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matérias: 20 anos de midsummer madness
Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009 (20:52:56)


Em 1989 o vinil ainda rodava com força, as fitas k7 eram a salvação para quem não podia compras as bolachas pretas e o mp3 nem era sonhado. Foi nesse ano que surgiu o zine midsummer madness, que mais tarde viraria selo, hoje com mais de 60 nomes lançados, mais de 500 músicas.



 





Acima, criatura e criador


midsummer madness completa 20 anos


Por Hugo Morais




Nos dias de hoje onde o novo já nasce velho, mais ainda depois da invenção do Twitter onde a informação não ultrapassa os ridículos 140 caracteres, é tudo tão importante que em alguns minutos não lembramos mais. Parece não haver quem queira ficar na história. Não que isso seja importante, mas do ponto de vista de fazer algo que siga durante décadas adiante - é, ou não?

Comemorar vinte anos então é duma façanha incrível. Pois o selo midsummer madness, do Rio de janeiro, capitaneado por Rodrigo Lariú, completa em 2009 duas décadas de atividades independentes, sim. Ou você acha que ser independente é de hoje? Se você é leitor macaco velho, sabe que o indie, como gostam de falar, existe desde que a necessidade se fez presente. Mas se você chegou aqui clicando num link de sexo selvagem e não sabe o que é ser independente, abra os olhos e siga adiante.

O selo surgiu na verdade como zine. No fim da década de 80. Servia principalmente para Lariú escrever sobre bandas que ele achava legais, o que termina sendo a temática de muitos zines, e dos blogs de hoje em dia: a cara de seu criador. O produto do zine vinha de algumas frentes, como explica o faz-tudo da MM. "Uma amiga minha e da minha irmã, a Bia, e que é amiga nossa até hoje, tinha irmãs mais velhas que compravam muitos vinis. Ela sempre emprestava. Além disso, ela já recebia fanzines e sempre me passava. Outro ‘fornecedor’ foi o namorado da minha irmã, o Leandro. O pai dele era dono de uma escola de inglês e assinava Melody Maker e New Musical Express. Além disso, o pai do Leandro era roqueiro então tinha muito disco e dava grana pra ele comprar discos. Por causa disso também, o Leandro tinha muitos amigos que também tinham muitos discos, ou seja, a rede era enorme!"

Em 1992 Rodrigo começou a trabalhar na loja de discos importados Spider. E da mesma forma que o namorado da irmã e a amiga da irmã passavam adiante o que pegavam, foi a vez de Lariú fazer a festa dos amigos copiando tudo que escutava e achava bom. É, a pirataria já existia há muito tempo. Mas naquela época a coisa era mais romântica e difícil. Discos não eram tão acessíveis e mesmo que existisse a cópia, o original era bem mais valioso. Espera-se que Rodrigo dê mais valor ao produto vinil, cd, o físico. Mas não. "Não me ligo nestes lances. Eu acho uma bobagem quando leio pessoas dizendo que manusear o vinil é maneiro, que é um fetiche. Palhaçada. Eu não tenho esta fixação táctil. Pra mim o que importa é a música. Se for uma boa banda, não importa se é vinil, k7, cd, mp3 ou partitura, o importante é ouvir aquela música".

E a comparação pode ser levada adiante entres zines e blogs? São a mesma coisa em épocas diferentes? "Não sei se a ligação é tão direta assim. Blogs de hoje igual fanzines de ontem. Será? Acho que há semelhanças, mas existem algumas diferenças cruciais. Os zines tem um diferencial importante que é a permanência. Eu tenho zines guardados em casa com matérias sobre bandas que não existem mais. Alguns blogs até fazem este tipo de matéria, mas basta saírem do ar para a banda nunca ter existido. Enfim, é uma característica do impresso ser perene enquanto que no virtual esta coisa do catálogo, do arquivo, ainda não está bem resolvida. Além disso, os blogs meio que se banalizaram. A impressão que eu tenho é que são muitos blogs e poucos são relevantes. Na época dos zines, a impressão que eu tenho é que a qualidade era melhor. Até pelo trabalho que dava pra fazer. Quando o cara fazia, fazia bem feito". Paira uma contradição? Você decide.

Rodrigo ainda lembra do primeiro disco que comprou, foi o Hatful of Hollow, do grupo inglês Smiths. Antes, ganhou num sorteio de rádio a coletânea tripla Rock na Cabeça. E na sequência ganhou da mãe um best of dos Beatles. Que ele credita possivelmente ao assombro da matriarca com a coletânea tripla. Antes de entrar na Spider o produtor só ouvia rock inglês e americano dos anos 80 e 90. A loja abriu seus horizontes e Lariú tinha que ouvir de tudo para atender os clientes: "Ouvi hip hop bom, tipo o que era feito nos anos 90 nos EUA, antes desta babaquice de G-rap e Eminen. Ouvi tudo de metal desde Sabbath até Tool. Teve uma época forte de hardcore americano. Muita coisa 60's psicodélica. E descobri uma das coisas que amo até hoje que é a Motown. Também reggae e música eletrônica pra caramba.”

Tendo a experiência do selo, Rodrigo partiu para um festival. "Comecei a fazer o Algumas Pessoas Tentam te Fuder, em 1998, porque tinha acabado de lançar os dois primeiros CDs do midsummer madness (The Cigarettes e Pelvs) e o Abril Pro Rock não quis escalar as bandas porque elas cantavam em inglês. Bobagem, porque nos dois anos anteriores, brincando de deus e Pin Ups haviam sido escaladas. Daí pensei a mesma coisa que eu havia pensado em 1989: se ninguém escala as bandas do MM, vamos fazer o nosso festival. E daí foi". Ele ainda produziu o festival Evidente.

E hoje? Como andam os festivais e a visão das bandas sobre eles e os selos? "Os festivais são importantes, muito melhor como está hoje, mas ainda falta melhorar muita coisa. Não adianta só ter festivais. As cidades, as regiões, tem que criar ‘cenas’ ou ‘sistemas’ auto-sustentáveis e criativos. Hoje em dia as bandas ficam se matando para conseguir tocar 30 minutos num festival em Goiânia, enquanto que o bacana seria se estas mesmas bandas conseguissem circular pelo país tocando em casas de shows, bares, além dos festivais. O bacana seria se existisse um circuito vivo, auto-sustentável, com criatividade artística. Acho que é pedir muito que este circuito seja nacional. Mas se ele fosse pelo menos regional ou estadual, já seria um grande adianto".

"Quanto aos selos é importante as bandas entenderem que um selo hoje em dia é um multiplicador. O senso comum (sempre meio burro) das bandas hoje é dizer que não precisam de gravadoras. Em parte eu não as culpo porque a imagem que ficou para as pessoas de uma gravadora é daquele filho-da-puta que vai enriquecer às suas custas, roubando sua arte. Só que o midsummer madness nunca foi isso. Sempre foi um grupo de amigos e pessoas interessadas em divulgar música boa. Então, apesar de todas as facilidades que permitem que uma banda hoje se produza e se divulgue sozinha, estar num selo ainda é um diferencial porque somos um grupo, e um multiplicador. Por exemplo: o midsummer madness não é um curral de bandas, onde entra qualquer coisa e vamos todos para o mesmo lugar, tipo MySpace. Existe curadoria, existe seleção, existem critérios. Quem entra no site sabe bem o que vai escutar. E eu gosto de frisar que o selo só é o que é hoje por causa das bandas boas que tem. Que o MM só existe há 20 anos porque todo ano nós descobrimos bandas boas que nos fazem continuar a fazer o que fazemos".

Com toda essa experiência, algumas provocações necessárias que vem de muita gente: por que as bandas dos anos 90, se eram tão boas, não deram certo? Por que as bandas do Rio de Janeiro não são tão boas quanto as que surgem no resto do país e não fazem sucesso? Há como destacar alguma banda que deu certo? Lariú não poupa palavras. "Não dá pra responder isso. A continuidade de uma banda tem 50% a ver com a época em que a banda existe e as facilidades/dificuldades que ela enfrenta. Os outros 50% a ver com assuntos internos, por problemas pessoais dos integrantes. Mas, se a intenção da sua pergunta era saber se, com todas as "facilidades" que existem hoje, se elas continuariam a tocar, a resposta é sim. A época que estas bandas precursoras enfrentaram foi bem casca-grossa. É um lance parecido com o que eu falei dos fanzines. Nos anos 90 era bem mais complicado e por isso mesmo, mais fácil dos ‘fracos’ (risos) desistirem. Quem persistia é porque era bom, ou, se não era, aprendia a ser. Tem banda boa e banda ruim em tudo que é canto. Mas, por exemplo, a Pelvs tem quase 20 anos de carreira e é contemporânea de Second Come, Dash, Beach Lizards. Apesar de todos perrengues, os caras continuaram. O fato da Pelvs ainda existir tem a ver com os 50% internos: os caras, acima de tudo, são muito amigos.”

"O que é ‘dar certo’ para você? Quem ‘deu certo’ nos anos 90? O Virgulóides? O Raimundos? O Planet Hemp? Pro MM ‘dar certo’ não é vender 1 milhão de cópias, tocar na rádio, aparecer na TV e tocar no rádio. Pro selo ‘dar certo’ é gravar músicas boas e fazer com que as pessoas interessadas naquela música boa escutem. Se forem 7 pessoas que gostam daquele tipo de som, mas eu conseguir fazer com que as 7 pessoas escutem a música e gostem, pra mim isso é ‘dar certo’ . Neste sentido, a Pelvs deu e dá muito certo. Dai você quer que eu destaque bandas que deram certo dentro do conceito do midsummer madness, ou dentro deste outro conceito equivocado (desculpa a grosseria viu, mas eu não resisto)?”

Gostou da Midsummer e do Lariú? Vá lá no site que todas as bandas tem músicas para baixar.  E se você tem uma e quer mandar material, é bom primeiro prestar atenção no recado encontrado no MySpace da MM. "Nós escutamos todas as bandas. Nos associamos só as bandas de que gostamos. Então, para não perder seu tempo, tenha certeza que sua música não vai ofender aos ouvidos do pessoal: my bloody valentine, Jesus and Mary Chain, Velvet Underground e Sonic Youth".


http://mmrecords.com.br/
http://www.myspace.com/mmrecordsbr


 


 
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