Shows: The Temper Trap, Barcelona
Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009 (22:57:18)
Além dos londrinos The XX, os atuais queridinhos da vez no rock são The Temper Trap, da Austrália. Embora críticos e imprensa especializada não tenham se derretido diante de seu disco de estréia, Conditions, lançado este ano, a MTV britânica não se cansa de exibir o clipe de um de seus hits "Sweet Disposition", o que provocou um choque de opiniões sobre a popularidade da banda na Europa.
THE TEMPER TRAP
Sala BeCool, Barcelona
14/11/2009
Por Mauricio Melo
Sabemos muito bem que a cada ano surgem aquelas bandas que se tornam a última sensação, apontadas pelos críticos como a salvação do mundo pop, rock ou indie. E muitas não superam sequer o segundo álbum, deixando órfão um grupo de pessoas que acreditaram nesta salvação. Já temos alguns nomes que participam deste iê, iê, iê atual, como os jovens londrinos do The XX que vem lotando seus shows e já são atração confirmada em alguns festivais importantes na Europa para o próximo verão. Outra banda que desponta mas de forma mais discreta é o The Temper Trap, da Austrália. Falamos em discrição porque ao contrário de muitas outras, os críticos e a imprensa especializada não se derreteram diante de seu disco de estréia, Conditions, lançado este ano. Porém a MTV britânica não se cansa de exibir o clipe de um de seus hits "Sweet Disposition", o que provocou um choque de opiniões sobre a popularidade da banda na Europa.
The Temper Trap é liderada pelo vocalista Dougy que, nascido na Indonésia, teve grande influência de música gospel e country por causa de seus familiares. Antes de chegar a Austrália ainda residiu no Havai, o que lhe deu um conhecimento um pouco distinto em outros ritmos musicais. Uma vez em Melbourne a história se repete, um grupo de amigos ainda na adolescencia escrevendo músicas de forma primitiva e tocando como loucos em busca de uma identidade. E foi através desta insistência e influências que o The Temper Trap cresceu e chamou a atenção de Jim Abiss (Arctic Monkeys e Kasabian).
A banda chegou despretenciosa em Barcelona neste mês de novembro para um único show na pequena sala BeCool antes de enfrentar uma maratona de shows no Reino Unido com entradas esgotadas há algum tempo, incluindo a Brixton Academy em Londres. Aqui na Catalunia o contato foi mais direto, com um palco baixo e sem a tradicional barricada que separa o público do artista. Porém a recepção foi calorosa desde a chegada da banda, quando a van estacionou em frente a BeCool muitos fãs se aproximaram para tirar aquela fotinho, já imaginando que eles podem estar níveis acima futuramente e o contato pode não ser tão próximo assim.
A apresentação foi curta e não poderia ser diferente diante de um único álbum lançado. Abriram com a empolgante "Rest" após uma rápida introdução instrumental, já deixando o público eufórico e Dougy demonstrando que sua voz não funciona somente no estúdio, perceptível influência dos tempos de igreja. E para não perder o ritmo imposto neste início de apresentação "Fader" deu o ar de sua graça. Com "Fools", o vocalista deu mais uma demonstração de sua afinada voz nesta música com nítidas influências de Coldplay, murmurando e cantando com paixão uma de suas letras favoritas. "Down River" com sua levada mais acústica e alguma percussão também teve seu momento de destaque, ainda que o pequeno público quisesse as músicas mais dançantes.
A recepção foi um pouco mais calorosa com "Love Lost" que tem uma introdução com palmas, muito bem levada pelo público que demonstrava estar em plena sintonia com o grupo. A apresentação chegava em reta final com os primeiros acordes de "Sweet Disposition", a mesma do clipe que vem martelando diariamente na MTV britânica, com Dougy entusiasmado, de braços abertos ou batendo palmas e sendo muito bem assessorado por sua banda e público. Sem quebrar muito o ritmo "Ressurrection" também é executada, talvez a melhor música da noite entra em ação para um público já rendido e conquistado. A instrumental "Drum Song" ficou para o final quando poderia ser utilizada para a introdução do show, talvez o único erro no setlist.
A escolhida para encerrar a noite foi "Science of Fear", com o baixista distorcendo tudo e se contorcendo todo. Se retiraram rapidamente do palco após um simples boa noite e a sensação era de um retorno para o bis mas nem mesmo sob grande insistência deram as caras. Talvez quisessem retornar ao palco mas se deram conta de que já haviam tocado o álbum por inteiro.