
Trepanação marca o primeiro registro oficial dos Skizoyds. A banda é uma representante do power-psychobilly, sub-gênero consagrado no Brasil após o êxito dos Catalépticos no exterior. O trio de Santa Isabel (interior de São Paulo), formado por LuíCifer, Billy Grilo e Alemão Tequila, é uma derivação dos finados Mongolords (1992-1998) - banda clássica da década de 90 que já teve uma demo produzida por Marcelo D2.

SKIZOYDS
Luzes, câmeras, sangue... Trepanação!
Por Alexandre Saldanha
Trepanação marca o primeiro registro oficial dos Skizoyds. A banda é uma representante do power-psychobilly, sub-gênero consagrado no Brasil após o êxito dos Catalépticos no exterior. O trio de Santa Isabel (interior de São Paulo), formado por LuíCifer (voz e bateria), Billy Grilo (guitarra) e Alemão Tequila (slap bass), é uma derivação dos finados Mongolords (1992-1998) - banda clássica da década de 90 que já teve uma demo produzida por Marcelo D2.
Gravado em 2006, mas lançado só três anos depois, Trepanação começa com a instrumental “Rumble in the Jungle”, que começa com uma bateria tribal (muito bem timbrada) que recebe o acompanhamento da guitarra distorcida de Billy Grilo - esta, com forte influência de thrash metal e punk.
O disco tem bons momentos como a divertida “Sick Atrizes”, que ironiza o mundo glamuroso das ‘celebridades’ (geralmente pessoas que nunca fizeram nada célebre); as nervosas “Cabeças Motorizadas” e “Psycharada” (com direto a riff à la Slayer); a faixa-título, com seu refrão extremamente cantável em sing-along. Boas também são as participações do pianista Alex Valenzi no boogie-woogie “Mulheres Demoníacas” e HulkaBilly (Kães Vadius) no dueto “Sexo e Sangue”.
A música que dá nome à banda, lançada em 2002 na coletânea Dance With a Chainsaw (Funeral Music), ganha nova versão. Dessa vez, tanto a técnica quanto a timbragem do baixo acústico foram aprimoradas. A guitarra também recebeu enfeites, como um wah-wah no riff que sucede o refrão. Cheng Chong faz referência aos maconheiros Cheech and Chong e guitarras que remetem ao melhor do metal pesado. A temática, claro, não podia ser outra a não ser cannabis sativa.
O grande mérito do disco são as letras. Predominantemente em português (à exceção da quase instrumental “Cactus Jack” e algumas frases de “MotorPsycho”), o teor dos textos escritos por Billy Grilo e Luícifer - sozinhos ou em parceria - é de um humor sacana, no melhor sentido da palavra, cheio de perversão e acidez. Em “Sex Shop” tem a passagem “Corselets, cintas-liga/Estou precisando de uma salva vidas”; ou ainda em “Sexo e Sangue” com “Vampiro também gosta de fazer neném”
A produção, no entanto, merecia um pouco mais de atenção - principalmente na parte que diz respeito às seis cordas. Na segunda faixa - Trepanação - começa com um acorde aberto que soa embolado e sem definição. Em várias músicas, as bases emcobrem os solos, como em "Mulheres Demoníacas" "Cabeças Motorizadas" e "Sick Atrizes". Outro ponto que ficou a desejar foi na faixa "Wrecking Blues", em que a guitarra praticamente desaparece por alguns segundos, deixando a música vazia até voltar com o peso da distorção, atrapalham a dinâmica das músicas.
1 - Rumble in the Jungle
2 - Trepanação
3 - Frankenstein
4 - Skizoyds
5 - Morto Vivo
6 - Motor Psycho
7 - Sexo & Sangue
8 - Maldito Rock’N’Roll
9 - Cactus Jack
10 - Mulheres Demoníacas
11 - Cabeças Motorizadas
12 - Sick Atrizes
13 - Psycharada
14 - Wrecking Blues
15 - Cheng Chong
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Alexandre Saldanha é jornalista e guitarrista da banda Kães Vadius