backing vocal outrora destinado à Marianne Faithfull. Arrepio nos pêlos da barba, só superado pela música seguinte, a balada “Fade To Black”.
Os três telões, um em cada lado do palco e outro ao fundo, foram um show à parte. A edição das imagens, que mostravam a insanidade e a habilidade dos quatro músicos, renderia facilmente um DVD. Graças às imagens das câmeras, o público que estava mais longe do palco pode perceber que esta nova fase do Metallica é sem dúvida uma das melhores da história do grupo. James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e o novato Robert Trujillo mostraram uma sintonia sem igual, cada um deles com uma energia exclusiva. Um clima de amizade que nem de longe lembrava o documentário Some Kind Of Monster, que mostra os bastidores tumultuados da gravação do álbum St. Anger, em meio a brigas, substituição de baixista e problemas com alcoolismo.
Álbum este, aliás, completamente ignorado no set list do show, que após “Fade To Black” apresentou uma seqüência de músicas do trabalho mais recente, Death Magnetic. “That Was Just Your Life”, “The End Of The Line” e “The Day That Never Comes” foram muito bem recebidas, mais uma vez comprovando a boa fase atual. Pausa para a "pausa mais heavy metal do mundo" de “Sad But True” e mais uma faixa de Death Magnetic, a favorita do público “Cyanide”.
Tiros em áudio, fogos e explosões ao vivo; James Hetfield entoava em seu violão os acordes iniciais de “One”, derramando uma lágrima em um ou outro barbudo. Os solos destruidores no final da canção foram apenas o começo para a fúria espiritual tomar conta do lugar com duas faixas da obra-prima Master of Puppets: a faixa-título e a fuzilante “Battery”.
Ápice com fervor
Mais uma balada para acalmar os nervos da platéia, desta vez “Nothing Else Matters”. Ao final, uma singela cena: James segurou uma nota com a guitarra praticamente no chão. A câmera focava sua mão e, depois de um dedo médio e da combinação diabólica dos dedos indicador e mínimo, o guitarrista mostrava uma palheta que reproduz fielmente a capa de Death Magnetic, inclusive com o caixão vazado. Emendando na nota, surgiu o hino oficial do Metallica, “Enter Sandman”. Os puristas conservadores xiitas podem não concordar com isso, mas é a canção que abriu à banda as portas da conquista do mundo. Por isso, foi cantada com fervor pela maioria dos presentes.
Intervalo pré-bis habitual e em seguida Kirk Hammett começou um solo entoando “The Frayed Ends Of Sanity, música do disco ... And Justice For All que nunca foi tocada completa ao vivo. Vale a pena lembrar, aliás, que o Metallica não costuma repetir sets de um show para o outro. Logo, foi com surpresa e alegria que o público recebeu a execução de “Die, Die, My Darling”, clássico dos Misfits. E mais surpresa ainda estava por vir, com a lembrança de “Phantom Lord”, do poderoso disco de estréia Kill 'Em All. E do mesmo álbum veio “Seek And Destroy”, a música que encerraria o show com o devido louvor metálico e arregaçando a garganta dos fãs.
Um show memorável, surpreendente e muito bem conduzido. Valeu toda a grana gasta e o esforço despendido, que não estava longe de acabar. Como um bando de zumbis, o público foi saindo pelo mesmo pequeno portão. Até atravessar a avenida e chegar ao aeroporto levou quase mais uma hora. A valeta citada no começo do texto foi novamente cenário de algumas cenas enlameadas. Pelo que fiquei sabendo, a produtora local do show tem a fama de trazer excelentes artistas com uma péssima organização e desta vez não fora diferente.
Para quem tinha vindo de avião até Porto Alegre, veio a difícil tarefa de repousar nos bancos e no chão frio do Salgado Filho, o que gerou mais uma visão inusitada. Com os tênis recheados de lama, continuei um zumbi por um bom tempo, sem dormir e esperando por um vôo que ainda atrasaria mais duas horas. Cheguei em casa depois de mais de 24 horas acordado e com heavy metal tocando na cabeça. Depois comecei a escrever este texto...
