Entrevistas: Fábio Mozine
Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009 (0:51:10)
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 Fábio Mozine é uma das figuras mais importantes da cena independente nacional, um cara capaz de capitanear três bandas ao mesmo tempo (Mukeka di Rato, Os Pedrero e Merda), cuidar de uma gravadora (Läjä), participar de projetos diversos e ainda escrever o recém lançado livro Una Gira En Sudamerica.


 



Na ordem: Merda, Mozine versão filme, Mozine ontem & hoje, Mukeka, o livro, o novo CD d'Os Pedrero
+ entrevista
Mukeka di Rato, Merda, Os Pedrero
FÁBIO MOZINE
Por Allan Borges
Fábio Mozine é uma das figuras mais importantes da cena independente nacional, um cara capaz de capitanear três bandas ao mesmo tempo (Mukeka di Rato, Os Pedrero e Merda), cuidar de uma gravadora (Läjä), participar de projetos diversos e ainda escrever um livro, o recém lançado Una Gira En Sudamerica.
O livro é um diário da turnê feita pelo Merda - que começou em Vila Velha/ES e foi até Montevidéu/Uruguai - relatando os shows, a estrada, os bares, festas, prejuízos e contratempos. Tudo é motivo de história e contado com as palavras diretas e o frenesi de Mozine.
Nesta entrevista, além de abordar um pouco o livro, pude conversar com ele sobre o que suas bandas têm feito, download e as dificuldades dos selos, alguns acontecimentos recentes na vida desta figura atuante e planos para o futuro. Com vocês o músico, o empresário, o artista de cinema: Mozine.
Comentei com você outro dia que havia acabado de sair o disco novo d’Os Pedrero e que o achei para download em um blog. Você respondeu que achou que até demorou para alguém disponibilizá-lo em mp3. Você que toca em banda e lança discos, como lida com o mp3, download livre?
Ninguém está livre, essa porra tá um oba-oba tecnológico, nem segura esse flamengo, Allan, tá foda, total out of control, ou vira Adolfo Hitler e prende garoto de 15 anos que colocou pra download ou liga o foda-se e seja o que Deus quiser.
A Deckdisc, que lança os discos do Mukeka Di Rato, parece ser uma gravadora que lida bem com as variáveis mp3/internet/download, pois apresenta algumas alternativas rentáveis ao selo (e às bandas). Você acha que uma das opções para contornar as dificuldades do mercado fonográfico é a postura adotada pela Deck? No caso da Läjä (e muitos selos independentes) percebo que existem mais lançamentos sendo feitos de maneira coletiva, esta é uma saída?
Eu estava pensando esses dias, acho que seria legal um site pra downloads legais a baixíssimo custo. Outro fator que eu acho interessante é o download gratuito, porém com alguém bancando, tipo uma empresa, patrocinador. Mas o que eu espero mesmo é a volta do vinil no Brasil, pra poder fazer pequenas prensagens legais de títulos legais, e vender pro publico de sempre mesmo, sem megalomanias milionárias de gravadoras.
Um de seus trabalhos mais recentes é o livro Una Gira Em Sudamerica. Fale um pouco desse lançamento e se há planos para algum outro livro.
Esse “livro” já esta escrito há alguns anos. Na verdade terminei em 2005 assim que cheguei da tour. Mas só agora pude lançar, pois contei com o apoio de uma lei municipal. Eu ia ficar somente nesse mas percebi que a galera gostou, principalmente muitas pessoas de fora do hardcore. Acho que vou continuar, quero escrever mais dois, que já estão na agulha, um sobre historias reais (ou não) da minha pré adolescência em Coqueiral de Itaparica, historia de mulher que se matou no segundo andar, ratazana morta embaixo de pneu de ônibus e carnaval de Guriri. O outro seriar um livro/pesquisa sobre a historia do inicio do Mukeka di Rato. Acho que lanço os dois até o final do ano que vem.
[Mais sobre o livro AQUI]
Você toca em bandas, lança discos, escreve e publica livros, começou a atuar em curta-metragens, lançou um game. Você pretende dominar o mundo? Já pensou em montar uma igreja?
O que eu mais penso é em montar uma igreja ou ser político. Quem sabe um vereador bem cafona e ladrão, e esse é um bom começo. E isso que estou falando é verdade. Arquive essa entrevista em algum lugar do seu micro e daqui a quinze anos, quando eu estiver eleito em Vila Velha ou Vitória, roubando o seu dinheiro, você vai falar: “Caralho... era verdade mesmo”. Porém, além desse fato, acho que essa mesma tecnologia acessível que faz o menino baixar meu disco novo em um minuto, um minuto depois dele ter sido lançado, é a tecnologia que estou usando para fazer minhas coisas. O que você chama de “curta metragem” eu chamo de “videozinhos podres que eu sempre fiz ou sempre pensei em fazer”. Quando eu tinha 15 anos de idade eu já fazia isso em Coqueiral de Itaparica com Eduardo, Antonio, Ratinho, Beto e outros caras. A diferença é que aqueles cinco ou dez filmes que fizemos perdemos em fitas VHS grandes, hoje em dia eu sei colocar no youtube e mil pessoas assistem.
No começo do ano você trouxe as bandas Vivisick e Fuck on the Beach ao Brasil. Ao contrário da maioria das turnês independentes que são feitas aqui, você os levou para tocar também no Nordeste. Como surgiu a idéia e como foi traçar uma rota diferente das demais turnês?
Esse negocio do Nordeste foi um bagulho pessoal meu. Os melhores shows do Mukeka Di Rato são no Nordeste, tenho grandes amigos lá, pessoas que me respeitam pra cacete, chego lá nego me trata bem, e todos os shows são apenas na região Sul e Sudeste, isso é foda. Então comprei essa briga, expliquei pros caras do Vivisick e Fuck On The Beach a realidade da guerra e eles falaram pra mim: “Vamos fazer Nordeste, se der preju, foda-se.” Os caras do Mukeka Di Rato falaram comigo a mesma coisa, pra eu fazer essa porra. Não deu preju, deu menos no que daria ficar na região Sudeste viajando tres horas de van, mas valeu a pena. Esses dias eu recebi a mensagem de um dos caras das bandas do Japão: “Please, i wanna go back nordeste to dance forró music and drink pitu cola”. PORRA! Foi bom pra caralho, e eu quero levar outras bandas legais de porradeiro pro Nordeste, além de fazer uma tour com o Merda por lá assim que possível.
Se fazer shows já é difícil, organizar turnês é mais ainda. Pretende continuar trazendo bandas?
Eu odeio organizar tour. Fico nervoso e doente antes das tours, é um saco. Eu gosto de ficar bêbado, isso, sim. Se eu pudesse não fazer nada vezes nada, eu faria isso. Chegaria no lugar, saltava to táxi, ligava meu baixo, tocava, enchia a cara e voltava pro hotel. Mas essa é uma realidade muito distante de mim. Eu tenho que ligar pros outros, tenho que marcar os shows etc. Se eu quero continuar tocando com Mukeka Di Rato ou outra banda, e sair desse show com no mínimo uma merrequinha no meu bolso, tenho que ligar, não posso me dar o luxo de ter um produtor, dois roadies, como eu queria. Então, eu não gostaria de fazer tours, eu gostaria que as bandas fossem absolutamente auto sustentáveis ao ponto deu contratar alguém pra fazer tudo pra mim e eu só entrar pra tocar, mas como isso não é possível e como gosto de tocar, gosto de viajar, eu organizo, mas saio mentalmente desgastado dessas situações.
Depois das turnês com o Ataque Periférico e com o Merda, está pronto para entrar em uma van e rodar a Europa com alguma outra banda?
Acabei de voltar da Europa. Fiquei 15 dias na Dinamarca e Portugal, toquei umas musicas numa feira chamada Womex, na Dinamarca, mas num esquema total fora do hardcore. Mas eu acho que estou preparado, sim. Foram dois acidentes muito fudidos, principalmente o segundo que quase ceifou minha vida e/ou me deixou parado numa cama, mas eu não vou ficar agarrado com essa porra, não, próximo ano se der eu vou. Essa viagem agora pra Europa foi boa pra minha cabeça e tal, foi bom pisar por lã de novo e vamos ver o que rola em 2010. [Em 2007, as bandas Leptospirose e Merda sofreram um grave acidente durante sua tour européia. Leia mais em Documentário Leptospirose & Merda Tour Europa e Guitarra e Ossos Quebrados]
Você será homenageado no final do ano em um evento da cultura capixaba (Omelete Marginal). Como recebeu a notícia?
Eu acho isso tudo muito bizarro, velho, estranho pra caralho, ambíguo e estou tentando tomar muito cuidado com isso. Se eu mereço essa homenagem? Hmmm.. sim, por que não? Assim como 800 pessoas ao meu lado merecem, iguais a mim. Rodrigão, Cidinho, Marcel, Alexandre etc. Esse lance de homenagens são estranhas, o melhor, the best, isso tudo é muito relativo. Algumas coisas nessa historia toda me incomodam um pouco, por exemplo: nesse festival fui indicado a um premio de “melhor ator” por um filme de internet. Achei isso uma merda!!! Achei muito ruim, porque essa indicação desmoraliza a minha indicação como “melhor disco do ano” com os Pedrero, que, na verdade eu não devia ser indicado, devia ganhar logo, que o nosso disco é o melhor mesmo! (Risos) Bom.. eu acho esse festival Omelete Marginal muito foda, toda a idéia e estrutura e sempre apoiei os caras, agora pintou essa lance da indicação e é isso. Isso não muda nada na minha vida, na minha postura e nada no meu jeito de ser, nada em porra nenhuma que eu faço, e vou tentar usar isso num futuro próximo de forma positiva pra outros projetos que eu desenvolvo que são fora do hardcore etc.
O que você tem escutado de novo e bom relacionado a hardcore/punk/rock nacional? E internacional?
Eu sou um cara que escuta sempre as mesmas bandas, isso é foda. Se você checar entrevistas minhas de anos atrás vai me ver falando sobre Fyp, Dwarves etc. Vou olhar pro meu armário e falar o que estou vendo: Raquel, uma cantora de fado, portuguesa, nova, bonitona, canta pra cacete. Parno Graszt, uma banda de ciganos de verdade, da Hungria, muuuuuuuuuuuuuuuuito foda, mas muito foda mesmo, melhor coisa do mundo. Fe Paschoal, um menino novo aqui do ES, que faz um som que eu nem sei falar que porra é aquela, sei lá, MPB + rock + musica latina, será que é isso?? Sei lá, ele faz um som que eu acho legal. Tenho escutado muita guitarrada também. Ganhei 15 CDs no Pará: João Gonsalves o inventor da lambada, Aldo Sena e Curica, dois mestres da guitarrada, tenho escutado umas bandas de Carimbó da ilha de Marajó, porra, Allan, foi mal, acho que não tenho escutado muito hardcore. Deixa eu pensar uma banda de hardcore, nova, que eu parei pra escutar.... Delinqüentes, de Belém do Pará, uma banda antiga, tocam bem, o CD é bem gravado, foi uma das ultimas bandas de hardcore que eu parei, coloquei no aparelho, escutei e olhei o encarte pra ler as letras. Velho de Câncer eu gostei pra cacete, CD bom. Parei pra assistir um show do Ornitorrincos no Sul e gostei disso, e poguei num show do Replicantes com meninos de 15 anos e garrafa de conhaque na mão, isso também em Porto Alegre. O resto que eu falar aqui vai ser Black Flag etc, e eu não vou ficar falando isso, né, nessa altura do campeonato, até a menina da Malhação tem camisa com quatro barrinhas.
Muitas bandas possuem sites hoje em dia, porém o contato mais direto e constante com o público é feito através de mídias como Orkut, Fotolog, Myspace e Twitter. É através destes meios que elas conseguem manter uma frequência de atualizações quase que em tempo real. Quais os meios que você utiliza com mais frequência? O site próprio ainda é necessário?
Quase todos esses meios aí. Alguns precariamente, outros melhor. Pra voce ter uma idéia, eu mesmo não sei mexer no myspace. Durante todos esses anos quem cuida disso pra mim é o Ricardo Tibiu, de São Paulo. O Metal cuida dos meus sites, eu deixo lá só pra dizer que existem. A coisa que eu atualizo todos os dias mesmo é o fotolog da Laja, colocando noticias ou coisas pessoais - engraçado que quando divulgo coisas de bandas, shows, quase ninguém comenta. Quando coloco fotos engraçadas, do Toscano e do Mancha bêbados, todo mundo fala. Tenho usado o Twitter de vez em quando e tem dado resultado. Divulgo lá quando chegam coisas nova no catãlogo e costumo vender algo. Já falaram que eu devo fazer facebook mas ainda estou resistindo. Uso o msn todo dia, faço muitos negócios por ele, marco show, vendo CDs e mantenho o contato com meus amigos.
Sou Feio, Mas Tenho Banda é o mais novo álbum d’Os Pedrero. É um disco que começou a ser gravado há alguns anos, porém só saiu agora. Por que tanta demora?
Velho, diversos motivos: 1) isso foi um disco presente, que o Rafael Ramos ME DEU, de presente mermo, amigo, então a gente atrasou e depois tivemos que seguir o horário dele; 2) fora isso, quando ele conseguia me colocar lá pra gravar os bagulhos que faltavam (quatro vocais da minha pessoa) eu chegava sem condições de gravar, por motivos diversos, tomando alguns ligeiros esporros dele. Até que um dia eu finalmente consegui gravar duas músicas que faltavam e outra musica lá a gente cortou mesmo, por incapacidade de gravar mesmo o vocal. Depois foi um outro processo um pouco lento pra mixar, mas acabou rolando e eu gosto muito desse disco, muito mesmo, mas tirando O Motoqueiro Doido, de que eu não gosto, todos os discos dos Pedrero quando saem, eu gosto pra caralho e costumo escutar muito, apesar de que eu já parei de escutar esse faz tempo.
É a primeira gravação da banda com o baterista Marcelinho. Existe alguma diferença entre as músicas deste para os outros discos?
Ah, bicho... porra! (Risos) Lógico que existe, né, mas eu prefiro não comentar nada. Aconselho a pessoa a escutar e ver a diferença. Mas esses dias eu estava escutando o Cavera y Macaco, a bateria é mal gravada, eu mixei ela baixa pra esconder algumas coisas, e eu gosto pra cacete! (Risos) Bebê mandou bem nesse disco, é brutalmente bem mal tocado, é hardcore pra caralho, sujo, ficou foda.
Também é o primeiro disco da banda gravado em um grande estúdio (Estúdio Tambor/RJ, Deckdisc). Como foi gravar um som em que vocês costumavam se aproveitar das crueza dos estúdios em um local com mais tecnologia e que normalmente algumas bandas buscam para soar mais limpo? Isso influenciou muito no resultado final?
Acho que fizemos a mesma coisa que fizemos com o Carne, do Mukeka Di Rato. Usamos a tecnologia do estúdio a nosso favor. É bem gravado? Sim. É um baterista diferente? Sim. É os Pedrero???? Sim! Pra caralho, é um disco dos Pedrero.
Tendo sido gravado no estúdio da Deck e produzido pelo pessoal da gravadora, houve algum sinal de que este disco poderia ser lançado por eles?
Nunca, esse disco foi um presente que ganhamos do nosso chefe.
E o Merda, como anda?
Tocamos esse dia no lançamento do meu livro. Queremos fazer um outro show em Vila Velha com a formação certa. Queremos fazer uma tour no Nordeste nos moldes da que fizemos no Sudeste, Sul. Argentina e Uruguai, vamos ver. O split com DFC acaba de sair, saiu ontem, sério! Queremos agora fazer um disco nosso. Eu tô com uma idéia doida, vamos ver se os caras mais uma vez abraçam as minhas doideras, tenho certeza de que uma galera vai torcer o nariz se rolar, mas ok, to muito preocupado com a galera. não.
No Mukeka Di Rato a distância entre Brek e o restante da banda parece já ter sido contornada, pois o Mukeka está sempre na estrada. Agora é o Japonês, do Merda, que também mora longe, como isso afetou a banda quanto a shows e gravações?
A do Brek é muitisismo pior que do Japa. O Mukeka faz vários shows péssimos que queimam nosso filme, mas nesse caso nem culpo o Brek, culpo a mim e o Sandro, que sempre estamos bêbados, basta olhar alguns shows no youtube, que é uma desgraça que expõe a ferida horrível. Mas isso tem melhorado. A distancia do Brek atrapalha mesmo a parte de produção. Quero dizer, apesar dos shows serem horríveis, “teoricamente” por falta de ensaio, te garanto que se Brek estivesse aqui não estaríamos indo ensaiar “Minha Escolinha”, tá ligado? Ou seja, se Brek morasse no ES, ou nós três em São Paulo, nosso novo disco já estaria pronto. O processo de composição está lentíssimo por causa da distancia. Fomos ensaiar agora em São Paulo, numa sexta feira, deixamos de marcar show na sexta pra ensaiar. Chega quinta feira, festa do VMB, da MTV. Na sexta feira nego passa mal o dia todo de ressaca, chegamos trinta minutos atrasados e fazemos apenas uma música nova, ou seja, é tenso velho, é complicado, mas não tem como por a culpa no Brek, tá ligado? É uma banda desgraçada mesmo.
Falando em Mukeka Di Rato, quais as novidades?
Situação boa ruim. Toca pra caralho, mil propostas de show! Cachê dessas mil propostas: duas mariola e uma garrafa de conhaque. Carne! Nossa, que CD foda, todo mundo gosta, sucesso de criticas! Vendagem do Carne: duas mariola! Isso que enfraquece a amizade.
O Mukeka assinou com a Deck e lançou o disco Carne. O que esse contrato mudou para a banda?
Se Carne tivesse sido lançado de forma independente não teria sido lançado porque a banda teria acabado, a banda estava em frangalhos e o contrato da Deck acabou nos dando um gás. Mas na verdade a banda não mudou porra nenhuma, somos a mesma merda, os mesmos gordos, as mesmas piadas, os mesmos hotéis de centro de SP com cheiro de crack na recepção.
E mais uma vez o Mukeka foi indicado ao VMB. Acho que enquadrar as bandas nas categorias musicais tornou a coisa, aparentemente (!!), mais democrática. O que achou dessa divisão?
Achei legal, gostei de todas as bandas que estavam ali indicadas e me parecia muito obvio que o Dead Fish iria ganhar o premio, e eu acho que ganhou com méritos. Achei muito doido o nome “Hardcore” na indicação do premio, a MTV é legal por uns aspectos. A MTV Brasil tem muita coisa doida, muita coisa que não tem nem em TV de internet, a MTV tem bastante informação. Tem Mary Moon horrível ridícula? Tem.. mas porra, saiba ligar na hora certa. Eu vejo coisas boas na MTV, Hermes e Renato é o bagulho mais engraçado do mundo, Coluna passa umas bandas doidas, mas eu to viajando, né, você não perguntou isso, perguntou da indicação? Foi mal.
Quando me perguntaram quem eu achava que levaria, disse que estava entre vocês e o Dead Fish. Achou que tinham chances? Comente sobre a indicação e possibilidade de premiação.
Sempre soube que não tinha chances, desde o inicio, soube por mim e pela minha intuição. Mas pra gente é sempre foda estar indicado.
Entre os clipes do disco Carne o da música “Cachaça” é o melhor. Qual é o seu preferido?
”Cachaça” também é o que eu mais gosto. Eu gostei do “Carne” porque ninguém gostou. Mas não foi só por isso, é porque eu gostei mesmo. Na verdade tudo em todas as bandas minhas que eu mais gosto são os que eu acabei de fazer. Se voce me perguntar agora o CD que eu mais gosto dos Pedrero vou falar que é o Sou Feio Mas Tenho Banda mas pode ser que daqui alguns anos volte a ser o Estilo Selvagem. Mas no atual momento eu gosto de “Cachaça” como melhor clipe que o Mukeka Di Rato já fez em toda vida. O clipe de “Rinha De Magnata” é muito marcante. Tecnicamente deve ser o melhor do Mukeka, mas eu gosto mesmo é do “Cachaça”, mil vezes mais.
Depois de clipes mais engraçados, algumas pessoas acharam o clipe de “Carne” um pouco estranho. Acho que muitas esperavam algo engraçado como os outros e acabaram por não entendê-lo e nem associa-lo ao que é a letra da música. Qual foi a idéia de vocês com aquelas imagens?
A idéia foi fazer isso ai que voce falou. O Mukeka é uma banda engraçada naturalmente e não uma banda engraçadinha.
Carne já se tornou um disco velho. Disco novo, DVD, quais os próximos planos do Mukeka Di Rato?
Idéias: milhares. Realizações: nenhuma. Motivo: tempo e vida louca dos integrantes, mil compromissos, distancias, trabalhos fixos etc.
Das idéias: - disco novo (já temos seis ou sete musicas, a capa, o nome do disco. Sai no começo de 2010, mas já poderia ter saído desde julho de 2009) - DVD duplo: Japão / Brasil (isso sai em 2010, quem sabe, por que não???) - split 7” EP (ou com uma banda européia ou com uma banda viada do Brasil, sai 2010 também) - DVD da banda mesmo (nem Deus sabe quando isso sai, mas tem-se a ideia)
Acho que já perdi as contas de quantas vezes te entrevistei. Nem sei como ainda consigo criar perguntas para você. Vamos parando por aqui porque minhas idéias chegaram ao fim. Suas palavras...
Acho que foram boas, focou os assuntos atuais da banda, entrevista reta, sincera, você é meu amigo mas não fica puxando meu saco, tu é do hardcore mas não fica querendo dar alfinetadinha com perguntas duplo sentido etc, Vale a pena parar pra escrever algo com clareza. É nóis, meu brother, tamo aí nessa vida doida, nos divertindo da forma que dá, porque o dia que essa porra perder a ultima gota de alegria e diversão que proporciona, a gente vai dar o cu numa empresa mesmo e ganhar dinheiro que é a onda.
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Originalmente publicado em http://akpress.blogspot.com/
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